quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 43


ANASTASIA

Depois de um tempo, comecei avistar uma linda casa no alto de uma pequena encosta, em meio à floresta e rochas. Christian logo reduziu a velocidade, manobrando e parando a lancha em um píer, à alguns metros de distância da encosta.

Após prender o barco, ele me ajudou a sair, pegando depois a mala e a minha bolsa, entregando a mesma para mim. Começamos a andar, lado a lado, um do outro e eu fiquei meio hesitando em pegar na mão dele.

Entretanto, Christian logo tomou a iniciativa por mim e segurou a minha, fazendo-me sentir bem mais à vontade com relação a como agir no nosso namoro de faz de contas, então mudei a posição de nossas mãos, entrelaçando meus dedos aos dele, que virou o rosto para mim, olhando-me por alguns segundos e me dando um meio sorriso.

Ao pé da encosta, o píer se estendia se formando um deck, onde havia duas cadeiras de madeiras, pintadas de azul-escuro, que logo minha mente conseguiu imaginar Jack e Christian sentados ali, vendo o pôr-do-sol ou o amanhecer.
Alguns metros à frente, do lado esquerdo, existia uma escada que levava até a uma pequena praia. Seguimos escada acima e quando finalmente chegamos no pátio da garagem da casa, eu me encontrava morta, quase literalmente.
— Vocês podiam instalar... uma escada daquelas de shopping... não é? – comentei ainda meio ofegante enquanto via Christian rir da minha cara.

— Deixa de ser preguiçosa, amor. Exercício faz bem, principalmente para você que está grávida – ele disse, já me puxando pelo braço, ignorando os meus resmungos.

Christian abriu a porta e logo foi me mostrando a casa. A mesma era bem moderna e arejada, com enormes janelas em ambos os lados. A sala e a cozinha eram uma coisa só, divididas apenas pela mesa e pelo sofá em L de couro preto.
Christian me informou também, que havia dois quartos, um em cada extremidade da residência, mas como eu dormia com eles, só iríamos usar a suíte principal. Ele então abriu uma porta que dava para um pequeno hall onde existiam mais duas portas, uma de frente para a que o mesmo tinha aberto e uma à direita.

— Essa porta aqui é a do banheiro – Christian falou apontando para a porta à nossa frente, depois foi para perto da outra – E este aqui é o nosso quarto.

— Nossa! Que vista linda! – exclamei, admirada com a paisagem que dava para se ver das paredes de vidro do cômodo e também da ampla varanda, que se estendia ao redor do quarto e ia até a sala de estar, dando acesso à ela.
Me recostei ao parapeito, fechando os olhos, sentindo o vento bater no meu rosto à medida que um sorriso se formava em meus lábios.

— Vamos, amor? Você deve está com muita fome, porque eu estou – escutei Christian dizer atrás de mim, então saí da varanda, adentrando o quarto, já fechando a porta de correr.

Deixamos nossas coisas ali mesmo sobre a cama, depois ele fechou a casa e me conduziu até a porta da garagem. Dentro dela havia um lindo carro esportivo.

O modelo me pareceu que era bem antigo e isso foi confirmado quando Christian me informou que aquele era uma réplica perfeita de um Chevrolet Corvette 60 de um tal seriado chamado Rota 66 que passava na década de 60, e que ele e Jack gostavam muito de assistir.
— Ok – murmurei meio pausadamente, ainda boiando geral, mas o carro era bem bonitinho.


★ ★ ★ ★ ★


Almoçamos em um restaurante que ficava de frente para uma marina lotada de barcos. O lugar possuía uma atmosfera agradável e divertida, e o atendimento era bem caseiro, pois eram os próprios donos que vinham atender as mesas, sempre com um sorriso no rosto.
Durante o nosso almoço, eu quis saber um pouco mais da vida do Christian e acabei perguntando como havia sido a transformação dele quando o mesmo se aceitou como era. Christian desconversou e me contou alguns momentos engraçados que ele e a Leila tiveram durante uma viagem para um acampamento de verão na infância deles.

— Christian? – o chamei, apertando de leve minha mão ao redor da dele, quando saímos do restaurante e nos dirigimos rumo ao supermercado que, segundo Christian, ficava a três quadras dali.

— O que foi?

— Notei que você não tocou mais no nome do Ursinho. Você está bem? – indaguei meio hesitante, então ele parou de andar, se colocando a minha frente.

— Estou sim. Eu parei de mencionar o Ursinho, porque eu não quero pensar nele. Hoje estou tentando ser um Christian que eu nunca fui. Além do mais, o nosso trato foi de passarmos o dia fingindo sermos namorados, então não vejo necessidade de ficar falando do meu marido toda hora. Até porque, se ficarmos tocando no nome dele, eu vou acabar não conseguindo fingir direito e você vai acabar não tendo o seu dia perfeito à dois – Christian se aproximou mais e beijou minha testa – Hoje eu sou seu até às onze da noite. Depois desse horário voltaremos a ser o Mozão e a Bonequinha de sempre, ok?

— Ok – falei, balançando a cabeça em afirmação, então logo voltamos a andar.


★ ★ ★ ★ ★


— O dia tá acabando – comentei, triste e feliz ao mesmo tempo, pois eu não queria que esse dia acabasse nunca, mas por outro lado eu queria que o Jack chegasse logo, porque me encontrava com um tesão de descongelar um iceberg, se fosse possível.

Depois que voltamos da cidade, nós guardamos as coisas, colocamos nossas roupas de banho e passamos o resto da tarde nos divertindo na praia da propriedade. Agora estávamos sentados no chão, meio abraçados, vendo o pôr-do-sol.

— Gostou do nosso dia? – escutei Christian perguntar, então ergui o rosto e sorri, assentindo com a cabeça.

— Muito, muito, muito. Obrigada, amor.

— Quer dar um último mergulho antes da gente subir?

— Quero.

Nos levantamos e fomos para dentro da água, onde ficamos curtindo por alguns minutos, depois saímos e seguimos encosta acima. Como tínhamos tirado a areia dos nossos corpos com o último mergulho, quando chegamos na casa, fomos direto para a cozinha, preparar algo para nós dois comermos, pois provavelmente Jack deveria jantar lá em Seattle, antes de vir para cá.

Estávamos limpando a cozinha, após o jantar, quando eu tive uma ideia, então fui até a geladeira, peguei uma das quatro latas de chantilly spray que havíamos comprado hoje mais cedo e borrifei no braço dele, fazendo o mesmo se assustar, devido o creme está gelado.

Christian me encarou, semicerrando os olhos, e eu sorri travessa, quando o vi ir até a geladeira e pegar duas latas de chantilly.

— É guerra que você quer, não é querida? Então se prepara – ele ameaçou enquanto sacudia as latas, para depois vir para cima de mim.

Ao final da nossa guerra de chantilly, ambos estávamos todo lambuzados e ríamos muito, sentados no sofá, que também se encontrava melado pela nossa brincadeira.

— Precisamos ir banhar – comentei conseguindo parar de rir um pouco.

— Verdade. Pode ir primeiro, que eu vou limpar essa bagunça.

— Vem banhar comigo – pedi manhosa – Ainda são oito horas, então você ainda é meu namorado de mentirinha e eu aposto que em algum momento do namoro, os casais banham juntos, né? – inquiri, aproximando meu rosto do dele e lambi o chantilly de sua bochecha.

— Tudo bem. A gente banha primeiro e depois você me ajuda a limpar isso aqui, ok?

— Fechado.


★ ★ ★ ★ ★


— Porque está me olhando desse jeito? – Christian me perguntou, à medida que nos ensaboávamos dentro do box.
— Que jeito?

— Como se quisesse me comer – ele disse, fazendo rir na hora.

— Seria legal, mas não nasci com pau, infelizmente. Bem que eu poderia ter nascido mutante. Com os dois sexos. Cara, deve ser muito foda! – exclamei me aproximando um pouco mais dele.

Christian riu, já ligando o chuveiro.

— Você sabe que a cinta peniana foi criada para isso, né?

— Você tem uma? – indaguei, um pouco entusiasmada.

— Cinta peniana? Não. Para quê que eu preciso de uma cinta dessa, se eu nasci com a ferramenta em mim?

— Sei lá – murmurei dando de ombros, então ele me puxou pelo braço, colocando-me embaixo do chuveiro também.

Aproveitei nossa proximidade e o enlacei pelo pescoço, colando meu corpo ao dele, já o beijando. Notei que a surpresa do meu beijo durou só alguns segundos, pois logo Christian me segurou pela cintura.
— Eu tô com muito tesão e não sei se aguento até o Ursinho chegar, para transarnos nós três juntos. Preciso me aliviar um pouco – sussurrei o encarando e o mesmo me olhou, bem hesitante.

— Infelizmente, não posso te ajudar, porque eu nunca fiquei com uma mulher, sozinho. Me desculpe – ele falou e saiu do box, deixando-me posteriormente sozinha dentro do banheiro.

“Não se preocupe, Mozão. É hoje que eu tiro essa sua virgindade com sexo hétero” pensei, já desligando o chuveiro, enquanto um sorriso maléfico se apossava dos meus lábios.

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