quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 57


CHRISTIAN


— Finalmente chegamos! – Ana exclamou, já descendo do carro, acariciando sua barriga – Eu não aguentava mais ficar sentada. Quando voltarmos, vamos de barco, viu?

— A lancha não está aqui, Bonequinha – Jack a lembrou à medida que pegávamos as coisas do porta-malas para começarmos a pôr para dentro de casa.

— Um dos dois vai de carro e volta de barco para me buscar. Simples assim – ela comentou, já abrindo a porta da frente de casa.

Mesmo a gente tendo rido do comentário dela, concordamos de Jack ir por terra e voltar pelo mar, devido ao estado da Anastasia que já se encontrava para entrar nos nove meses de gestação e essas últimas semanas a mesma vinha sentindo mais desconforto e dores do que antes.

Se estávamos ansiosos para o nascimento da nossa pequena unicórniozinha? Demais. Durante a última consulta, a médica nos comunicou que nas próximas semanas era para ficarmos mais atentos, pois a qualquer momento a Ana poderia entrar em trabalho de parto e precisávamos estar preparados para tal situação sem que entrássemos em pânico na hora.

Anastasia então acabou dizendo, tanto para a doutora quanto para nós, que não queria sentir dor na hora de dar à luz e que ia querer fazer a cesariana, ignorando totalmente os avisos de Jack sobre o pós-operatório, normalmente doloroso em uma cirurgia desse porte.

— Vamos desfazer as malas e depois sentar para decidir o que iremos preparar para o nosso jantar especial de comemoração – Jack comentou e todos assentimos.

Gê então pegou a mala dela e se dirigiu para o quarto na outra extremidade da casa, onde havíamos montado para ser seu cantinho, temporariamente, porque eu e o Jack estávamos pensando em reformar aquela residência. Nossos planos eram de fazê-la de dois andares para poder acomodar melhor a todos nós, já que nossa família cresceu, passando de dois para cinco pessoas.

Pegamos nossas coisas também e fomos para o nosso quarto. Nos encontrávamos no meio do processo de desarrumar as malas enquanto ríamos e conversávamos com a Bonequinha que estava sentada na cama, quando de repente escutamos o som de um copo se quebrando ao chão.

— Está tudo bem aí, filha? – inquiri, mas não obtivemos resposta então nos entreolhamos e eu disse que ia ver o que havia acontecido, já saindo do quarto chamando por Geovanna.

Mal saí do pequeno corredor que dava acesso ao nosso quarto, entrando na sala, dei de cara com dois homens em nossa cozinha e um deles estava segurando e tampando a boca da nossa filha, que se debatia tentando se soltar.

“Ah, droga! É um assalto” pensei imediatamente, já pensando em algum jeito para sairmos são e salvos daquela situação inesperada.

— Ai meu Deus! – ouvi Ana exclamar atrás de mim, mas parando em seguida ao meu lado com a mão sobre a sua boca.

Entretanto, o susto dela já tinha alertado os ladrões de nossa presença ali, fazendo com que ambos nos encarássemos.

— Não vai vir me dar um beijo, querida? – indagou o cara que estava ao lado do que se encontrava segurando a Gê, já dando um sorriso sinistro.

— Como me achou, José?

“José? Esse não era o nome do ex-namorado violento da Anastasia?” pensei e Jack, ao meu lado, como se tivesse pensado a mesma coisa que eu, externou a pergunta em voz alta, recebendo um “Sim” vindo da Ana.

De repente, minha atenção foi para a mão do tal José, que empunhava uma Glock.

— Pensou mesmo que ia armar para cima de mim, me colocar na cadeia e não teria o troco, sua filha da puta? Eu ia te caçar até no inferno se fosse preciso – ele disse dando a volta na mesa da cozinha.

— Eu não armei para você, José. Foi o Big White. Eu juro. Ele queria o seu lugar de líder na vila – Anastasia falou enquanto o sujeito dava alguns passos em nossa direção, fazendo com que eu e Jack nos colocássemos meio que na frente dela.

Todavia, vi Jack começar a erguer os braços, flexionando-os em uma alguma posição de ataque do karatê, mas peguei no antebraço dele, o encarando e balançado sutilmente a cabeça, acenando um “Não” para o mesmo. Eu sabia que ele era bom no karatê, entretanto o cara se encontrava longe demais para o Jack arriscar tentar algum golpe e acabar levando um tiro.

— E quem são esses dois idiotas aí? Não me diga que tá dando a minha boceta para eles? Você é uma vadia mesmo.

— A boceta é minha e eu dou para quem eu quiser!

Em resposta ao que a Ana acabara de dizer, o ex dela apontou a arma para a gente, fazendo-me engolir em seco.

— Quem devo matar primeiro? – o cara murmurou intercalando a mira dele entre mim e Jack, todavia Anastasia passou a frente da gente.

— Eles não tem nada a ver com isso, José!

Tentamos segurá-la quando ela fez menção de se afastar, indo em direção ao ex dela, mas a mesma se desvencilhou e se aproximou a passos lentos do cara à medida que falava.

— Eu não tenho nada com eles, José. Os dois são gays, inclusive. Não gostam de boceta. Não os mate, porque eles estão me ajudando com relação ao bebê. Vão me dar uma boa grana por ele. Eu sei que você não o queria, mas o bebê está sendo um bom negócio então podemos dividir a grana...

De repente, ele deu uma coronhada no rosto da Ana, fazendo com que ela se desequilibrasse e se apoiasse contra o sofá ao lado. Demos alguns passos à frente, chamando pela mesma, bastante preocupados, mas o cara apontou novamente a arma em nossa direção fazendo-nos estancar.

— Acha mesmo que eu acredito em você, sua vadia? Sabe o que eu vou fazer? Eu vou matar eles e depois...

— Temos que fazer algo ou vamos morrer aqui mesmo – murmurei baixo enquanto o ex da Anastasia ameaçava Deus e o mundo.

— Eu consigo desarmar ele, então você cuida do outro cara que parece que não está armado, amor.

Assenti, já olhando para o meu lado direito onde ficava umas das portas de correr de vidro da sala que dava acesso para um deck que era ligado com a frente de casa. Jack pareceu entender minha intenção e sussurrou um “Toma cuidado” para mim que sussurrei o mesmo de volta para ele, antes de eu correr para a porta, abrindo-a.

— EI! FICA PARAD... SUA VADIA! VOCÊ ME PAGA! – ouvia o cara gritar à medida que eu corria pelo deck em direção à frente da residência.

De repente, escutei um tiro vindo de dentro da casa e estanquei no lugar, já olhando para trás, encarando o corredor vazio do deck. Minha vontade foi de voltar, mas algo dentro de mim me dizia para continuar com o que eu tinha planejado e assim o fiz. Acessando o deck da frente, entrei pela janela do quarto da Geovanna, que se encontrava meio entreaberta, e me encaminhei para fora do mesmo.

Com cuidado me aproximei por trás do outro homem, vendo mais à frente o Jack lutar com o ex da Ana, então o ataquei de surpresa, pulando em cima do cara, indo nós três ao chão.

— CORRE, FILHA! – gritei, já levando em seguida uma cotovelada na boca.

Mesmo com a dor, fiquei aliviado por ver a Gê se afastando dali então me foquei então em lutar com o cara, empurrando-o com chute, me erguendo rapidamente. O homem logo puxou um canivete apontando em minha direção e avançou contra mim, tentando me acertar. Eu fui um dos valentões na época do colégio, mas isso tinha sido há muito tempo, então lutar não era muito o meu forte hoje em dia e isso acabou refletindo naquele momento.

Entretanto, para compensar a falta de prática em luta, usei do ambiente e dos utensílios a meu favor, conseguindo a muito custo esfaquear o cara usando uma das facas da cozinha fazendo ele cair no chão, morto. Me escorei na bancada, respirando ofegante e então, andando meio mancando devido ao canivete cravado em minha coxa, peguei a arma jogada ali perto, mirei e tirei em direção ao ex da Anastasia, que estava em cima do Jack, batendo nele.

O cara bolou para o lado, também morto, então subitamente senti um alívio por ter acabado e termos saído vivos daquela situação. Jack se levantou do chão com o rosto meio machucado e veio até mim, amparando-me com uma expressão preocupada, já me fazendo sentar parcialmente no braço do sofá, antes de se curvar e analisar o estado da minha perna.

— Cadê as meninas? – inquiri enquanto limpava com a minha blusa, o sangue que escorria da minha boca por causa da cotovelada que tinha levado, já fazendo uma careta de dor quando Jack apertou perto de onde o canivete se encontrava fincado.

Ele nem chegou a me responder, pois logo escutando um palavrão vindo do nosso quarto, segundos antes da Geovanna aparecer na sala, vindo da varanda que conectava os dois cômodos.

— A bebê vai nascer! – ela exclamou, eufórica e eu e Jack nos entreolhamos, assustados.


Nenhum comentário:

Postar um comentário