quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 50


JACK

Nunca achei que seria possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, mas Ana me fez, ou melhor, nos fez acreditar que isso era totalmente possível sim. O jeito doce e carinhoso ao qual ela cuidou de mim esses dias foi simplesmente maravilhoso.

A cada dia, tanto eu quanto Christian, a amávamos mais ainda e por esse motivo eu havia decidido seguir em frente com uma ideia que tinha me passado pela cabeça enquanto assistíamos à um filme ontem. Agora eu só precisava conversar com Christian e pedir a opinião do mesmo.

Ele havia conseguido ficar conosco a semana passada, mas infelizmente nessa, Christian teve que voltar para Seattle na terça-feira, pois ele tinha dois casamentos agendados para fotografar e só poderia retornar para cá na sexta, então eu e a Ana ficamos sozinhos e foi bem divertido passar esse tempo com ela.

Como eu já havia tirado o colar cervical e não estava sentindo mais dores, a gente pôde sair de carro e ir até a cidade para dar um passeio, tomar um sorvete e voltar a tempo de assistirmos o pôr do sol na varanda de casa.

À noite, sempre antes de dormir, fazíamos uma ligação via-vídeo e conversávamos com o Christian, contávamos tudo que tínhamos feito no dia, para ele, mesmo longe da gente, poder se sentir incluído.

Quanto ao sexo, anteontem foi a primeira vez que eu e Ana transamos, depois daquela vez no sofá da nossa casa em Seattle, e eu me sentia estranho. Não em um sentido ruim e sim ao ponto de eu avaliar a relação que nós três vivíamos agora, o que provavelmente deu início a minha ideia, que foi amadurecida com o filme.

Parei um pouco de sonhar acordado e voltei a cortar os cubinhos de queijo para o nosso café da manhã. Assim que terminei de arrumar a bandeja, a peguei e fui para o quarto, a fim de acordar a Ana, mas encontrei a mesma se espreguiçando quando entrei.

— Oba! Café da manhã na cama! – ela exclamou batendo palmas à medida que eu repousava a bandeja sobre o colchão – Obrigada, Ursinho. E bom dia.
— Bom dia, Bonequinha – falei, já lhe dando um selinho, antes de me sentar ao lado dela, recostando-me à cabeceira da cama.

— Vamos ligar pro Mozão agora, Ursinho – Ana pediu enquanto começávamos a comer.

— Está com saudade, né?

— Muita, muita, muita.

— Também estou, Bonequinha, mas como ele trabalhou ontem à noite, o Mozão deve está dormindo ainda – comentei pegando uma das panquecas, antes dela comer todas.

— A gente acorda ele – Ana disse sorrindo, fazendo-me rir e assentir ao seu pedido.

Ela então pegou o celular dela sobre a mesinha de cabeceira do seu lado e fez uma chamada em vídeo pelo Whatsapp para Christian, que não atendeu na primeira vez, porém na segunda tentativa, o vimos andando dentro do estúdio.

— Bom dia, Mozão – eu e a Ana falamos juntos e Christian sorriu, mandando um beijo com a mão.

Bom dia, Ursinho e Bonequinha. Pensei que vocês estivessem dormindo, por isso não mandei mensagem de bom dia – ele murmurou, subindo a escada.

— Nós pensamos que você é que estaria no sétimo sono agora – falei sorrindo, já vendo-o se sentar em sua mesa.

Que nada. Eu acordei bem cedo para poder ver como ficou as fotos do casamento, a fim de poder mandar logo para os pais da noiva e receber o meu cachê.

— Que horas você vai vir, Mozão? Estamos morrendo de saudade – Ana indagou, com a boca parcialmente cheia de queijo e panqueca, fazendo tanto eu quanto Christian rir.

Também estou com muita saudade de vocês e eu acho que sairei daqui depois das duas, então só chegarei aí lá pela cinco da tarde, Bonequinha – Christian informou e Ana fez um bico triste tão fofo que nós dois sorrimos.

— Pelo menos o Mozão vem hoje – a lembrei e ela assentiu, já se despedindo de Christian, assim como eu.

Depois que Ana encerrou a chamada em vídeo, terminamos de tomar nosso café da manhã e fomos colocar nossas roupas de banho.


★ ★ ★ ★ ★


Ficamos boa parte da manhã na praia, quase até a hora do almoço, pois o sol estava escondido, devido o dia se encontrar parcialmente nublado, porém quando o sol saiu, deixando o clima bem mais quente, decidimos subir a encosta e voltar para casa.
Estávamos em meio ao nosso almoço, quando ouvimos o som de uma lancha se aproximando, cada vez mais.

— Será que é o Mozão? – Ana indagou, franzindo o cenho assim como eu me encontrava.

— Hora dessa? Eu acho que não, Bonequinha. Deve ser algum vizinho que mora perto daqui, passando mais perto da costa – falei, mas ela se levantou da mesa e foi para a varanda da casa.

— É O MOZÃO, URSINHO! – ela gritou de lá, então me levantei também e me dirigi até onde Ana estava toda empolgada.

Descemos a encosta e fomos receber Christian no pequeno píer. Nós nos abraçamos e nos beijamos, depois o ajudei com algumas sacolas de mantimentos, que o mesmo havia trazido para passarmos mais um final de semana na ilha. Ana quis ajudar, mas fomos unânimes em dizer “Não”, porque ela estava grávida e não deveria pegar peso.


★ ★ ★ ★ ★


À noite, mal começamos a assistir televisão, depois do jantar, que logo a Ana capotou de sono, então como eu tinha sussurrado para Christian, à tarde, que eu queria falar com ele sobre um assunto, o mesmo pegou Ana no colo e a levou para o quarto, retornando minutos depois, fechando a porta que dava acesso ao banheiro e ao quarto.

— Sobre que assunto você quer conversar, Ursinho?

— Melhor irmos lá para a garagem, porque eu não quero que a Ana escute – falei e ele me olhou meio desconfiado, mas logo assentiu, já me acompanhando até a garagem da casa.

— Então? – Christian indagou cruzando os braços, se escorando no carro dele.

— Vamos ter que nos divorciar.

— É O QUÊ!?

— Não grita, Mozão. Vou te explicar a ideia que eu tive. Nós amamos a Ana, certo?

— Certo – ele murmurou, ainda carrancudo.

— Então, o que fazemos quando amamos alguém? A gente não se casa com a pessoa? Não foi assim conosco?

— Sim, foi. Você quer se casar com a Ana?

— Eu quero que a gente se case com ela, Mozão.

— Mas porque vamos ter que nos divorciar? Eu não estou entendendo, Ursinho.

— Depois que tive a ideia, eu pesquisei sobre casamentos poliafetivos que envolve três pessoas e é possível a gente se casar com a Ana em cartório como União Estável, porém nenhum dos envolvidos pode ser casado. Por isso, que vamos ter que primeiro nos divorciar, para depois podermos casar com a Ana. Entendeu, Mozão?

— Entendi sim.

— E aí, gostou da ideia? – inquiri empolgado e Christian assentiu com a cabeça, sorrindo, já me puxando para um beijo.

— É claro que gostei, Ursinho. Mesmo com você quase me dando um infarto no início.

— Desculpe, amor. Eu deveria ter começado com outra frase.

— Deveria mesmo – ele murmurou, me beijando outra vez – Melhor irmos dormir com a nossa Bonequinha, depois a gente ver sobre como vamos entrar com o processo do divórcio e tudo mais.

Assenti, então desliguei a luz da garagem e fomos nos deitar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário