ANASTASIA
“Eles dois estão sendo tão legais comigo, que eu tenho que ser um pouco mais educada” pensei enquanto observava Christian terminar sua sobremesa, já Jack tinha acabado de sair, dizendo que precisava se arrumar para voltar ao hospital.
— Desculpe pelo o que eu disse. Não quis parecer grossa com você... – falei encarando-o depois desviei o olhar para a fatia de torta quase acabada em meu prato – ...e nem ser inconveniente com as palavras.
— Está tudo bem – ele se levantou e começou a recolher os pratos da mesa então tentei ajudá-lo – Não precisa se preocupar com isso, fofa. Fique sentadinha aí. Você não pode fazer esforço.
“Não posso fazer esforço? Mal ele sabe que já carreguei coisa mais pesada que alguns pratos”
— O que o Jack faz lá no hospital? – perguntei, optando por conversar ao invés de ficar calada.
— Ele é cirurgião pediatra – Christian disse e eu notei que o mesmo se sentia orgulhoso pela profissão do marido, esposo, ou seja lá como eles se chamavam entre si.
— Legal, e você faz o que?
— Tenho um estúdio de fotografia. Sou fotógrafo profissional, mas às vezes faço alguns trabalhos como modelo – ele dizia enquanto arrumava a bancada da cozinha.
— Ele é o meu modelo particular da Playboy.
Me virei e vi Jack adentrando o local indo até Christian, dando um beijo nele. Era estranho ver eles juntos.
Não que eu nunca tivesse vistos gays na minha vida, porque na vila onde eu morava tinha uns viados, mas eram bem afeminados, usando às vezes roupas de mulher e com aquele jeitinho específico mesmo de bicha.
Entretanto, Jack e Christian, nem pareciam gays, tirando os beijos, os carinhos e os olhares apaixonados que um dava para o outro.
— Já estou indo, amor. Vou tentar chegar cedo para descansar um pouco, antes de pegarmos a estrada – Jack falou se desvencilhando de Christian.
— Ok, querido. Amanhã cedo, eu e a Ana vamos fazer compras, depois vamos dar uma passadinha no salão da diva da minha sogrinha e procurar um vestido para ela ir no casamento.
— Vou tentar ver se a Elizabeth pode atender a Ana amanhã e aí qualquer coisa eu te ligo e vocês vão lá para o hospital.
— Dá para os dois pararem de conversar sobre mim como se eu não tivesse aqui? – resmunguei emburrada e ambos viraram os rostos para me olhar, depois sorriram.
— Desculpe, lindinha...
— Não me chamem de lindinha e nem de fofa. Não sou linda, sou feia igual o cão chupando manga e ainda não estou gorda para ser chamada de fofa.
— Hormônios – ambos disseram juntos, se entreolhando.
— Tudo bem então, oh sua feiosinha – disse Jack se aproximando de mim sorrindo e me deu um beijo no alto da cabeça, depois se inclinou um pouco e alisou minha barriga – Tchau, bebê. Até amanhã, sua feiosa.
Christian só ria enquanto eu semicerrava os olhos e mirava as costas de Jack. Ele beijou novamente Christian em despedida e saiu, fazendo-nos escutar minutos depois a zuada de um carro se afastando.
— Venha, vou te mostrar o quarto onde vai dormir.
Levantei e o segui escada acima até pararmos em uma porta ao qual ele abriu.
— Uau... – fora o que eu consegui dizer ao ver o belo e enorme quarto que estava a minha frente.
— Espero que ele te agrade. Pode redecorá-lo se quiser também – Christian comentou escorado na soleira da porta.
— Obrigada, mas assim já tá mais que perfeito – falei e logo uma vontade enorme de chorar me acertou ao lembrar que pela primeira vez eu tinha um lugar para chamar de casa, mesmo que seja por alguns meses.
Coloquei as mãos sobre o rosto à medida que as lágrimas começavam a descer e os soluços a me atingir. Segundos depois, senti braços me rodearem, acolhendo-me até que meu choro cessou e eu pude encarar Christian, meio envergonhada.
— Desculpe. Odeio estar grávida porque choro por tudo.
Ele sorriu e se afastou.
— É normal, mas porque estava chorando?
— Porque eu nunca tive uma família e nem um lar e vocês dois estão me dando isso tudo sem nem ao menos me conhecer. Obrigada.
— De nada, Ana. Você está nos proporcionando uma felicidade imensa, realizando o nosso sonho de sermos pais então o mínimo que podemos fazer é acolher você na nossa família, que é bem doida.
— Doida?
— Sim. Você ganhou dois irmãos gays, uma irmã louca saída direto do hospício, duas mamis divas, um pai que se acha comediante, uma tia religiosa, um tio viciado e uma prima lésbica. Sem contar com os nossos amigos que são fugitivos do mesmo hospício que o da minha irmã – ele disse fazendo caretas enquanto falava, o que me fez rir.
— Eles devem ser legais.
— Não se iluda não, minha filha – Christian falou e sorriu – Tô brincando. Aquele bando de loucos são maravilhosos e amanhã você vai conhecê-los no casamento da Leilinha.
— Quem é essa?
— É a louca da minha irmã. Bom... eu vou deixar você descansar. Qualquer coisa eu estou no quarto ao lado.
Assenti e olhei novamente o quarto ao meu redor quando fiquei sozinha. Não estava cansada e ainda era cedo para dormir então preferi assistir algo na televisão, ligando e verificando os canais, optando por deixar em um filme chamado Antes do Pôr do Sol, mas acabei não entendendo nada do enredo e aquela chatice toda de romantismo me fez ficar com sono então desliguei a TV e fui dormir.
“Eles dois estão sendo tão legais comigo, que eu tenho que ser um pouco mais educada” pensei enquanto observava Christian terminar sua sobremesa, já Jack tinha acabado de sair, dizendo que precisava se arrumar para voltar ao hospital.
— Desculpe pelo o que eu disse. Não quis parecer grossa com você... – falei encarando-o depois desviei o olhar para a fatia de torta quase acabada em meu prato – ...e nem ser inconveniente com as palavras.
— Está tudo bem – ele se levantou e começou a recolher os pratos da mesa então tentei ajudá-lo – Não precisa se preocupar com isso, fofa. Fique sentadinha aí. Você não pode fazer esforço.
“Não posso fazer esforço? Mal ele sabe que já carreguei coisa mais pesada que alguns pratos”
— O que o Jack faz lá no hospital? – perguntei, optando por conversar ao invés de ficar calada.
— Ele é cirurgião pediatra – Christian disse e eu notei que o mesmo se sentia orgulhoso pela profissão do marido, esposo, ou seja lá como eles se chamavam entre si.
— Legal, e você faz o que?
— Tenho um estúdio de fotografia. Sou fotógrafo profissional, mas às vezes faço alguns trabalhos como modelo – ele dizia enquanto arrumava a bancada da cozinha.
— Ele é o meu modelo particular da Playboy.
Me virei e vi Jack adentrando o local indo até Christian, dando um beijo nele. Era estranho ver eles juntos.
Não que eu nunca tivesse vistos gays na minha vida, porque na vila onde eu morava tinha uns viados, mas eram bem afeminados, usando às vezes roupas de mulher e com aquele jeitinho específico mesmo de bicha.
Entretanto, Jack e Christian, nem pareciam gays, tirando os beijos, os carinhos e os olhares apaixonados que um dava para o outro.
— Já estou indo, amor. Vou tentar chegar cedo para descansar um pouco, antes de pegarmos a estrada – Jack falou se desvencilhando de Christian.
— Ok, querido. Amanhã cedo, eu e a Ana vamos fazer compras, depois vamos dar uma passadinha no salão da diva da minha sogrinha e procurar um vestido para ela ir no casamento.
— Vou tentar ver se a Elizabeth pode atender a Ana amanhã e aí qualquer coisa eu te ligo e vocês vão lá para o hospital.
— Dá para os dois pararem de conversar sobre mim como se eu não tivesse aqui? – resmunguei emburrada e ambos viraram os rostos para me olhar, depois sorriram.
— Desculpe, lindinha...
— Não me chamem de lindinha e nem de fofa. Não sou linda, sou feia igual o cão chupando manga e ainda não estou gorda para ser chamada de fofa.
— Hormônios – ambos disseram juntos, se entreolhando.
— Tudo bem então, oh sua feiosinha – disse Jack se aproximando de mim sorrindo e me deu um beijo no alto da cabeça, depois se inclinou um pouco e alisou minha barriga – Tchau, bebê. Até amanhã, sua feiosa.
Christian só ria enquanto eu semicerrava os olhos e mirava as costas de Jack. Ele beijou novamente Christian em despedida e saiu, fazendo-nos escutar minutos depois a zuada de um carro se afastando.
— Venha, vou te mostrar o quarto onde vai dormir.
Levantei e o segui escada acima até pararmos em uma porta ao qual ele abriu.
— Uau... – fora o que eu consegui dizer ao ver o belo e enorme quarto que estava a minha frente.
— Espero que ele te agrade. Pode redecorá-lo se quiser também – Christian comentou escorado na soleira da porta.
— Obrigada, mas assim já tá mais que perfeito – falei e logo uma vontade enorme de chorar me acertou ao lembrar que pela primeira vez eu tinha um lugar para chamar de casa, mesmo que seja por alguns meses.
Coloquei as mãos sobre o rosto à medida que as lágrimas começavam a descer e os soluços a me atingir. Segundos depois, senti braços me rodearem, acolhendo-me até que meu choro cessou e eu pude encarar Christian, meio envergonhada.
— Desculpe. Odeio estar grávida porque choro por tudo.
Ele sorriu e se afastou.
— É normal, mas porque estava chorando?
— Porque eu nunca tive uma família e nem um lar e vocês dois estão me dando isso tudo sem nem ao menos me conhecer. Obrigada.
— De nada, Ana. Você está nos proporcionando uma felicidade imensa, realizando o nosso sonho de sermos pais então o mínimo que podemos fazer é acolher você na nossa família, que é bem doida.
— Doida?
— Sim. Você ganhou dois irmãos gays, uma irmã louca saída direto do hospício, duas mamis divas, um pai que se acha comediante, uma tia religiosa, um tio viciado e uma prima lésbica. Sem contar com os nossos amigos que são fugitivos do mesmo hospício que o da minha irmã – ele disse fazendo caretas enquanto falava, o que me fez rir.
— Eles devem ser legais.
— Não se iluda não, minha filha – Christian falou e sorriu – Tô brincando. Aquele bando de loucos são maravilhosos e amanhã você vai conhecê-los no casamento da Leilinha.
— Quem é essa?
— É a louca da minha irmã. Bom... eu vou deixar você descansar. Qualquer coisa eu estou no quarto ao lado.
Assenti e olhei novamente o quarto ao meu redor quando fiquei sozinha. Não estava cansada e ainda era cedo para dormir então preferi assistir algo na televisão, ligando e verificando os canais, optando por deixar em um filme chamado Antes do Pôr do Sol, mas acabei não entendendo nada do enredo e aquela chatice toda de romantismo me fez ficar com sono então desliguei a TV e fui dormir.

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