ANASTASIA
— Tem certeza que vai ficar bem, amor? – ouvi Christian perguntar, então abri os olhos, vendo-o ajoelhado ao lado do sofá, onde me encontrava deitada e ao qual eu tinha passado boa parte da noite – Eu posso faltar e ficar aqui com você, pandinha.
— Não precisa, Christian. Eu já estou um pouco melhor das costas – menti, dando um sorriso forçado.
Ele pareceu acreditar, pois se inclinou e me deu um selinho, já levantando minha blusa e beijando minha barriga em seguida. Christian falou um pouquinho com o Benjamin, depois se levantou.
— Qualquer coisa, me manda mensagem ou me liga, pandinha.
— Pode deixar – falei, o vendo já sair do apartamento.
Voltei a fechar os olhos e tentei dormir um pouco, mas a posição que antes não me incomodava, passou a incomodar muito, então me levantei do sofá e voltei para a cama, a fim de achar uma posição confortável, onde minhas costas parasse de doer, porém foi em vão.
Então, acabei decidindo mandar uma mensagem para a Lana, para puxar papo com ela e eu poder tirar meu foco daquela dor alucinante que me atingia.
Passaram alguns minutos e logo chegou a resposta dela.
Tô chegando na faculdade, mas
pode falar, miga. Está tudo bem
você, com o Ben e com o Christian?
Eita, amiga!
Já tomou algum remédio
para dor?
Amiga, eu estou entrando na
sala agora. É prova, então vou
desligar o celular. Mas liga para
o Christian e pedi para ele te
levar para o hospital.
Mandei um “Tudo bem” que a mesma nem chegou a visualizar, então depositei o telefone sobre a mesinha de cabeceira e fiquei deitada de lado, sem me mexer, chorando em silêncio, à medida que rezava mentalmente para que a dor passasse.
Infelizmente, a dor não passou, ficou ainda pior. Eu tinha uma certa tolerância para dor, mas aquela estava muito além do que eu conseguia suportar, principalmente quando as contrações, mesmo espaçadas, começaram a vir.
Entretanto, eu não queria atrapalhar o Christian em seu serviço, então só liguei para ele na hora do almoço, que eu sabia que o mesmo estaria mais desocupado.
— Oi, minha pandinha. Como você está?
— Vem me buscar... – choraminguei, soluçando.
— Amor, aconteceu alguma coisa? Você entrou em trabalho de parto? – Christian perguntou, já desesperado.
— Eu não aguento mais essa dor nas costas... Por favor, Moh... Vem me buscar... Rápido...
Antes de desligar, ele pediu que eu me arrumasse, pois ele já estava à caminho.
Christian chegou depois de uns vinte minutos e eu me encontrava terminando de colocar um vestido, pois havia ido tomar um banho rápido primeiro, antes de ir poder me arrumar.
— Ana? – ouvi ele me chamar, segundos antes do mesmo aparecer na porta do quarto.
Assim que Christian me viu, veio me abraçar, beijando minha testa com carinho.
— Está pronta, meu amor?
— Estou – falei, com a voz embargada.
— Eu vou pegar a pasta de documentos – ele comentou, indo até o armário.
— Depois pega a bolsa do Ben. Eu estou sentindo algumas contrações, mas não sei se são aquelas falsas – informei e Christian me olhou, assustado, já correndo para fora do nosso quarto.
Peguei a pasta, que o mesmo tinha esquecido de pegar, e fui para a sala, andando o mais devagar que eu podia, pois a cada pisada era uma fisgada que dava em minhas costas.
— Quase não acho a bolsa dele. Vamos, Ana. Rápido, mulher! – ele exclamou, eufórico, já na porta.
— Não me apressa. Doí quando eu ando.
Depois de ouvir aquilo, Christian passou a ser mais compreensível com meu estado e mesmo agitado, ficou do meu lado, me amparando e andando devagar junto comigo, até chegarmos ao carro dele.
— Como se sente, amor? – Christian indagou, dando-me um sorriso, ao qual retribui.
— Melhor da dor, mas muito angustiada.
Já me encontrava acomodada em um dos quartos da ala obstétrica do hospital e Christian estava sentado na beirada da cama, afagando carinhosamente minha barriga e meu quadril.
Assim que chegamos ao hospital, eu fui internada na emergência e, por telefone, o Dr. Flynn havia autorizado a administração de um remédio mais forte para aliviar a minha dor, porém que não chegasse a prejudicar o meu bebê em nada.
Todavia, assim que ele chegou ao hospital e me avaliou, vimos que a situação era mais complicada do que só uma dor nas costas. Eu estava com perda de líquido, então o Dr. Flynn logo nos informou que havia uma grande chance de que ele marcasse uma cesariana de emergência para mim.
Agora nos encontrávamos esperando o doutor, que tinha ido conversar com a pediatra sobre a possibilidade da cesárea, e não tardou para ele voltar, acompanhado da médica. Christian se levantou da cama e ficou em pé ao meu lado, segurando minha mão.
— Então, Dr. Flynn. O que decidiram? – ele indagou, tão apreensivo quanto eu.
— O volume de líquido amniótico restante dentro do útero está bem baixo, no limite do nível permitido e isso é muito perigoso para o filho de vocês, que pode vir a entrar em sofrimento fetal a qualquer momento.
Respirei fundo, fechando os olhos por alguns segundos, sentindo de repente, Christian apertar minha mão, fazendo-me abrir novamente os olhos e encarar os médicos.
— Eu e o Dr. Flynn conversamos e achamos melhor, e necessário, que o bebê termine de se desenvolver fora do útero – a pediatra continuou a falar – Então marcamos a sua cesárea para amanhã às quatro da tarde.
— Mas, se a qualquer momento, o Benjamin pode entrar em sofrimento fetal, porque não fazer hoje o parto? – perguntei, aflita.
Eu queria que tudo ocorresse bem e que Ben nascesse saudável e no tempo certo, mas se o meu corpo era uma bomba relógio perigosa para o meu filho, e que ele ficaria melhor em uma incubadora do que dentro de mim, eu queria que isso acontecesse o quanto antes.
— Infelizmente, só nesse horário que terá vaga no centro cirúrgico, Ana – o Dr. Flynn informou.
— Mas ficaremos monitorando o bebê a partir de agora até a hora que você será levada para o centro cirúrgico – a médica disse.
— Não está cedo demais para tirar o Benjamin? – Christian indagou, preocupado.
— Ana está com 34 semanas. O bebê vai nascer com baixo peso, mas não muito, por já está dentro do oitavo mês de gestação.
Eles conversaram conosco mais alguns minutos, depois nos deixaram a sós, com nossos pensamentos, medos e angústias. Não consegui evitar e acabei chorando em silêncio enquanto acariciava minha barriga e rezava para Deus.
— Vai dá tudo certo, minha pandinha. Não se preocupe. Temos que confiar em Deus – Christian falou, se sentando novamente na beirada da cama, segurando minha mão, já fechando os olhos e começando a rezar junto comigo.
UMA SEMANA DEPOIS
— Tem certeza que vai ficar bem, amor? – ouvi Christian perguntar, então abri os olhos, vendo-o ajoelhado ao lado do sofá, onde me encontrava deitada e ao qual eu tinha passado boa parte da noite – Eu posso faltar e ficar aqui com você, pandinha.
— Não precisa, Christian. Eu já estou um pouco melhor das costas – menti, dando um sorriso forçado.
Ele pareceu acreditar, pois se inclinou e me deu um selinho, já levantando minha blusa e beijando minha barriga em seguida. Christian falou um pouquinho com o Benjamin, depois se levantou.
— Pode deixar – falei, o vendo já sair do apartamento.
Voltei a fechar os olhos e tentei dormir um pouco, mas a posição que antes não me incomodava, passou a incomodar muito, então me levantei do sofá e voltei para a cama, a fim de achar uma posição confortável, onde minhas costas parasse de doer, porém foi em vão.
Então, acabei decidindo mandar uma mensagem para a Lana, para puxar papo com ela e eu poder tirar meu foco daquela dor alucinante que me atingia.
Tá ocupada?
Passaram alguns minutos e logo chegou a resposta dela.
Tô chegando na faculdade, mas
pode falar, miga. Está tudo bem
você, com o Ben e com o Christian?
Christian saiu quase agora para o
trabalho. O Ben está se mexendo
muito, o que está me causando
muita dor nas costas.
Eita, amiga!
Nem dormi essa noite.
😭😭
Já tomou algum remédio
para dor?
Sim.
Mas não deu certo e eu não
quero tomar demais para não
prejudicar o Benjamin.
Amiga, eu estou entrando na
sala agora. É prova, então vou
desligar o celular. Mas liga para
o Christian e pedi para ele te
levar para o hospital.
Mandei um “Tudo bem” que a mesma nem chegou a visualizar, então depositei o telefone sobre a mesinha de cabeceira e fiquei deitada de lado, sem me mexer, chorando em silêncio, à medida que rezava mentalmente para que a dor passasse.
★ ★ ★ ★ ★
Infelizmente, a dor não passou, ficou ainda pior. Eu tinha uma certa tolerância para dor, mas aquela estava muito além do que eu conseguia suportar, principalmente quando as contrações, mesmo espaçadas, começaram a vir.
Entretanto, eu não queria atrapalhar o Christian em seu serviço, então só liguei para ele na hora do almoço, que eu sabia que o mesmo estaria mais desocupado.
— Oi, minha pandinha. Como você está?
— Vem me buscar... – choraminguei, soluçando.
— Amor, aconteceu alguma coisa? Você entrou em trabalho de parto? – Christian perguntou, já desesperado.
— Eu não aguento mais essa dor nas costas... Por favor, Moh... Vem me buscar... Rápido...
Antes de desligar, ele pediu que eu me arrumasse, pois ele já estava à caminho.
★ ★ ★ ★ ★
Christian chegou depois de uns vinte minutos e eu me encontrava terminando de colocar um vestido, pois havia ido tomar um banho rápido primeiro, antes de ir poder me arrumar.
Assim que Christian me viu, veio me abraçar, beijando minha testa com carinho.
— Está pronta, meu amor?
— Estou – falei, com a voz embargada.
— Eu vou pegar a pasta de documentos – ele comentou, indo até o armário.
— Depois pega a bolsa do Ben. Eu estou sentindo algumas contrações, mas não sei se são aquelas falsas – informei e Christian me olhou, assustado, já correndo para fora do nosso quarto.
Peguei a pasta, que o mesmo tinha esquecido de pegar, e fui para a sala, andando o mais devagar que eu podia, pois a cada pisada era uma fisgada que dava em minhas costas.
— Quase não acho a bolsa dele. Vamos, Ana. Rápido, mulher! – ele exclamou, eufórico, já na porta.
— Não me apressa. Doí quando eu ando.
Depois de ouvir aquilo, Christian passou a ser mais compreensível com meu estado e mesmo agitado, ficou do meu lado, me amparando e andando devagar junto comigo, até chegarmos ao carro dele.
★ ★ ★ ★ ★
— Como se sente, amor? – Christian indagou, dando-me um sorriso, ao qual retribui.
— Melhor da dor, mas muito angustiada.
Já me encontrava acomodada em um dos quartos da ala obstétrica do hospital e Christian estava sentado na beirada da cama, afagando carinhosamente minha barriga e meu quadril.
Todavia, assim que ele chegou ao hospital e me avaliou, vimos que a situação era mais complicada do que só uma dor nas costas. Eu estava com perda de líquido, então o Dr. Flynn logo nos informou que havia uma grande chance de que ele marcasse uma cesariana de emergência para mim.
Agora nos encontrávamos esperando o doutor, que tinha ido conversar com a pediatra sobre a possibilidade da cesárea, e não tardou para ele voltar, acompanhado da médica. Christian se levantou da cama e ficou em pé ao meu lado, segurando minha mão.
— Então, Dr. Flynn. O que decidiram? – ele indagou, tão apreensivo quanto eu.
— O volume de líquido amniótico restante dentro do útero está bem baixo, no limite do nível permitido e isso é muito perigoso para o filho de vocês, que pode vir a entrar em sofrimento fetal a qualquer momento.
Respirei fundo, fechando os olhos por alguns segundos, sentindo de repente, Christian apertar minha mão, fazendo-me abrir novamente os olhos e encarar os médicos.
— Eu e o Dr. Flynn conversamos e achamos melhor, e necessário, que o bebê termine de se desenvolver fora do útero – a pediatra continuou a falar – Então marcamos a sua cesárea para amanhã às quatro da tarde.
— Mas, se a qualquer momento, o Benjamin pode entrar em sofrimento fetal, porque não fazer hoje o parto? – perguntei, aflita.
Eu queria que tudo ocorresse bem e que Ben nascesse saudável e no tempo certo, mas se o meu corpo era uma bomba relógio perigosa para o meu filho, e que ele ficaria melhor em uma incubadora do que dentro de mim, eu queria que isso acontecesse o quanto antes.
— Infelizmente, só nesse horário que terá vaga no centro cirúrgico, Ana – o Dr. Flynn informou.
— Mas ficaremos monitorando o bebê a partir de agora até a hora que você será levada para o centro cirúrgico – a médica disse.
— Não está cedo demais para tirar o Benjamin? – Christian indagou, preocupado.
— Ana está com 34 semanas. O bebê vai nascer com baixo peso, mas não muito, por já está dentro do oitavo mês de gestação.
Eles conversaram conosco mais alguns minutos, depois nos deixaram a sós, com nossos pensamentos, medos e angústias. Não consegui evitar e acabei chorando em silêncio enquanto acariciava minha barriga e rezava para Deus.
— Vai dá tudo certo, minha pandinha. Não se preocupe. Temos que confiar em Deus – Christian falou, se sentando novamente na beirada da cama, segurando minha mão, já fechando os olhos e começando a rezar junto comigo.

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