quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 52


CHRISTIAN

— Espera aí, Bonequinha. Deixa ver se eu entendi direito – falei, me sentando novamente no sofá, ao lado dela e de Jack – O garoto, ou melhor, a garota que tentou nos assaltar é a irmã do seu ex-namorado, que você odeia, porém essa tal de Geovanna, você gosta muito dela.

— Isso mesmo, Mozão. Assim que eu me juntei com o José, meio que adotei ela e a protegia dos caras da gangue... Meu Deus! Como eu pude esquecer a Geovanna! – Ana exclamou, começando a chorar pela segunda vez, desde que chegamos em casa.

— Não fica assim, Bonequinha. Você não tem culpa – Jack a consolou, levando a mesma para perto do seu corpo, abraçando-a pelo ombros.

Então me levantei e fui na cozinha a fim de pegar mais água com açúcar, trazendo para Ana em seguida, que começou a beber devagar enquanto se acalmava do choro.

— Tenho culpa sim, Ursinho – ela disse, ainda fungando um pouco, porém calma – Quando eu vim perguntar se vocês queriam negociar sobre o bebê, minha intenção era pedir um adiantamento do dinheiro para poder ir morar com a Geovanna em alguma casa pequena. Mas aí as coisas foram acontecendo e eu fiquei tão encantada com a possibilidade de ser feliz aqui com vocês, que acabei esquecendo da promessa que fiz de ir buscá-la na vila.

— Não se preocupe. Eu e o Mozão vamos conversar com o nosso advogado, na segunda-feira, para ver como podemos proceder no resgate dessa menina, para adotarmos ela.

— Adotar a Geovanna? Vocês fariam isso mesmo por mim? – Ana indagou nos encarando, surpresa, e tanto eu quanto Jack, assentimos.

— Ela fará parte da nossa família. Nós prometemos, Bonequinha – falei e Jack reafirmou minha promessa em seguida.

Ana deu um enorme sorriso, muito emocionada, e pegou o rosto de Jack entre suas mãos, beijando-o, depois fez o mesmo comigo.

— Muito obrigada, Mozão e Ursinho. A cada dia eu amo mais vocês.

— Nós também te amamos a cada dia – Jack murmurou, brincando com a ponta do nariz dela, fazendo a mesma rir um pouco – Agora vamos subir e descansar, né meu povo? Porque eu estou acabado.

— Concordo. Ethan sabe dar uma festa e aquela estava um arraso – comentei, me levantando do sofá, já sendo seguido por Jack e Ana.

— Queria ter ficado mais, mas ainda bem que não ficamos. Assim eu pude reencontrar a Geovanna e lembrar da minha promessa – ela comentou, com um semblante triste.

— Ei, nada de ficar triste, Bonequinha. Vai dar tudo certo. Vamos conseguir adotar ela e seremos uma família – falei, beijando sua bochecha à medida que subíamos a escada, rumo ao nosso quarto.





ANASTASIA

Mesmo que Christian e Jack tentando me tranquilizar que iria dar tudo certo, eu não conseguia parar de pensar em como Geovanna se encontrava agora.

Eu sempre a protegia dos caras da gangue que queriam pegar ela, mesmo tendo sido expulsa da vila, eu conseguia protegê-la e até ensinei a pequena a se defender sozinha, mas era uma menina de doze anos contra caras de vinte e tantos anos.

As piores coisas passaram em minha mente, então resolvi tomar logo uma atitude, pois eu não iria esperar até segunda para fazer alguma coisa. Olhei a hora no despertador e passava um pouco das cinco da manhã.

Tirei então, bem devagar, o braço de Christian que estava repousado sobre mim e me levantei da cama, dando graças a Deus que tínhamos trocado de lugar, pois antes era eu que ficava no meio dos dois.

Entretanto, depois que comecei a ir mais no banheiro durante a noite, Christian assumiu o meu lugar no meio e eu fui para ponta, a fim de não acordar muito os dois, em vão, porque a gente dormia um abraçando o outro, mas devido ao cansaço da festa, nenhum deles acordou hoje.

— Amo vocês – sussurrei bem baixinho, saindo do quarto.

Assim que desci, peguei meu casaco que estava pendurado perto da porta e o vesti por sobre a minha camisola, já enfiando as chaves do carro do Jack no bolso. Eu sabia dirigir, mais ou menos, porque José havia me ensinado, para que no futuro eu pudesse ir assaltar e roubar carros com ele.

Antes de ir para a garagem, procurei algo que poderia ser valioso e que me desse muito dinheiro, então vi duas estátuas meio reluzentes na sala de estar, e por serem pequenas, eu as coloquei dentro dos bolsos do casaco.

Tomei todo o cuidado para não fazer muito barulho a fim de não acordá-los enquanto eu abria a garagem e saia com o carro, fechando a mesma em seguida. Logo me encontrava em meio às ruas de Seattle, à procura de uma loja de penhores aberta 24 horas.


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Era por volta das seis e dez da manhã, quando finalmente achei uma lojinha, onde um cara terminava de abrir a porta. Estacionei e fui até lá, conseguindo uma boa quantia em dinheiro pelas duas estátuas, que segundo o cara, eram de bronze.

Ali mesmo, já consegui adquirir um revólver, que era a outra coisa que eu iria atrás, após sair da loja. Fiquei uns minutos, dentro do carro, revisando mentalmente o meu plano, onde eu iria entrar na vila à procura da Geovanna e sairia com ela de lá, vivas.

Então respirei fundo e desliguei o celular, antes de ligar o carro e sair rumo ao meu destino.


★ ★ ★ ★ ★


Assim que cheguei, notei que o lugar não tinha mudado nada desde a última vez que eu havia estado ali. As manchas de sangue na calçada e as marcas de balas nas paredes eram como avisos para os moradores mais intrometidos, já os homens andando armados pela vila era a forma explícita de mostrar quem mandava no lugar.

Todavia, eu não estava reconhecendo nenhum dos caras que se encontravam ali e achei super estranho. Mal passei pelo portão e um deles se aproximou de mim, já me perguntando quem eu era e o que eu queria ali.

Falei então que queria ver a Geovanna Rodriguez e o mesmo riu alto, de um jeito bem debochado. Nem deu tempo de abrir a boca para falar algo, pois logo ouvimos alguém mandando que o cara me deixasse passar.

Assim que escutei aquela voz, a reconheci imediatamente. O homem à minha frente me deu passagem, então adentrei indo até Tyler. O mesmo possuía um irmão gêmeo chamado Taylor, que sempre andava junto com ele, mas apenas Tyler estava ali.

— Porque voltou, Ana? – ele inquiriu baixo, porém segurando forte o meu braço, já me puxando bruscamente para perto dele, fazendo-me chocar-se contra seu corpo.

— Eu vim buscar a Geovanna. Apenas isso – sussurrei de volta.

— É UMA DAS SUAS VADIAS, TYLER? – escutamos alguém perguntar ao longe, já rindo.

— SIM, PETHER! E EU VOU CUIDAR DESSA VAGABUNDA AGORA MESMO! – Tyler gritou, sem tirar os olhos de mim – Vem, sua idiota.

Me vi sendo conduzida bruscamente para uma das casas de dois andares existentes na vila. Assim que entramos, Tyler abriu uma porta que reconheci ser a que leva para os porões das residências, então me desesperei.

— Tyler, eu não vim causar problema. Me deixa ir embora, por favor – implorei, já sentindo meus olhos se encherem de água.

— Entra, Ana – ele mandou com a voz bem séria, que me causou um arrepio na espinha.

Entrei, segurando o choro, já ouvindo ele fechar a porta. De repente, o lugar se iluminou e ele apareceu ao meu lado, segurando meu braço, porém não bruscamente como antes e sim mais gentil.

— Eu não vou te machucar, Ana – Tyler falou assim que chegamos ao final da escada, onde ele me ajudou a se sentar nos degraus – Taylor e eu te expulsamos daqui para que você não se machucasse com o que está por vir e agora você resolve aparecer, justo hoje. Porque, Ana? Porque você voltou aqui?

— O que está por vir, Tyler?

— Big White é tão cruel quanto José era no comando da gangue. Ele não respeita os moradores. Eu, Taylor e mais alguns homens estávamos já pensando em destronar Big White e assumir o poder da vila, mas ficamos receosos, só que semana passada ele próprio matou duas crianças, simplesmente porque elas estavam brincando de bola em frente de casa e, sem querer, a bola acertou nele, que passava perto.

— Meu Deus! – exclamei em choque, colocando a mão sobre a boca.

— Isso foi a gota d’água para gente avançar com o plano, que vai ser executado hoje. Em poucas horas, isso aqui vai virar um campo de guerra.

— E os moradores?

— Todos vão se abrigar nos porões das casas até a situação se acalmar e a gente tiver conseguindo tomar o controle. Você não deveria de aparecido aqui hoje, Ana.

— Vim pela Geovanna. Vim buscar ela para morar comigo. Só isso, Tyler.

O vi respirar fundo.

— Fique aqui quieta, Ana. Eu vou trazer ela e depois as duas vão para bem longe daqui, ok?

Assenti, então ele subiu a escada de novo e saiu, fechando a porta à chave.

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