segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 25


ANASTASIA

Me encontrava do lado de fora do quarto, esperando por Jack até que escutei me chamarem e o vi se aproximando de mim, ao longo do corredor, a passos rápidos. Para imitar que tinha chorado muito, apenas joguei água nos olhos, deixando-os um pouco vermelhos, porém o suficiente para convencer ele.

— Ana... – Jack disse me aconchegando ao redor de seus braços com tanto carinho e cuidado, que me deu um pouquinho de remorso por mentir para ele, mas era por uma boa causa.

— Obrigada por ter vindo – murmurei contra seu peito então Jack se desvencilhou um pouco de mim, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Tá melhor? – ele perguntou e eu assenti com a cabeça, vendo-o respirar aliviado – Que bom. Mas porque está aqui no corredor?

“Merda! Improvisa rápido, sua anta!”

— Ficar no quarto estava me fazendo lembrar da minha discussão com o Christian.

— Ah sim. Não se preocupe com ele, Ana. O proibi de chegar perto de você, está bem? Ele não vai te importunar mais – Jack afagou meus ombros dando um beijo em minha testa em seguida – Quer dar uma volta? Ir para outro lugar?

— Quero, mas pode pegar meu celular lá dentro do quarto. Não quero entrar lá mais não.

— Tudo bem.

Jack se encaminhou para perto da porta então me aproximei também.

— SURPRESA!!! – Christian e eu gritamos assim que ele entrou no quarto.

— Mas...

Passei por Jack, fechando a porta atrás de mim, e me coloquei ao lado de Christian, que segurava o bolo nas mãos, à medida que começávamos a cantar parabéns para ele, que logo veio a se emocionar e contagiou nós dois também.

Christian me passou o bolo e pegando a coroa de cima dele, foi depositar sobre a cabeça de Jack, já o beijando carinhosamente, o abraçando e o felicitando pelo aniversário. Enquanto isso, eu depositava o bolo novamente sobre a mesinha da sala e sentando-me no sofá, fui acender as duas velinhas.

— Vem fazer um pedido, Jack – o chamei então ambos vieram se sentar ao meu lado, ficando Jack entre eu e o Christian – Então... O que pediu? – inquiri depois que ele assoprou as velas e nós batemos palmas.

— É segredo, sua curiosa – Jack disse sorrindo e apertando meu nariz de leve – Muito obrigado por terem realizado essa surpresa para mim, mas eu juro que fiquei muito bravo com você, amor.

— Desculpe por termos te enganado, querido. Mas era o único jeito.

— Tudo bem, amor.

— Eu sou uma ótima atriz, não sou? – indaguei quando eles se abraçaram.

Os dois me encararam e riram concordando então Jack se desvencilhou de Christian e se inclinou, me abraçando de lado também, beijando-me a bochecha, agradecendo-me.

— De nada. Posso ficar com a sua coroa? – perguntei na maior cara de pau, mas eu não estava nem aí, porque eu tinha achado ela muito linda e queria para mim.

— Claro, Ana. Toma.

— AEEEEEE!!! Eu sou uma princesa agora! – exclamei mega contente quando coloquei a tiara na minha cabeça – O primeiro pedaço do bolo é meu.

— Aí tu já tá pedindo demais, né? – Christian resmungou e eu joguei um beijinho pra ele, que riu rolando os olhos.

— O primeiro pedaço sempre foi e sempre vai ser do meu Chris lindo e gostoso.

Eles se beijaram então de repente eu fiquei pensando em algo.

— Estranho.

— O que é estranho? – perguntou Christian enquanto Jack se recostava novamente no sofá.

— Vocês.

— Nós? – eles falaram juntos.

— Sim. Eu notei que vocês não se tratam por apelidos. Tipo Tchutchuco, Moreco, Minha vida, Moh... Esses tipos de apelidos fofos que os casais falam, sabe? Só é Meu Jack pra cá, Meu Chris pra lá. Ou Amor pra cá e Querido pra lá. É tão sem graça – murmurei fazendo careta, o que fez eles sorrirem.

— E quais eram os apelidos que você e ex se chamavam? – Christian quis saber.

— Ele variava entre me chamar de Cadela, Vadia e Puta, a outros de níveis mais baixo que esses. E eu nunca chamei ele por nenhum apelido fofo. O máximo que o chamei foi de Amor, mas vamos deixar isso pra lá porque eu não estou a fim de ficar relembrando coisas dolorosas.

— Desculpe se te fiz lembrar de algo ruim – ele disse se inclinando um pouco por sobre as pernas do Jack e tocando minha mão que se encontrava sobre minha coxa então afaguei a sua mão.

— Relaxa. Já passou, Christian.

— Então porque você não nos ajuda a escolher apelidos fofos, já que você tá dizendo que o nosso modo de nos tratarmos é estranho e sem graça – Jack disse.

— Sério? – indaguei feliz e tanto ele quanto Christian assentiram – Ah, mas eu também queria um apelido fofo... Só enquanto estou com vocês – comentei fazendo uma carinha de cãozinho abandonado.

— Se o Chris concordar...

— Eu não vejo problema nenhum.

— Ok então. O seu apelido vai ser Peidinho Preso.

Semicerrei os olhos com raiva.

— Vá se lascar, Jack! – exclamei emburrada.

— Não entendi, gente. Porque Peidinho Preso?

— Explica... pra ele, Ana – Jack pediu ainda morrendo de rir.

— Esse abestado... – deu uns tapas no braço dele que se levantou do sofá indo sentar numa das poltronas então me aproximei de Christian – ...está rindo da minha cara, só porque ontem quando ele veio me deixar aqui, eu senti um negócio esquisito na barriga e pensei que era gases, mas quando eu coloquei a mão do Jack, ele disse que era a filha de vocês mexendo então falei pra ele que tinha pensando que era peido preso.

Christian me olhou assustado e desatou a rir de mim também.

— Meu Deus... Você chamou a bebê... de peido.

— Eu não tenho culpa, ok? Agora dá para os dois pararem de rir de mim. Senão eu vou ficar de mal com vocês para sempre – resmunguei.

— Deixe de coisa, Ana. Vem cá, birrenta.

Christian me puxou pela manga da blusa e me abraçou.

— Prometemos não rir mais disso, tá? – Jack falou vindo se sentar ao meu lado e acabamos fazendo um abraço triplo.

— Tá bom.

— Agora eu que tô triste – Christian disse se desvencilhando um pouco de mim e repousou sua mão minha barriga, afagando-a – Queria ter sentindo ela se mexer também.

— Quando a bebê acordar e começar a mexer, prometo que você será o primeiro a saber – falei me inclinando um pouquinho e lhe dando um beijo na bochecha.

— Que tal Boneca? – ele indagou de repente.

— O quê? O apelido da Ana? – perguntou Jack e Christian assentiu – Não, amor. Bonequinha é mais fofo. O que você acha, Ana?

— Ownn... Eu amei, amei, amei, ameeeei muito – cantarolei empolgada e olhei para o lado meio pensativa – O apelido do Christian poderia ser Mozão, né?

— Gostei. Ele tem cara de Mozão mesmo.

— Ownn... E o seu, Jack, vai ser Ursinho.

— Ei... Porque no apelido do Christian têm “ão” e o meu termina em “inho”? Tá errado esse negócio aí.

— Acho que é por causa do urso que você deu para ela, amor.

Rolei os olhos.

— Não é por isso não. O seu tem “inho”, Ursinho, é porque você é muito fofo. Já o Mozão é mais cavalo, sabe?

— Eu sou o quê?

— Ca-va-lo – ressaltei pausadamente o encarando enquanto escutava Jack sorrir – E você se auto se entregou quando chamou sua filha de unicórnio com essa blusa.

— Ah, mas eu amei a estampa, Bonequinha.

— Tudo bem, Ursinho. Agora que já decidimos nossos apelidos fofos, vamos apenas nos tratar assim, ok? – indaguei e eles assentiram – Beleza. E se eu vê um dos dois chamando um ao outro pelo nome, eu vou dar na cara da pessoa.

— E ela dá mesmo, Ja... Ursinho.

— Não entendi.

— Depois ele te conta, Ursinho. Agora vamos aos seus presentes porque eu estou me decompondo em fome e esse bolo está me chamando para tará-lo desde que o compramos – comentei lambendo os lábios e eles riram – Mozão, você vai primeiro.

— Ok.

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