JACK
Um mês antes do previsto, recebemos uma ligação do Dr. Sender, nosso advogado, que nos informou que a audiência da guarda definitiva da Geovanna havia sido antecipada e que iríamos ter que comparecer no Tribunal de Justiça nos próximos dias.
Tínhamos deixado de lado toda tensão e preocupação com relação ao andamento do processo, mas com a notícia da antecipação da audiência, voltou novamente à tona a nossa ansiedade. Entretanto, a juíza deu uma resposta favorável ao processo, nos concedendo a adoção plena da Geovanna.
Segundo nosso advogado, esse tipo de adoção era uma adoção onde o menor adotado passava a ser, para todos os efeitos legais, filho legítimo dos adotantes, desligando-se de qualquer vínculo com parentes de sangue, ou seja, mesmo com o irmão dela vivo, ambos não tinham mais vínculos de nada.
Geovanna até poderia ter um novo nome, caso desejasse, e ela quis apenas trocar o seu sobrenome para o nosso. Então, com os papéis em mãos, fomos até o cartório e fizemos a mudança, tirando novos documentos para ela.
— Agora você é oficialmente uma Greedy, princesa – falei a abraçando, já vendo Christian tirar uma foto de nós, antes de abraçar nossa filha também.
— Obrigada por vocês me adotar e me dar a oportunidade de ter uma vida que eu nunca sonhei que teria. Prometo fazer novas amizades e sempre andar na linha, sem me meter em confusões. Sei que é muito cedo para dizer isso e talvez os dois não acreditem, mas já amo vocês como meus pais – ela disse e isso nos emocionou, causando mais uma rodada de abraços.
— Vamos logo para casa? Acho que a Bonequinha deve está pirando de curiosidade para saber o resultado. Mas bem que podíamos brincar com ela e dizer que a juíza foi contra o nosso caso.
— A Bonequinha vai acabar te dando uns tapas, Mozão. Mas, seria bem engraçado mesmo ver a reação dela – comentei, rindo, juntamente com os outros dois.
Então nos dirigimos para o carro e fomos para nossa casa, planejando como iríamos enganar a Anastasia.
★ ★ ★ ★ ★
Chris estava certo, Ana se encontrava quase tendo uma síncope quando estacionamos o veículo na frente da garagem.
— E aí? Qual foi o resultado? – ela nos questionou, se aproximando de nós à medida que saíamos do carro.
Anastasia estava com um sorriso enorme no rosto, indicando que a mesma se encontrava bastante animada e ansiosa. E me deu até um pouco de remorso em tirar aquele sorriso dela.
— Vamos primeiro entrar, Bonequinha. Depois a gente senta e conversa sério sobre isso – falei, tentando permanecer com o semblante entre o sério e o triste, assim como as expressões faciais do Christian e da Geovanna.
Ana notou que havia acontecido algo não muito bom e nos acompanhou para dentro de casa.
— O que aconteceu, gente? Me falem logo. Eles disseram um “Não” para vocês, foi?
Assentimos, assim que nos sentando no sofá.
— A juíza determinou que não podemos adotar a Geovanna enquanto a mesma não for uma órfã de verdade.
— Ou seja, o irmão dela precisa falecer primeiro para só assim podermos entrar com um novo pedido de adoção e, finalmente, sermos os pais dela perante a lei – complementei a fala do Chris.
— Até lá, eu vou ter que ficar em um orfanato, sob os cuidados do estado. Aff... – Geovanna murmurou, fingindo está indignada com aquilo também.
— Não pode ser! Temos que recorrer, não é isso que o advogado falou que precisávamos fazer se a resposta fosse negativa? – Ana indagou e nem esperou que a respondéssemos, já foi logo surtando, andando de um lado para outro na sala de estar.
Ela falava consigo mesma, divagando em seus próprios pensamentos de vingança para com a tal juíza do caso, fazendo com que eu, Christian e Geovanna tentássemos segurar o riso.
— Bonequinha, você parou com sua vida criminosa, lembra? – Chris conseguiu falar, apenas com um sorriso nos lábios.
— Ah, mas eu voltou com muito prazer para poder me vingar daquela juíza desgracenta.
— Ei, Bonequinha – a chamei, já não conseguindo segurar meu riso à medida que me levantava do sofá e me aproximava da mesma, segurando-a pelos ombros – Se acalme, ok? A gente só estava brincando. Deu tudo certo lá no tribunal, viu Bonequinha?
Ela me encarou, depois olhou para a Geovanna e para o Christian, antes de voltar seu olhar de novo para mim.
— Sério mesmo?
— Uhum... E já tiramos até os meus novos documentos – nossa filha informou, sorrindo, já vindo abraçá-la.
— AI MEU DEUS! – Anastasia gritou de felicidade, me abraçando assim que Geovanna se desvencilhou dela – Estou muito feliz. Somos uma família agora.
— Falta só a gente casar com você, Bonequinha. Mas isso pode levar alguns anos para não pormos em risco a adoção da nossa nova filhota – Chris indagou, se aproximando também.
— Isso é o de menos, Mozão – Ana rebateu, o abraçando apertado.
— Não abraça muito não, porque foi ele que deu a ideia para mentirmos para você, Bonequinha – comentei, rindo juntamente com a Geovanna parada ao meu lado.
— Estou feliz demais para bater nele – Anastasia informou sorrindo e dando um beijo na bochecha do Christian – Porque não vamos para Bowen Island? Passar o final de semana lá para relaxarmos e comemorarmos essa vitória – ela sugeriu, nos olhando.
Concordamos com a ideia então subimos para os nossos respectivos quartos a fim de podermos arrumar nossas coisas. Enquanto Ana e Chris terminavam de colocar algumas peças de roupas em uma mala, aproveitei para ligar para nossas famílias e amigos, incluindo o chefe dos médicos, e os informei sobre o resultado da audiência.
Todos nos felicitaram, desejando coisas boas para nossa família, e o meu chefe após eu informá-lo sobre estarmos indo para nossa casa de praia para passarmos o sábado e o domingo, o mesmo me disse que ficaria de plantão no hospital naquele final de semana e que só me chamaria se realmente fosse de extrema urgência.
O agradeci e voltei a ajudar, descendo com Christian para pegarmos comida na nossa dispensa. Depois de quarenta minutos, com a casa trancada e com todos estarmos dentro do meu carro, saímos finalmente rumo à Bowen Island. O clima dentro do carro estava bem animado com a Anastasia e a Geovanna, no banco de trás, já fazendo planos para o futuro.
Encarei Chris de relance e o mesmo se encontrava absorto com a música que ecoava baixinho dentro do veículo, cantarolando-a em silêncio com a boca à medida que olhava para a janela, às vezes.
Sorri, sentindo a sensação de felicidade plena, pois queríamos apenas filho, mas Deus nos abençoou mandando duas filhas e uma nova companheira para a vida, além de um jeito novo de amar que tanto eu quanto Christian não acreditaríamos que pudesse existir um dia entre a gente.
Uma vez, eu havia visto numa série de TV sobre casamentos polígamos, o cara dizer “O amor não deve ser dividido e sim multiplicado”. E agora, pensando melhor nessa citação dele, eu realmente acredito que não dividi o meu amor que eu tinha pelo Christian com a Ana e sim o multipliquei, ao ponto de dar a mesma quantidade de amor para ela também.
— É impressão minha ou tem um carro preto nos seguindo desde que saímos de casa? – inquiri, olhando de repente pelo espelho retrovisor.
— Ursinho, você está ficando paranóico. É terceira vez esse mês que você diz que estão nos seguindo. Deve ser só coisa da sua cabeça – Chris comentou, sorrindo enquanto acariciava de leve minha coxa com a mão, então depois de mais uma olhada rápida, onde não vi mais o tal veículo, fiquei inclinado a concordar com meu marido.

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