terça-feira, 18 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 30


ANASTASIA

— Fotografar é muito complicado? – indaguei enquanto estávamos parados no sinal.
— Mais ou menos. Porque? Quer se aventurar no ramo da Fotografia também?

— Vou precisar ter uma profissão para me manter depois que eu for embora, né? Então, eu pensei que você pudesse me ensinar tudo sobre o seu trabalho – falei dando um sorriso, mostrando todos os dentes e Christian riu, já colocando o carro em movimento de novo.

— Tudo bem. Eu te ensino, mas depois você precisa fazer um curso superior de Fotografia, porque para abrir um estúdio ou para ser contratada por alguma empresa, você vai precisar ter um diploma.

— Ok. E muito obrigada por aceitar me ajudar, Mozão – o agradeci bastante animada.

— Você está pensando em ir muito longe? Ou só vai mudar de cidade?

— Porque?

Christian me encarou de lado rapidamente, depois voltou a olhar para frente.

— Acho que o Ursinho vai querer te visitar nas nossas férias, porque ele gosta muito de você. Ele fica bem triste quando você não está perto.

— E você? – indaguei curiosa.

— Eu? Eu gosto do seu jeito doidinho de ser, mas consigo viver naturalmente se você for embora.

— Ahãm, sei... Admita que você vai sentir minha falta também – murmurei o cutucando nas costelas, fazendo ele rir, já me mandando parar, pois o mesmo estava dirigindo – Eu não sei para onde eu vou ainda, Mozão – comentei um pouco mais séria – Quanto mais longe do José eu for, melhor.

— E se ele ficasse na cadeia para sempre, você moraria aqui na cidade?

— Não sei, acho que sim – falei dando de ombros.

Depois disso, não conversamos mais e só viemos falar quando chegamos na frente de um enorme prédio.

— É aqui o seu estúdio? – indaguei antes de sair do carro.

Christian também saiu, pegando uma bolsa no banco de trás e trancando o carro, depois se aproximou de mim.

— Não, Bonequinha. Um amigo meu trabalha aqui e está precisando da minha ajuda como fotógrafo, mas depois que a gente sair, eu te levo para ver o meu estúdio, que não fica muito longe daqui.

Nos identificamos na portaria e o segurança, que também parecia ser amigo do Christian, nos deu crachás de visitantes. Seguimos pelo enorme hall e adentramos um dos três elevadores.

Não ficamos muito tempo ali, dentro daquele cubículo metálico, pois logo as portas se abriram para uma outra recepção, ao qual Christian se identificou e uma ruiva disse onde um tal de Bob se encontrava.

— Por aqui – disse Christian pegando na minha mão, conduzindo-me por entre corredores, parando às vezes para cumprimentar ou abraçar alguém que o mesmo conhecia.

Finalmente, chegamos à uma enorme sala e meus olhos já miraram uma mesa com comida.

— Eu posso comer, Mozão? – perguntei puxando a manga da sua blusa, pois o mesmo estava olhando ao redor, procurando por alguém.

— Claro, mas se controle. Não pareça uma morta de fome.

— Mas eu estou com fome – rebati, já saindo de perto dele.





CHRISTIAN

Logo encontrei Bob, conversando com uma mulher, então fui ao encontro dele.

— Oi, Bob. Tudo bem?

— Christian! – ele exclamou me cumprimentando – Não está nada bem. A modelo que ia fazer o comercial acabou de ligar, desmarcando. Agora eu tenho que produzir esse comercial ainda hoje e eu não tenho tempo para achar uma modelo substituta.

— Eita, Bob. Nenhuma das modelos que você conhece pode vir?

— Não. Cara, se eu não fizer isso hoje, eu tô frito.

— Mozão, isso daqui está divino – Ana comentou de boca cheia, parando ao meu lado, segurando um pratinho lotado com petiscos.

— Ou talvez não – Bob disse olhando para Ana, que nos encarava sem entender nada.

— O que foi? Porque esse cara tá me olhando com um sorriso, Mozão?

— Mozão? – ele inquiriu ocultando um riso – Depois você vai me contar essa história direitinho, Christian. Mas agora... – Bob então encarou Ana – Você já pensou em ser atriz ou modelo?

— Quem? Eu? Não. Nunca pensei não, porque? – ela perguntou já enfiando outra bocado de petiscos na boca.

— A modelo que iria fazer o comercial que o Bob ia produzir hoje, ligou desmarcando. Então, ele precisa de uma modelo substituta – informei e em seguida completei – Mas eu acho que você não serviria.

— E porque não? – os dois inquiriram juntos.

— Ela está grávida, Bob – falei passando a mão ao longo da blusa dela, ressaltando a curva da barriguinha da Ana.

— Nós damos um jeito nisso. A propósito, me chamo Bob Wilks e você?

— Anastasia Steele, mas me chama só de Ana.

“Steele? Esse era o verdadeiro sobrenome dela? Ou Ana inventou?”

Bob a conduziu para a área onde estava a maquiadora e a figurinista, apresentando as duas para a Ana, então abri a bolsa, pegando a minha câmera e conectei uma das lentes, já começando a trabalhar.

Eu registrava tudo, desde a maquiagem até o figurino e logo notei que a Ana se encontrava divertindo-se muito com aquilo.

— Está na hora, Ana – Bob disse se aproximando dela – Você está maravilhosa.

— Obrigada.

Ele a conduziu até onde seria gravado o comercial e deu um papel para ela decorar as falas.
Ana estava muito linda com aquele vestido vermelho. O olhar dela se encontrava com um brilho que eu nunca tinha visto antes. Ela em si estava mais radiante e eu conseguia captar tudo isso através da minha câmera.
Após algumas fotos, eu decidi mudar a lente, para assim poder registrar a vivacidade da cor do vestido e do tom de pele da Ana, que era de um amendoado indo para o bege bem claro.
Para esconder a barriga de grávida da Ana, Bob focou as câmeras, filmando ela apenas do busto para cima.
— E corta! – Bob gritou tempo depois, encerrando as atividades e indo cumprimentar a Ana – Você foi magnífica. Deveria investir na carreira de atriz e na de modelo. Você tem talento, menina.

— Sério? – ela indagou e ele assentiu, deixando o sorriso dela maior que já se encontrava, então Ana olhou para mim e se aproximou, meio saltitante – Acha que eu consigo ser modelo ou atriz, Mozão?

— Com certeza, Bonequinha. Você falou bem todas as falas e... – ergui a mão tocando sua bochecha – sua pele é perfeita para ser eternizada através das lentes de uma câmera.

Ela sorriu e me abraçou pela cintura, fazendo a gente se alvo de olhares surpresos e confusos, pois todos ali sabiam que eu era gay.

— Já foi resolvido a mudança com o financeiro, então na hora que vocês forem embora, podem passar na recepção e pegar os seus cheques com a Mary.

— Cheque? Eu vou receber quanto por isso? – Ana indagou ficando de lado, encarando Bob, porém sem desgrudar da minha cintura.

— Dez mil.

— Dez mil? Eu tô rica! – ela exclamou se desgrudando de mim e indo abraçar o Bob – Obrigada! 

— Dez mil não é nada, Ana – ressaltei e a mesma me encarou.

— Para você que nada em dinheiro, talvez não seja nada mesmo, mas para mim que há alguns dias eu nem tinha um teto para morar, com dez mil eu tô me sentindo a Rainha do Egito. Agora dá licença que a rainha aqui precisa trocar de roupa – Ana falou, antes de jogar o cabelo para o lado e sair de queixo erguido, fazendo tanto eu quanto Bob sorrirem.

— Vem cá, você e o Jack ainda...

— Somos casados e ainda somos gays, Bob – informei, o cortando.

— E a Ana?

— Eu e o Jack vamos adotar a bebê que a Ana está esperando.

— Mas o filho é seu?

— Meu? Porque acha isso? – inquiri meio incrédulo.

— Eu sei lá, cara. Só pensei nessa hipótese porque achei vocês dois muito íntimos. Tem certeza que tá cortando a fruta certa?

Rolei os olhos.

— Bob, eu não estou apaixonado pela Ana, nem nada do tipo. O único amor da minha vida é o Jack, e a nossa filha, que estamos ansiosos para ela nascer logo.

— Ei, relaxa. Não estava falando de paixão ou amor. Foi você que meteu isso na nossa conversa.

— Eu já vou indo, Bob. Te mando as fotos por e-mail mais tarde – falei bem sério e me afastei dele, seguindo rumo onde a Ana terminava de trocar de roupa.

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