ANASTASIA
— Eita que vocês dois se arrumaram muito rápido hoje – comentei, encarando Christian e Jack pelo reflexo do espelho da penteadeira – Olha lá, hein! Vocês não estão armando para irem para festa sem mim, estão?
Vi os dois sorrirem e se aproximarem de mim.
— É claro que não, Bonequinha. Ethan nos mataria se chegássemos sem você na festa dele – disse Christian, afagando meus ombros, já se inclinando e dando um beijo no alto da minha cabeça.
— Nós dois vamos apenas conversar lá embaixo enquanto você termina de se arrumar. Nada de mais, Bonequinha – Jack falou e se inclinou, dando-me um beijo na bochecha.
— Posso saber o que está acontecendo? Porque vocês estão de segredinhos já faz muitos dias – murmurei, voltando a me maquiar.
— Nós te amamos – ambos disseram ao mesmo tempo, sorrindo cinicamente, antes de se afastarem e saírem do quarto.
De repente, senti um chute e respirei fundo, olhando para baixo, acariciando minha barriga que já se encontrava bem grande. Esse mês havia passado voando e aconteceu várias coisas novas, principalmente com relação a minha gravidez.
Atualmente me encontrava com 28 semanas, o que segundo a Dra. Elizabeth, significava que eu tinha entrado no sétimo mês. Na última consulta, ficamos muito felizes quando descobrimos que a nossa pequena princesinha estava bem saudável e com o peso normal para um bebê naquela idade de gestação.
E eu fiquei mais feliz ainda, quando a doutora suspendeu a porrada de vitaminas que eu tomava todos os dias e me encaminhou para uma nutricionista, para que eu tivesse as vitaminas necessárias apenas através dos alimentos.
Nessas últimas semanas, quase instalei moradia no banheiro de tanto que fazia xixi e mesmo assim, eu me encontrava acabando de me recuperar de uma infecção urinária que tive dias atrás. Sem contar da azia e da prisão de ventre que já haviam se tornado minhas amigas diárias.
Dormir também estava sendo um desafio, e a doutora informou que isso só tendia a piorar. Christian e Jack eram uns amores e sempre estavam tentando me deixar confortável. Às vezes, eles até dormiam em um colchonete no chão, para que eu pudesse ficar com a cama só para mim, na tentativa de achar uma posição para descansar.
Entretanto, quando não era a posição que não me permitia dormir, era as dores. Ultimamente, eu vinha sentindo muita dor nas costas, e um pouco de dormência e formigação nas pernas, que segundo a Dra. Elizabeth nos informou, são normais devido o peso da barriga.
E a cada dia, eu sentia que a nossa princesinha ficava sem mais espaço, pois a mesma se mexia tanto, dando vários pontapés, que às vezes chegava a doer. Todavia, eu não poderia reclamar muito, pois a recompensa era maravilhosa, principalmente quando ela começava a se mexer e ficávamos os três, igual bestas, observando a minha barriga se deformar com os movimentos dela.
Meu relacionamento com Jack e Christian estava a cada dia mais profundo e sólido. Eu nunca tinha amado alguém como eu amava eles dois e sentir esse sentimento me deixava muito feliz. Christian se encontrava indo muito bem nas sessões com a sua psicóloga, então há duas semanas, eu e Jack começamos a fazer terapia também.
Não havia mais ciúmes e nem brigas, quer dizer, na semana passada, nós três acabamos brigando com relação a escolha da decoração do quarto da nossa princesinha e com o nome que íamos dar para ela.
Eu queria cinza com rosa e o nome Behati ou Evelyn. Jack gostava de branco com lilás e queria colocar Christine, porque assim ficaria parecido com o nome do Christian, já esse queria fazer o mesmo, querendo o nome Juliett e um quarto bem colorido para nossa filha.
Acabamos por deixar que os convidados do chá de bebê decidam na hora da festa, que estava sendo organizada por nossos amigos e que aconteceria no próximo mês. De repente, senti outro chute, fazendo-me sobressaltar na cadeira e olhar novamente para baixo.
— Pare de me chutar, mocinha – briguei, já voltando a finalizar minha maquiagem, depois levantei e fui me vestir.
— Prontinho, meus amores. Arrumada e pronta para irmos – comentei, descendo às escadas, minutos depois, entretanto não vi nenhum dos dois na sala – Eu espero que não tenham ido sem mim, senão vou arrancar os paus deles – murmurei, emburrada.
Então vesti o casaco por sobre o vestido, deixando-o aberto mesmo, e sai à procura daqueles dois, os encontrando saindo do escritório do Christian.
— Bonequinha! – eles disseram ao mesmo tempo.
— Tem certeza que você quer ir de salto alto para a festa do Ethan? – Christian me questionou e eu rolei os olhos.
— Você deveria ir de sapatilha, Bonequinha – Jack comentou.
Não consegui me segurar e acabei explodindo.
— Olha aqui rapazes, eu não durmo direito faz semanas, estou com olheiras do tamanho da minha cara, sou um saco de pancada sobre duas pernas, estou usando absorvente para seios, e eu nem sabia que existia essa porra! Sem contar que sou a dor em pessoa, tudo em mim dói, então se eu quiser ir de salto alto para o caralho da festa do Ethan, eu vou. Parem de me estressar com isso e vamos logo! – exclamei, já saindo de perto dos dois.
Era por volta da uma da manhã quando decidimos sair da boate e irmos embora para casa. Não porque a festa estava uma droga, muito pelo contrário, a mesma se encontrava bombando e só iria terminar ao amanhecer. Entretanto, eu comecei a sentir muita dor nas costas, por causa dos sapatos, então preferimos sair mais cedo.
Nos encaminhamos para onde Jack havia deixado estacionado o seu novo carro à medida que eu escutava Christian dizer que eles tinham me avisado do salto alto. Então, de repente, fomos abordado por um garoto vestido roupas pretas, com o capuz jogado por sobre a cabeça e com uma arma em punho.
— Me passem tudo de valor que vocês tem! Celular, relógio, anel, carteiras! Tudo! Andem logo ou eu atiro em vocês! – ele exclamou exigente e a voz dele me pareceu um pouco familiar.
Christian pegou no meu braço e me puxou para detrás dele, enquanto Jack dava um passo à frente, meio que se colocando entre nós e o assaltante, à medida que tentava pedir calma, dizendo que iríamos dar tudo a ele. Entretanto, quando o garoto, bem nervoso, movimentou o braço empunhando a arma, eu percebi algo.
— Atira – falei, rindo em deboche e empurrando Christian para o lado, dando um passo à frente.
— O que você está fazendo?
— Ana, fica atrás!
Apenas ignorei Christian e Jack, dando mais um passo.
— Esse truque não funciona comigo, garoto – informei sorrindo.
Peguei fortemente no punho dele, que empunhava a arma de brinquedo, fazendo o mesmo deixá-la cair. Depois dei um puxão, trazendo ele bruscamente para perto de mim, foi então que o capuz do mesmo caiu para trás, revelando assim o garoto assustado, ou melhor, a garota.
— Geovanna? – indaguei, assombrada.
— Me larga! – ela disse, conseguindo soltar seu punho e sair correndo.
Ter aquele reencontro inesperado com a Geovanna, me fez ter lembranças do tempo que eu vivia na vila com eles.
— Acho que essa arma é falsa, Mozão.
— Deixa eu ver...
— É uma arma de brinquedo, modificada para parecer de verdade – comentei, meio pensativa, ainda sem acreditar no que havia acontecido, então me virei e encarei Jack e Christian – Eu mesma fiz essa aí. Tem minhas iniciais AS no cano. Podem ver.
— Você conhecia aquele assaltante, Bonequinha?
— Sim, Ursinho. Ela é a irmã do José – murmurei, já vendo-os me olharem surpresos – Conto tudo quando chegarmos em casa. Agora, por favor, vamos embora – pedi e eles assentiram.
— Eita que vocês dois se arrumaram muito rápido hoje – comentei, encarando Christian e Jack pelo reflexo do espelho da penteadeira – Olha lá, hein! Vocês não estão armando para irem para festa sem mim, estão?
— É claro que não, Bonequinha. Ethan nos mataria se chegássemos sem você na festa dele – disse Christian, afagando meus ombros, já se inclinando e dando um beijo no alto da minha cabeça.
— Nós dois vamos apenas conversar lá embaixo enquanto você termina de se arrumar. Nada de mais, Bonequinha – Jack falou e se inclinou, dando-me um beijo na bochecha.
— Posso saber o que está acontecendo? Porque vocês estão de segredinhos já faz muitos dias – murmurei, voltando a me maquiar.
— Nós te amamos – ambos disseram ao mesmo tempo, sorrindo cinicamente, antes de se afastarem e saírem do quarto.
De repente, senti um chute e respirei fundo, olhando para baixo, acariciando minha barriga que já se encontrava bem grande. Esse mês havia passado voando e aconteceu várias coisas novas, principalmente com relação a minha gravidez.
Atualmente me encontrava com 28 semanas, o que segundo a Dra. Elizabeth, significava que eu tinha entrado no sétimo mês. Na última consulta, ficamos muito felizes quando descobrimos que a nossa pequena princesinha estava bem saudável e com o peso normal para um bebê naquela idade de gestação.
E eu fiquei mais feliz ainda, quando a doutora suspendeu a porrada de vitaminas que eu tomava todos os dias e me encaminhou para uma nutricionista, para que eu tivesse as vitaminas necessárias apenas através dos alimentos.
Nessas últimas semanas, quase instalei moradia no banheiro de tanto que fazia xixi e mesmo assim, eu me encontrava acabando de me recuperar de uma infecção urinária que tive dias atrás. Sem contar da azia e da prisão de ventre que já haviam se tornado minhas amigas diárias.
Dormir também estava sendo um desafio, e a doutora informou que isso só tendia a piorar. Christian e Jack eram uns amores e sempre estavam tentando me deixar confortável. Às vezes, eles até dormiam em um colchonete no chão, para que eu pudesse ficar com a cama só para mim, na tentativa de achar uma posição para descansar.
Entretanto, quando não era a posição que não me permitia dormir, era as dores. Ultimamente, eu vinha sentindo muita dor nas costas, e um pouco de dormência e formigação nas pernas, que segundo a Dra. Elizabeth nos informou, são normais devido o peso da barriga.
E a cada dia, eu sentia que a nossa princesinha ficava sem mais espaço, pois a mesma se mexia tanto, dando vários pontapés, que às vezes chegava a doer. Todavia, eu não poderia reclamar muito, pois a recompensa era maravilhosa, principalmente quando ela começava a se mexer e ficávamos os três, igual bestas, observando a minha barriga se deformar com os movimentos dela.
Meu relacionamento com Jack e Christian estava a cada dia mais profundo e sólido. Eu nunca tinha amado alguém como eu amava eles dois e sentir esse sentimento me deixava muito feliz. Christian se encontrava indo muito bem nas sessões com a sua psicóloga, então há duas semanas, eu e Jack começamos a fazer terapia também.
Não havia mais ciúmes e nem brigas, quer dizer, na semana passada, nós três acabamos brigando com relação a escolha da decoração do quarto da nossa princesinha e com o nome que íamos dar para ela.
Eu queria cinza com rosa e o nome Behati ou Evelyn. Jack gostava de branco com lilás e queria colocar Christine, porque assim ficaria parecido com o nome do Christian, já esse queria fazer o mesmo, querendo o nome Juliett e um quarto bem colorido para nossa filha.
Acabamos por deixar que os convidados do chá de bebê decidam na hora da festa, que estava sendo organizada por nossos amigos e que aconteceria no próximo mês. De repente, senti outro chute, fazendo-me sobressaltar na cadeira e olhar novamente para baixo.
— Pare de me chutar, mocinha – briguei, já voltando a finalizar minha maquiagem, depois levantei e fui me vestir.
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— Prontinho, meus amores. Arrumada e pronta para irmos – comentei, descendo às escadas, minutos depois, entretanto não vi nenhum dos dois na sala – Eu espero que não tenham ido sem mim, senão vou arrancar os paus deles – murmurei, emburrada.
Então vesti o casaco por sobre o vestido, deixando-o aberto mesmo, e sai à procura daqueles dois, os encontrando saindo do escritório do Christian.
— Tem certeza que você quer ir de salto alto para a festa do Ethan? – Christian me questionou e eu rolei os olhos.
— Você deveria ir de sapatilha, Bonequinha – Jack comentou.
Não consegui me segurar e acabei explodindo.
— Olha aqui rapazes, eu não durmo direito faz semanas, estou com olheiras do tamanho da minha cara, sou um saco de pancada sobre duas pernas, estou usando absorvente para seios, e eu nem sabia que existia essa porra! Sem contar que sou a dor em pessoa, tudo em mim dói, então se eu quiser ir de salto alto para o caralho da festa do Ethan, eu vou. Parem de me estressar com isso e vamos logo! – exclamei, já saindo de perto dos dois.
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Era por volta da uma da manhã quando decidimos sair da boate e irmos embora para casa. Não porque a festa estava uma droga, muito pelo contrário, a mesma se encontrava bombando e só iria terminar ao amanhecer. Entretanto, eu comecei a sentir muita dor nas costas, por causa dos sapatos, então preferimos sair mais cedo.
Nos encaminhamos para onde Jack havia deixado estacionado o seu novo carro à medida que eu escutava Christian dizer que eles tinham me avisado do salto alto. Então, de repente, fomos abordado por um garoto vestido roupas pretas, com o capuz jogado por sobre a cabeça e com uma arma em punho.
— Me passem tudo de valor que vocês tem! Celular, relógio, anel, carteiras! Tudo! Andem logo ou eu atiro em vocês! – ele exclamou exigente e a voz dele me pareceu um pouco familiar.
Christian pegou no meu braço e me puxou para detrás dele, enquanto Jack dava um passo à frente, meio que se colocando entre nós e o assaltante, à medida que tentava pedir calma, dizendo que iríamos dar tudo a ele. Entretanto, quando o garoto, bem nervoso, movimentou o braço empunhando a arma, eu percebi algo.
— Atira – falei, rindo em deboche e empurrando Christian para o lado, dando um passo à frente.
— O que você está fazendo?
— Ana, fica atrás!
Apenas ignorei Christian e Jack, dando mais um passo.
— Esse truque não funciona comigo, garoto – informei sorrindo.
Peguei fortemente no punho dele, que empunhava a arma de brinquedo, fazendo o mesmo deixá-la cair. Depois dei um puxão, trazendo ele bruscamente para perto de mim, foi então que o capuz do mesmo caiu para trás, revelando assim o garoto assustado, ou melhor, a garota.
— Geovanna? – indaguei, assombrada.
— Me larga! – ela disse, conseguindo soltar seu punho e sair correndo.
Ter aquele reencontro inesperado com a Geovanna, me fez ter lembranças do tempo que eu vivia na vila com eles.
— Acho que essa arma é falsa, Mozão.
— Deixa eu ver...
— É uma arma de brinquedo, modificada para parecer de verdade – comentei, meio pensativa, ainda sem acreditar no que havia acontecido, então me virei e encarei Jack e Christian – Eu mesma fiz essa aí. Tem minhas iniciais AS no cano. Podem ver.
— Você conhecia aquele assaltante, Bonequinha?
— Sim, Ursinho. Ela é a irmã do José – murmurei, já vendo-os me olharem surpresos – Conto tudo quando chegarmos em casa. Agora, por favor, vamos embora – pedi e eles assentiram.

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