CHRISTIAN
Após a reunião com a minha mais nova cliente, me dirigi até o consultório da esposa do Dr. Flynn, ao qual Jack havia me dado o cartão dela antes de sair com a Ana, para irem no cartório, resolver a documentação da mesma.
Então, devido ao cancelamento de seu último atendimento, logo fui encaixado para realizar a minha primeira consulta. Nós conversamos por quase uma hora e acabei gostando de Janelle, como profissional. Não que eu tenha ido em muito psicólogos, mas me senti muito bem ao conversar com ela.
Me despedi de Janelle, já remarcando com a sua secretária, minha volta para a próxima semana. Depois saí da clínica e liguei para o Jack, a fim de contar a novidade para ele.
— Oi, Ursinho. Consegui fazer a minha primeira consulta hoje – falei entrando no meu carro.
— Que consulta? – Jack indagou.
Acabei notando um pouco de nervosismo no tom de voz dele, porém logo pus em prática as primeiras orientações de Janelle e disse a mim mesmo que aquilo era coisa da minha cabeça.
— Com a psicóloga. Teve um cancelamento e ela me encaixou.
— Ah sim. Que bom, Chris.
Parei de enfiar a chave na ignição e franzi o cenho.
— Ursinho, você está bem?
— Estou sim. Porque a pergunta?
— Você me chamou de “Chris” e não de “Mozão” ou então “Amor”, por isso que perguntei se estava tudo bem.
— Ah... Desculpe, Mozão. É que estou com a cabeça meio cheia devido a um caso lá do hospital e minha pesquisa quase não está dando em nada – ele disse.
— Ai, Ursinho. Não fica assim não. Eu confio em você e sei que vai conseguir. Não desanima – o encorajei, já ligando o carro – Daqui a pouco, estou chegando aí para te animar pessoalmente. Vou passar numa pizzaria e comprar uma pizza quadrada. Acho que uma média dá, né? Você quer que sabor os seus pedaços? E também pergunta para a Bonequinha de que sabor ela gosta?
— Ela está dormindo. Compra qualquer sabor, Mozão. A Bonequinha come de tudo, até pedra se tiver gosto bom – Jack comentou rindo um pouco, fazendo-me rir também.
Me despedi dele e liguei o carro, já saindo do estacionamento da clínica.
— Acho que agora, o próximo passo é fazer uma conta bancária para você depositar o seu dinheiro, Bonequinha – falei enquanto jantávamos na varanda dos fundos.
— Sim. E quanto é que vocês vão me pagar, pela bebê? – ela inquiriu, de boca cheia, como sempre.
Olhei para Jack e ele me encarou também, depois desviou o olhar para Ana.
— Não sabemos, Bonequinha. Mas, vamos ver isso outra hora, ok?
— Ok, Ursinho – ela disse, então se recostou na cadeira de vime, passando a mão na barriga – Aí, gente. Comi demais. Tô cheia já.
— Também, né? Só você, comeu a metade da pizza – zombei e Ana me deu língua, fazendo-me rir, porém notei que Jack se manteve quieto e sério, com o olhar voltado para o seu prato.
— Já vou subir e descansar um pouco – Ana anunciou, se levantando e aproximando-se de mim, dando-me um beijo na bochecha, me deixando um pouco tenso com aquilo – Boa noite, Mozão.
— Boa noite. Durma bem – murmurei, tentando parecer calmo.
Ela então se aproximou de Jack e o beijou na bochecha também, já lhe desejando uma boa noite.
— Boa noite, Bonequinha. Bom descanso para você.
Assim que Ana saiu da varanda, eu e Jack ficamos alguns minutos em silêncio. Ele, talvez estivesse pensando sobre o caso ao qual havia me dito que estava trabalhando. Enquanto que a mim, me encontrava decidindo se contava, ou não, minhas suspeitas à Jack, pois ao mesmo tempo que eu não queria magoá-lo, também não queria mentir ou esconder nada dele.
Vi Jack se levantar de repente, começando a limpar a mesa, levando as coisas para dentro, então o segui, fazendo o mesmo.
— Christian? – ouvi ele me chamar enquanto eu pegava os vidros de catchup e maionese.
— Ihhh... Não me chamou de “Chris” e nem de “Mozão”, é porque vem chumbo grosso aí – brinquei sorrindo e me virei, vendo-o ainda sério, porém um pouco nervoso – O que foi, Ursinho?
Jack se aproximou de mim, parando à minha frente, tirando os vidros das minhas mãos e os colocando sobre a mesa novamente.
— Me perdoa, amor? – ele pediu segurando minhas mãos entre as suas, depois o vi respirar fundo – Eu quebrei a nossa regra hoje.
— Que regra?
— A de nunca transarmos sozinhos com uma mulher. Me desculpe, amor. Eu não sei o que houve. Eu tava na sala, aí a Ana chegou...
— Você transou com ela – murmurei em choque, já desfazendo nosso contato.
Sai andando vagamente para longe dele, rumo à piscina enquanto escutava o mesmo me chamar. Eu não estava acreditando naquilo. Nada tinha sido fruto da minha cabeça quando liguei para o Jack. Eles com certeza já haviam transado e ele estava nervoso por causa daquilo.
Respirei fundo, colocando as mãos na cintura, à medida que eu ia me sentindo um pouco traído com aquilo, mas de repente lembrei de hoje mais cedo. Daquele sentimento estranho, que tive quando Ana me deu o selinho.
“Será que Jack também sentia algo por ela?” pensei, parando no meio do gramado do quintal.
— Mozão, eu juro que não queria te magoar assim.
— Você está apaixonado pela Ana? – perguntei me virando para olhá-lo.
— Eu te amo. Por favor, acredita em mim – ele suplicou segurando meu rosto entre suas mãos, recostando sua testa na minha.
— Você não respondeu a pergunta que eu fiz.
— Não estou apaixonado por ela.
— Você mente tão mal, amor. Está tudo bem – falei afagando suas mãos em meu rosto, vendo-o me encarar surpreso – Acho que também estou sentindo algo por ela – desabafei, o abraçando forte – Se você está sentindo isso, por favor me diga.
— Sim, eu estou – ouvi Jack sussurrar e se desvencilhar um pouco de mim – Mas quero que saiba que eu não menti quando disse que te amo.
— Eu sei, Ursinho – murmurei, aproximando meus lábios dos dele, selando-os em um beijo.
— Você me perdoa por quebrar a nossa regra? Pode até transar sozinho com a Ana na próxima vez. Tipo, para ficarmos quites.
Ri em deboche.
— Sério? Você sabe muito bem que eu não consigo. Mas, não se preocupe, eu te perdoo, meu amor – nos beijamos novamente e voltamos para a varanda, abraçados – Eu só queria entender como isso aconteceu com a gente? Como começamos a nos apaixonar pela Ana, ou melhor, como começamos a nos apaixonar por uma mulher? – questionei enquanto adentrávamos a cozinha.
— Acho que as pessoas acabam se apaixonando por aquelas que as fazem se sentirem bem e felizes, independente de sua sexualidade ou gênero, querido.
— A gente vai contar para ela? Sobre nós?
— Eu acho melhor sim, Mozão. Vamos contar amanhã no café da manhã, ok? Agora eu quero me redimir com o meu marido lindo e gostoso – ele disse me abraçando por trás, prensando-me contra a pia, já beijando o meu pescoço – Sobe e prepara a banheira. Vou só fechar a casa antes, depois encontro você lá cima – Jack sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar todo.
Após a reunião com a minha mais nova cliente, me dirigi até o consultório da esposa do Dr. Flynn, ao qual Jack havia me dado o cartão dela antes de sair com a Ana, para irem no cartório, resolver a documentação da mesma.
Então, devido ao cancelamento de seu último atendimento, logo fui encaixado para realizar a minha primeira consulta. Nós conversamos por quase uma hora e acabei gostando de Janelle, como profissional. Não que eu tenha ido em muito psicólogos, mas me senti muito bem ao conversar com ela.
Me despedi de Janelle, já remarcando com a sua secretária, minha volta para a próxima semana. Depois saí da clínica e liguei para o Jack, a fim de contar a novidade para ele.
— Oi, Ursinho. Consegui fazer a minha primeira consulta hoje – falei entrando no meu carro.
— Que consulta? – Jack indagou.
Acabei notando um pouco de nervosismo no tom de voz dele, porém logo pus em prática as primeiras orientações de Janelle e disse a mim mesmo que aquilo era coisa da minha cabeça.
— Com a psicóloga. Teve um cancelamento e ela me encaixou.
— Ah sim. Que bom, Chris.
Parei de enfiar a chave na ignição e franzi o cenho.
— Ursinho, você está bem?
— Estou sim. Porque a pergunta?
— Você me chamou de “Chris” e não de “Mozão” ou então “Amor”, por isso que perguntei se estava tudo bem.
— Ah... Desculpe, Mozão. É que estou com a cabeça meio cheia devido a um caso lá do hospital e minha pesquisa quase não está dando em nada – ele disse.
— Ai, Ursinho. Não fica assim não. Eu confio em você e sei que vai conseguir. Não desanima – o encorajei, já ligando o carro – Daqui a pouco, estou chegando aí para te animar pessoalmente. Vou passar numa pizzaria e comprar uma pizza quadrada. Acho que uma média dá, né? Você quer que sabor os seus pedaços? E também pergunta para a Bonequinha de que sabor ela gosta?
— Ela está dormindo. Compra qualquer sabor, Mozão. A Bonequinha come de tudo, até pedra se tiver gosto bom – Jack comentou rindo um pouco, fazendo-me rir também.
Me despedi dele e liguei o carro, já saindo do estacionamento da clínica.
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— Acho que agora, o próximo passo é fazer uma conta bancária para você depositar o seu dinheiro, Bonequinha – falei enquanto jantávamos na varanda dos fundos.
— Sim. E quanto é que vocês vão me pagar, pela bebê? – ela inquiriu, de boca cheia, como sempre.
Olhei para Jack e ele me encarou também, depois desviou o olhar para Ana.
— Não sabemos, Bonequinha. Mas, vamos ver isso outra hora, ok?
— Ok, Ursinho – ela disse, então se recostou na cadeira de vime, passando a mão na barriga – Aí, gente. Comi demais. Tô cheia já.
— Também, né? Só você, comeu a metade da pizza – zombei e Ana me deu língua, fazendo-me rir, porém notei que Jack se manteve quieto e sério, com o olhar voltado para o seu prato.
— Já vou subir e descansar um pouco – Ana anunciou, se levantando e aproximando-se de mim, dando-me um beijo na bochecha, me deixando um pouco tenso com aquilo – Boa noite, Mozão.
— Boa noite. Durma bem – murmurei, tentando parecer calmo.
Ela então se aproximou de Jack e o beijou na bochecha também, já lhe desejando uma boa noite.
— Boa noite, Bonequinha. Bom descanso para você.
Assim que Ana saiu da varanda, eu e Jack ficamos alguns minutos em silêncio. Ele, talvez estivesse pensando sobre o caso ao qual havia me dito que estava trabalhando. Enquanto que a mim, me encontrava decidindo se contava, ou não, minhas suspeitas à Jack, pois ao mesmo tempo que eu não queria magoá-lo, também não queria mentir ou esconder nada dele.
Vi Jack se levantar de repente, começando a limpar a mesa, levando as coisas para dentro, então o segui, fazendo o mesmo.
— Christian? – ouvi ele me chamar enquanto eu pegava os vidros de catchup e maionese.
— Ihhh... Não me chamou de “Chris” e nem de “Mozão”, é porque vem chumbo grosso aí – brinquei sorrindo e me virei, vendo-o ainda sério, porém um pouco nervoso – O que foi, Ursinho?
Jack se aproximou de mim, parando à minha frente, tirando os vidros das minhas mãos e os colocando sobre a mesa novamente.
— Me perdoa, amor? – ele pediu segurando minhas mãos entre as suas, depois o vi respirar fundo – Eu quebrei a nossa regra hoje.
— Que regra?
— A de nunca transarmos sozinhos com uma mulher. Me desculpe, amor. Eu não sei o que houve. Eu tava na sala, aí a Ana chegou...
— Você transou com ela – murmurei em choque, já desfazendo nosso contato.
Sai andando vagamente para longe dele, rumo à piscina enquanto escutava o mesmo me chamar. Eu não estava acreditando naquilo. Nada tinha sido fruto da minha cabeça quando liguei para o Jack. Eles com certeza já haviam transado e ele estava nervoso por causa daquilo.
Respirei fundo, colocando as mãos na cintura, à medida que eu ia me sentindo um pouco traído com aquilo, mas de repente lembrei de hoje mais cedo. Daquele sentimento estranho, que tive quando Ana me deu o selinho.
“Será que Jack também sentia algo por ela?” pensei, parando no meio do gramado do quintal.
— Mozão, eu juro que não queria te magoar assim.
— Você está apaixonado pela Ana? – perguntei me virando para olhá-lo.
— Eu te amo. Por favor, acredita em mim – ele suplicou segurando meu rosto entre suas mãos, recostando sua testa na minha.
— Você não respondeu a pergunta que eu fiz.
— Não estou apaixonado por ela.
— Você mente tão mal, amor. Está tudo bem – falei afagando suas mãos em meu rosto, vendo-o me encarar surpreso – Acho que também estou sentindo algo por ela – desabafei, o abraçando forte – Se você está sentindo isso, por favor me diga.
— Sim, eu estou – ouvi Jack sussurrar e se desvencilhar um pouco de mim – Mas quero que saiba que eu não menti quando disse que te amo.
— Eu sei, Ursinho – murmurei, aproximando meus lábios dos dele, selando-os em um beijo.
— Você me perdoa por quebrar a nossa regra? Pode até transar sozinho com a Ana na próxima vez. Tipo, para ficarmos quites.
Ri em deboche.
— Sério? Você sabe muito bem que eu não consigo. Mas, não se preocupe, eu te perdoo, meu amor – nos beijamos novamente e voltamos para a varanda, abraçados – Eu só queria entender como isso aconteceu com a gente? Como começamos a nos apaixonar pela Ana, ou melhor, como começamos a nos apaixonar por uma mulher? – questionei enquanto adentrávamos a cozinha.
— Acho que as pessoas acabam se apaixonando por aquelas que as fazem se sentirem bem e felizes, independente de sua sexualidade ou gênero, querido.
— A gente vai contar para ela? Sobre nós?
— Eu acho melhor sim, Mozão. Vamos contar amanhã no café da manhã, ok? Agora eu quero me redimir com o meu marido lindo e gostoso – ele disse me abraçando por trás, prensando-me contra a pia, já beijando o meu pescoço – Sobe e prepara a banheira. Vou só fechar a casa antes, depois encontro você lá cima – Jack sussurrou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar todo.

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