domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 25


ANASTASIA

CINCO DIAS DEPOIS

— Por favor, me diz o que a sua mãe está aprontando, Christian? – perguntei, pela milésima vez, enquanto nos aproximávamos da casa dos meus sogros.

— Não é nada demais, amor. Relaxa. Tenho certeza de que você vai gostar.

— Me diz para eu já ir me preparando, por favor.

— Não. Minha mãe me mataria se eu te contasse – ele disse, parando o carro em frente a casa.

Olhei para Christian com um olhar de súplica, mas não funcionou, e o mesmo só me deu um selinho, sorrindo de um jeito maroto, antes de sair do veículo. Então, respirei fundo e o segui.

Grace abriu a porta, com um enorme sorriso no rosto, já mandando que eu fechasse os olhos. Mesmo com medo, pressentindo que algo de ruim aconteceria, eu o fiz, e logo me senti sendo conduzida até que me fizeram parar.

Escutei alguns sussurros de vozes bem conhecidas, identificando-as como sendo de alguns membros da família Grey.

Christian então me mandou abrir os olhos e assim que o fiz, me deparei tanto com a família dele quanto com membros da minha própria família, ali parados na grande sala de estar dos Grey.

— Surpresa! – todos disseram ao mesmo tempo.

Meus lábios se entreabriram um pouco à medida que meu olhar passeava pela sala, que se encontrava toda decorada com balões em vários tons de verde.

Havia também uma mesa grande com um bolo, alguns cupcakes e lembrancinhas, e com o nome “Chá de Bebê” escrito em bandeirinhas.
O nome “Benjamin” em letras grandes e brancas jazia na parede atrás do mesa e ao lado da mesma, tinha um grande berço verde com o nome “Presentes” também escrito em  bandeirinhas.

Meu olhar então vagou pelos rostos dos presentes e todos me encaravam fixamente.

“Não olhem para mim! Não olhem para mim!” eu gritava em pensamento à medida que já sentia a sensação de sufocamento crescer em meu peito.

De repente, percebi que havia começado a respirar profundamente e rápido demais, à procura de mais ar.

— Amor, você está bem? – ouvi Christian dizer ao longe.

“Não! Eu não estou bem! Me tira daqui, por favor!” gritei internamente, pois eu tentei falar, mas não conseguia emitir nenhum som com a boca.

Meu queixo começou a tremer, como se tivesse com frio, e eu podia sentir que minhas mãos se encontravam muito trêmulas e úmidas. Alguém tentou me segurar, mas finalmente meu corpo reagiu e eu recuei com medo.

— Ana?

Comecei a andar para trás até que me virei e andei apressada para a porta, tentando abri-la, mas a mesma estava fechada e isso me desesperou totalmente, então comecei a chorar, implorando que abrissem ela.

Logo as risadas se iniciaram, fazendo-me tapar os ouvidos, fechar os olhos e me encostar na parede ao lado da porta, de frente para ela, encostando minha testa na mesma.

— Por favor... parem de rir... parem... por favor... – eu sussurrei ofegante, meio soluçando, então mãos me puxaram e braços me envolveram, me fazendo recostar a um corpo.

— Ei, minha pandinha. Ninguém está rindo de você não – Christian disse, afagando minhas costas enquanto aos poucos as risadas iam sumindo e eu passei a identificar as vozes perto de nós.

Ouvia as pessoas perguntarem se eu estava bem à medida que escutava os pais de Christian e os meus, conversando sobre algo. O meu choro logo cessou, mas eu ainda continuava com a respiração muito ofegante e meu corpo bastante trêmulo.

— Ela toma algum remédio para isso? – Christian perguntou, comigo ainda agarrado a ele, com o rosto afundado contra a curva do seu pescoço.

— Anastasia nunca quis ir a um psiquiatra para curar esse negócio dela. Parece até que ela gosta de ter esses ataques de pânico, só para chamar atenção – minha mãe falou.

— Agora não é hora de ficar condenando a sua filha, Carla. Leve ela para o seu quarto, meu filho. Vou fazer um chá de valeriana com camomila, que eu tenho plantada ali no quintal. É bom para controlar o estresse e a ansiedade.

— Ok, mãe.

Christian saiu me conduzindo para o quarto dele, mas para chegarmos até lá teríamos que passar pela sala, então permaneci com a cabeça abaixada, morrendo de vergonha, e me odiando por ter me deixado passar por um mico daquele.

“Agora todos vão achar que eu sou louca. Vão rir de mim e fazer piadinhas. Ou pior, vão me olhar com pena” pensei, triste.

Christian parou quando Elliot se aproximou de nós, já perguntou se eu me encontrava bem e o que tinha acontecido.

— Ela só ficou um pouco nervosa com a surpresa. Ana precisa descansar um pouco, primo. Nós já voltamos.

Voltamos a andar até que adentramos o quarto dele. Christian me fez sentar na beirada da cama e logo se agachou a minha frente, mas eu permaneci com o olhar baixo e não o encarei.

— Ei, amor? Eu quero que você inspire, segure o ar e depois expire bem devagar. Assim... – ele disse, me fazendo olhá-lo e ver o mesmo inspirar profundamente para depois expirar bem lento.

Christian ficou inspirando e expirando junto comigo, e aos poucos minha respiração foi voltando ao normal. De repente, Grace abriu a porta, trazendo consigo uma xícara de chá e me deu, fazendo-me notar que o tremor em minhas mãos havia quase cessado também.

— Eu vou dispensar o pessoal, filho – ouvi ela dizer baixinho enquanto eu bebia lentamente o chá, que estava meio morno.

— Não, Dona Grace. O chá de bebê pode continuar como a senhora deve ter organizado. Desculpe pelo constrangimento que causei na senhora.

— Tudo bem, filha. Acho que me empolguei um pouco com isso.

— Eu gostei muito da decoração e tudo mais. Eu só não gosto de ser o centro das atenções.

— Ela tem um trauma muito forte disso, mãe. Posso contar à ela, amor?

Assenti, então Christian contou sobre a origem dos meus ataques de pânico. Grace olhou para o filho depois para mim, assustada, antes de se aproximar da cama e sentar ao meu lado.

— Ah, me desculpe, filha. Eu não sabia disso. Se soubesse não teria organizado esse chá surpresa para você. Me perdoe, por favor.

— Está tudo bem, Dona Grace. Já estou melhor. Seu chá me ajudou muito. Obrigada.

— De nada, minha filha – ela murmurou, me abraçando de lado, beijando a lateral da minha testa.

— Acho que já consigo encarar os convidados, depois do mico que passei na frente deles – comentei, dando um meio sorriso – Eu só não queria participar das brincadeiras que a senhora possa ter montado para a festa, tudo bem?

— Não se preocupe, filha. Christian é que irá fazer todas as brincadeiras.

— Eu? Porque?

— Porque esse chá de bebê acabou de virar “Chá de bebê para zoar com o futuro papai” – Grace falou, sorrindo, à medida que Christian fazia uma careta, depois ela me encarou, pegando em minha mão – Mas eu gostaria que você fizesse uma coisinha para mim.

— Que coisinha?

— Eu contratei uma moça que faz aquelas pinturas lindas nas barrigas das gestantes, sabe? Daí eu queria ver a sua pintada também, para podermos tirar umas fotos.

— Ai, Dona Grace... Eu morro de vergonha das minhas estrias, mas contanto que seja uma pintura que pegue toda a barriga e as laterais, eu não vejo problema nenhum.

— Ok, filha – ela murmurou, me abraçando novamente, toda contente, depois saiu do quarto, levando consigo a xícara de chá.

Minutos depois, Grace apareceu com duas moças e logo me apresentou, sendo uma delas a artista e a outra a assistente. A mulher então perguntou se eu tinha algum desenho em mente e acabei negando.

Foi a mãe de Christian que acabou escolhendo o que seria pintado e a mesma ia me trazendo mais chá à medida que as duas mulheres pintavam a minha barriga. Enquanto isso, Christian foi interagir com os convidados.


★ ★ ★ ★ ★


— Prontinho, mamãe. Terminamos – disse a artista, sorrindo para mim.

Ela me mandou olhar no espelho para eu ver se tinha ficado bom, então me levantei da cadeira e fui até o espelho de corpo inteiro, existente no quarto.

— Caraca! – exclamei ao ver o meu reflexo.
— Ficou show, amor! – ouvi Christian dizer e olhei para o lado, vendo-o na porta do quarto.

Imediatamente comecei a rir, pois ele se encontrava todo maquiado, mas de um jeito bem engraçado e desajeitado.

— E você está um arraso.

Agradeci as mulheres e elas logo saíram do quarto. Christian então entrou, já se aproximando de mim, dando-me um selinho.

— Está mais calma, minha pandinha?

— Estou. O chá da sua mãe me ajudou bastante.

— Mamãe e suas plantas. Ela é uma bruxa, sabia não, amor? – ele indagou, rindo.

— Credo, Christian. Fala assim da sua mãe não. Ela é um amor de pessoa, ao contrário da minha, que vou ter que aturar nessa festa.

— Seus pais não estou mais aí não, pandinha. Só a sua tia-avó e o seu irmão, que aliás, vamos logo, porque preciso dar a revanche nele na próxima brincadeira, que vai ser “Quem bebe mais rápido as mamadeiras de suco”.

Sorri, o vendo empolgado com aquilo, e assenti, já respirando fundo, o acompanhando para fora do quarto.

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