ANASTASIA
“— Cadê aqueles dois? – indago e olho para o relógio, impaciente.
— Oi, boneca.
Aquela voz faz todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e eu me viro a contra gosto.
— José – murmuro em choque.
— Está fugindo do seu maridinho aqui, é? – ele fala andando devagar até mim, que começo a andar para trás, com medo.
— N-não s-somos c-casados. C-como v-você s-saiu d-da c-cadeia? – gaguejo nervosa.
— F-fugindo – José zomba do meu nervosismo e rir enquanto me encurrala contra o canto de uma parede.
— Por favor, não me bate – imploro já sentindo meus olhos ficarem lacrimejantes.
— Eu soube que você anda me traindo com duas bichas. Isso é tão patético – ele fala passando o dedo indicador em minha bochecha, então de repente, segura meu cabelo bem forte, puxando-o e fazendo meu couro cabeludo arder – Então, você tá com saudade de sentir um pau de um macho de verdade, né?
José me joga contra o chão e sobe sobre mim, fazendo com que eu ficasse de bruços. Tentei me soltar dele, pois aquela posição machucaria o bebê. Todavia, José é mais forte que eu e me domina facilmente.
— VOCÊ É MINHA! ESTÁ ME OUVINDO, SUA VADIA? VOCÊ É MINHA! SEMPRE SERÁ! – ele grita em meu ouvido e eu sinto o mesmo me invadir com força, me fazendo soltar um grito.
— Para, por favor. Tá machucando o meu bebê – digo entre lágrimas, então sinto José sair de cima de mim e eu me encolho para proteger minha barriga.
Seus xingamentos ecoam ao redor de mim até que sinto um chute nas minhas costas, depois outro contra as minhas pernas encolhidas e outro na minha barriga. Eu tento gritar, mas nenhum som sai da minha garganta.
Então, de repente José para de me agredir e eu noto algo entre minhas pernas. A dor logo vem para me deixar horrorizada. Eu estou sangrando, perdendo o meu bebê devido a surra que ele me deu.
— Meu bebê... – sussurro chorando então tiro as mãos de entre minhas pernas e as vejo cobertas de sangue – Não, meu bebê não. Por favor. Meu...”
— Bebê... – murmurei acordando assustada, já notando que me encontrava chorando também.
Tentei lembrar o sonho que tive segundos atrás, mas minha mente parecia ter bloqueado ele. Entretanto, eu sentia uma angústia muito grande em meu peito. De repente, escutei um barulho e olhei para a janela, notando que estava chovendo torrencialmente.
Eu não tinha medo de chuva ou de trovões, mas quando olhei ao redor, encarando aquele quarto parcialmente escuro, mais a sensação de angústia devido ao sonho, me deu muito medo de ficar ali sozinha.
Então, me levantei e saí do quarto, indo até onde Jack e Christian dormiam. A porta estava só encostada, o que facilitou e muito a minha entrada. Me aproximei devagar de Christian e me ajoelhei perto de onde sua cabeça repousava.
— Christian? – o chamei num sussurro para não acordar o Jack.
Levou uns segundos, ou minutos, para finalmente ele acordar.
— Ana? O que está fazendo aqui? – Christian perguntou meio sonolento.
— Mozão, posso dormir com vocês?
— O que houve?
— Tive um sonho, ou melhor, um pesadelo. Não quero dormir sozinha. Por favor, deixa eu ficar aqui? – implorei.
Christian assentiu balançando a cabeça, já se afastando com cuidado para o meio da cama. Então, me deitei de costas para ele, que jogou o edredom sobre mim. Entretanto, me aconcheguei mais ao seu corpo.
— O que está fazendo? – escutei Christian perguntar.
— Estou com medo. Me abraça? – pedi e segundos depois senti ele passar seu braço sobre mim, abraçando-me – Obrigada, Mozão. Boa noite – falei fechando os olhos.
— Boa noite, Bonequinha.
JACK
Despertei e logo sorri, quando vi Chris abraçado a mim, com a cabeça repousada em meu peito.
— Bom dia, Mozão – sussurrei quando o vi acordar e me olhar ainda sonolento.
— Bom dia, Ursinho – ele disse e me deu um selinho, virando-se em seguida na cama já franzindo o cenho – Ué, cadê a Bonequinha?
— Deve está no quarto dela, dormindo.
— Não. De madrugada, ela veio aqui e me acordou pedindo para dormir com a gente, porque teve um pesadelo e não queria dormir sozinha – Chris informou, foi então que notei um cheiro estranho no ar.
— Tá sentindo isso? – indaguei me sentando e respirando profundamente para tentar saber que cheiro era aquele, até que nós o identificamos juntos.
Era panqueca queimada. Alguém estava tentando cozinhar e esse alguém só deveria ser a Ana. Nós nos levantamos e descemos, indo rumo à cozinha, encontrando ela quase chorando, de raiva.
— Está tentando colocar fogo na nossa cozinha? – perguntei tentando ocultar um riso quando vi uma fumaça meio preta pairando sobre o fogão.
— Não. Estava tentando fazer panquecas, mas essa porra de frigideira está queimando todas que eu faço – Ana resmungou, emburrada, fazendo a gente sorrir.
— Não é a frigideira, Bonequinha. É o jeito que você coloca a massa e o tempo do preparo. Eu vou te mostrar – Chris falou e foi para perto dela.
Enquanto ele a ajudava, eu fui arrumar a mesa para o nosso café da manhã, depois fui buscar o jornal na caixa de correio.
— Eu não tenho pinto para praticar punheta e ter essa manha com o pulso igual a você, Mozão – escutei Ana falar enquanto eu entrava na cozinha de novo.
— Qual é o papo de pinto aí?
— É a Bonequinha dizendo que não tem pinto pra bater punheta, só porque eu disse que ela tinha que ter leveza no punho na hora de mexer a frigideira, para assim a massa poder espalhar bem.
— E o que diabos tem haver punheta com fazer panquecas? – os questionei à medida que me sentava à mesa.
Ana fez um movimento como se tivesse batendo uma punheta e aí eu entendi que quando fazemos isso, às vezes soltamos a tensão do pulso para deixá-lo leve e facilitar o movimento.
— Entendeu? – ela perguntou e eu assenti rindo.
O nosso café da manhã foi bem alegre, em meio a uma conversa divertida entre nós três, até que Chris anunciou e convidou a Ana para ser assistente dele, para que assim ela não ficasse sozinha em casa enquanto nós estivéssemos trabalhando.
— Sério? Eu vou adorar – ela disse, radiante.
— Sabe o que eu tava pensando aqui também, Ursinho? Sobre nós irmos esse final de semana para Bowen Island.
— Boa ideia, Mozão.
— O que é Boy Island? – Ana perguntou com a boca cheia de panquecas.
— É Bowen Island, Bonequinha – respondi.
— Temos uma casa de praia lá e sempre vamos passar alguns finais de semanas – Chris comentou dando-me um sorriso malicioso.
— Ah tá.
— Mas iríamos de carro ou barco, Mozão? – inquiri.
— Melhor de barco, Ursinho, porque assim não passamos pelo posto fiscal na estrada.
— E eu não preciso ir de novo no porta-malas de um carro – Ana comentou de boca cheia novamente, fazendo a gente rir.
— Melhor a gente correr, senão vamos chegar atrasado no estúdio. Vamos, Bonequinha.
— Eu ainda tô com fome.
A encarei incrédulo.
— Minha filha, só você, comeu as panquecas quase tudo do café e tu ainda está com fome? – retruquei a vendo levantar.
— Estou comendo por dois, então não enche o meu saco, Ursinho. E você, Mozão, vai comprar comida no caminho pra mim.
— Porque que só eu tenho que comprar as coisas pra ti, hein?
— Porque você que é o meu caixa eletrônico favorito...
Eles saíram da cozinha nessa discussão, um tanto quanto divertida, que me fez sorrir à medida que eu terminava o meu café da manhã.
“— Cadê aqueles dois? – indago e olho para o relógio, impaciente.
— Oi, boneca.
Aquela voz faz todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e eu me viro a contra gosto.
— José – murmuro em choque.
— Está fugindo do seu maridinho aqui, é? – ele fala andando devagar até mim, que começo a andar para trás, com medo.
— N-não s-somos c-casados. C-como v-você s-saiu d-da c-cadeia? – gaguejo nervosa.
— F-fugindo – José zomba do meu nervosismo e rir enquanto me encurrala contra o canto de uma parede.
— Por favor, não me bate – imploro já sentindo meus olhos ficarem lacrimejantes.
— Eu soube que você anda me traindo com duas bichas. Isso é tão patético – ele fala passando o dedo indicador em minha bochecha, então de repente, segura meu cabelo bem forte, puxando-o e fazendo meu couro cabeludo arder – Então, você tá com saudade de sentir um pau de um macho de verdade, né?
José me joga contra o chão e sobe sobre mim, fazendo com que eu ficasse de bruços. Tentei me soltar dele, pois aquela posição machucaria o bebê. Todavia, José é mais forte que eu e me domina facilmente.
— VOCÊ É MINHA! ESTÁ ME OUVINDO, SUA VADIA? VOCÊ É MINHA! SEMPRE SERÁ! – ele grita em meu ouvido e eu sinto o mesmo me invadir com força, me fazendo soltar um grito.
— Para, por favor. Tá machucando o meu bebê – digo entre lágrimas, então sinto José sair de cima de mim e eu me encolho para proteger minha barriga.
Seus xingamentos ecoam ao redor de mim até que sinto um chute nas minhas costas, depois outro contra as minhas pernas encolhidas e outro na minha barriga. Eu tento gritar, mas nenhum som sai da minha garganta.
Então, de repente José para de me agredir e eu noto algo entre minhas pernas. A dor logo vem para me deixar horrorizada. Eu estou sangrando, perdendo o meu bebê devido a surra que ele me deu.
— Meu bebê... – sussurro chorando então tiro as mãos de entre minhas pernas e as vejo cobertas de sangue – Não, meu bebê não. Por favor. Meu...”
— Bebê... – murmurei acordando assustada, já notando que me encontrava chorando também.
Tentei lembrar o sonho que tive segundos atrás, mas minha mente parecia ter bloqueado ele. Entretanto, eu sentia uma angústia muito grande em meu peito. De repente, escutei um barulho e olhei para a janela, notando que estava chovendo torrencialmente.
Eu não tinha medo de chuva ou de trovões, mas quando olhei ao redor, encarando aquele quarto parcialmente escuro, mais a sensação de angústia devido ao sonho, me deu muito medo de ficar ali sozinha.
Então, me levantei e saí do quarto, indo até onde Jack e Christian dormiam. A porta estava só encostada, o que facilitou e muito a minha entrada. Me aproximei devagar de Christian e me ajoelhei perto de onde sua cabeça repousava.
— Christian? – o chamei num sussurro para não acordar o Jack.
Levou uns segundos, ou minutos, para finalmente ele acordar.
— Ana? O que está fazendo aqui? – Christian perguntou meio sonolento.
— Mozão, posso dormir com vocês?
— O que houve?
— Tive um sonho, ou melhor, um pesadelo. Não quero dormir sozinha. Por favor, deixa eu ficar aqui? – implorei.
Christian assentiu balançando a cabeça, já se afastando com cuidado para o meio da cama. Então, me deitei de costas para ele, que jogou o edredom sobre mim. Entretanto, me aconcheguei mais ao seu corpo.
— O que está fazendo? – escutei Christian perguntar.
— Estou com medo. Me abraça? – pedi e segundos depois senti ele passar seu braço sobre mim, abraçando-me – Obrigada, Mozão. Boa noite – falei fechando os olhos.
— Boa noite, Bonequinha.
JACK
Despertei e logo sorri, quando vi Chris abraçado a mim, com a cabeça repousada em meu peito.
— Bom dia, Mozão – sussurrei quando o vi acordar e me olhar ainda sonolento.
— Bom dia, Ursinho – ele disse e me deu um selinho, virando-se em seguida na cama já franzindo o cenho – Ué, cadê a Bonequinha?
— Deve está no quarto dela, dormindo.
— Não. De madrugada, ela veio aqui e me acordou pedindo para dormir com a gente, porque teve um pesadelo e não queria dormir sozinha – Chris informou, foi então que notei um cheiro estranho no ar.
— Tá sentindo isso? – indaguei me sentando e respirando profundamente para tentar saber que cheiro era aquele, até que nós o identificamos juntos.
Era panqueca queimada. Alguém estava tentando cozinhar e esse alguém só deveria ser a Ana. Nós nos levantamos e descemos, indo rumo à cozinha, encontrando ela quase chorando, de raiva.
— Está tentando colocar fogo na nossa cozinha? – perguntei tentando ocultar um riso quando vi uma fumaça meio preta pairando sobre o fogão.
— Não. Estava tentando fazer panquecas, mas essa porra de frigideira está queimando todas que eu faço – Ana resmungou, emburrada, fazendo a gente sorrir.
— Não é a frigideira, Bonequinha. É o jeito que você coloca a massa e o tempo do preparo. Eu vou te mostrar – Chris falou e foi para perto dela.
Enquanto ele a ajudava, eu fui arrumar a mesa para o nosso café da manhã, depois fui buscar o jornal na caixa de correio.
— Eu não tenho pinto para praticar punheta e ter essa manha com o pulso igual a você, Mozão – escutei Ana falar enquanto eu entrava na cozinha de novo.
— Qual é o papo de pinto aí?
— É a Bonequinha dizendo que não tem pinto pra bater punheta, só porque eu disse que ela tinha que ter leveza no punho na hora de mexer a frigideira, para assim a massa poder espalhar bem.
— E o que diabos tem haver punheta com fazer panquecas? – os questionei à medida que me sentava à mesa.
Ana fez um movimento como se tivesse batendo uma punheta e aí eu entendi que quando fazemos isso, às vezes soltamos a tensão do pulso para deixá-lo leve e facilitar o movimento.
— Entendeu? – ela perguntou e eu assenti rindo.
O nosso café da manhã foi bem alegre, em meio a uma conversa divertida entre nós três, até que Chris anunciou e convidou a Ana para ser assistente dele, para que assim ela não ficasse sozinha em casa enquanto nós estivéssemos trabalhando.
— Sério? Eu vou adorar – ela disse, radiante.
— Sabe o que eu tava pensando aqui também, Ursinho? Sobre nós irmos esse final de semana para Bowen Island.
— Boa ideia, Mozão.
— O que é Boy Island? – Ana perguntou com a boca cheia de panquecas.
— É Bowen Island, Bonequinha – respondi.
— Temos uma casa de praia lá e sempre vamos passar alguns finais de semanas – Chris comentou dando-me um sorriso malicioso.
— Ah tá.
— Mas iríamos de carro ou barco, Mozão? – inquiri.
— Melhor de barco, Ursinho, porque assim não passamos pelo posto fiscal na estrada.
— E eu não preciso ir de novo no porta-malas de um carro – Ana comentou de boca cheia novamente, fazendo a gente rir.
— Melhor a gente correr, senão vamos chegar atrasado no estúdio. Vamos, Bonequinha.
— Eu ainda tô com fome.
A encarei incrédulo.
— Minha filha, só você, comeu as panquecas quase tudo do café e tu ainda está com fome? – retruquei a vendo levantar.
— Estou comendo por dois, então não enche o meu saco, Ursinho. E você, Mozão, vai comprar comida no caminho pra mim.
— Porque que só eu tenho que comprar as coisas pra ti, hein?
— Porque você que é o meu caixa eletrônico favorito...
Eles saíram da cozinha nessa discussão, um tanto quanto divertida, que me fez sorrir à medida que eu terminava o meu café da manhã.

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