quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Solicitação de Amizade - Capítulo 19


PHOENIX - JUNHO DE 2018

ANASTASIA

Assim que cheguei em casa, mandei uma mensagem para o Christian, avisando-o de que eu já tinha chegado do trabalho, depois fui tomar um banho rápido, para poder comer algo antes de ficar online no Facebook, pois hoje era meu aniversário e iríamos nos falar por chamada de vídeo.

Nosso namoro vivia tendo, nesses últimos meses, alguns altos e baixos. Christian brigava comigo por qualquer coisa, às vezes até sumia por um ou dois dias e depois voltava a falar comigo como se nada tivesse acontecido. Eu tentava deixar para lá, mas quase sempre eu ia dormir magoada ou chorando.

Depois de banhada, vesti um conjuntinho de dormir e desci para preparar um lanche rápido para mim, já que meus pais tinham saído hoje para jantar fora. Após comer um sanduíche e beber um pouco de suco, subi para o meu quarto.

Logo me sentei à escrivaninha e liguei o notebook, já entrando online no Facebook, vendo também Christian online, então mandei uma mensagem para ele, perguntando se eu já podia ligar e o mesmo mandou “Sim” em resposta. Assim que Christian atendeu, já notei sua cara de poucos amigos.

— Oi, amor. O que houve? Aconteceu algo no seu trabalho? – inquiri e ele negou com um aceno de cabeça.

Não aconteceu nada no meu trabalho. Só estava vendo aqui a foto que você postou no seu perfil e lendo os comentários de alguns dos seus “amigos” – Christian disse e eu suspirei.

Ele havia me mandado um lindo colar com um pingente de coração, que eu logo coloquei e tirei uma linda foto, postando hoje pela manhã no meu Facebook.
— Eles só estavam me parabenizando pelo meu aniversário, mozão. Até coloquei na legenda da foto “Um presente lindo do amor da minha vida. Obrigada, mozão. Te amo” e ainda te marquei na foto – ressaltei, mas ele continuou emburrado – Amor, não fica assim. Hoje é o meu niver, vamos comemorar e não brigar, ok?

Beleza.

Coloquei a mão no rosto e respirei fundo.

— Amor, por favor...

Eu estou irritado, Ana. Principalmente, pelo que a sua mãe disse no comentário do Fernando, falando “Você que seria o nosso genro dos sonhos”.

— Amor, você sabe que minha mãe quer que a gente termine e faz de tudo para te irritar. Não caia na dela.

Eu sei. Mas ele parece querer muito isso também. Não quero você perto dele.

— O Fernando é como se fosse o meu braço direito lá no trabalho, amor. Eu evito ele o máximo? Sim, mas não tem como eu não ficar perto dele.

Tem sim. Corte logo a amizade com esse filho da puta e demita ele.

— Amor, eu não posso fazer isso.

Tá bom, Ana. Você que sabe.

— Mozão, não fica com raiva de mim, por favor – supliquei, juntando as mãos, como se eu fosse orar.

Seu amiguinho é mais importante que o bem estar de nosso namoro.

Suspirei.

— Christian, não faz isso por favor.

Não tô fazendo nada.

— Está sim. Está me fazendo escolher entre o meu serviço e o nosso namoro, por causa de um ciúme bobo.

Ciúme bobo? – ele bufou, fechando mais a cara e cruzando os braços – Tá bom. Vou deixar ele a vontade então. Foi ele quem te deu aqueles chocolates caros que eu sei.

— Foi, porque hoje é o meu aniversário, Christian. Todos na empresa me deram presentes, mas você só soube ver os chocolates caros do Fernando. Poxa, né?

Espero que ele tenha conseguido me substituir bem pelo menos.

— Christian, você já está me ofendendo falando desse jeito.

Eu não estou falando de sexo e sim de presença, já que eu não pude estar aí com você.

— Eu vou dormir, Christian.

Porque?

— Porque estou muito magoada por você achar essas coisas de mim.

Eu não achei nada, Ana.

— Eu realmente preciso ir, Christian – falei com a voz, já embargada.

Tá bom. Vai lá.

Encerrei a chamada de vídeo e fui me deitar, bastante triste, porque Christian simplesmente arruinou a nossa noite por causa do ciúmes dele.


★ ★ ★ ★ ★


A semana foi passando e como sempre, Christian sumiu por um dia, depois voltou a falar comigo, pedindo desculpa pelo ciúme dele e por ter estragado a nossa comemoração pelo meu aniversário, e mesmo ainda ressentida, eu o desculpei, porque eu o amava muito.

Hoje era quinta-feira e também o aniversário da Lauren, então a gente já tinha combinado de que iríamos sair depois do expediente para irmos jantarmos em um restaurante a fim de comemorarmos tanto o niver dela quanto o meu, já que eu os havia dispensado na terça, para ficar com o Christian.

Quando estava terminando de arrumar minhas coisas para me encontrar com o pessoal lá embaixo, meu celular tocou. Era Christian me ligando, então peguei minha bolsa e atendi a ligação à medida que eu saía da minha sala.
— Oi, amor.

Oi, vida. Meu dia foi puxado, por isso não te mandei mensagem, ok?

— Tudo bem, mozão – falei, trancando a porta da sala, já indo rumo ao elevador.

Ainda no trabalho?

— Sim, querido. Mas já estou saindo.

Não demore muito para chegar em casa, pois hoje quero te recompensar pelo seu aniversário. Vamos fazer sexo virtual a noite toda.

— Hoje eu tenho compromisso, amor.

Com quem?

— Com o pessoal do trabalho, lembra? Decidimos comemorar o meu aniversário e o da Lauren tudo hoje.

Suponho que o “Fê” vai está.

Respirei fundo, adentrando o elevador.

— Sim, Christian. Ele vai está lá.

Tá bom. Vocês vão aonde?

— Em um restaurante que abriu essa semana na cidade.

Certo. Bom divertimento pra você. Eu tô indo nessa.

— Obrigada.

Olha... Nada. Deixe para lá.

— Fale.

Não. Não é nada. Esquece. Tchau.

— Tchau, amor – falei, mas ele desligou antes que eu terminasse de me despedir.


★ ★ ★ ★ ★


Quando o pessoal deu uma folga na conversa, eu peguei o meu celular para dar uma olhada, pois quando estávamos à caminho do restaurante ele havia apitado. Tinha uma mensagem do Christian e uma notificação dele no Facebook. Optei por ver a mensagem, respondendo-a em seguida.


Ei? Se chegar cedo, o que
eu duvido, me mande uma
mensagem. Quero falar
sério com você.


Tudo bem, Christian.


Depois abri a notificação e vi que ele havia postado uma foto, fazendo uma cara triste e com a legenda “Alguma gatinha aí para vir passar a madrugada comigo aqui na lanchonete? Solidão é foda! Prometo comida por minha conta”.

Aquilo me deixou muito para baixo, principalmente ao ler as respostas que Christian dava para os comentários das mulheres.

— Desculpe, pessoal, mas acho que já vou embora – anunciei, conseguindo falar mesmo com o nó do choro entalado na minha garganta.

— Porque, Aninha? Ainda falta o bolo e a gente cantar o parabéns para você e para a Lauren – Fernando disse.

— Tô meio cansada – falei, forçando um sorriso, já me levantando da mesa, dando um “Tchau” rápido para eles e saindo do restaurante.


★ ★ ★ ★ ★


Quando me deitei, após ter chorado tudo que precisa chorar, sob o chuveiro, resolvi ver se Christian tinha postado mais alguma coisa. Ele se encontrava online também, e mesmo eu querendo muito falar com Christian, estava com medo de que o mesmo terminasse comigo. Mesmo assim, criei coragem e lhe mandei um “Oi”.


Oi.
Já chegou?


Sim.
Podemos conversar, se
você não estiver muito
ocupado aí.


De repente, ele me ligou em uma chamada de vídeo e eu recusei na hora.


Porque não me atendeu?


Porque não quero ter a imagem
de você terminando comigo.
Faça isso por mensagem mesmo.


Eu não vou terminar.
Me atenda, Ana.


Christian ligou novamente e eu atendi.

— Oi – murmurei.

Oi.

— Sobre o que quer conversar comigo? – indaguei, ajeitando-me melhor na cama.

O vi respirar fundo, então me preparei para o pior.

Ana, eu amo você. Muito mesmo. Mas tá difícil. Seu amigo vive marcando em cima e não tem como eu competir com isso. Ele está mais perto de você. Ele pode fazer mais por você do que eu. Além de que sua mãe adora ele.

— Que minha mãe se case com ele então. Eu quero você, só você, amor.

Mas isso é suficiente? Você me quer e eu te quero, mas é o suficiente? Eu não posso te abraçar. Não posso te beijar. O cara marca em cima a todo momento. Faz coisas por você que eu deveria fazer.

— Eu vou dar um jeito nisso, amor. Eu prometo.

Não sei, Ana. Eu acho que nem sou mais suficiente para você. Sua mãe estava certa.

— Mozão, não fala isso, por favor.

Eu sou apenas uma assombração em sua vida, que mal aparece duas vezes ao ano e atrapalho você.

— Não é não, amor.

Eu amo muito você. Vá dormir, eu preciso esfriar minha cabeça.

— Tudo bem. Te amo muito também. Por favor, não suma.

Boa noite, Ana.

— Boa noite, Christian.

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