quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 49


ANASTASIA

Assim que Leila entrou no estacionamento do hospital, eu avistei a mãe do Jack perto da entrada da emergência. Notei, enquanto nos aproximávamos, que ela se encontrava ao telefone à medida que consumia um cigarro.

— Tenho que desligar, mas não esquece de ver isso para mim, por favor – Elena disse e encerrou a ligação, nos encarando – Graças a Deus, vocês chegaram.

Ela veio nos abraçar e Christian logo perguntou como Jack estava. A mesma então nos informou que ele tinha sido levado para realizar uma ressonância magnética completa, para o doutor confirmar que não havia mesmo nenhuma lesão na coluna dele, já que os outros exames deram todos negativos.

Vi Christian respirar aliviado, abaixando a cabeça, provavelmente agradecendo à Deus. Então, o abracei, meio de lado, já sendo envolvida pelo seus braços e recebendo um beijo no alto da minha testa.

— Não sei se o Jack vai ficar muito tempo internado, mas já estou providenciando a transferência dele para Seattle. O hospital onde ele trabalha já até disponibilizou um leito na emergência para o Jack – Elena murmurou enquanto adentrávamos o prédio, comigo ainda abraçada ao Christian e com Leila ao nosso lado.

Seguimos para uma parte da emergência que, segundo a mãe do Jack nos informou, era onde ele se encontrava desde que o mesmo havia chegado ao hospital. Os minutos seguintes foram tensos, mesmo nós sabendo que Jack estava aparentemente bem.

Assim que ele entrou no quarto, conduzido em uma maca, todo imobilizado e machucado, eu não aguentei e comecei a chorar, já sendo logo amparada pela Leila que se encontrava ao meu lado. À medida que os técnicos terminavam de o desmobilizar, Christian se aproximou do leito e segurou a mão de Jack.

— A Ana também está aqui, amor – ouvi, em meio a minha choradeira, Christian dizer, então olhei para ele que me estendia a mão.

Me aproximei enquanto eu escutava o que parecia ser o médico conversando com a Elena e me debrucei sobre o leito, pois Jack ainda estava com uma estrutura no pescoço que o impedia de movimentá-lo, mas ele conseguia mexer o braço, então ergueu sua mão, já tocando em meu rosto.

— Bonequinha...

— Oi, Ursinho... Eu te amo muito, muito mesmo... – murmurei meio embolado, chorando mais ainda à medida que eu acariciava sua bochecha suja com sangue seco.

— Estava com tanto medo de não ver mais vocês... e agora vocês estão aqui... – Jack chorava tão intensamente quanto eu.

— Eu te amo, Ursinho. Muito, muito, muito... – declarei mais claramente, já o vendo sorrir, antes de eu me inclinar um pouco mais para lhe dar um selinho.

— Também te amo, Bonequinha. Assim como o Mozão também te ama.

— Eu já sei disso, Ursinho – falei e me afastei um pouco para Leila falar com Jack também, então fui para perto do Christian e o abracei pelo cintura, enterrando meu rosto em seu peito, tentando parar de chorar.

— Se acalme, Bonequinha. O nosso Ursinho vai ficar bem – ouvia Christian sussurrar enquanto me acalentava em seus braços, até eu conseguir parar com a minha choradeira.

Depois que todos, principalmente eu, se acalmaram, o médico conversou conosco, informando que Jack não tinha nenhuma lesão visível e séria na coluna, mas devido a intensa dor que o mesmo havia se queixado durante o exame, ele recomendava que Jack usasse, por uma semana, um colar cervical semi rígido.

— Quando eu vou poder ir para casa – Jack perguntou olhando para o médico, pois agora a cabeceira do leito se encontrava levantada, para que ele pudesse ver todos nós.

— Se o clínico geral não for pedir mais algum exame adicional, pela parte da ortopedia, você está liberado para ir para casa com a sua família.

— Obrigado, doutor – Jack murmurou tão feliz quanto a gente.

— Vou prescrever sua alta, receitar alguns analgésicos para a sua dor e fazer um atestado de quinze dias para o seu trabalho.

— Ok, doutor. E obrigado novamente – Jack agradeceu, antes do médico sair do quarto.

— Que bom que você já vai para casa com a gente, Ursinho – comentei sorrindo, pegando na mão dele, que sorriu de volta para mim.

— Pena que ele não vai poder dá uns esporros no Christian – escutei Leila dizer, enquanto a encarei séria, assim como o irmão dela fez.

— O que foi que houve?

— Nada, Ursinho. A Leilinha que é louca, você sabe disso, né? – indagou Christian olhando para o Jack.

— Louca é você, que acusou a Ana pelo acidente do Jack. Isso mesmo que você ouviu, Jackito. Seu marido foi um idiota com a Aninha e ela foi mais ainda quando perdoo ele assim num piscar de olhos.

Christian ia abrir a boca para falar, mas eu tomei a frente primeiro.

— Fica quieta, Leila – briguei e encarei Jack – Ursinho, não fica bravo com o Mozão não. Ele não fez por mal. Juro para você. Oh coitado tava muito abalado com a notícia da sua morte e acabamos nos desentendendo, mas já fizemos as pazes, né Mozão?

Christian assentiu e Jack pareceu suavizar sua expressão de aborrecimento. Continuamos conversando e, pela melhor recuperação de Jack, decidimos que nós três passaríamos os quinze dias de seu atestado lá na casa da ilha, porém aquela noite iríamos ficar em um hotel.


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Assim que Jack recebeu alta, Leila se ofereceu para nos levar até um hotel chamado Sheraton Vancouver Guildford, onde Elena pediu duas suítes, uma com camas duplas para mim, Jack e Christian e outra com uma cama para ela, que só voltaria para Seattle no dia seguinte.
Todavia, o hotel se encontrava sem suítes com camas duplas, então tivemos que ficar com uma de uma cama só, porém o recepcionista nos informou que na sala de estar existente na suíte, possuía um sofá-cama.

Mal adentramos o quarto, amparando Jack, e Christian já disse que iria dormir na sala.
— Eu acho que vou dormir lá na sala com você, Mozão – comentei enquanto ajudávamos Jack, tirando sua roupa para que ele pudesse tomar banho e descansar.

— O sofá-cama vai ficar desconfortável para você, Bonequinha – Christian disse e Jack concordou com ele.

— Mas se eu ficar aqui na cama, vou te prejudicar, Ursinho. Você está todo dolorido e eu vou acabar me mexendo durante a noite, te causando mais dor ainda.

— Pensando por esse lado, a Bonequinha tem razão, Ursinho.

— Então, porque vocês dois não ficam aqui e eu durmo no sofá-cama?

— Nada disso. E vamos logo banhar para você poder descansar – resmunguei, já tirando a minha roupa também.


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— Estou me sentindo um bebê com vocês cuidando de mim, assim tão atenciosamente – Jack comentou à medida que Christian o ajudava a se deitar, depois dele ter tomando o remédio para dor.

— Mas você é o nosso bebê dodoí, não é Mozão? – inquiri enquanto puxava a coberta por sobre Jack, ajeitando a mesma.

— Isso mesmo. Agora tente dormir um pouco, Ursinho. Qualquer coisa nos chame.

Jack assentiu, então eu e Christian demos um beijo de boa noite nele e fomos nos preparar para dormir também.

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