ANASTASIA
Acabei acordando cedo, devido a uma dor um pouco incômoda no meu estômago, então me levantei e desci para beber um pouco de leite ou comer algo, pois a dor poderia ser fome.
— Oi! Vocês estão acordados já! – exclamei surpresa ao adentrar a cozinha e encontrar Jack e Christian ali – Bom dia, Ursinho – o cumprimentei, me aproximando do balcão da ilha, dando-lhe um beijo em sua bochecha, depois fiz o mesmo com Christian – Bom dia, Mozão.
— Bom dia, Bonequinha – eles disseram juntos à medida que eu abria a geladeira para pegar a caixa de leite.
— Bonequinha, a gente precisa conversar uma coisa bem séria com você.
Terminei de colocar o leite num copo e encarei Christian.
— Ok. Estou ouvindo.
Eles se entreolharam por um segundo, antes de me mandarem sentar à mesa.
— Nós queremos que você morasse conosco – eles falaram juntos, segurando a mão um do outro, por sobre a mesa.
— Ué, eu já moro com vocês – retruquei sem entender nada daquilo.
— Não, Bonequinha. O Mozão e eu, queremos que você fique aqui conosco. Para sempre.
Terminei de dar um gole no leite e repousei o copo na mesa, os olhando.
— Vocês sabem que eu não posso. O José vai sair da cadeira em alguns meses e com certeza vai vir atrás de mim. Eu preciso muito fugir. Essa é a minha chance.
— E se você o denunciasse por agressão? Ele ficaria bem mais tempo atrás das grades – Christian comentou.
— Eu não posso ir na delegacia e dizer “Oi, eu sou uma delinquente juvenil que assaltou vários comércios e vim aqui denunciar o meu ex-namorado que me espancava”. Além de não acreditarem em mim, a polícia vai acabar me prendendo.
— E se a gente pagasse o melhor advogado da cidade para te defender? Além de conversarmos também com todos os comerciantes e compensá-los com uma quantia para que tirem as denúncias – Jack falou, animado demais.
“Isso tá estranho. Muito estranho”
— Mas porque querem tanto que eu fique? – inquiri.
— Porque nós te amamos.
Os dois sorriram e eu franzi o cenho, mas logo entendi a preocupação deles.
— Ownnn... Eu também amo vocês – falei me levantando, dando a volta na mesa e os abraçando por sobre os ombros – Não se preocupem. Eu vou ficar bem e sempre vou me lembrar dos meus amigos gays que não se pareceriam tão gays assim – zombei, rindo baixo.
— Não, Bonequinha. Isso não é brincadeira. É sério – murmurou Jack se levantando.
— Nós estamos apaixonados por você – completou Christian, se erguendo também.
— Hã? Tão tirando onda com a minha cara, né? Vocês são gays, gente! Ou viraram héteros da noite para o dia?
Eles se entreolharam novamente e me conduziram para a sala. Então, me sentei no sofá e ambos se sentaram na mesinha de centro, à minha frente.
— Olha... – vi Christian respirar fundo – É muito complicado a gente tentar explicar o que está acontecendo, porque nós mesmos não sabemos exatamente o que está se passando conosco. Lembra que eu fui bem rude com você ontem lá no estúdio? – ele indagou e eu assenti com a cabeça – Então... Foi porque eu estava confuso com meus sentimentos que apareceram inesperadamente, depois que você me deu aquele selinho. E por instinto, eu acho, acabei sendo grosso contigo, como se tivesse te punido por me fazer sentir aquilo.
— Tadinha dela, Mozão.
Christian olhou para Jack, semicerrando os olhos.
— Ah desculpe, querido. Na próxima vez, eu vou lembrar de não ser grosso e sim chamar ela para transar, igual vocês fizeram ontem – ele disse irônico e o outro rolou os olhos.
— Já te pedi desculpa por isso e fizemos as pazes ontem mesmo.
— Não fica com raiva do Ursinho. A culpa é toda minha – ressaltei e encarei os dois – E sobre o que me disseram... eu sinceramente, não sei o que dizer. Me desculpem – falei, já me levantando e saindo da sala, subindo a escada e indo para o meu quarto.
Assim que adentrei o mesmo, fechei a porta e me escorei nela, sentindo uma sensação de aperto em meu peito. Logo uma vontade enorme de chorar me atingiu, fazendo-me deitar na cama.
“Eu não sei porque estou me desmanchando em lágrimas. Ou será que eu sei?”
JACK
— Acho que a gente assustou ela – comentei meio preocupado, encarando Christian de lado.
— Provavelmente. Eu ficaria assustado se isso fosse comigo.
— E o que faremos, amor?
— Vamos deixar isso para lá – ele disse se levantando – Deve ser coisa da nossa cabeça. Uma hora passa. Vamos terminar de preparar o café da manhã – Christian completou saindo da sala, rumo à cozinha, então levantei e o segui.
Minutos depois, terminei de colocar as xícaras na mesa, então avisei que iria subir para me arrumar para o trabalho.
— Ok. Eu vou chamar a Bonequinha – ele informou, já me acompanhando.
Mal nos aproximamos do quarto da Ana, notamos uns sons que pareciam gemidos, mas ao pararmos rente à porta percebemos que eram soluços.
— Ela está chorando? – indagou Christian me olhando e eu dei de ombros.
— É o que parece – murmurei e tentei abrir a porta, porém a mesma se encontrava trancada.
— Bonequinha, você está bem?
Nenhuma resposta, só o som contínuo de choro.
— Abre a porta, por favor – pedi, ficando a cada minuto, mas preocupado.
— Eu vou pegar a chave mestra, Ursinho.
Christian saiu rapidamente e eu fiquei chamando por ela, para ver se a mesma abria a porta para nós, porém não deu muito resultado. Christian logo retornou com a chave e finalmente conseguimos entrar, encontrando Ana deitada de lado na cama, fungando e soluçando baixo, e com o rosto inchado, provavelmente de tanto chorar.
— Oh, Bonequinha. O que houve? – perguntei me ajoelhando ao lado da cama, perto de sua cabeça, enquanto Christian se sentava na beirada do colchão.
— Está sentindo alguma dor? – ele inquiriu, afagando gentilmente seu ombro e ela negou com a cabeça.
— Então o que foi? – insisti tocando em sua mão.
— Eu não sei – Ana murmurou, fungando um pouco, fazendo eu e Christian nos entreolharmos preocupados.
Acabei acordando cedo, devido a uma dor um pouco incômoda no meu estômago, então me levantei e desci para beber um pouco de leite ou comer algo, pois a dor poderia ser fome.
— Bom dia, Bonequinha – eles disseram juntos à medida que eu abria a geladeira para pegar a caixa de leite.
— Bonequinha, a gente precisa conversar uma coisa bem séria com você.
Terminei de colocar o leite num copo e encarei Christian.
— Ok. Estou ouvindo.
Eles se entreolharam por um segundo, antes de me mandarem sentar à mesa.
— Nós queremos que você morasse conosco – eles falaram juntos, segurando a mão um do outro, por sobre a mesa.
— Ué, eu já moro com vocês – retruquei sem entender nada daquilo.
— Não, Bonequinha. O Mozão e eu, queremos que você fique aqui conosco. Para sempre.
Terminei de dar um gole no leite e repousei o copo na mesa, os olhando.
— Vocês sabem que eu não posso. O José vai sair da cadeira em alguns meses e com certeza vai vir atrás de mim. Eu preciso muito fugir. Essa é a minha chance.
— E se você o denunciasse por agressão? Ele ficaria bem mais tempo atrás das grades – Christian comentou.
— Eu não posso ir na delegacia e dizer “Oi, eu sou uma delinquente juvenil que assaltou vários comércios e vim aqui denunciar o meu ex-namorado que me espancava”. Além de não acreditarem em mim, a polícia vai acabar me prendendo.
— E se a gente pagasse o melhor advogado da cidade para te defender? Além de conversarmos também com todos os comerciantes e compensá-los com uma quantia para que tirem as denúncias – Jack falou, animado demais.
“Isso tá estranho. Muito estranho”
— Mas porque querem tanto que eu fique? – inquiri.
— Porque nós te amamos.
Os dois sorriram e eu franzi o cenho, mas logo entendi a preocupação deles.
— Ownnn... Eu também amo vocês – falei me levantando, dando a volta na mesa e os abraçando por sobre os ombros – Não se preocupem. Eu vou ficar bem e sempre vou me lembrar dos meus amigos gays que não se pareceriam tão gays assim – zombei, rindo baixo.
— Não, Bonequinha. Isso não é brincadeira. É sério – murmurou Jack se levantando.
— Nós estamos apaixonados por você – completou Christian, se erguendo também.
— Hã? Tão tirando onda com a minha cara, né? Vocês são gays, gente! Ou viraram héteros da noite para o dia?
Eles se entreolharam novamente e me conduziram para a sala. Então, me sentei no sofá e ambos se sentaram na mesinha de centro, à minha frente.
— Olha... – vi Christian respirar fundo – É muito complicado a gente tentar explicar o que está acontecendo, porque nós mesmos não sabemos exatamente o que está se passando conosco. Lembra que eu fui bem rude com você ontem lá no estúdio? – ele indagou e eu assenti com a cabeça – Então... Foi porque eu estava confuso com meus sentimentos que apareceram inesperadamente, depois que você me deu aquele selinho. E por instinto, eu acho, acabei sendo grosso contigo, como se tivesse te punido por me fazer sentir aquilo.
— Tadinha dela, Mozão.
Christian olhou para Jack, semicerrando os olhos.
— Ah desculpe, querido. Na próxima vez, eu vou lembrar de não ser grosso e sim chamar ela para transar, igual vocês fizeram ontem – ele disse irônico e o outro rolou os olhos.
— Já te pedi desculpa por isso e fizemos as pazes ontem mesmo.
— Não fica com raiva do Ursinho. A culpa é toda minha – ressaltei e encarei os dois – E sobre o que me disseram... eu sinceramente, não sei o que dizer. Me desculpem – falei, já me levantando e saindo da sala, subindo a escada e indo para o meu quarto.
Assim que adentrei o mesmo, fechei a porta e me escorei nela, sentindo uma sensação de aperto em meu peito. Logo uma vontade enorme de chorar me atingiu, fazendo-me deitar na cama.
“Eu não sei porque estou me desmanchando em lágrimas. Ou será que eu sei?”
JACK
— Acho que a gente assustou ela – comentei meio preocupado, encarando Christian de lado.
— Provavelmente. Eu ficaria assustado se isso fosse comigo.
— E o que faremos, amor?
— Vamos deixar isso para lá – ele disse se levantando – Deve ser coisa da nossa cabeça. Uma hora passa. Vamos terminar de preparar o café da manhã – Christian completou saindo da sala, rumo à cozinha, então levantei e o segui.
Minutos depois, terminei de colocar as xícaras na mesa, então avisei que iria subir para me arrumar para o trabalho.
— Ok. Eu vou chamar a Bonequinha – ele informou, já me acompanhando.
Mal nos aproximamos do quarto da Ana, notamos uns sons que pareciam gemidos, mas ao pararmos rente à porta percebemos que eram soluços.
— Ela está chorando? – indagou Christian me olhando e eu dei de ombros.
— É o que parece – murmurei e tentei abrir a porta, porém a mesma se encontrava trancada.
— Bonequinha, você está bem?
Nenhuma resposta, só o som contínuo de choro.
— Abre a porta, por favor – pedi, ficando a cada minuto, mas preocupado.
— Eu vou pegar a chave mestra, Ursinho.
Christian saiu rapidamente e eu fiquei chamando por ela, para ver se a mesma abria a porta para nós, porém não deu muito resultado. Christian logo retornou com a chave e finalmente conseguimos entrar, encontrando Ana deitada de lado na cama, fungando e soluçando baixo, e com o rosto inchado, provavelmente de tanto chorar.
— Oh, Bonequinha. O que houve? – perguntei me ajoelhando ao lado da cama, perto de sua cabeça, enquanto Christian se sentava na beirada do colchão.
— Está sentindo alguma dor? – ele inquiriu, afagando gentilmente seu ombro e ela negou com a cabeça.
— Então o que foi? – insisti tocando em sua mão.
— Eu não sei – Ana murmurou, fungando um pouco, fazendo eu e Christian nos entreolharmos preocupados.

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