segunda-feira, 3 de agosto de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 36


JAMIE

Depois que Dakota deixou as coisas dela comigo e foi dançar com o seu amiguinho Matthew, eu pedi licença para os pais do dito cujo e me dirigi até o bar, onde pedi um Whisky com gelo ao barman.

Fiquei ali, bebendo o meu drinque, apenas observando eles de longe, vendo Dak interagir com outro homem de forma tão solta, natural e feliz, totalmente ao contrário de como ela era comigo. Não demorou muito e logo Donatella Versace e sua filha Allegra se aproximaram de mim, puxando papo, me fazendo esquecer um pouco do meu ciúme pela Dakota.

A festa seguiu sem que eu e Dak nos encontrássemos mais. Ela dando atenção para o amiguinho dela, já eu conversando com outros estilistas e empresários, tanto que fechei parceria com o Sr. Giammetti, pois além de montar lojas mundiais, eu tinha também outros planos para minha marca.

Me encontrava sentado em um dos sofás, conversando com quatro modelos quando vi Dakota se aproximar. Já era por volta da meia-noite, então provavelmente ela estava vindo me avisar que iria embora com o amiguinho dela.

“Pelo menos, Dak teve a decência de vir fazer isso, ao invés de me largar aqui sem aviso” pensei, emburrado.

— Querido?

— Com licença, moças – murmurei, já me levantando e conduzindo Dakota para um pouco longe do sofá – Seu casaco e sua bolsa estão com o barman. Pedi que ele guardasse para mim. Seu amigo já vai?

— Não. Matt já foi com os pais dele.

— Ah... Está explicado o porquê de você ter lembrado da minha existência e de ter vindo falar comigo – falei de modo irônico, fazendo ela me encarar séria.

— Eu gostaria de ir embora, Jamie. Mas se você estiver ocupado, tudo bem.

— Não. Me dê um minuto – pedi, já me aproximando do sofá novamente – Moças, minha esposa está cansada então eu já vou embora. Foi um prazer conhecê-las e não esqueçam de mandar seus Books Fotográficos para o meu email.

As três assentiram então, educadamente, beijei o dorso da mão de cada uma, antes de me afastar e conduzir Dak até o bar, onde pegamos seu casaquinho e sua bolsa.

— Não vai se despedir do velho?

— Já me despedi do meu padrinho – ela informou à medida que nos dirigíamos para a entrada da residência.

No caminho paramos para conversar rapidamente com alguns convidados, já os dispensando depressa.

— Não precisava ter deixando suas acompanhantes por minha causa – ouvi Dakota dizer de modo baixo e sutil enquanto esperávamos o nosso motorista chegar com o carro.

A encarei de rabo de olho e depois voltei a olhar para frente.

— Minha acompanhante me deixou rodado essa noite para ficar grudada com o ex-namoradinho dela, toda sorridente e bobinha.

— Em primeiro lugar, sua acompanhante estava lhe esperando retornar do bar, mas parece que você preferiu outras companhias – ela rebateu – Em segundo lugar, eu não fiquei “toda sorridente e bobinha”. Já em terceiro lugar, eu só queria aproveitar o tempo que tinha com o Matt antes do meu melhor amigo voltar e sabe lá Deus quando eu ia ver ele de novo.

Bufei, resmungando baixo.

— Mas não se preocupe, querido. Da próxima vez, eu ficarei grudada em você. Só não sei se participarei da conversa, porque vocês estilistas parecem que tem uma linguagem própria para conversar.

Rolei os olhos ao sentir a ironia na voz da Dak, então graças a Deus o motorista chegou e nós entramos no carro.


★ ★ ★ ★ ★


Durante todo o trajeto até o hotel, permanecemos em silêncio e seguimos assim também dentro do elevador até chegarmos ao nosso quarto. Eu tinha pedido para Emily cuidar do Buddy e da Jujuba para nós e a mesma se encontrava ali sentada no chão, brincando com os mesmos, quando adentramos o lugar.

— Oi! E aí? Como foi a festa?

— Bastante solitária – resmunguei indo para o banheiro, tomar o meu banho enquanto Dakota se encontrava dando atenção para os cachorrinhos.

Minha mente estava a mil por hora. Ao pensar no jeito que a Dak era com o tal do Matt e o jeito que ela era comigo, vários pensamentos passaram pela minha cabeça à respeito deles dois, mas os deixei de lado e terminei o meu banho.

— Que horas vamos sair amanhã? – Dak perguntou quando retornei ao quarto, enrolado na toalha, notando que já tinha ido embora.

— Vou ver os horários do trem agora e daí eu te digo – falei, meio indiferente, indo me vestir.

Assim que me arrumei, peguei o celular e olhei os horários do trem que saía de Paris até Provins, a comuna francesa onde meus pais residiam.

— Podemos sair às 07:46hs da manhã e chega lá às 09:01hs. E voltar às 17:46hs da tarde e chegar aqui em Paris às 19:12hs da noite – falei.

— Por mim tudo bem.

Assenti e fui me deitar, mas Dakota havia colocado Buddy e Jujuba em cima da cama, já que ela se encontrava sentada na mesma. Assim que me aproximei do colchão, Buddy veio para o meu lado, me encarando e latindo como se tivesse possuído.

— Tenho medo de você não – rosnei, emburrado, e afastei o cachorrinho encapetado, já me deitando à medida que Dakota foi tomar o banho dela.

Liguei a televisão e Jujuba logo veio se aconchegar a mim, subindo nas minhas pernas, vindo se deitar em minha barriga, onde fiquei fazendo cafuné na cabecinha dela. Já o possuído se deitou perto da beirada do colchão e ficou olhando para a porta do banheiro, esperando a mãe dele sair. Minutos depois, Dak saiu já vestida com sua roupa de dormir e se deita ao meu lado com Buddy no seu colo, em silêncio e tão fria quanto antes.

“Que maravilha! Voltamos ao início de tudo” pensei, emburrado.

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