quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 53


JACK

Despertei meio assustado, com Chris sacudindo-me bruscamente enquanto chamava pelo meu nome.

— O que foi, Mozão? – indaguei, sonolento, já esfregando os olhos.

— Ana sumiu, amor! – ele exclamou, parecendo desesperado.

Meu cérebro demorou um pouco para entender o que o mesmo havia falado, até que de repente me despertei totalmente e o encarei, incrédulo.

— O que você disse?

— A ANA, AMOR! ELA DEIXOU A GENTE! FOI EMBORA! – Christian gritou, então me levantei, rapidamente, já pedindo que o mesmo se acalmasse à medida que eu ia até o nosso closet.

— As roupas dela estão todas aqui, Mozão – informei, voltando para o quarto – Ela não deve ter ido embora não.

— Mas, o seu carro sumiu e...

— A Bonequinha deve ter sentido algum desejo, preferiu não acordar a gente e saiu sozinha – falei, sorrindo, me aproximando dele, que se encontrava andando agitado pelo quarto – Relaxa, Mozão. Logo ela está de volta.

— Ou talvez não. As minhas estátuas de bronze do Buda e da deusa Kuan Yin, que estavam na sala e que valem uma pequena fortuna, sumiram também. Já tentei ligar para o celular dela, umas mil vezes, e só dá fora de área, como se tivesse desligado.

De repente, Chris arregalou os olhos, me olhando assustado.

— Será que ela foi atrás daquela menina?

— Eu acho que não, Mozão. A Bonequinha é meio doidinha, mas não ao ponto de se colocar em risco – comentei.

De repente, ouvimos a voz da Anastasia vindo do andar de baixo, então eu e Christian nos entreolhamos e saímos do quarto. Enquanto descíamos a escada, notei que ela estava acompanhada por uma jovem, que se encontrava mais ao fundo.

— Você quase me mata do coração, Bonequinha! – exclamou Chris, abraçando-a.

— O que aconteceu com seu lábio e quem é essa jovem, Bonequinha? – inquiri, quando parei perto dela, fazendo Christian finalmente notar o ferimento na boca da Ana e a garota parada mais atrás.

— Essa é a Geovanna – ela disse, chamando a menina para mais perto – Gê, esse é o casal que eu te falei. Christian e Jack.
— Prazer – falei, sendo seguido por Chris, que também apertou a mão da garota, assim como eu tinha feito.

— Desculpe, Ursinho e Mozão. Eu não consegui esperar até vocês irem falar com o tal advogado. Eu precisava tirar a Geovanna de lá o quanto antes – Anastasia murmurou, passando o braço pelo os ombros da menina, trazendo-a para mais perto de seu corpo.

— Tudo bem, Bonequinha – falei, sorrindo para a garota, que sorriu de volta, meio tímida.

— Como assim “Tudo bem”? Tudo bem nada. Você está grávida, Bonequinha. Não poderia ter se arriscado desse jeito.

— Eu sei, Mozão. Desculpe. Mas, não aconteceu nada demais.

— E esse lábio ferido, hein senhorita? – a questionei e ela sorriu, sem graça.

— Eu precisei levar um soco na boca para poder sair em segurança da vila. Mas, o soco foi de leve, Ursinho. Eu juro.

— Nunca mais faça uma coisa dessa de novo, ok? – pedi e Ana assentiu, vindo me abraçar bem apertado.

— Vocês dois são mesmo gays? – ouvi Geovanna inquirir, fazendo tanto eu quanto Christian rir.

— Só falta ela perguntar “Quem é o ativo e o passivo?” – Chris comentou, sorrindo ainda.

— Eu já disse para ela, Mozão, que os dois são ativos e passivos ao mesmo tempo. Vem Gê. A gente precisa de um banho e eu acho que devo ter algo que caiba em você – Anastasia falou, se desvencilhando de mim e indo pegar na mão da garota.

— Eu vou preparar algo para comermos.

— E eu quero saber, onde está as minhas estátuas de bronze da deusa Kuan Yin e do Buda que estavam ali em cima?

Ana logo informou que tinha penhorado em uma loja de penhor, a fim de ter dinheiro para poder comprar uma arma, para se defender, se necessário. Não sei qual parte enlouqueceu mais o Christian. Se foi pela Anastasia ter adquirido uma arma e ido armada resgatar a Geovanna, ou se foi a parte que ela disse que havia penhorado as estátuas dele.

Provavelmente, a última opção, pois segundo Chris, elas valiam mais de 20 mil dólares e não os 500 dólares que a Ana tinha conseguido com as duas. Christian logo informou que iria trocar de roupa para poder ir atrás das suas estátuas na tal loja de penhor.

— Ele é sempre assim, esquentado e dramático? – Geovanna perguntou quando Chris subiu, deixando só nós três na sala de estar.

Anastasia riu, assim como eu.

— Às vezes, mas na maior parte do tempo, ele é um amor de pessoa – murmurei, completando em seguida – Melhor vocês duas subirem também, para banharem e colocarem algo mais confortável e limpo. E quando o Mozão chegar, a gente vai sentar para conversar sobre como vai ficar a situação agora, já que a senhorita resolveu apressar as coisas, né Bonequinha?

Ana sorriu, pedindo logo desculpas por ter feito o que fez e eu, rapidamente, tentei tranquilizá-la, dizendo que só iríamos conversar sobre a parte burocrática da situação, mas que a Geovanna já era super bem vinda em nossa casa.

Assim que me vi só na sala de estar, peguei o telefone e liguei para o nosso advogado, pedindo que o mesmo viesse almoçar conosco, pois tínhamos que conversar urgentemente com ele.


★ ★ ★ ★ ★


— Bom dia, Dr. Sender – falei, cumprimentando-o com um aperto de mão, antes de dar passagem para que o mesmo entrasse em casa.

O acompanhei até a cozinha onde Christian, Anastasia e Geovanna se encontravam terminando de pôr a mesa e logo apresentei as meninas para o advogado, que se sentou à mesa, ao meu convite, já sendo seguido por nós.

— Estou com meu tempo corrido, pois daqui a pouco irei para o hospital, então podemos conversar enquanto almoçamos? – perguntei ao Dr. Sender e o mesmo assentiu, aceitando – Então... nós o convidamos para vir aqui, pois gostaríamos que o senhor entrasse com um pedido de adoção, para que possamos adotar aquela mocinha ali.

O advogado nos encarou enquanto se servia.

— Posso ser sincero com vocês, Jack?

— Claro, Dr. Sender. O senhor é o nosso advogado por isso. Nunca escondeu nada de nós, por mais ruins que fossem as notícias – Chris comentou, sorrindo.

— Bom... Eu não sei se é viável entrarmos com um processo de adoção agora, principalmente em meio ao processo de divórcio de vocês dois...

— Vocês vão se divorciar? – Ana inquiriu, parando de se servir também e nos encarando com um semblante assustado – É por minha causa, não é? Não façam isso, por favor... – ela murmurou, já começando a chorar.

— Ei, calma, Bonequinha! – Christian exclamou, se levantando do lugar dele, passando por trás da minha cadeira e indo se agachar ao lado da cadeira da Anastasia.

— Achei que vocês tinham contato a ela – o Dr. Sender comentou, num sussurro, olhando para mim.

— Não. Era para ser surpresa – sussurrei de volta.

— Eu não queria estragar o seu casamento... Por favor, me perdoa, Mozão...

— Você não estragou nosso casamento, pelo contrário, nos uniu ainda mais e estar nos dando a oportunidade de ter uma grande família. A gente ama você, Bonequinha – falei, afagando a mão dela por sobre a mesa.

— A gente queria, na verdade, queremos nos divorciar para podermos casar com você – informou Chris, beijando o dorso da outra mão da Ana.

— Casar?

Ela nos encarava bastante confusa.

— Sim, Bonequinha. Faz um tempo que eu descobri que o casamento em União Estável nos permite casar à três, mas nenhum de nós deve ser casado, por isso eu e o Mozão temos que nos separar no papel.

— E como o Ursinho disse a mim, quando a gente ama alguém, nós nos casamos com essa pessoa – Christian completou.

Com isso, Anastasia se acalmou e ficou feliz por saber que nós queríamos nos casar com ela. Todavia, o nosso advogado informou que a gente deveria escolher entre o divórcio e a adoção, pois nós não conseguiríamos obter a guarda da Geovanna se estivéssemos nos separando.

— Podemos deixar o divórcio para depois, Mozão? – perguntei, olhando para Chris que assentiu.

— Nos casarmos no papel com a Bonequinha é só um mero detalhe, Ursinho. Ela já sabe que nós a amamos e a queremos em nossas vidas para sempre.

Sorri e olhei para o Dr. Sender.

— O senhor pode cancelar o processo de divórcio e iniciar o da adoção – murmurei, fazendo o advogado assentir, já voltando a comer também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário