terça-feira, 18 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 31


ANASTASIA

Ainda estava admirando o cheque em minhas mãos, pensando nas infinitas possibilidades para gastá-lo, quando escutei Christian me chamar, então guardei o cheque novamente no bolso da minha blusa e me aproximei dele.

Christian se encontrava com um cliente, ou melhor, clientes, pois era um casal que o tinha contratado para tirar algumas fotos deles com o seu recém-nascido. Ele me perguntou se eu aceitava fotografar o trio, seguindo suas orientações, então logo abri um sorriso, assentindo animada.
Fotografar era muito difícil, mas com a ajuda do Christian, fui logo pegando o jeito e quando fomos ver as fotos, elas tinham ficado bem legais e o casal também havia gostado muito do resultado final.
— Você foi perfeita, Bonequinha – Christian me elogiou assim que o mesmo se despediu dos clientes e aproximou-se de mim, que me encontrava sentada no sofá de uma sala de estar, montada no estúdio dele.
— Obrigada, Mozão. Por acaso já tá na hora do almoço? – indaguei fazendo o mesmo rir – Eu tô com fome.

— Me conta uma novidade, porque essa é velha – ele comentou sentando ao meu lado, já pegando o celular de dentro do bolso da calça – Vou mandar mensagem pro Ursinho comprar comida para gente, quando ele sair do hospital.

— Ah, não. Vai demorar muito ainda para ele sair – resmunguei fazendo bico.

— Só faltam vinte minutos.

— Ainda vai demorar. Daqui que ele saia de lá, vá ao restaurante, espere a comida ficar pronta, pague e venha para cá, eu já definhei de fome – falei, bem dramática.

— Ok, Bonequinha. Vamos fazer assim. Eu mando uma mensagem pro Ursinho, pedindo para ele nos encontrar no restaurante de sua escolha, ok?

Um sorriso de felicidade tomou conta do meus lábios, então assenti, já puxando o seu rosto e dando-lhe um selinho.

— Você é demais! Eu quero ir no The Pink Door! – exclamei, notando Christian meio estranho, parecendo tenso – O que foi, Mozão?

Ele me encarou.

— Nada não. É... Vamos fazer o seguinte. Você manda a mensagem pro Ursinho, enquanto eu mando o e-mail com as suas fotos para o Bob – Christian disse e se levantou num pulo, já se afastando.

“O que será que deu nele?” pensei um pouco confusa, mas logo dei de ombros e peguei o meu celular.





CHRISTIAN

“O que está acontecendo comigo? Porque eu fiquei sem graça com o selinho da Ana?” pensei, lembrando de repente de que era assim que eu ficava quando Jack me dava um beijo ou fazia um carinho em público, no início do nosso namoro.

“Meu Deus! Será que eu estou me apaixonando pela Ana? Não. Não. Não. Eu não posso me apaixonar por ninguém, principalmente por uma mulher. Eu gosto de homem! Eu amo o Jack e não posso magoá-lo de novo!” exclamei, já levando um susto quando senti uma mão tocar em meu ombro.

— Desculpe se te assustei, Mozão, mas eu te chamei e você não me respondeu.

— O que foi? – inquiri sério, ignorando-a enquanto mandava o e-mail.

— Pode fazer umas cópias das minhas fotos e colocar no meu celular? É que eu quero mostrar pro Ursinho no almoço.

Assenti e peguei o telefone que ela me estendia.

— Vai demorar uns dois minutos – informei segundos depois.

— Ok. Mozão, você está estranho. Aconteceu algo?

— Não aconteceu nada e me deixa em paz! – exclamei, já tirando a mão dela do meu ombro.

— Já voltou a ser o babaca de sempre. E eu não gosto de você assim – escutei ela dizer com a voz trêmula, então a olhei à tempo de vê-la com os olhos marejados e com uma cara de pré-choro – Se não queria fazer isso para mim, era só ter falado. Não precisava ter sido arrogante comigo. Eu nem te fiz nada.

— Me desculpe – murmurei arrependido, mas Ana saiu.

Então, me escorei à mesa, apoiando a cabeça nas mãos e respirando fundo, pois eu sabia que ela não tinha culpa de nada.

“Mais que merda!” esbravejei e logo tive uma ideia.

Abri o editor de fotos e enquanto as fotos terminavam de passar para o cartão de memória, eu fiz um presente para a Ana. Assim que desci, a encontrei sentada no sofá, chorando, mas a mesma limpou o rosto quando me notou.

— Já terminou? – ela perguntou, fungando.

— Sim – informei, sentando-me ao seu lado e passando meu braço por trás de seu ombro, trazendo-a para mais perto, fazendo a mesma repousar sua cabeça em meu peito – Espero que me perdoe, Bonequinha. Eu não queria ter sido arrogante com você. Eu não sei o que houve comigo.

— Tudo bem – ela disse se afastando um pouco de mim.

— Fiz isso de presente de desculpas para você. Peguei uma das suas fotos e fiz um papel de parede para o seu notebook – falei lhe mostrando a imagem em seu celular.
— Obrigada. Ficou lindo. Eu gostei muito, Mozão. Acho melhor a gente ir logo para o restaurante, porque a fome está me matando – Ana comentou brincalhona, mas notei que ela ainda estava sentida comigo.





ANASTASIA

— Bonequinha? – escutei Jack me chamar, então ergui o olhar, encarando-o – Tá tristinha assim, porque?

— Não é nada – menti, pois eu não queria que ele brigasse com o Christian, até porque o mesmo já havia me pedido desculpas.

— Tem certeza? Você mal tocou na sua comida.

— Deve ser coisa dos hormônios – falei dando um sorriso e olhei para Christian, que se aproximava por entre as mesas do restaurante.
— Não quero ser enjoado, mas o banheiro masculino desse lugar é no-jen-to – ele cochichou, sentando-se à mesa.

— Bem que você poderia ter ido ao banheiro feminino, já que o restaurante tá meio vazio – Jack comentou.

— E você acha que eu não fui? Na hora que entrei naquele lugar, eu disse para mim mesmo: “Christian, seus lindos pezinhos não vão tocar mais nessa imundice”. Aí eu me dirigi sorrateiramente para o das mulheres, que é óbvio, estava mais limpo. Não sei porque você escolheu esse lugar, Bonequinha. Por acaso já veio aqui antes?

— Não, nunca comi aqui dentro. Eu comia as sobras das refeições que eles jogavam na lixeira lá atrás, por isso que gosto da comida daqui – comentei dando de ombros e ambos me olharam, com um pouco de pena, eu acho – Mas isso é passado, gente. Agora eu tô rica! – exclamei sorrindo, já contando ao Jack sobre o tal comercial que eu havia participado.

— Então, eu estou almoçando com uma celebridade? Que babado forte. Me dá um autógrafo?

— Ai, Ursinho. Não sou celebridade não, mas eu gostei de fazer o comercial, principalmente pela grana – falei rindo e os dois me acompanharam.

— Sem contar que como fotógrafa, você foi muito bem – disse Christian e eu assenti.

— Eu também gostei de fotografar aquele bebezinho e os pais dele. Pensando melhor, acho que vou preferir fazer Fotografia e me focar mais em tirar fotos de bebês, do que ser modelo ou atriz.

— Porque? – Jack perguntou, antes de dar outra garfada em sua comida.

— Estou querendo fugir do José, então ficar aparecendo em revistas e TV não é uma boa opção para quem quer ficar no anonimato – ressaltei, sentindo minha fome voltar novamente, o que me fez atacar o prato à minha frente.

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