JACK
— Então, Ana... Poderia contar mais sobre você, sobre a gravidez e o motivo de não querer o bebê? – indaguei, percebendo algo de estranho em seu rosto quando ela olhou para o lado, observando a sala.
“Um olho roxo. Será que era o pai do bebê que batia nela? Por isso que ela não quer a criança?” pensei intrigado e minha suspeita se confirmou quando ela disse que não gostava de falar sobre sua vida.
— Não precisa usar os óculos para esconder esse olho roxo. Sou médico, então convivo com isso, às vezes, lá no hospital. Foi o pai do bebê que te bateu? Você tem pais?
— Desculpe, eu não deveria ter vindo.
Ana se levantou e tentou correr para fora da sala, mas eu a segurei, notando que ela estava prestes a chorar.
— Fica calma, eu não vou te machucar – pedi e a jovem abraçou minha cintura, meio desajeitada, afundando seu rosto em meu peito, já desabando em lágrimas.
— O que está acontecendo aqui? – escutei a voz do Christian, então olhei para o lado, pedindo rapidamente que ele trouxesse um copo com água para a nossa visitante poder se acalmar e assim Chris o fez, com uma cara meio desconfiada, mas fez.
— Me desculpe pelo que houve – ela disse, minutos depois, mais calma.
A mesma se encontrava sentava novamente no sofá, comigo ao seu lado e com Christian sentado na mesinha de centro, à sua frente.
— Eu que peço desculpas, Ana. Não foi minha intenção te aborrecer, mas eu só queria saber se vamos ter que ficar preocupados com um possível agressor perto do bebê que desejamos adotar – falei e ela me encarou primeiro, depois olhou para o meu companheiro e em seguida abaixou o olhar para as mãos sobre seu colo.
— Não precisam se preocupar, porque o José está preso.
— E quem é José? – Chris indagou e ela o olhou.
— Meu namorado, quer dizer, ex-namorado. O pai do bebê.
— Foi ele que te bateu, Ana? – inquiri.
— Sim, senhor. É por isso que preciso do dinheiro. Quero fugir para bem longe dele.
— Pode nos chamar pelos nossos nomes. Eu sou o Jack e esse aqui é o meu companheiro Christian.
Ela assentiu dando um meio sorriso para nós dois.
— Então você ia pegar o nosso dinheiro e sumir com ele e o bebê?
— Não... Christian. José vai ficar preso por um ano e alguns meses, então daria tempo para eu ter o bebê, entregá-lo a vocês, pegar o dinheiro e ir embora da cidade. Eu posso ser de onde eu sou, mas tenho palavra e não volto atrás, ao contrário daqueles que se diziam meus amigos, mas que são só amigos na hora da bandidagem.
Christian me encarou com uma expressão que dizia: “Viu só? Eu tinha razão”.
— Você não está tentando passar a perna na gente para nos roubar, está?
— Amor, por favor, né?
— Eu só estou perguntando, Jack. Nada demais.
— Não se preocupe. Eu só roubo, ou roubava, lojas de conveniências, porque lá tem dinheiro e comida. Há três dias roubei uma e entre os itens, eu peguei um jornal e foi assim que eu vi o anúncio de vocês.
— Você tem onde dormir?
— Tinha, mas quando José foi preso, eu fui expulsa do local onde ficávamos e desde então vivo pela rua mesmo. E antes que perguntem, eu sou órfã e é por esse motivo que eu roubava, porque não tenho família para pedir teto e nem comida.
Senti muito pena daquela jovem, então logo a ideia de acolhê-la em nossa casa me veio à mente.
— Não se preocupe, Ana. A partir de agora, você tem um lugar para morar enquanto estiver grávida. Nós cuidaremos de você e do bebê, né querido?
Olhei para Christian que logo me chamou para conversar em particular, então o acompanhei para um dos cantos da sala.
— Você está ficando doido, amor? Como quer que acolhemos uma ladra na nossa casa? – ele sussurrou e encarou Ana de relance.
— Chris, ela precisa da gente e a gente precisa do bebê. É a nossa chance de termos o filho que tanto sonhamos. Se acolhermos ela aqui, vai ficar mais fácil para acompanharmos a gravidez dela, cuidar da saúde de ambos e principalmente ajudar a Ana que é uma vítima de violência doméstica e que pelo visto já sofreu muito nessa vida.
— Pensando por esse lado, você tem razão.
— Eu sempre tenho – brinquei e ele sorriu, rolando os olhos, então lhe dei um selinho antes de voltarmos para perto da Ana.
— Será um prazer ter sua companhia aqui em casa.
— Não precisa fingir ser amável comigo, Christian, porque eu sei que você não foi com a minha cara.
Chris ficou envergonhado enquanto eu tentava não sorrir.
— Eu sou meio desconfiado mesmo, me desculpe.
— Ok.
— Bem vinda a nossa família, Ana – anunciei e a abracei meio de lado, depois me virei para Christian – Amor, será que seu risoto dá para três pessoas?
— Claro que dá, mas primeiro a Ana vai subir comigo para se limpar e tirar esse cecê que está matando meu pobre e delicado nariz enquanto você, amor, vai colocar a mesa.
Apenas assenti, já sorrindo do Chris que fez uma careta quando Ana passou por ele.
CHRISTIAN
— Não precisa ter vergonha de ficar nua na minha frente não, Ana – falei enquanto pegava uma toalha no armário do nosso banheiro – Mas se quiser privacidade, eu dou. Aqui está a toalha. Ali no box tem sabonete, shampoo... apenas masculino. Vamos ter comprar coisa de mulher para você – murmurei pensativo e sorri – Vou deixar uma camiseta e uma cueca boxer para você vestir e não se preocupe, que a cueca é nova.
Ela sorriu em agradecimento, então eu sai do banheiro e fui até o closet pegar as peças de roupas. Assim que as deixei sobre a cama, sai do quarto e desci para me juntar ao Jack.
Minutos depois, Ana apareceu na cozinha e ficou admirada de novo com o ambiente.
— Faz quanto tempo que você não come? – inquiri quando a vi atacar literalmente o prato que eu acabara de pôr a sua frente.
— Dois dias – anunciou Ana, fazendo-me arregalar os olhos.
— Pobrezinha, porque está sem comer há dois dias? – indaguei com dó dela enquanto me sentava no meu lugar.
— Não tinha o que comer então eu não comia. Posso pegar mais salsichas?
Assentimos e Jack e eu, nos entreolhamos quando ela voltou a comer parecendo mais um homem das cavernas, totalmente sem modos.
— Isso daqui está delicioso demais.
— Especialidade do meu querido Chris.
— Tenho uma pergunta.
— Fale, meu anjo – escutei Jack falar enquanto cortava um pedaço da salsicha empanada.
— Quem é o ativo e o passivo de vocês?
Paramos de comer e nos entreolhamos de novo.
— Não temos distinção disso na nossa relação, Ana – ele informou segurando minha mão sobre a mesa e trocamos sorrisos, um com outro.
— Então os dois comem o cu um do outro?
Nossos sorrisos morreram e apenas meu companheiro começou a rir da pergunta indiscreta da nossa visitante.
— Não fale de boca cheia.
— Você não é meu pai, ou minha mãe, ou sei lá o quê. Você não é nada meu então eu como do jeito que eu quiser.
— Gostei dela, amor.
— Jack! – o repreendi, emburrado.
— Admita querido, a Ana tem um senso de humor e tanto.
Rolei os olhos voltando a comer.
— Então, Ana... Poderia contar mais sobre você, sobre a gravidez e o motivo de não querer o bebê? – indaguei, percebendo algo de estranho em seu rosto quando ela olhou para o lado, observando a sala.
“Um olho roxo. Será que era o pai do bebê que batia nela? Por isso que ela não quer a criança?” pensei intrigado e minha suspeita se confirmou quando ela disse que não gostava de falar sobre sua vida.
— Não precisa usar os óculos para esconder esse olho roxo. Sou médico, então convivo com isso, às vezes, lá no hospital. Foi o pai do bebê que te bateu? Você tem pais?
— Desculpe, eu não deveria ter vindo.
Ana se levantou e tentou correr para fora da sala, mas eu a segurei, notando que ela estava prestes a chorar.
— Fica calma, eu não vou te machucar – pedi e a jovem abraçou minha cintura, meio desajeitada, afundando seu rosto em meu peito, já desabando em lágrimas.
— O que está acontecendo aqui? – escutei a voz do Christian, então olhei para o lado, pedindo rapidamente que ele trouxesse um copo com água para a nossa visitante poder se acalmar e assim Chris o fez, com uma cara meio desconfiada, mas fez.
★ ★ ★ ★ ★
— Me desculpe pelo que houve – ela disse, minutos depois, mais calma.
A mesma se encontrava sentava novamente no sofá, comigo ao seu lado e com Christian sentado na mesinha de centro, à sua frente.
— Eu que peço desculpas, Ana. Não foi minha intenção te aborrecer, mas eu só queria saber se vamos ter que ficar preocupados com um possível agressor perto do bebê que desejamos adotar – falei e ela me encarou primeiro, depois olhou para o meu companheiro e em seguida abaixou o olhar para as mãos sobre seu colo.
— Não precisam se preocupar, porque o José está preso.
— E quem é José? – Chris indagou e ela o olhou.
— Meu namorado, quer dizer, ex-namorado. O pai do bebê.
— Foi ele que te bateu, Ana? – inquiri.
— Sim, senhor. É por isso que preciso do dinheiro. Quero fugir para bem longe dele.
— Pode nos chamar pelos nossos nomes. Eu sou o Jack e esse aqui é o meu companheiro Christian.
Ela assentiu dando um meio sorriso para nós dois.
— Então você ia pegar o nosso dinheiro e sumir com ele e o bebê?
— Não... Christian. José vai ficar preso por um ano e alguns meses, então daria tempo para eu ter o bebê, entregá-lo a vocês, pegar o dinheiro e ir embora da cidade. Eu posso ser de onde eu sou, mas tenho palavra e não volto atrás, ao contrário daqueles que se diziam meus amigos, mas que são só amigos na hora da bandidagem.
Christian me encarou com uma expressão que dizia: “Viu só? Eu tinha razão”.
— Você não está tentando passar a perna na gente para nos roubar, está?
— Amor, por favor, né?
— Eu só estou perguntando, Jack. Nada demais.
— Não se preocupe. Eu só roubo, ou roubava, lojas de conveniências, porque lá tem dinheiro e comida. Há três dias roubei uma e entre os itens, eu peguei um jornal e foi assim que eu vi o anúncio de vocês.
— Você tem onde dormir?
— Tinha, mas quando José foi preso, eu fui expulsa do local onde ficávamos e desde então vivo pela rua mesmo. E antes que perguntem, eu sou órfã e é por esse motivo que eu roubava, porque não tenho família para pedir teto e nem comida.
Senti muito pena daquela jovem, então logo a ideia de acolhê-la em nossa casa me veio à mente.
— Não se preocupe, Ana. A partir de agora, você tem um lugar para morar enquanto estiver grávida. Nós cuidaremos de você e do bebê, né querido?
Olhei para Christian que logo me chamou para conversar em particular, então o acompanhei para um dos cantos da sala.
— Você está ficando doido, amor? Como quer que acolhemos uma ladra na nossa casa? – ele sussurrou e encarou Ana de relance.
— Chris, ela precisa da gente e a gente precisa do bebê. É a nossa chance de termos o filho que tanto sonhamos. Se acolhermos ela aqui, vai ficar mais fácil para acompanharmos a gravidez dela, cuidar da saúde de ambos e principalmente ajudar a Ana que é uma vítima de violência doméstica e que pelo visto já sofreu muito nessa vida.
— Pensando por esse lado, você tem razão.
— Eu sempre tenho – brinquei e ele sorriu, rolando os olhos, então lhe dei um selinho antes de voltarmos para perto da Ana.
— Será um prazer ter sua companhia aqui em casa.
— Não precisa fingir ser amável comigo, Christian, porque eu sei que você não foi com a minha cara.
Chris ficou envergonhado enquanto eu tentava não sorrir.
— Eu sou meio desconfiado mesmo, me desculpe.
— Ok.
— Bem vinda a nossa família, Ana – anunciei e a abracei meio de lado, depois me virei para Christian – Amor, será que seu risoto dá para três pessoas?
— Claro que dá, mas primeiro a Ana vai subir comigo para se limpar e tirar esse cecê que está matando meu pobre e delicado nariz enquanto você, amor, vai colocar a mesa.
Apenas assenti, já sorrindo do Chris que fez uma careta quando Ana passou por ele.
CHRISTIAN
— Não precisa ter vergonha de ficar nua na minha frente não, Ana – falei enquanto pegava uma toalha no armário do nosso banheiro – Mas se quiser privacidade, eu dou. Aqui está a toalha. Ali no box tem sabonete, shampoo... apenas masculino. Vamos ter comprar coisa de mulher para você – murmurei pensativo e sorri – Vou deixar uma camiseta e uma cueca boxer para você vestir e não se preocupe, que a cueca é nova.
Ela sorriu em agradecimento, então eu sai do banheiro e fui até o closet pegar as peças de roupas. Assim que as deixei sobre a cama, sai do quarto e desci para me juntar ao Jack.
★ ★ ★ ★ ★
Minutos depois, Ana apareceu na cozinha e ficou admirada de novo com o ambiente.
— Faz quanto tempo que você não come? – inquiri quando a vi atacar literalmente o prato que eu acabara de pôr a sua frente.
— Dois dias – anunciou Ana, fazendo-me arregalar os olhos.
— Pobrezinha, porque está sem comer há dois dias? – indaguei com dó dela enquanto me sentava no meu lugar.
— Não tinha o que comer então eu não comia. Posso pegar mais salsichas?
Assentimos e Jack e eu, nos entreolhamos quando ela voltou a comer parecendo mais um homem das cavernas, totalmente sem modos.
— Isso daqui está delicioso demais.
— Especialidade do meu querido Chris.
— Tenho uma pergunta.
— Fale, meu anjo – escutei Jack falar enquanto cortava um pedaço da salsicha empanada.
— Quem é o ativo e o passivo de vocês?
Paramos de comer e nos entreolhamos de novo.
— Não temos distinção disso na nossa relação, Ana – ele informou segurando minha mão sobre a mesa e trocamos sorrisos, um com outro.
— Então os dois comem o cu um do outro?
Nossos sorrisos morreram e apenas meu companheiro começou a rir da pergunta indiscreta da nossa visitante.
— Não fale de boca cheia.
— Você não é meu pai, ou minha mãe, ou sei lá o quê. Você não é nada meu então eu como do jeito que eu quiser.
— Gostei dela, amor.
— Jack! – o repreendi, emburrado.
— Admita querido, a Ana tem um senso de humor e tanto.
Rolei os olhos voltando a comer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário