quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Solicitação de Amizade - Capítulo 18


ANASTASIA

Após desligar, desci para jantar antes de ir banhar, pois depois eu queria vestir algo sexy para mandar uma foto bem provocante, só para o Christian ficar doidinho de tesão.

— Foi o Fernando que veio te deixar? – minha mãe perguntou quando eu adentrei a cozinha.

— Sim, mãe.

— Aconteceu alguma coisa com seu carro, filha? – meu pai inquiriu e eu assenti à medida que me sentava à mesa.

— Ele não quis ligar. Fiquei um tempo tentando fazer o bendito pegar e nada. Daí o Fernando apareceu e tentou também, já que ele deve saber mais de carro do que eu, mas também foi em vão. Ele então se ofereceu para me dar carona.

— E você nem para convidá-lo para jantar conosco em agradecimento, não é? Não te criei ingrata desse jeito não, Ana.

— Fernando estava com pressa para um encontro, mãe – menti e olhei para o meu pai – O senhor pode me deixar amanhã no serviço e aproveitar para dar uma olhada no meu carro, pai?

— Claro, filha. Eu vou com o guincho, qualquer coisa eu já reboco ele para a oficina.

— Ok, pai. Obrigada.

Não me demorei jantando, então minutos depois, voltei para o meu quarto, tomei um banho e coloquei uma roupa de dormir bem ousada da cor vermelha, que era a preferida do Christian. Tirei uma foto sexy e mandei para ele.
Esperei o mesmo responder algo, mas não o fez, então resolvi ligar para Christian.

— Oi, mozão.

Oi.

— Tô cheirosa que nem uma flor – falei, rindo – Ficou com saudade?

Na verdade, estou curioso.

— Curioso?

Porque mentiu para mim, sobre seu pai ter ido te buscar no trabalho, se foi o Fernando que te deu carona até sua casa?

Engoli em seco.

— Quem disse que eu peguei carona com o Fernando?

Sua mãe postou no Facebook, um pequeno texto falando o quanto estava aliviada por Fernando ter te dado uma carona, já que as cidades estão violentas e você precisa de proteção e etc. Porque mentiu sobre isso, Ana?

Suspirei profundamente.

— Porque você ficaria com raiva e a gente tá tão bem de novo, amor. Christian? Alô? Amor, você está aí ainda? – indaguei, quando passei a não ouvir mais nada do outro lado da linha, mas logo soube que o mesmo estava me ouvindo, só não queria me responder e nem falar comigo, pois em seguida encerrou a ligação na minha cara.


★ ★ ★ ★ ★


Acordei bem cedo no outro dia, e após me arrumar e tomar o meu café da manhã, saí com meu pai para o meu trabalho. O deixei no estacionamento, olhando o motor do Volvo e adentrei o prédio.
Enquanto esperava o elevador chegar, peguei o meu celular de dentro da bolsa e dei uma nova olhada em minha conversa com Christian no WhatsApp. O mesmo ainda não tinha visualizado, mas logo ele ficou online.

Esperei Christian responder o “Bom dia, amor” que eu havia lhe mandado de manhã cedo, mas ele não o fez, apenas visualizou minhas mensagens e ficou offline novamente. Suspirei, entrando no elevador, e resolvi lhe mandar mais uma mensagem, já vendo-o ficar online de novo.


Christian, porque você
está me ignorando?


Ainda pergunta?
Achei que soubesse a
resposta, mas...


Não. Não sei a resposta.


Vou trabalhar.
Tchau.


Respirei fundo à medida que eu digitava e enviava um “Tchau” para ele. Entretanto, segundos depois, quando eu adentrava a minha sala, meu celular vibrou com uma nova mensagem de Christian.


Uma pergunta...
Hoje a noite você vai
para algum lugar?


Não que eu saiba.
Porque?


Pensei que fosse sair
com o Fernando.


Eu não vou.
Porque eu sairia com ele,
se meu namorado é você?


Sei lá...


Ontem eu só peguei uma
carona. Mas não se preocupe
que da próxima vez, eu vou
para casa a pé mesmo.
Quer saber, vou trabalhar,
que ganho mais, Christian.
Tchau para você.


O silenciei no WhatsApp, a fim de não receber nenhuma notificação de mensagem do mesmo e comecei a trabalhar.


★ ★ ★ ★ ★


O dia passou tranquilo e eu consegui me concentrar totalmente no meu serviço e não em Christian.

— Então é isso, pessoal – falei, encerrando minha reunião com todos os diretores dos setores da empresa.

— Você foi show – sussurrou Fernando, sentado ao meu lado na ponta da mesa, pois o mesmo, quando recebi o cargo de Diretora Executiva Interina, ele recebeu o de Assessor Executivo, pois segundo Gerald, meu ex-chefe, eu precisaria de uma ajudinha extra.

— Obrigada – agradeci, já me levantando.

— Ana, você vai para a despedida do Gerald? – Lauren, Diretora do RH, perguntou à medida que nós saíamos da sala de reuniões.

— Não posso. Tenho compromisso com o meu namorado – menti, pois Christian já estava puto da vida pela carona ontem, imagina se eu saísse hoje para beber com meus amigos.

— Seu namorado não mora em Chicago? – Fernando indagou, olhando para mim.

— Ah, então ele está longe? – Lauren inquiriu.

— Sim, mas ele muito ciumento. É melhor eu não ir.

— Diz que tá em casa e que vai dormir. Seu namorado nem vai saber que você saiu com a gente, Ana.

— Isso mesmo, Fê. Aninha, ficar com o rabo preso por causa de macho é um saco, eu já passei por isso. Fui casada por 10 anos. Se ele é assim ciumento e controlador agora, amiga tenho um conselho para te dar – Bryanna, Diretora de Marketing, falou passando seu braço por sobre meus ombros – Não case. Largue o osso e corre para bem longe enquanto tem tempo, porque se ele não melhorar, isso só tende a piorar.

— Gente, o Christian é um amor de pessoa. Não é esse monstro aí não, ok? Eu vou com vocês, tudo bem?

Eles comemoraram, então fomos para nossas salas, pegamos nossas coisas e nos reunimos no estacionamento. Devido meu pai ter levado meu carro para a oficina, eu fui com uma das meninas, para não ter possibilidade de briga depois.


★ ★ ★ ★ ★


Era por volta de uma da manhã, quando cheguei em casa. Tínhamos ido para um bar perto do trabalho e ficado lá até agora, bebendo e conversando sobre os bons momentos na empresa que tivesse com o nosso antigo chefe.

Assim que entrei no meu quarto, conectei meu celular na tomada, pois o mesmo tinha descarregado. Enquanto ele pegava um pouco de carga, eu fui tomar um banho e colocar uma roupa de dormir. Depois me joguei na cama e fui ver se tinha alguma notícia do Christian, já vendo a enxurrada de mensagens dele.


Oi, amor.
Já chegou?
Oi??
👀
Aconteceu algo?
Amor?
Vida?
Liguei para a sua casa e seu pai
disse que você não chegou ainda.
Onde você está, Ana?
Quando chegar, me avise.
(Imagem: Anastasia na mesa com os amigos.
Fernando está do lado dela com o braço
por trás da Ana)
Você disse que não ia sair hoje à noite.
Casal bonito vocês dois.
Muito tempo juntos?
(Imagem: Print dos comentários do post)
“A melhor noite da minha vida...”
Bem sugestivo esse comentário dele.
(Imagem: Foto em grupo com Fernando
atrás da Anastasia “enlaçando” a cintura dela)
Hmmmm... Coladinho em você, né?
Achei lindo mesmo a foto.
Merece até um quadro.
Pela hora você deve está curtindo
muito em outro lugar.
Vou dormir.


Logo o respondi, um pouco chateada com as insinuações de Christian.


Oi, amor. Eu saí com o pessoal
do trabalho para a despedida
do meu antigo chefe que vai
viajar e ficamos bebendo um
pouco. E não, eu e o Fernando
não somos um casal.


BOM PRA VC!


Não precisa gritar não.
Christian?


Oi.


Suspirei profundamente e resolvi ligar para ele.

Oi.

— Oi, amor.

Que você quer? – Christian indagou, frio.

— Só queria ouvir sua voz.

Ata. Bom, você já ouviu. Pode desligar agora, pois estou meio ocupado.

— Não fica assim comigo não, por favor – pedi, triste.

E é para eu ficar como, Ana? Feliz? Pelas fotos e comentários que li no Facebook?

— Não tem nada demais nas fotos e nos comentários.

Ah beleza, então eu que tô louco e vi aquele filho da puta te abraçando coladinho?

— Não. E eu nem vi ele se aproximando de mim.

Uhum... Sei...

— Juro, amor. Eu estava conversando mais com as garotas que foram. Já sobre o comentário, e se o Fernando comentou aquilo só para fazer intriga entre a gente, hein? Você não deveria levar a sério isso.

E porque você não coloca esse verme no lugar dele. Ele é um idiota e quer porque quer separar a gente. Você também nem para sair de perto dele sai.

— Eu fico longe dele sim, Christian. Falo com o Fernando o mínimo possível lá no trabalho, porque eu sei que você não gosta dele, e mesmo você não estando aqui vendo, eu tenho consciência de que preciso ficar longe dele, ok?

Certo. Mas para ser sincero, é difícil confiar em você depois que mentiu para mim sobre a carona.

Aquilo foi a gota d’água para a minha paciência e psicológico aguentar.

— Então não confie mais, cacete! – gritei, antes de desligar o telefone na cara do Christian e abraçar o travesseiro, desabando no choro.

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