JACK
Não sabia qual dos dois era o mais medroso dali. A Ana, por ver o tamanho da agulha do coletor ou o Chris, que tinha pavor de sangue.
Eu havia descido para o setor de exames assim que recebi uma mensagem do meu companheiro, avisando-me de que eles tinham chegado. Agora estou aqui, tentando controlar o riso à medida que eu coletava o sangue da Ana, que tinha feito mais escândalo do que uma criança pequena.
Christian estava ao lado da Ana, segurando sua mão, porém com o rosto virado e de olhos fechados para não ver o sangue que jorrava da veia dela direto para o terceiro tubinho enquanto que a técnica de enfermagem, que a Ana bateu o pé e disse que a mulher não ia tirar o sangue dela nem vendada, estava identificando os vidrinhos.
— Não vai acabar mais não? – Ana me questionou quando conectei o quarto tubo no coletor.
— Ainda não. Vou precisar de mais sangue para todos os exames que eu solicitei inicialmente e para o resto dos exames que a Elizabeth vai te solicitar na hora da consulta. Ou você quer duas furadas no seu braço?
— Nenhuma teria sido bem melhor – ela resmungou e virou o rosto olhando para o Chris depois me encarou novamente – E esse aqui, ao invés de me dar força, tá com mais medo do que eu.
— Tenho pavor de sangue – Christian comentou – Sangue para mim tem que ficar bem longe.
— E o que corre nas suas veias é o que, anta? É glitter por acaso? Purpurina?
Não me aguentei e tiver que explodir em risada com aquele comentário da Ana, porém aquilo me fez mexer a mão e isso ocasionou na perda da veia dela.
— Ai, cacete!
— Desculpe – falei já colocando um tufo de algodão e tirando a agulha.
Ainda faltava o último tubinho para ser preenchido, porém Ana fez cara feia para mim.
— Ok, terminamos por aqui então – anunciei.
— Ufa – disse Chris mais aliviado e abrindo os olhos.
— Ufa digo eu, que estava com uma agulha monstruosa enfiada no meu braço.
Sorri e agradeci a técnica por ter me deixado, meio a contragosto, ficar no seu lugar e coletar o sangue da Ana. Chequei novamente o pedido de exames e informei a ela para ficar no aguardo de exames adicionais vindo do ambulatório, e mandei ela anexar a outra solicitação junto com a minha, assim que a entregarmos.
— É melhor irem comer algo na praça de alimentação. Vocês tem meia hora até a Elizabeth chegar...
— Mas você não disse que ela começa a atender às sete e meia? Já são sete e vinte – indagou Christian olhando no relógio de pulso à medida que saímos do setor de exames.
— A Ana precisa se alimentar, amor – ressaltei passando meu braço por sobre o ombro dele e o mesmo abraçou minha cintura atrás.
— Verdade. Tô varada de fome, principalmente depois que alguém tirou quase 10 litros de sangue de mim.
— O corpo humano tem em média de 04 a 06 litros de sangue, então não exagera, oh moça – falei e Ana me deu língua – Tá muita abusada, né oh sua feiosinha? – brinquei me desvencilhando de Christian e tentando fazer cócegas nela, que conseguia se esquivar.
— Deixa até eu te contar com o que ela tava sonhando hoje mais cedo.
Ana foi rapidamente até Chris e tampou a boca dele, o que me fez ficar curioso.
— Você não vai falar nada. Aonde fica a comida?
— Só digo se me contar qual foi seu sonho.
— Nem fudendo.
— Era quase isso mesmo – Christian murmurou rindo, por entre os dedos dela.
— Cala a boca. A gente encontra a comida sozinhos. Vem, Christian.
Ana saiu pisando fundo rebocando meu Chris que me pedia ajuda fazendo gesto com a boca enquanto eu controlava a risada. Os chamei e eles pararam, virando para me olhar.
— O que foi? – inquiriu Ana emburrada então apontei para o lado oposto do corredor.
— É por ali a praça de alimentação do hospital.
— Você não vem, amor – Christian perguntou assim que passaram por mim.
— Não, querido. Eu tenho que terminar de evoluir um óbito e assinar os papéis para a liberação do corpo para os pais da criança, porque eu quero estar na consulta com vocês.
— Ok, menos papo e mais andança. Vamos, Christian. Eu tô morrendo de fome.
Acenei para eles e retornei para a UTI Pediátrica, enquanto sorria pelo caminho.
“Só o jeitinho maluco da Ana para me fazer rir depois de ter falhado em salvar a vida daquele garotinho”
Não sabia qual dos dois era o mais medroso dali. A Ana, por ver o tamanho da agulha do coletor ou o Chris, que tinha pavor de sangue.
Eu havia descido para o setor de exames assim que recebi uma mensagem do meu companheiro, avisando-me de que eles tinham chegado. Agora estou aqui, tentando controlar o riso à medida que eu coletava o sangue da Ana, que tinha feito mais escândalo do que uma criança pequena.
Christian estava ao lado da Ana, segurando sua mão, porém com o rosto virado e de olhos fechados para não ver o sangue que jorrava da veia dela direto para o terceiro tubinho enquanto que a técnica de enfermagem, que a Ana bateu o pé e disse que a mulher não ia tirar o sangue dela nem vendada, estava identificando os vidrinhos.
— Não vai acabar mais não? – Ana me questionou quando conectei o quarto tubo no coletor.
— Ainda não. Vou precisar de mais sangue para todos os exames que eu solicitei inicialmente e para o resto dos exames que a Elizabeth vai te solicitar na hora da consulta. Ou você quer duas furadas no seu braço?
— Nenhuma teria sido bem melhor – ela resmungou e virou o rosto olhando para o Chris depois me encarou novamente – E esse aqui, ao invés de me dar força, tá com mais medo do que eu.
— Tenho pavor de sangue – Christian comentou – Sangue para mim tem que ficar bem longe.
— E o que corre nas suas veias é o que, anta? É glitter por acaso? Purpurina?
Não me aguentei e tiver que explodir em risada com aquele comentário da Ana, porém aquilo me fez mexer a mão e isso ocasionou na perda da veia dela.
— Ai, cacete!
— Desculpe – falei já colocando um tufo de algodão e tirando a agulha.
Ainda faltava o último tubinho para ser preenchido, porém Ana fez cara feia para mim.
— Ok, terminamos por aqui então – anunciei.
— Ufa – disse Chris mais aliviado e abrindo os olhos.
— Ufa digo eu, que estava com uma agulha monstruosa enfiada no meu braço.
Sorri e agradeci a técnica por ter me deixado, meio a contragosto, ficar no seu lugar e coletar o sangue da Ana. Chequei novamente o pedido de exames e informei a ela para ficar no aguardo de exames adicionais vindo do ambulatório, e mandei ela anexar a outra solicitação junto com a minha, assim que a entregarmos.
— É melhor irem comer algo na praça de alimentação. Vocês tem meia hora até a Elizabeth chegar...
— Mas você não disse que ela começa a atender às sete e meia? Já são sete e vinte – indagou Christian olhando no relógio de pulso à medida que saímos do setor de exames.
— A Ana precisa se alimentar, amor – ressaltei passando meu braço por sobre o ombro dele e o mesmo abraçou minha cintura atrás.
— Verdade. Tô varada de fome, principalmente depois que alguém tirou quase 10 litros de sangue de mim.
— O corpo humano tem em média de 04 a 06 litros de sangue, então não exagera, oh moça – falei e Ana me deu língua – Tá muita abusada, né oh sua feiosinha? – brinquei me desvencilhando de Christian e tentando fazer cócegas nela, que conseguia se esquivar.
— Deixa até eu te contar com o que ela tava sonhando hoje mais cedo.
Ana foi rapidamente até Chris e tampou a boca dele, o que me fez ficar curioso.
— Você não vai falar nada. Aonde fica a comida?
— Só digo se me contar qual foi seu sonho.
— Nem fudendo.
— Era quase isso mesmo – Christian murmurou rindo, por entre os dedos dela.
— Cala a boca. A gente encontra a comida sozinhos. Vem, Christian.
Ana saiu pisando fundo rebocando meu Chris que me pedia ajuda fazendo gesto com a boca enquanto eu controlava a risada. Os chamei e eles pararam, virando para me olhar.
— O que foi? – inquiriu Ana emburrada então apontei para o lado oposto do corredor.
— É por ali a praça de alimentação do hospital.
— Você não vem, amor – Christian perguntou assim que passaram por mim.
— Não, querido. Eu tenho que terminar de evoluir um óbito e assinar os papéis para a liberação do corpo para os pais da criança, porque eu quero estar na consulta com vocês.
— Ok, menos papo e mais andança. Vamos, Christian. Eu tô morrendo de fome.
Acenei para eles e retornei para a UTI Pediátrica, enquanto sorria pelo caminho.
“Só o jeitinho maluco da Ana para me fazer rir depois de ter falhado em salvar a vida daquele garotinho”

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