ANASTASIA
Eu não havia conseguido dormir a noite, só sabia rezar para Deus para que Ele me permitisse ter o Benjamin ao meu lado, vivo, pois com certeza eu não aguentaria perder outro filho de novo.
Christian passou a noite toda ao meu lado, mas pela manhã a mãe dele assumiu o seu lugar, como minha companhia, para que o mesmo pudesse ir em casa, a fim de poder trocar de roupa e descansar um pouco, antes da cirurgia.
Como havia dito a pediatra, eu fiquei sendo monitorada até às três e meia da tarde, quando finalmente fui encaminhada para o centro cirúrgico. Durante toda a cesárea, Christian ficou sentando em um banco ao lado da minha cabeça, conversando comigo, me acalmando.
Assim que a pediatra informou que Benjamin havia nascido, ficamos felizes, mas não conseguimos ouvir o chorinho dele e isso me deixou muito preocupada. Todavia, a doutora nos tranquilizou dizendo que estava tudo bem com ele, que o mesmo apenas tinha nascido um pouco cansadinho.
Christian logo foi chamado para cortar o cordão umbilical, depois retornou, muito emocionado, para o meu lado. Vê-lo chorar, fez com que meus olhos ficassem marejados também, principalmente quando a médica se aproximou com o Ben no colo e me mostrou ele.
Foi uma olhada rápida, pois ela o iria colocar na incubadora para que Benjamin pudesse receber oxigênio imediatamente, mas foi o suficiente para me tranquilizar um pouco.
— Nosso pequeno é muito lindo – comentei, com a voz embargada, encarando Christian, que sorriu e secou as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
— É porque o Ben puxou para o paizão dele aqui – ele disse, fazendo-me sorrir.
— Bobo.
— Esse garotão mede 44,8 centímetros e pesa... 02 quilos e 903 gramas – ouvimos a pediatra dizer, minutos antes de levarem ele da sala, na incubadora.
Logo após a cirurgia, fui conduzida para a sala de recuperação, para poder me recuperar de anestesia. Christian não pode ficar comigo, então quando me deram um remédio para dor, eu acabei adormecendo.
Quando acordei, já me encontrava novamente no quarto, com Christian sentado na poltrona ao lado da cama.
— Oi, minha pandinha linda. Como você está? – ele perguntou, vindo se sentar na beirada da cama, pegando minha mão.
— Com dor, mas nada que eu não consiga suportar, Moh.
Ele sorriu.
— Não quer que eu chame a enfermeira?
— Não, não. Estou bem. Mas, me conta. Como está o Benjamin? – indaguei, um pouco preocupada.
— Ele está bem, meu amor. Já fui vê-lo na UTI-Neonatal e conversei com a doutora. Ela disse que o nosso pequeno está bem e saudável, mesmo tendo nascido de 34 semanas.
— Mas o Ben não tinha nascido cansadinho e precisava de oxigênio?
— Sim, amor. Ele ficou algumas horas no oxigênio, mas depois dos exames, a pediatra transferiu o Benjamin para o Berçário. Ele vai passar a noite lá em observação e amanhã de manhã, vão trazer o nosso filhote para o quarto, para ficar pertinho da mãe dele.
— Estou tão feliz, Christian – murmurei, sorrindo.
— E eu muito mais. Já fui até a capela do hospital e agradeci a Deus e a Jesus por terem nos mandando um cupido muito lindo.
— Cupido?
Vi Christian rir.
— Nosso filho, Ana. Ele foi o nosso cupido, sabia não? Por causa dele, nos separamos e isso me mostrou o quão eu senti falta de você na minha vida e o quão eu precisava de você comigo para sempre. Por causa dele, voltamos a ficar juntos, nos casamos e teremos a chance de construir nossa família.
Sorri.
— Nós já somos.
— Eu te amo, pandinha – Christian disse, se inclinando um pouco me dando um beijo.
— Também te amo, doidinho.
— Agora volte a dormir, para poder está mais descansada para amanhã.
Assenti, sorrindo, já ansiosa para que a noite passasse rápido e eu pudesse ver e pegar meu filho no colo.
Me encontrava concentrada na frente do notebook, escrevendo, quando escutei os sons mais lindos do mundo. A risada dos meus filhos e do Christian.
Um ano após eu ter tido o Benjamin, fiquei grávida novamente e para a nossa surpresa, Deus nos presenteou com duas meninas lindas. Hoje, Ben estava com sete anos, já Kalyne e Letícia se encontravam com seis aninhos.
— Como foi o passeio, meus amores? – indaguei, assim que os vi adentrarem a cozinha.
— Demais, mamãe! – as crianças exclamaram ao mesmo tempo, vindo correndo até a mesa da copa, da qual eu me levantava.
— Olha, mamãe! O papai disse que vou ficar igual ao Harry Potter! – disse Benjamin, já me mostrando o pequeno corte, levemente inchado, em sua testa.
Encarei Christian, que se aproximava, depois olhei para o Ben novamente.
— Seu pai é um doido, meu filho. Não acredite em tudo que ele diz – comentei, já ouvindo Christian rir.
— Relaxa, amor. Foi só um corte superficial. Uma boa limpada e um band-aid resolve – ele falou, vindo me abraçar, dando-me um selinho, antes de chamar nossos filhos para irem banhar.
— Ah, não... – eles reclamaram, em uníssono.
— Ei, meus fedorentozinhos. Vão com o papai banhar, porque a mamãe fez bolo de caneca para o lanche da tarde, mas só vai comer aquele que tiver banhado e ficado cheiroso.
Depois de ouvirem aquilo, Benjamin, Letícia e Kalyne saíram puxando e empurrando Christian para ir logo, pois estavam com muita fome. Não consegui evitar de rir da cena e suspirar feliz por ter uma família linda.
Depois que você vira mãe, sua vida muda completamente e a minha mudou. Assim que as meninas completaram um ano, eu voltei a trabalhar no hospital, em minha antiga função. Meus sogros nos ajudavam, ficando com os meninos enquanto íamos para o serviço.
Devido nós dois estarem trabalhando, conseguimos comprar uma casa grande e com muito espaço para as crianças brincarem, saindo assim da casa dos meus sogros, ao qual eu e Christian tínhamos nos mudado, assim que havíamos descoberto a gravidez das gêmeas.
Também comecei a me tratar, me consultando com a psicóloga do hospital, que logo me encaminhou a um amigo psiquiatra dela, a fim de que eu pudesse tomar alguns remédios que diminuiria a minha ansiedade e evitaria minhas crises de pânico.
Em meu tempo livre, eu me dividia entre ser mãe, esposa e escritora amadora, pois havia começado, anos atrás, a escrever um livro sobre eu e o Christian, onde contaria sobre como a nossa louca amizade virou gradativamente um louco amor, com lindos frutos.
Aos poucos, durante esses anos, eu tinha conseguido adiantar bem o livro, e graças a Deus, o estava finalizando hoje.
— ...E eles foram felizes para sempre... – falei, mas parei de digitar e balancei a cabeça em negação – Não. Que final mais tosco esse. Acho que vou colocar... E eles seguiram a vida juntos, entre brigas bobas, risadas infantis e muito amor.
Terminei de digitar a frase final do meu livro e sorri, achando aquele fim estranho, porém bem original e mais verídico do que o fantasioso “Felizes para sempre” que o povo nos forçam a acreditar.
— Agora, vou arrumar a mesa para o lanche dos meus pequenos – murmurei, fechando o notebook e sorrindo, orgulhosa de mim mesma.
— Dormiram? – Christian perguntou, assim que entrei no nosso quarto, após eu ter ido colocar as crianças para dormir.
— Sim, amor – falei, já subindo na cama, indo me aconchegar a ele, que assistia televisão – Moh?
— Oi, minha pandinha – ele disse, olhando para mim.
— Preciso te contar uma coisa.
— Está grávida? – Christian indagou, já com um mega sorriso nos lábios.
— Não, amor. Mas você vai ficar feliz com essa notícia também, pelo menos seus pais ficaram.
— Ah, então quer dizer que eu sou o último a saber das coisas, né? – ele perguntou, fazendo um bico emburrado, mas eu sabia que era só fingimento.
— Nós vamos casar – anunciei e Christian franziu o cenho, confuso.
— Pandinha, a gente já é casado a um bom tempo... Peraí... Você quer casar no religioso?
Assenti com a cabeça.
— Com direito a aliança e tudo. Mas nada de aliança cara, porque ainda estamos pagando a nossa casa, ok?
— Isso é sério mesmo, pandinha?
— Sim, amor. Sua mãe disse que vai cuidar de tudo e eu já até dei carta branca a ela para a mesma preparar nosso casamento do jeitinho que ela sempre sonhou que iria ser o do filho dela.
— Mas, amor, a regra do casamento é que ele tem que ser no gosto da noiva e não da sogra.
— A noiva aqui gosta de quebrar regras – falei, fazendo Christian rir, já me abraçando e me dando um beijo gostoso.
— Eu te amo, Ana.
— Não mais do que eu te amo.
Eu não havia conseguido dormir a noite, só sabia rezar para Deus para que Ele me permitisse ter o Benjamin ao meu lado, vivo, pois com certeza eu não aguentaria perder outro filho de novo.
Christian passou a noite toda ao meu lado, mas pela manhã a mãe dele assumiu o seu lugar, como minha companhia, para que o mesmo pudesse ir em casa, a fim de poder trocar de roupa e descansar um pouco, antes da cirurgia.
Como havia dito a pediatra, eu fiquei sendo monitorada até às três e meia da tarde, quando finalmente fui encaminhada para o centro cirúrgico. Durante toda a cesárea, Christian ficou sentando em um banco ao lado da minha cabeça, conversando comigo, me acalmando.
Assim que a pediatra informou que Benjamin havia nascido, ficamos felizes, mas não conseguimos ouvir o chorinho dele e isso me deixou muito preocupada. Todavia, a doutora nos tranquilizou dizendo que estava tudo bem com ele, que o mesmo apenas tinha nascido um pouco cansadinho.
Christian logo foi chamado para cortar o cordão umbilical, depois retornou, muito emocionado, para o meu lado. Vê-lo chorar, fez com que meus olhos ficassem marejados também, principalmente quando a médica se aproximou com o Ben no colo e me mostrou ele.
Foi uma olhada rápida, pois ela o iria colocar na incubadora para que Benjamin pudesse receber oxigênio imediatamente, mas foi o suficiente para me tranquilizar um pouco.
— Nosso pequeno é muito lindo – comentei, com a voz embargada, encarando Christian, que sorriu e secou as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
— É porque o Ben puxou para o paizão dele aqui – ele disse, fazendo-me sorrir.
— Bobo.
— Esse garotão mede 44,8 centímetros e pesa... 02 quilos e 903 gramas – ouvimos a pediatra dizer, minutos antes de levarem ele da sala, na incubadora.
Logo após a cirurgia, fui conduzida para a sala de recuperação, para poder me recuperar de anestesia. Christian não pode ficar comigo, então quando me deram um remédio para dor, eu acabei adormecendo.
★ ★ ★ ★ ★
Quando acordei, já me encontrava novamente no quarto, com Christian sentado na poltrona ao lado da cama.
— Oi, minha pandinha linda. Como você está? – ele perguntou, vindo se sentar na beirada da cama, pegando minha mão.
— Com dor, mas nada que eu não consiga suportar, Moh.
Ele sorriu.
— Não quer que eu chame a enfermeira?
— Não, não. Estou bem. Mas, me conta. Como está o Benjamin? – indaguei, um pouco preocupada.
— Ele está bem, meu amor. Já fui vê-lo na UTI-Neonatal e conversei com a doutora. Ela disse que o nosso pequeno está bem e saudável, mesmo tendo nascido de 34 semanas.
— Mas o Ben não tinha nascido cansadinho e precisava de oxigênio?
— Sim, amor. Ele ficou algumas horas no oxigênio, mas depois dos exames, a pediatra transferiu o Benjamin para o Berçário. Ele vai passar a noite lá em observação e amanhã de manhã, vão trazer o nosso filhote para o quarto, para ficar pertinho da mãe dele.
— Estou tão feliz, Christian – murmurei, sorrindo.
— E eu muito mais. Já fui até a capela do hospital e agradeci a Deus e a Jesus por terem nos mandando um cupido muito lindo.
— Cupido?
Vi Christian rir.
— Nosso filho, Ana. Ele foi o nosso cupido, sabia não? Por causa dele, nos separamos e isso me mostrou o quão eu senti falta de você na minha vida e o quão eu precisava de você comigo para sempre. Por causa dele, voltamos a ficar juntos, nos casamos e teremos a chance de construir nossa família.
Sorri.
— Nós já somos.
— Eu te amo, pandinha – Christian disse, se inclinando um pouco me dando um beijo.
— Também te amo, doidinho.
— Agora volte a dormir, para poder está mais descansada para amanhã.
Assenti, sorrindo, já ansiosa para que a noite passasse rápido e eu pudesse ver e pegar meu filho no colo.
★ ★ ★ ★ ★
SETE ANOS DEPOIS
Me encontrava concentrada na frente do notebook, escrevendo, quando escutei os sons mais lindos do mundo. A risada dos meus filhos e do Christian.
Um ano após eu ter tido o Benjamin, fiquei grávida novamente e para a nossa surpresa, Deus nos presenteou com duas meninas lindas. Hoje, Ben estava com sete anos, já Kalyne e Letícia se encontravam com seis aninhos.
— Como foi o passeio, meus amores? – indaguei, assim que os vi adentrarem a cozinha.
— Demais, mamãe! – as crianças exclamaram ao mesmo tempo, vindo correndo até a mesa da copa, da qual eu me levantava.
— Olha, mamãe! O papai disse que vou ficar igual ao Harry Potter! – disse Benjamin, já me mostrando o pequeno corte, levemente inchado, em sua testa.
Encarei Christian, que se aproximava, depois olhei para o Ben novamente.
— Seu pai é um doido, meu filho. Não acredite em tudo que ele diz – comentei, já ouvindo Christian rir.
— Relaxa, amor. Foi só um corte superficial. Uma boa limpada e um band-aid resolve – ele falou, vindo me abraçar, dando-me um selinho, antes de chamar nossos filhos para irem banhar.
— Ah, não... – eles reclamaram, em uníssono.
— Ei, meus fedorentozinhos. Vão com o papai banhar, porque a mamãe fez bolo de caneca para o lanche da tarde, mas só vai comer aquele que tiver banhado e ficado cheiroso.
Depois de ouvirem aquilo, Benjamin, Letícia e Kalyne saíram puxando e empurrando Christian para ir logo, pois estavam com muita fome. Não consegui evitar de rir da cena e suspirar feliz por ter uma família linda.
Depois que você vira mãe, sua vida muda completamente e a minha mudou. Assim que as meninas completaram um ano, eu voltei a trabalhar no hospital, em minha antiga função. Meus sogros nos ajudavam, ficando com os meninos enquanto íamos para o serviço.
Devido nós dois estarem trabalhando, conseguimos comprar uma casa grande e com muito espaço para as crianças brincarem, saindo assim da casa dos meus sogros, ao qual eu e Christian tínhamos nos mudado, assim que havíamos descoberto a gravidez das gêmeas.
Em meu tempo livre, eu me dividia entre ser mãe, esposa e escritora amadora, pois havia começado, anos atrás, a escrever um livro sobre eu e o Christian, onde contaria sobre como a nossa louca amizade virou gradativamente um louco amor, com lindos frutos.
Aos poucos, durante esses anos, eu tinha conseguido adiantar bem o livro, e graças a Deus, o estava finalizando hoje.
— ...E eles foram felizes para sempre... – falei, mas parei de digitar e balancei a cabeça em negação – Não. Que final mais tosco esse. Acho que vou colocar... E eles seguiram a vida juntos, entre brigas bobas, risadas infantis e muito amor.
Terminei de digitar a frase final do meu livro e sorri, achando aquele fim estranho, porém bem original e mais verídico do que o fantasioso “Felizes para sempre” que o povo nos forçam a acreditar.
— Agora, vou arrumar a mesa para o lanche dos meus pequenos – murmurei, fechando o notebook e sorrindo, orgulhosa de mim mesma.
★ ★ ★ ★ ★
— Dormiram? – Christian perguntou, assim que entrei no nosso quarto, após eu ter ido colocar as crianças para dormir.
— Sim, amor – falei, já subindo na cama, indo me aconchegar a ele, que assistia televisão – Moh?
— Oi, minha pandinha – ele disse, olhando para mim.
— Preciso te contar uma coisa.
— Está grávida? – Christian indagou, já com um mega sorriso nos lábios.
— Não, amor. Mas você vai ficar feliz com essa notícia também, pelo menos seus pais ficaram.
— Ah, então quer dizer que eu sou o último a saber das coisas, né? – ele perguntou, fazendo um bico emburrado, mas eu sabia que era só fingimento.
— Nós vamos casar – anunciei e Christian franziu o cenho, confuso.
— Pandinha, a gente já é casado a um bom tempo... Peraí... Você quer casar no religioso?
Assenti com a cabeça.
— Com direito a aliança e tudo. Mas nada de aliança cara, porque ainda estamos pagando a nossa casa, ok?
— Isso é sério mesmo, pandinha?
— Sim, amor. Sua mãe disse que vai cuidar de tudo e eu já até dei carta branca a ela para a mesma preparar nosso casamento do jeitinho que ela sempre sonhou que iria ser o do filho dela.
— Mas, amor, a regra do casamento é que ele tem que ser no gosto da noiva e não da sogra.
— A noiva aqui gosta de quebrar regras – falei, fazendo Christian rir, já me abraçando e me dando um beijo gostoso.
— Eu te amo, Ana.
— Não mais do que eu te amo.

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