segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 28


CHRISTIAN

— Pegou tudo? – perguntei vendo Ana olhar ao redor enquanto Jack pegava a mala dela e as sacolas.

— Acho que sim, Mozão – ela disse se aproximando de nós – Vamos logo, porque estou com saudade do meu ursão de pelúcia.

— Ihhh... Eu taquei fogo nele – menti, já sendo alvo de um olhar semicerrado e bastante furioso.

— Você não fez isso, fez​? Se eu chegar lá e o meu urso não estiver em cima da minha cama, eu vou tacar fogo é nas suas bolas.

Jack explodiu em uma gargalhada.

— Pode tacar. Elas não me servem pra nada mesmo – resmunguei dando de ombros e saí do quarto.

Escutei Ana dizer, enquanto seguíamos o corredor rumo ao elevador, que ela não havia entendido o que eu tinha dito. Optei por não explicar a ela que eu possuía Globozoospermia, que é uma forma rara e grave de Teratozoospermia Monomórfica.

Em resumo, meus espermatozóides eram defeituosos e isso me deixava infértil. Eu só conseguiria engravidar alguém por meio de fertilização in-vitro e essa havia sido nossa segunda opção, caso Jack e eu não conseguíssemos adotar um bebê. Mas, graças a Deus, a Ana apareceu e nos deu esse presente.

Jack pediu para eu ir logo com a Ana enquanto ele fechava a conta, pois depois o mesmo iria passar em outro lugar antes de ir para casa. Provavelmente, ele ia receber os parabéns da minha sogra, então assenti já conduzindo a Ana para fora do prédio, rumo ao meu carro.


★ ★ ★ ★ ★


— Bem vinda de volta, Bonequinha – murmurei enquanto adentrávamos em casa.

Ana logo subiu a escada, provavelmente indo para o quarto dela para ver se o urso ainda estava lá, e aquilo me fez sorrir. Deixei o resto do bolo na geladeira, depois subi para me encontrar com ela.

— Deixa que eu guardo isso, Mozão – Ana falou quando coloquei a mala no canto da cama e a abri, para começar a guardar as roupas que a mesma havia levado.

— Não. Está tudo bem. Não quero que você se esforce – ressaltei.

Ela deu de ombros e ficou apenas me observando, sentada na cama, usando o urso de pelúcia como apoio para o corpo. Entretanto, quando terminei, notei que a mesma havia adormecido, então peguei as sacolas ao pé da cama e saí do quarto, sutilmente, indo para o meu, tomar um banho.

Estava saindo do banheiro quando Jack entrou no nosso quarto perguntando pela Ana.

— Ela tá dormindo – informei.

— Ah sim. Eu comprei cogumelos. Vou fazer Frango ao Molho Marsala para nós jantarmos.

— Amor, acho que a Bonequinha não pode comer cogumelos. Ela tá grávida, lembra?

— Não tem problema nenhum dela comer, Mozão – ele disse beijando-me – Vou banhar.

Fui para o closet, me arrumar e como ainda era quatro da tarde, desci para preparar um brigadeiro para mais tarde poder enrolar os morangos. Já que Jack iria fazer o jantar, eu tinha decidido preparar a sobremesa.

Me encontrava terminando de pôr a panela do brigadeiro na geladeira para esfriar quando recebi uma ligação do Bob. Ele era um amigo meu que trabalhava como produtor de comerciais.

Bob me perguntou se eu estava com a agenda cheia, pois o fotógrafo que ia trabalhar amanhã para fotografar o making of do novo comercial que ele estava produzindo, havia cancelado de última hora e o mesmo se encontrava desesperado para achar um substituto.

— Se acalma, Bob. Eu vou fotografar para você amanhã. Me passa o endereço do local onde vai ser gravado o comercial – pedi à medida que ia pegar um papel e uma caneta numa das gavetas da mesinha da sala de estar.

— Vamos gravar aqui no estúdio mesmo, Chris. Às oito e meia – ele informou mais tranquilo – Obrigado, cara. Você me salvou. Estou te devendo uma.

— Que nada. Amigos são pra isso mesmo. Te vejo amanhã às oito e meia. Beijos.

— Quem era?

Me virei e vi meu marido descendo as escadas, me encarando meio desconfiado.

— Ei, o ciumento aqui sou eu – zombei fazendo ele rir – Era o Bob. Vou trabalhar com ele amanhã num comercial. Fotografando.

— Ah sim.

— Eu preciso dá um pulo lá no estúdio para pegar uma lente que vou usar amanhã. Fiz brigadeiro porque quando eu chegar vou montar as coxinhas de morangos – avisei dando um beijo nele – Então não coma, Ursinho.

Ele fez um bico fofo, então liberei apenas uma colher para ele e outra para a Ana, se ela acordasse antes de eu voltar.


★ ★ ★ ★ ★


Depois do jantar, que preparamos os três juntos, fomos saborear a sobremesa assistindo um filme na sala de estar. Estava quase na metade do filme “Quando Paris Alucina” quando de repente, senti a Ana mexer na minha coxa, chamando-me, então a olhei.

— O que foi? – perguntei, mas ela não respondeu, apenas pegou na minha mão guiando-a para sua barriga.

— A filha de vocês está mexendo de novo.

Logo senti um pequeno movimento sob a palma da minha mão e fiquei tão hipnotizado com aquele momento que nem notei quando Jack pegou o celular e começou a filmar.

— O que está fazendo, Ursinho? – Ana perguntou.

— Um diário em vídeo para mostrarmos para nossa princesinha. Ela vai querer saber um dia o porquê de ter dois pais e nenhuma mãe, né? Então vou filmar momentos como este para ela conhecer e ver como a mamãe dela era linda. Mozão se apresenta primeiro.

Sorri para o celular e acenei.

— Oi, Unicórnio lindo...

— Ah não, Mozão. Você vai mesmo chamar sua filha de cavalo? Ainda por cima um cavalo corno – Ana me interrompeu, incrédula e logo tomou a frente – Filha, ignore o que o seu papai Christian disse. Você não é um cavalo e sim uma princesa. Uma linda princesinha. Eu sou a sua mamãe, mas o motivo de eu não estar ai com você, eu vou deixar para contar num outro vídeo quando você estiver grandinha para poder entender.

— Ok. Agora é a minha vez. De novo – comentei olhando para Ana que me deu língua, sorrindo quando tentei fazer cócegas nela – Oi, Princesa. Sou o seu papai Christian e acabei de sentir você mexer aqui dentro. Falta só quatro meses para podermos pegar você no nosso colo – murmurei, já chorando muito emocionado, principalmente quando senti nossa pequena mexer novamente.

— Oi, meu amor. Eu sou o seu papai Jack e estamos muito ansiosos para te conhecer pessoalmente – escutei Jack dizer enquanto Ana me abraçava mandando eu parar de ser “chorão”.

“Não tenho culpa se me emociono fácil”

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