CHRISTIAN
Quando ouvi a voz da Leila, eu fiquei com medo dela ter vindo só para nos dar a terrível notícia, mas quando vi a sua cara de brava, me fuzilando com o olhar enquanto me dirigia até a porta de vidro da entrada, eu senti um estranho alívio se apoderar de mim.
— Eita que vocês são difíceis de se entrar em contato! – ela acusou, com raiva, já adentrando a casa, igual a um furacão – Cadê o seu celular, Christian?
— Carregando junto com o meu – disse Ana, aparecendo na sala à medida que eu fechava a porta e me aproximava da minha irmã.
— É por isso que ninguém está conseguindo falar com vocês. Estamos todos desesperados atrás dos dois, porque faz horas que a sua sogra está tentando entrar em contato contigo, Christian. Eu tive que tirar o Travis do trabalho para ele vir aqui comigo, para buscar vocês.
— Então, o Jack está realmente mor... – a voz me faltou, pelo medo de pronunciar aquela palavra em voz alta de novo.
Leila encarou a Ana, que tinha se aproximado mais de nós dois, depois se virou para mim.
— Vocês viram o noticiário, né?
— Sim – eu e a Ana falamos ao mesmo tempo.
— Mas viram o final? – Leila nos inquiriu e nós negamos, então ela bateu com a mão na testa – Meu Deus, gente! Isso é sério? Pelo amor de Deus, né?
— Quando você escuta que o seu marido morreu em um acidente de carro, geralmente as únicas coisas que se passa na sua cabeça é gritar, chorar e negar aquilo tudo que se ouviu. Você não fica calmo e muito menos presta atenção na porra do resto do jornal, Leila! – exclamei, já alterado.
— Ok, ok. Mas podem respirar aliviados, porque o Jack está bem.
Eu demorei alguns segundos para assimilar, mas assim que a ficha caiu, aquilo me fez chorar. Um choro de alívio, por saber que o Jack estava vivo e bem. Então, dei um passo a frente, me aproximando ainda mais da minha irmã e a abracei, agradecendo-a.
— Ele está vivo e inteiro, mas não tá tão bem assim – ela comentou, quando me afastei.
— Como assim, Leila? O quê que o meu Ursinho tem? – Ana inquiriu, meio chorosa, então fui abraçá-la, mas a mesma se saiu, me ignorando e foi abraçar a minha irmã.
— Se acalme, Aninha. Jack está com uma suspeita de lesão na coluna, mas não é muito grave não. Logo logo ele vai ficar bem – Leila murmurou, confortando a Ana em seus braços enquanto me fuzilava com o olhar – Agora me tira uma dúvida. Você e o meu irmão brigaram?
Ana assentiu se desvencilhando da Leila, que logo veio para cima de mim, me dando alguns tapas, bem ardidos por sinal.
— Aí, Leila! Tá doida, criatura?
— Não me importa quem começou essa briga... Você... não... deveria... brigar... com a Ana... nunca... Christian.
Cada palavra era um tapa que meu corpinho levava da brutamontes da minha irmã.
— Eu vou contar pra mamãe que você está me batendo – ameacei, usando o sofá como proteção para os ataques dela, que se encontrava do outro lado.
— Ela iria te dar uns tabefes também, porque não se deve brigar com uma grávida, porra!
— Pode bater mais nele, Leila, porque foi esse babaca mesmo que começou a briga. Me acusando pelo acidente do Jack.
Leila desviou o olhar da Ana e mirou em mim, me metralhando com os olhos.
— Qual é, Leilinha? Eu estava sofrendo com a suposta morte do Jack. Me dá um descontinho, né?
— Eu só não vou continuar com isso, porque o Travis precisa voltar rápido para o trabalho dele, então vão os dois se vestirem, para podermos ir logo para o hospital.
Acabei levando da minha irmã, uma almofadada na cabeça, quando comecei a seguir a Ana, rumo a porta que dava acesso ao quarto. Assim que entramos nele, tentei pedir desculpas para ela, mas a mesma foi bem fria comigo, dizendo que não queria gastar a sua saliva com um babaca.
Apenas respirei fundo, meio triste, porque a Ana estava certa. Eu realmente fui um babaca e pisei na bola com ela, como sempre. Quando terminamos de nos arrumar, pegamos os celulares e retornamos para a sala. Leila e Ana foram na frente, rumo ao píer, enquanto eu terminava de trancar a casa.
Depois do casamento, Leila havia ido morar com Travis em Ladner, que ficava cerca de dez minutos de Aeroporto Boundary Bay, onde o marido dela era piloto. Assim que pousamos, nos despedimos de Travis, agradecendo-o, e fomos para o estacionamento do aeroporto.
Do Boundary Bay até o Surrey Memorial Hospital, onde Jack estava, segundo informações da minha irmã, só dava vinte e quatro minutos de distância. Então, aproveitei esse tempo e apostei em uma nova tentativa de reconciliação com a Ana. Tirei o celular do bolso da minha calça e mandei uma mensagem para ela, que se encontrava no banco da frente.
Assim que li sua última mensagem, ergui o rosto, vendo ela me olhar por sobre o seu ombro, com um sorriso nos lábios. Então, Ana esticou seu braço para trás, fazendo-me segurar sua mão.
— Obrigado por me perdoar, Bonequinha – sussurrei, apertando de leve a mão dela, antes de soltá-la.
— Você perdoa muito rápido, Ana – minha irmã comentou, se metendo na conversa alheia.
— Infelizmente, não consigo ficar muito tempo brigada com o meu Mozão, principalmente agora com o nosso Ursinho precisando da gente.
— Se fosse eu, passaria era um mês dando gelo nele.
— Oh, Leilinha! Não atrapalha a nossa reconciliação, por favor! – exclamei, já começando a ficar emburrado.
— Não estou atrapalhando nada, seu chato. Só dei uma dica super importante para a Aninha usar na próxima vez.
— Não vai haver “Próxima vez” – retruquei.
— Uhum... Quem não te conhece, que te compre, meu filho.
— Ah, cala a boca! – murmurei, cruzando os braços sobre o peito.
— Vem aqui me fazer calar! Tu não é homem não? Cadê? Estou esperando o Christian Machão sair do armário e vim me fazer calar a boca.
Rolei os olhos, pois eu sabia perfeitamente que minha irmã estava zoando com a minha cara. Ana, por sua vez, não parava de rir da gente, tanto que acabou se engasgando com a própria saliva.
Quando ouvi a voz da Leila, eu fiquei com medo dela ter vindo só para nos dar a terrível notícia, mas quando vi a sua cara de brava, me fuzilando com o olhar enquanto me dirigia até a porta de vidro da entrada, eu senti um estranho alívio se apoderar de mim.
— Eita que vocês são difíceis de se entrar em contato! – ela acusou, com raiva, já adentrando a casa, igual a um furacão – Cadê o seu celular, Christian?
— Carregando junto com o meu – disse Ana, aparecendo na sala à medida que eu fechava a porta e me aproximava da minha irmã.
— É por isso que ninguém está conseguindo falar com vocês. Estamos todos desesperados atrás dos dois, porque faz horas que a sua sogra está tentando entrar em contato contigo, Christian. Eu tive que tirar o Travis do trabalho para ele vir aqui comigo, para buscar vocês.
— Então, o Jack está realmente mor... – a voz me faltou, pelo medo de pronunciar aquela palavra em voz alta de novo.
Leila encarou a Ana, que tinha se aproximado mais de nós dois, depois se virou para mim.
— Vocês viram o noticiário, né?
— Sim – eu e a Ana falamos ao mesmo tempo.
— Mas viram o final? – Leila nos inquiriu e nós negamos, então ela bateu com a mão na testa – Meu Deus, gente! Isso é sério? Pelo amor de Deus, né?
— Quando você escuta que o seu marido morreu em um acidente de carro, geralmente as únicas coisas que se passa na sua cabeça é gritar, chorar e negar aquilo tudo que se ouviu. Você não fica calmo e muito menos presta atenção na porra do resto do jornal, Leila! – exclamei, já alterado.
— Ok, ok. Mas podem respirar aliviados, porque o Jack está bem.
Eu demorei alguns segundos para assimilar, mas assim que a ficha caiu, aquilo me fez chorar. Um choro de alívio, por saber que o Jack estava vivo e bem. Então, dei um passo a frente, me aproximando ainda mais da minha irmã e a abracei, agradecendo-a.
— Ele está vivo e inteiro, mas não tá tão bem assim – ela comentou, quando me afastei.
— Como assim, Leila? O quê que o meu Ursinho tem? – Ana inquiriu, meio chorosa, então fui abraçá-la, mas a mesma se saiu, me ignorando e foi abraçar a minha irmã.
— Se acalme, Aninha. Jack está com uma suspeita de lesão na coluna, mas não é muito grave não. Logo logo ele vai ficar bem – Leila murmurou, confortando a Ana em seus braços enquanto me fuzilava com o olhar – Agora me tira uma dúvida. Você e o meu irmão brigaram?
Ana assentiu se desvencilhando da Leila, que logo veio para cima de mim, me dando alguns tapas, bem ardidos por sinal.
— Aí, Leila! Tá doida, criatura?
— Não me importa quem começou essa briga... Você... não... deveria... brigar... com a Ana... nunca... Christian.
Cada palavra era um tapa que meu corpinho levava da brutamontes da minha irmã.
— Eu vou contar pra mamãe que você está me batendo – ameacei, usando o sofá como proteção para os ataques dela, que se encontrava do outro lado.
— Ela iria te dar uns tabefes também, porque não se deve brigar com uma grávida, porra!
— Pode bater mais nele, Leila, porque foi esse babaca mesmo que começou a briga. Me acusando pelo acidente do Jack.
Leila desviou o olhar da Ana e mirou em mim, me metralhando com os olhos.
— Qual é, Leilinha? Eu estava sofrendo com a suposta morte do Jack. Me dá um descontinho, né?
— Eu só não vou continuar com isso, porque o Travis precisa voltar rápido para o trabalho dele, então vão os dois se vestirem, para podermos ir logo para o hospital.
Acabei levando da minha irmã, uma almofadada na cabeça, quando comecei a seguir a Ana, rumo a porta que dava acesso ao quarto. Assim que entramos nele, tentei pedir desculpas para ela, mas a mesma foi bem fria comigo, dizendo que não queria gastar a sua saliva com um babaca.
Apenas respirei fundo, meio triste, porque a Ana estava certa. Eu realmente fui um babaca e pisei na bola com ela, como sempre. Quando terminamos de nos arrumar, pegamos os celulares e retornamos para a sala. Leila e Ana foram na frente, rumo ao píer, enquanto eu terminava de trancar a casa.
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Depois do casamento, Leila havia ido morar com Travis em Ladner, que ficava cerca de dez minutos de Aeroporto Boundary Bay, onde o marido dela era piloto. Assim que pousamos, nos despedimos de Travis, agradecendo-o, e fomos para o estacionamento do aeroporto.
Do Boundary Bay até o Surrey Memorial Hospital, onde Jack estava, segundo informações da minha irmã, só dava vinte e quatro minutos de distância. Então, aproveitei esse tempo e apostei em uma nova tentativa de reconciliação com a Ana. Tirei o celular do bolso da minha calça e mandei uma mensagem para ela, que se encontrava no banco da frente.
— Obrigado por me perdoar, Bonequinha – sussurrei, apertando de leve a mão dela, antes de soltá-la.
— Você perdoa muito rápido, Ana – minha irmã comentou, se metendo na conversa alheia.
— Infelizmente, não consigo ficar muito tempo brigada com o meu Mozão, principalmente agora com o nosso Ursinho precisando da gente.
— Se fosse eu, passaria era um mês dando gelo nele.
— Oh, Leilinha! Não atrapalha a nossa reconciliação, por favor! – exclamei, já começando a ficar emburrado.
— Não estou atrapalhando nada, seu chato. Só dei uma dica super importante para a Aninha usar na próxima vez.
— Não vai haver “Próxima vez” – retruquei.
— Uhum... Quem não te conhece, que te compre, meu filho.
— Ah, cala a boca! – murmurei, cruzando os braços sobre o peito.
— Vem aqui me fazer calar! Tu não é homem não? Cadê? Estou esperando o Christian Machão sair do armário e vim me fazer calar a boca.
Rolei os olhos, pois eu sabia perfeitamente que minha irmã estava zoando com a minha cara. Ana, por sua vez, não parava de rir da gente, tanto que acabou se engasgando com a própria saliva.

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