ANASTASIA
Fechei os olhos e virei para o outro lado, ficando de costas para eles.
— Deve ser os hormônios, Mozão – escutei Jack dizer, então logo senti uma mão acariciar a parte de trás da minha cabeça e outra afagar meu ombro, descendo pelo braço.
— Bonequinha, você está assim é por causa do que falamos? – ouvi Christian perguntar.
Limpei o rosto, abrindo os olhos e me sentei, recostando-me à cabeceira da cama. Os encarei por alguns segundos enquanto recapitulava, mentalmente, tudo que eu havia pensado durante a minha inesperada crise de choro.
— Desculpe assustar vocês. Não se preocupem, eu não estou sentindo nenhuma dor – tentei tranquilizá-los – Não sei porque chorei, apenas senti uma vontade grande de chorar e logo me vi chorando, mas isso me fez pensar um pouco – respirei fundo e limpei novamente meu rosto, secando as últimas lágrimas que caíam – Há seis dias, quando cheguei aqui, eu apenas via vocês como um negócio, que me daria a chance perfeita para fugir. Mas, com o passar dessa semana, que convivemos juntos, eu fui me apegando a vocês. Eu não quero ir embora. Quero ficar aqui, mas eu não posso, porque é muito perigoso e não quero ver vocês dois se machucarem se o José descobrir, e ele vai descobrir em algum momento, que estou morando aqui.
— Não se preocupe, Bonequinha. A gente sabe se cuidar – Christian disse dando-me um sorriso.
— Ele é mal, muito mal. Vocês não tem ideia.
— Não pense nisso, ok? Se quer ficar aqui com a gente, então fique e nos ajude com a bebê. Nós vamos dar um jeito de te deixar segura, longe daquele desgraçado.
Jack se levantou do chão, sentando-se na beirada da cama, ao meu lado. Ele então me abraçou por sobre o ombro e beijou o alto da minha cabeça.
— Obrigada – falei pegando na mão do Christian, que logo beijou o dorso da minha – Eu gosto muito de vocês dois, de estar aqui e compartilhar momentos que eu nunca tive na vida, mas eu acho que não estou apaixonada como vocês. Me desculpe, Mozão... Ursinho.
— Tudo bem, Bonequinha – eles disseram juntos.
— Nós nem sabemos se o que estamos sentindo é paixão mesmo. Pode até ser o mesmo que você sente pela gente, porque nós também gostamos muito de ter você aqui – complementou Christian.
— E também nos apegamos a você... com super cola – acrescentou Jack, nos fazendo rir – Vem, vamos tomar café da manhã.
Assenti, então eles se levantaram, sendo seguidos por mim e ambos me deram um abraço simultâneo.
— Ok, gente. Chega de abraço, porque eu tô morrendo de fome – murmurei segundos depois.
— Nossa Bonequinha voltou! – exclamou Christian, fazendo-me rolar os olhos e sair do quarto, com ambos ao meu encalço.
Depois do café da manhã, eles foram trabalhar. Jack foi dar plantão no hospital, já o Christian foi para duas sessões de fotos, onde o mesmo trabalharia como modelo.
Enquanto a mim, depois de jurar muito à eles de que eu estaria aqui quando os mesmos voltassem, fiquei em casa e passei o dia no meu quarto, variando entre mexer no notebook, no celular, assistir filmes na TV e cochilar algumas horas.
Quando eles voltaram, eu me encontrava na cozinha, fazendo o nosso jantar, ou melhor, tentando fazer algo comestível, mas o meu macarrão não estava com uma aparência muito boa, além do lugar todo se encontrar bagunçado.
— ALGUÉM CHAMA OS BOMBEIROS, QUE A CASA ESTÁ PEGANDO FOGO!!! – escutei Jack gritar, antes de eu olhar para trás à tempo de ver os dois adentrando o cômodo – Ah, não... é só a Bonequinha na cozinha.
— Ha ha... engraçadinho – resmunguei enquanto eles se aproximavam de mim e cada um me deu um beijo na bochecha, falando em seguida um “Boa noite, Bonequinha”.
— Isso é cérebro de qual animal? – indagou Christian, me provocando, rindo discretamente, então desci um tapa no braço dele – Aí! Porque você só bate em mim, hein? O Ursinho também brincou sobre a sua comida – ele disse, esfregando o local do tapa.
— Ele não falou que o meu macarrão parece um cérebro.
— Não tenho culpa se o Ursinho não é sincero igual a mim.
Semicerrei os olhos e tentei dar outro tapa nele, mas Christian correu e usou a mesa de refeições como escudo.
— Vocês dois parecem crianças.
— Ele que começou – ressaltei apontando para o Christian, do outro lado da mesa.
— Eu não comecei nada. Você que me bateu.
— Ok, gente. Sentem-se. Vamos comer essa comida que trouxemos, depois a gente resolve o que fazer com aquilo ali.
O jantar foi regado à uma conversa agradável e divertida sobre como cada um passou o dia. E assim que terminamos de comer, ajudei Jack a limpar a bagunça que eu havia feito na cozinha, enquanto que Christian dava um jeito no meu macarrão.
— Pronto. Amanhã é só enrolar, empanar e fritar os bolinhos. Eles vão ser os nossos petiscos para o Dia do Bronzecina.
Franzi o cenho, confusa.
— Isso tem dedo do Ethan, não tem? – inquiri, já vendo os dois rirem.
— Sim, Bonequinha. Quando nos mudamos para esta casa, no nosso primeiro final de semana, o Ethan apareceu aqui bem cedo com protetor solar, chapéu e usando biquíni, dizendo que uma vez por mês, um domingo seria para nós três passarmos o dia se bronzeando e tomando banho de piscina.
— Daí vem o nome Bronzecina – ressaltou Christian fechando a geladeira.
— Loucuras da Bicha Ethan – Jack disse rindo.
— Não sei vocês, mas eu tô a fim de banhar e dormir, porque modelar o dia todo, cansou minha beleza – Christian comentou, já saindo da cozinha.
— Como você vai ficar morando com a gente por muito tempo... – Jack começou a falar, passando o braço por sobre meus ombros, o que me fez abraçar sua cintura – ...a senhorita vai começar a dormir conosco a partir de hoje, e o quarto de hóspede vai ser dessa princesinha aqui – ele informou acariciando minha barriga.
Assenti, então saímos da cozinha também, nos dirigimos rumo ao andar de cima. Mesmo com muito medo do que poderia acontecer no futuro, quando José saísse da cadeira, eu precisava ser feliz um pouco.
Principalmente, depois de sofrer por doze anos. E ficar perto do Christian e do Jack, e dos conhecidos deles, além de me fazer sentir bem, era como se eu tivesse novamente uma família.
Fechei os olhos e virei para o outro lado, ficando de costas para eles.
— Deve ser os hormônios, Mozão – escutei Jack dizer, então logo senti uma mão acariciar a parte de trás da minha cabeça e outra afagar meu ombro, descendo pelo braço.
— Bonequinha, você está assim é por causa do que falamos? – ouvi Christian perguntar.
Limpei o rosto, abrindo os olhos e me sentei, recostando-me à cabeceira da cama. Os encarei por alguns segundos enquanto recapitulava, mentalmente, tudo que eu havia pensado durante a minha inesperada crise de choro.
— Desculpe assustar vocês. Não se preocupem, eu não estou sentindo nenhuma dor – tentei tranquilizá-los – Não sei porque chorei, apenas senti uma vontade grande de chorar e logo me vi chorando, mas isso me fez pensar um pouco – respirei fundo e limpei novamente meu rosto, secando as últimas lágrimas que caíam – Há seis dias, quando cheguei aqui, eu apenas via vocês como um negócio, que me daria a chance perfeita para fugir. Mas, com o passar dessa semana, que convivemos juntos, eu fui me apegando a vocês. Eu não quero ir embora. Quero ficar aqui, mas eu não posso, porque é muito perigoso e não quero ver vocês dois se machucarem se o José descobrir, e ele vai descobrir em algum momento, que estou morando aqui.
— Não se preocupe, Bonequinha. A gente sabe se cuidar – Christian disse dando-me um sorriso.
— Ele é mal, muito mal. Vocês não tem ideia.
— Não pense nisso, ok? Se quer ficar aqui com a gente, então fique e nos ajude com a bebê. Nós vamos dar um jeito de te deixar segura, longe daquele desgraçado.
Jack se levantou do chão, sentando-se na beirada da cama, ao meu lado. Ele então me abraçou por sobre o ombro e beijou o alto da minha cabeça.
— Obrigada – falei pegando na mão do Christian, que logo beijou o dorso da minha – Eu gosto muito de vocês dois, de estar aqui e compartilhar momentos que eu nunca tive na vida, mas eu acho que não estou apaixonada como vocês. Me desculpe, Mozão... Ursinho.
— Tudo bem, Bonequinha – eles disseram juntos.
— Nós nem sabemos se o que estamos sentindo é paixão mesmo. Pode até ser o mesmo que você sente pela gente, porque nós também gostamos muito de ter você aqui – complementou Christian.
— E também nos apegamos a você... com super cola – acrescentou Jack, nos fazendo rir – Vem, vamos tomar café da manhã.
Assenti, então eles se levantaram, sendo seguidos por mim e ambos me deram um abraço simultâneo.
— Ok, gente. Chega de abraço, porque eu tô morrendo de fome – murmurei segundos depois.
— Nossa Bonequinha voltou! – exclamou Christian, fazendo-me rolar os olhos e sair do quarto, com ambos ao meu encalço.
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Depois do café da manhã, eles foram trabalhar. Jack foi dar plantão no hospital, já o Christian foi para duas sessões de fotos, onde o mesmo trabalharia como modelo.
Enquanto a mim, depois de jurar muito à eles de que eu estaria aqui quando os mesmos voltassem, fiquei em casa e passei o dia no meu quarto, variando entre mexer no notebook, no celular, assistir filmes na TV e cochilar algumas horas.
Quando eles voltaram, eu me encontrava na cozinha, fazendo o nosso jantar, ou melhor, tentando fazer algo comestível, mas o meu macarrão não estava com uma aparência muito boa, além do lugar todo se encontrar bagunçado.
— Ha ha... engraçadinho – resmunguei enquanto eles se aproximavam de mim e cada um me deu um beijo na bochecha, falando em seguida um “Boa noite, Bonequinha”.
— Isso é cérebro de qual animal? – indagou Christian, me provocando, rindo discretamente, então desci um tapa no braço dele – Aí! Porque você só bate em mim, hein? O Ursinho também brincou sobre a sua comida – ele disse, esfregando o local do tapa.
— Ele não falou que o meu macarrão parece um cérebro.
— Não tenho culpa se o Ursinho não é sincero igual a mim.
Semicerrei os olhos e tentei dar outro tapa nele, mas Christian correu e usou a mesa de refeições como escudo.
— Vocês dois parecem crianças.
— Ele que começou – ressaltei apontando para o Christian, do outro lado da mesa.
— Eu não comecei nada. Você que me bateu.
— Ok, gente. Sentem-se. Vamos comer essa comida que trouxemos, depois a gente resolve o que fazer com aquilo ali.
O jantar foi regado à uma conversa agradável e divertida sobre como cada um passou o dia. E assim que terminamos de comer, ajudei Jack a limpar a bagunça que eu havia feito na cozinha, enquanto que Christian dava um jeito no meu macarrão.
— Pronto. Amanhã é só enrolar, empanar e fritar os bolinhos. Eles vão ser os nossos petiscos para o Dia do Bronzecina.
Franzi o cenho, confusa.
— Isso tem dedo do Ethan, não tem? – inquiri, já vendo os dois rirem.
— Sim, Bonequinha. Quando nos mudamos para esta casa, no nosso primeiro final de semana, o Ethan apareceu aqui bem cedo com protetor solar, chapéu e usando biquíni, dizendo que uma vez por mês, um domingo seria para nós três passarmos o dia se bronzeando e tomando banho de piscina.
— Daí vem o nome Bronzecina – ressaltou Christian fechando a geladeira.
— Loucuras da Bicha Ethan – Jack disse rindo.
— Não sei vocês, mas eu tô a fim de banhar e dormir, porque modelar o dia todo, cansou minha beleza – Christian comentou, já saindo da cozinha.
— Como você vai ficar morando com a gente por muito tempo... – Jack começou a falar, passando o braço por sobre meus ombros, o que me fez abraçar sua cintura – ...a senhorita vai começar a dormir conosco a partir de hoje, e o quarto de hóspede vai ser dessa princesinha aqui – ele informou acariciando minha barriga.
Assenti, então saímos da cozinha também, nos dirigimos rumo ao andar de cima. Mesmo com muito medo do que poderia acontecer no futuro, quando José saísse da cadeira, eu precisava ser feliz um pouco.
Principalmente, depois de sofrer por doze anos. E ficar perto do Christian e do Jack, e dos conhecidos deles, além de me fazer sentir bem, era como se eu tivesse novamente uma família.

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