quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Solicitação de Amizade - Capítulo 17


PHOENIX - MARÇO DE 2018

ANASTASIA

Fazia uma semana que eu havia retornado de Chicago, apenas com a finalidade de pedir minha demissão, arrumar minhas coisas e vender o meu carro, pois Christian viria me buscar no Jeep dele, porque tinha mais espaço.

Todavia, nada saiu como planejei e não sei se essa mudança de planos foi boa ou ruim, só sabia que precisava contar ao Christian. Como se o mesmo soubesse que eu precisava falar com ele, Christian me ligou, então respirei fundo e o atendi.

— Oi, amor – falei, me sentando na beirada da cama.

Oi, minha vida. E aí, alguma novidade? Quando posso ir te buscar?

— Hã... Eu vou ficar mais algum tempinho aqui, amor.

O quê? Porque? – ele inquiriu, já um pouco bravo.

— Eu fui pedir demissão e o meu chefe me ofereceu uma proposta muito boa, amor. Meu salário vai aumentar e vou ganhar quase seis vezes mais do que eu ganho agora como secretária, porque vou ficar como Diretora Executiva (CEO) Interina, pois ele vai se afastar um pouco da empresa para cuidar da sua saúde.

Ok – Christian respondeu, e eu já notei seu tom de voz se tornar bem frio.

— Não fica assim, mozão. A gente precisa de dinheiro extra, amor.

Precisamos? Eu já disse que aqui você vai achar emprego fácil, fora que eu trabalho e minha mãe tem a lanchonete. Temos dinheiro, Ana. Não muito mais temos. Você viu como vivemos aqui, viu que estamos bem, não é o suficiente para você?

Suspirei triste.

— Mas tem a nossa futura casa, amor – ressaltei, tentando fazer ele entender minha decisão – Eu vou ganhar 16 mil por mês. Com esse dinheiro extra, sua mãe não vai precisar ficar devendo o banco por causa dos empréstimos para te ajudar a construir a nossa casa.

Tá bom. Faz o que você quiser aí. Eu vou estudar para a prova.

— Tudo bem, amor. Bom estudo para você.

Obrigado. Tchau.

— Eu... – parei subitamente de falar ao perceber que Christian havia encerrado a ligação – ...te amo – murmurei para o vazio do outro lado da linha, já me deitando na cama, chorando em silêncio.

Poucos minutos depois, o celular vibrou sobre o colchão. Era uma mensagem da mãe dele.


Minha filha, aconteceu algo?
O Christian não quis jantar
e está triste. Ele foi para a
lanchonete. Disse que ficaria
a madrugada lá.


Eu não vou poder ir mais
morar com vocês aí em Chicago.
Não por agora, Dona Grace.


Foi algo com seus pais?
Eles não permitiram?


Não, não.
Eu recebi uma proposta
de aumento de salário.


Que maravilha, filha!
Christian deveria ficar feliz
por você está crescendo...
mas ele só sabe lidar com
um sentimento por vez.


É o jeito dele de ficar feliz
por mim, Dona Grace. Isso
vai ser bom para gente no
futuro, eu vou guardar esse
dinheiro para ser o nosso
pezinho de meia.


Você e Christian vão
construir tudo juntos,
com a graça de Deus!


Amém.


Tenho que ir agora, vou
ajeitar a roupa dele para
o trabalho amanhã.
Tchau, minha filha.
Boa noite.


Tchau, Dona Grace.
Boa noite para a
senhora também.


Desliguei o telefone e fiquei novamente em companhia das minhas lágrimas até adormecer tempo depois.


★ ★ ★ ★ ★


Nem consegui dormir direito, me sentindo péssima, horrível, a pior namorada do mundo, por ter escolhido ficar mais alguns meses aqui. Eu queria largar tudo e ir logo para Chicago para deixar o Christian feliz de novo, mas eu tinha que pelo menos ficar mais um mês aqui para treinar poder alguém a fim de assumir o meu lugar como CEO.

Me encontrava chegando no trabalho quando escutei meu celular apitar, então terminei de estacionar o carro na minha vaga, abri a bolsa e o peguei, já vendo que era uma mensagem do Christian.


Parabéns pela sua
promoção. Desculpa
ter sido um idiota.
Te amo. Bom dia ❤️


Bom dia, mozão.
Tá tudo bem. 😘
Estou chegando no trabalho
agora, depois a gente se fala.


Bom trabalho.


Obrigada ❤️


Apenas sorri, contente, por ver que aparentemente ele não estava mais com tanta raiva de mim.


★ ★ ★ ★ ★


O dia foi passando e Christian parecia ter voltado a ser o cara amoroso de sempre, me mandando de vez em quando mensagens dizendo “Eu te amo” ou apenas o emoji de coração. Era por volta das sete da noite, quando finalizei meu trabalho no meu novo cargo, peguei minhas coisas e desci, rumo ao estacionamento.
Foram dez minutos tentando fazer aquele maldito carro funcionar e nada, até que Fernando, que vinha conversando ao telefone, parou para me socorrer. Todavia, nem ele conseguiu fazer nada.

— Que droga! Vou ter que ligar mesmo para o meu pai – resmunguei, já pegando o meu celular dentro da bolsa.

— Eu te levo, Ana – ouvi Fernando se oferecer e o encarei.

— Ah, não se preocupe, Fê. Meu pai precisa olhar o que tem de errado nesse Volvo.

— Já está de noite. Eu te dou carona hoje e amanhã você vem com seu pai e ele conserta seu carro com ajuda da luz do dia.

Assenti, não vendo outra alternativa, pois eu não tinha dinheiro para pagar um Uber e nem poderia ir a pé para casa, porque eram mais de 15 quilômetros de distância até lá, em cima de 12 centímetros de um salto nada confortável.


★ ★ ★ ★ ★


— Está entregue, Aninha – Fernando anunciou, sorrindo, à medida que parava sua Ferrari em frente da minha casa – E não se preocupe que os seguranças do prédio cuidam da garagem.

— Nem sei como te agradecer. Muito obrigada pela carona.

— Por nada e relaxe. Somos amigos, não é? Sempre que precisar eu ficarei feliz em poder te ajudar, Ana.

Sorri, já o vendo sair e vir abrir a porta para mim, acompanhando-me até a entrada. O agradeci novamente pela carona e adentrei em casa, já tirando meus sapatos e subindo para o meu quarto. Mal o adentrei, já ouvi meu celular começar a tocar.

Oi, amor.

Sorri bobamente ao ouvir a voz do Christian, do outro lado da linha.

— Oi, mozão – falei, me jogando na cama.

Está tudo bem? Já chegou em casa?

— Sim, chegou agora.

Agora? Porque? Aconteceu algo?

— Meu carro bugou no estacionamento e nada que eu fizesse, fez ele funcionar.

Eita, amor, e aí? O carro está aonde?

— Tive que deixar ele lá no trabalho mesmo.

Seu pai foi te buscar?

Hesitei um pouco em responder, pensando se falava a verdade ao Christian, mas tinha o fato dele odiar o Fernando, então optei por mentir, para ele não ficar com raiva de mim de novamente, já que estávamos bem de novo.

— Sim, amor.

Que bom. Você deve está cansada, né? Eu vou desligar para você descansar um pouco. Mais tarde a gente se fala.

— Ok, mozão. Eu vou banhar e comer algo. Quando eu terminar, te ligo para gente ficar conversando.

Ok, vida. Te amo.

— Também te amo – murmurei, já desligando.

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