domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 26


ANASTASIA

UMA SEMANA DEPOIS

— Tem certeza que vai ficar bem, amor? – ouvi Christian perguntar, então abri os olhos, vendo-o ajoelhado ao lado do sofá, onde me encontrava deitada e ao qual eu tinha passado boa parte da noite – Eu posso faltar e ficar aqui com você, pandinha.

— Não precisa, Christian. Eu já estou um pouco melhor das costas – menti, dando um sorriso forçado.

Ele pareceu acreditar, pois se inclinou e me deu um selinho, já levantando minha blusa e beijando minha barriga em seguida. Christian falou um pouquinho com o Benjamin, depois se levantou.
— Qualquer coisa, me manda mensagem ou me liga, pandinha.

— Pode deixar – falei, o vendo já sair do apartamento.

Voltei a fechar os olhos e tentei dormir um pouco, mas a posição que antes não me incomodava, passou a incomodar muito, então me levantei do sofá e voltei para a cama, a fim de achar uma posição confortável, onde minhas costas parasse de doer, porém foi em vão.

Então, acabei decidindo mandar uma mensagem para a Lana, para puxar papo com ela e eu poder tirar meu foco daquela dor alucinante que me atingia.


Tá ocupada?


Passaram alguns minutos e logo chegou a resposta dela.


Tô chegando na faculdade, mas
pode falar, miga. Está tudo bem
você, com o Ben e com o Christian?


Christian saiu quase agora para o
trabalho. O Ben está se mexendo
muito, o que está me causando
muita dor nas costas.


Eita, amiga!


Nem dormi essa noite.
😭😭


Já tomou algum remédio
para dor?


Sim.
Mas não deu certo e eu não
quero tomar demais para não
prejudicar o Benjamin.


Amiga, eu estou entrando na
sala agora. É prova, então vou
desligar o celular. Mas liga para
o Christian e pedi para ele te
levar para o hospital.


Mandei um “Tudo bem” que a mesma nem chegou a visualizar, então depositei o telefone sobre a mesinha de cabeceira e fiquei deitada de lado, sem me mexer, chorando em silêncio, à medida que rezava mentalmente para que a dor passasse.


★ ★ ★ ★ ★


Infelizmente, a dor não passou, ficou ainda pior. Eu tinha uma certa tolerância para dor, mas aquela estava muito além do que eu conseguia suportar, principalmente quando as contrações, mesmo espaçadas, começaram a vir.

Entretanto, eu não queria atrapalhar o Christian em seu serviço, então só liguei para ele na hora do almoço, que eu sabia que o mesmo estaria mais desocupado.

Oi, minha pandinha. Como você está?

— Vem me buscar... – choraminguei, soluçando.

Amor, aconteceu alguma coisa? Você entrou em trabalho de parto? – Christian perguntou, já desesperado.

— Eu não aguento mais essa dor nas costas... Por favor, Moh... Vem me buscar... Rápido...

Antes de desligar, ele pediu que eu me arrumasse, pois ele já estava à caminho.


★ ★ ★ ★ ★


Christian chegou depois de uns vinte minutos e eu me encontrava terminando de colocar um vestido, pois havia ido tomar um banho rápido primeiro, antes de ir poder me arrumar.
— Ana? – ouvi ele me chamar, segundos antes do mesmo aparecer na porta do quarto.

Assim que Christian me viu, veio me abraçar, beijando minha testa com carinho.

— Está pronta, meu amor?

— Estou – falei, com a voz embargada.

— Eu vou pegar a pasta de documentos – ele comentou, indo até o armário.

— Depois pega a bolsa do Ben. Eu estou sentindo algumas contrações, mas não sei se são aquelas falsas – informei e Christian me olhou, assustado, já correndo para fora do nosso quarto.

Peguei a pasta, que o mesmo tinha esquecido de pegar, e fui para a sala, andando o mais devagar que eu podia, pois a cada pisada era uma fisgada que dava em minhas costas.

— Quase não acho a bolsa dele. Vamos, Ana. Rápido, mulher! – ele exclamou, eufórico, já na porta.

— Não me apressa. Doí quando eu ando.

Depois de ouvir aquilo, Christian passou a ser mais compreensível com meu estado e mesmo agitado, ficou do meu lado, me amparando e andando devagar junto comigo, até chegarmos ao carro dele.


★ ★ ★ ★ ★


— Como se sente, amor? – Christian indagou, dando-me um sorriso, ao qual retribui.

— Melhor da dor, mas muito angustiada.

Já me encontrava acomodada em um dos quartos da ala obstétrica do hospital e Christian estava sentado na beirada da cama, afagando carinhosamente minha barriga e meu quadril.
Assim que chegamos ao hospital, eu fui internada na emergência e, por telefone, o Dr. Flynn havia autorizado a administração de um remédio mais forte para aliviar a minha dor, porém que não chegasse a prejudicar o meu bebê em nada.

Todavia, assim que ele chegou ao hospital e me avaliou, vimos que a situação era mais complicada do que só uma dor nas costas. Eu estava com perda de líquido, então o Dr. Flynn logo nos informou que havia uma grande chance de que ele marcasse uma cesariana de emergência para mim.

Agora nos encontrávamos esperando o doutor, que tinha ido conversar com a pediatra sobre a possibilidade da cesárea, e não tardou para ele voltar, acompanhado da médica. Christian se levantou da cama e ficou em pé ao meu lado, segurando minha mão.

— Então, Dr. Flynn. O que decidiram? – ele indagou, tão apreensivo quanto eu.

— O volume de líquido amniótico restante dentro do útero está bem baixo, no limite do nível permitido e isso é muito perigoso para o filho de vocês, que pode vir a entrar em sofrimento fetal a qualquer momento.

Respirei fundo, fechando os olhos por alguns segundos, sentindo de repente, Christian apertar minha mão, fazendo-me abrir novamente os olhos e encarar os médicos.

— Eu e o Dr. Flynn conversamos e achamos melhor, e necessário, que o bebê termine de se desenvolver fora do útero – a pediatra continuou a falar – Então marcamos a sua cesárea para amanhã às quatro da tarde.

— Mas, se a qualquer momento, o Benjamin pode entrar em sofrimento fetal, porque não fazer hoje o parto? – perguntei, aflita.

Eu queria que tudo ocorresse bem e que Ben nascesse saudável e no tempo certo, mas se o meu corpo era uma bomba relógio perigosa para o meu filho, e que ele ficaria melhor em uma incubadora do que dentro de mim, eu queria que isso acontecesse o quanto antes.

— Infelizmente, só nesse horário que terá vaga no centro cirúrgico, Ana – o Dr. Flynn informou.

— Mas ficaremos monitorando o bebê a partir de agora até a hora que você será levada para o centro cirúrgico – a médica disse.

— Não está cedo demais para tirar o Benjamin? – Christian indagou, preocupado.

— Ana está com 34 semanas. O bebê vai nascer com baixo peso, mas não muito, por já está dentro do oitavo mês de gestação.

Eles conversaram conosco mais alguns minutos, depois nos deixaram a sós, com nossos pensamentos, medos e angústias. Não consegui evitar e acabei chorando em silêncio enquanto acariciava minha barriga e rezava para Deus.

— Vai dá tudo certo, minha pandinha. Não se preocupe. Temos que confiar em Deus – Christian falou, se sentando novamente na beirada da cama, segurando minha mão, já fechando os olhos e começando a rezar junto comigo.

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