ANASTASIA
Lentamente fui abrindo os olhos, piscando um pouco por causa da claridade do quarto e logo focalizei um braço perto do meu rosto.
“Senhor! Tenho que me depilar urgente” pensei, já notando segundos depois que não era o meu braço e sim o de outra pessoa.
Então, me apoiando sobre o cotovelo, ergui um pouco o corpo e olhei para trás, vendo Christian despertando, provavelmente devido eu ter puxado o meu braço que estava sob o dele.
— Bom dia, Mozão – murmurei, me sentando.
Minha bunda estava muito dolorida, mas nada que eu não pudesse aguentar.
— Bom dia, assombração.
— Eu não sou assombração – resmunguei e cruzei os braços sobre o busto, encarando-o com uma cara fechada.
Ele riu e o vi se inclinar para o lado, pegando seu celular sobre a mesinha de cabeceira.
— Fica parada... Isso – Christian disse, quase me cegando segundos depois com o flash da câmera – Olha aqui o que eu estou vendo agora – ele me passou o seu telefone – Se isso não é uma assombração, eu não sei o que é.
Olhei para tela do celular e me assustei com a minha aparência. Meu cabelo se encontrava todo bagunçado e tinha umas marcas meio roxas bem sutis distribuídas pelo meu pescoço.
— Eita que vocês me deixaram toda roxa – comentei brincando.
Christian não disse nada, apenas se sentou na beirada da cama e se espreguiçou.
— Vou fazer algo para comermos e enquanto isso você vai para o banheiro, tomar uma ducha – ele falou se levantando.
— E você, Mozão?
Christian se virou, olhando-me, franzindo logo o cenho.
— O quê que tem eu?
— Não vai banhar?
— Já banhei de manhã cedo antes do Ursinho ir trabalhar.
Semicerrei os olhos, o avaliando de cima a baixo.
— Vocês transaram, não foi? – acusei e ele assentiu, confirmando, então fiz um bico – Poxa, nem me acordaram.
— Você não precisa estar sempre no meio das nossas fodas, né Bonequinha? – Christian rebateu.
De repente, senti uma forte sensação de como se eu tivesse sido jogada para escanteio e logo uma vontade enorme de chorar me acertou, fazendo-me deitar novamente na cama, puxando o edredom por sobre mim, cobrindo-me por completa.
Escutei ele me chamar algumas vezes, mas permanecia quieta, chorando em silêncio enquanto meu subconsciente dizia-me coisas como “Eles não gostam de ter você por perto”, “Eles só transam contigo, porque você pede, e não porque os dois querem”, “Admita, no fundo nós sabemos que eles não gostam de te comer”, “Você não tem ninguém nessa vida e nunca vai ter”, “Sempre vai ser sozinha, Ana”.
— Bonequinha? – ouvi Christian sussurrar perto de mim, como se o mesmo estivesse debruçado sobre meu corpo.
— Estou de mal com vocês! E não quero mais ir a lugar nenhum, com nenhum dos dois! – exclamei com a voz trêmula, então ele puxou o edredom, descobrindo o meu rosto.
— Porque você está chorando?
— Porque eu tenho olho – rebati tentando puxar novamente o edredom para me cobrir, mas Christian não deixou, falando meu nome bem sério – Vocês gostam de transar comigo? – inquiri me sentando, passando minhas mãos no rosto para secar as lágrimas.
— É claro.
— Não minta para mim, ok? Se vocês gostassem mesmo, tomariam a iniciativa, mas não, sempre sou eu que peço para participar. Toda vez é assim – acusei, o encarando com um semblante triste.
— Você só está perguntando isso porque nós transamos hoje de manhã e não te chamamos? – ele me questionou, mas eu não disse nada, só desviei o olhar e o rosto para o outro lado – Ana, olha para mim... Ei, Bonequinha – Christian pegou no meu queixo e me fez olhar para ele – Eu e o Jack já éramos um casal antes de você aparecer nas nossas vidas e ainda continuamos um casal, então mesmo com você aqui, nós precisamos de momentos à dois, entende?
— Eu queria ter momentos assim também – retruquei triste, tirando sua mão do meu queixo.
— À dois?
— Sim. Mas não tenho ninguém, então de que adianta eu querer isso? – falei dando de ombros.
— Ah, quer dizer que eu e o Ursinho somos ninguém, é?
— Você entendeu o que eu quis dizer. Mesmo eu morando com vocês, ainda sou uma intrusa. E eu não quero acabar com isso que vocês dois tem. Essa linda ligação amorosa. Mas sinto muita inveja, porque eu também queria ter uma... – parei de falar, pois a voz me faltou e logo as lágrimas começaram lentamente a descer.
— Não chore.
— Eu não controlo a porra desses hormônios, então não me mande não chorar! – exclamei, já sendo tragada por uma crise de choro.
Segundos depois, me senti sendo puxada e envolvida por braços quentes. Christian não disse nenhuma palavra, apenas esperou que eu me acalmasse e assim que parei de chorar, me soltei de seu abraço, preferindo não olhar nos olhos dele.
— Desculpe. Estou parecendo uma criança mimada – comentei me arrastando para a beirada da cama – Em quinze minutos eu desço para tomarmos café e irmos para a ilha de vocês – informei, já levantando e indo rumo a porta do banheiro.
— Quero te propor um trato – escutei ele dizer, fazendo-me estancar no lugar e girar nos calcanhares.
— Um trato? – perguntei, confusa.
— Você não fica mais chateada por eu e o Ursinho termos os nossos momentos a sós, e em troca eu posso ter um momento à dois com você hoje.
— Como assim?
— Só iremos nos reencontrar com o Ursinho agora, lá pela meia noite, então vamos pegar esse dia que passaremos juntos e fingiremos sermos namorados para você ter o seu tão sonhado momento à dois. Te tratarei e farei coisas que um namorado geralmente faz para sua namorada.
Meus lábios se entreabriram em surpresa enquanto o via se levantar da cama. Christian aproximou-se de mim e segurou meus ombros, afagando-os.
— Só devo ressaltar que não tenho experiência em namoro hétero, então me basearei no meu namoro com o Ursinho. E aí quando o mesmo chegar hoje a noite, eu conversarei com ele sobre nós termos mais momentos à três com você, além da cama. Quem sabe até fazermos uma viagem antes da bebê nascer, para um país que você deseja ir.
— Paris! – exclamei mega empolgada, já me jogando nos braços dele, o enlaçando pelo pescoço – Eu quero ir para Paris, Mozão. Deve ter cada doce gostoso lá. E para a Itália também, porque adoro comida italiana.
Ele riu, antes de assentir com a cabeça.
— Então, você aceita o meu trato?
— Com certeza, Mozão.
— Acho melhor não usarmos esses apelidos hoje – Christian disse e eu franzi o cenho.
— Porque? Eu gosto deles.
— Também gosto, mas eles estão ligados à nós três. Então seria melhor nos tratarmos de “Amor”, “Querida” e “Querido”, igual aos namorados de verdade, ok?
Assenti, então deslizei minhas mãos para baixo, o abraçando pela cintura e recostei meu rosto um pouco abaixo da curva do seu pescoço, fechando os olhos.
— Obrigada por fazer isso por mim – sussurrei, sentindo-o afagar minha costa.
— De nada. E nos desculpe se não tomamos a iniciativa na hora do sexo. É porque transar com uma mulher, uma vez no ano, é uma coisa. Já conviver e transar com uma quase todos os dias é totalmente diferente e nós dois ainda não sabemos como agir, mas com o tempo a gente aprende. Ninguém nasce sabendo tudo, não é?
— Verdade.
— Agora a senhorita vá para debaixo do chuveiro – ele disse me empurrando de leve pela cintura, fazendo a gente se desvencilhar, mas me aproximei novamente, colando nossos corpos e lhe dei um beijo, que o mesmo retribuiu por alguns segundos, antes de afastar seus lábios dos meus – Vai logo, sua pelada.
Sorri e sai de perto dele, adentrando o banheiro, fechando a porta em seguida.
Lentamente fui abrindo os olhos, piscando um pouco por causa da claridade do quarto e logo focalizei um braço perto do meu rosto.
Então, me apoiando sobre o cotovelo, ergui um pouco o corpo e olhei para trás, vendo Christian despertando, provavelmente devido eu ter puxado o meu braço que estava sob o dele.
— Bom dia, Mozão – murmurei, me sentando.
Minha bunda estava muito dolorida, mas nada que eu não pudesse aguentar.
— Bom dia, assombração.
— Eu não sou assombração – resmunguei e cruzei os braços sobre o busto, encarando-o com uma cara fechada.
Ele riu e o vi se inclinar para o lado, pegando seu celular sobre a mesinha de cabeceira.
— Fica parada... Isso – Christian disse, quase me cegando segundos depois com o flash da câmera – Olha aqui o que eu estou vendo agora – ele me passou o seu telefone – Se isso não é uma assombração, eu não sei o que é.
Olhei para tela do celular e me assustei com a minha aparência. Meu cabelo se encontrava todo bagunçado e tinha umas marcas meio roxas bem sutis distribuídas pelo meu pescoço.
— Eita que vocês me deixaram toda roxa – comentei brincando.
Christian não disse nada, apenas se sentou na beirada da cama e se espreguiçou.
— Vou fazer algo para comermos e enquanto isso você vai para o banheiro, tomar uma ducha – ele falou se levantando.
— E você, Mozão?
Christian se virou, olhando-me, franzindo logo o cenho.
— O quê que tem eu?
— Não vai banhar?
— Já banhei de manhã cedo antes do Ursinho ir trabalhar.
Semicerrei os olhos, o avaliando de cima a baixo.
— Vocês transaram, não foi? – acusei e ele assentiu, confirmando, então fiz um bico – Poxa, nem me acordaram.
— Você não precisa estar sempre no meio das nossas fodas, né Bonequinha? – Christian rebateu.
De repente, senti uma forte sensação de como se eu tivesse sido jogada para escanteio e logo uma vontade enorme de chorar me acertou, fazendo-me deitar novamente na cama, puxando o edredom por sobre mim, cobrindo-me por completa.
Escutei ele me chamar algumas vezes, mas permanecia quieta, chorando em silêncio enquanto meu subconsciente dizia-me coisas como “Eles não gostam de ter você por perto”, “Eles só transam contigo, porque você pede, e não porque os dois querem”, “Admita, no fundo nós sabemos que eles não gostam de te comer”, “Você não tem ninguém nessa vida e nunca vai ter”, “Sempre vai ser sozinha, Ana”.
— Bonequinha? – ouvi Christian sussurrar perto de mim, como se o mesmo estivesse debruçado sobre meu corpo.
— Estou de mal com vocês! E não quero mais ir a lugar nenhum, com nenhum dos dois! – exclamei com a voz trêmula, então ele puxou o edredom, descobrindo o meu rosto.
— Porque você está chorando?
— Porque eu tenho olho – rebati tentando puxar novamente o edredom para me cobrir, mas Christian não deixou, falando meu nome bem sério – Vocês gostam de transar comigo? – inquiri me sentando, passando minhas mãos no rosto para secar as lágrimas.
— É claro.
— Não minta para mim, ok? Se vocês gostassem mesmo, tomariam a iniciativa, mas não, sempre sou eu que peço para participar. Toda vez é assim – acusei, o encarando com um semblante triste.
— Você só está perguntando isso porque nós transamos hoje de manhã e não te chamamos? – ele me questionou, mas eu não disse nada, só desviei o olhar e o rosto para o outro lado – Ana, olha para mim... Ei, Bonequinha – Christian pegou no meu queixo e me fez olhar para ele – Eu e o Jack já éramos um casal antes de você aparecer nas nossas vidas e ainda continuamos um casal, então mesmo com você aqui, nós precisamos de momentos à dois, entende?
— Eu queria ter momentos assim também – retruquei triste, tirando sua mão do meu queixo.
— À dois?
— Sim. Mas não tenho ninguém, então de que adianta eu querer isso? – falei dando de ombros.
— Ah, quer dizer que eu e o Ursinho somos ninguém, é?
— Você entendeu o que eu quis dizer. Mesmo eu morando com vocês, ainda sou uma intrusa. E eu não quero acabar com isso que vocês dois tem. Essa linda ligação amorosa. Mas sinto muita inveja, porque eu também queria ter uma... – parei de falar, pois a voz me faltou e logo as lágrimas começaram lentamente a descer.
— Não chore.
— Eu não controlo a porra desses hormônios, então não me mande não chorar! – exclamei, já sendo tragada por uma crise de choro.
Segundos depois, me senti sendo puxada e envolvida por braços quentes. Christian não disse nenhuma palavra, apenas esperou que eu me acalmasse e assim que parei de chorar, me soltei de seu abraço, preferindo não olhar nos olhos dele.
— Desculpe. Estou parecendo uma criança mimada – comentei me arrastando para a beirada da cama – Em quinze minutos eu desço para tomarmos café e irmos para a ilha de vocês – informei, já levantando e indo rumo a porta do banheiro.
— Quero te propor um trato – escutei ele dizer, fazendo-me estancar no lugar e girar nos calcanhares.
— Um trato? – perguntei, confusa.
— Você não fica mais chateada por eu e o Ursinho termos os nossos momentos a sós, e em troca eu posso ter um momento à dois com você hoje.
— Como assim?
— Só iremos nos reencontrar com o Ursinho agora, lá pela meia noite, então vamos pegar esse dia que passaremos juntos e fingiremos sermos namorados para você ter o seu tão sonhado momento à dois. Te tratarei e farei coisas que um namorado geralmente faz para sua namorada.
Meus lábios se entreabriram em surpresa enquanto o via se levantar da cama. Christian aproximou-se de mim e segurou meus ombros, afagando-os.
— Só devo ressaltar que não tenho experiência em namoro hétero, então me basearei no meu namoro com o Ursinho. E aí quando o mesmo chegar hoje a noite, eu conversarei com ele sobre nós termos mais momentos à três com você, além da cama. Quem sabe até fazermos uma viagem antes da bebê nascer, para um país que você deseja ir.
— Paris! – exclamei mega empolgada, já me jogando nos braços dele, o enlaçando pelo pescoço – Eu quero ir para Paris, Mozão. Deve ter cada doce gostoso lá. E para a Itália também, porque adoro comida italiana.
Ele riu, antes de assentir com a cabeça.
— Então, você aceita o meu trato?
— Com certeza, Mozão.
— Acho melhor não usarmos esses apelidos hoje – Christian disse e eu franzi o cenho.
— Porque? Eu gosto deles.
— Também gosto, mas eles estão ligados à nós três. Então seria melhor nos tratarmos de “Amor”, “Querida” e “Querido”, igual aos namorados de verdade, ok?
Assenti, então deslizei minhas mãos para baixo, o abraçando pela cintura e recostei meu rosto um pouco abaixo da curva do seu pescoço, fechando os olhos.
— Obrigada por fazer isso por mim – sussurrei, sentindo-o afagar minha costa.
— De nada. E nos desculpe se não tomamos a iniciativa na hora do sexo. É porque transar com uma mulher, uma vez no ano, é uma coisa. Já conviver e transar com uma quase todos os dias é totalmente diferente e nós dois ainda não sabemos como agir, mas com o tempo a gente aprende. Ninguém nasce sabendo tudo, não é?
— Verdade.
— Agora a senhorita vá para debaixo do chuveiro – ele disse me empurrando de leve pela cintura, fazendo a gente se desvencilhar, mas me aproximei novamente, colando nossos corpos e lhe dei um beijo, que o mesmo retribuiu por alguns segundos, antes de afastar seus lábios dos meus – Vai logo, sua pelada.
Sorri e sai de perto dele, adentrando o banheiro, fechando a porta em seguida.

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