domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 27


ANASTASIA

Eu não havia conseguido dormir a noite, só sabia rezar para Deus para que Ele me permitisse ter o Benjamin ao meu lado, vivo, pois com certeza eu não aguentaria perder outro filho de novo.

Christian passou a noite toda ao meu lado, mas pela manhã a mãe dele assumiu o seu lugar, como minha companhia, para que o mesmo pudesse ir em casa, a fim de poder trocar de roupa e descansar um pouco, antes da cirurgia.

Como havia dito a pediatra, eu fiquei sendo monitorada até às três e meia da tarde, quando finalmente fui encaminhada para o centro cirúrgico. Durante toda a cesárea, Christian ficou sentando em um banco ao lado da minha cabeça, conversando comigo, me acalmando.

Assim que a pediatra informou que Benjamin havia nascido, ficamos felizes, mas não conseguimos ouvir o chorinho dele e isso me deixou muito preocupada. Todavia, a doutora nos tranquilizou dizendo que estava tudo bem com ele, que o mesmo apenas tinha nascido um pouco cansadinho.

Christian logo foi chamado para cortar o cordão umbilical, depois retornou, muito emocionado, para o meu lado. Vê-lo chorar, fez com que meus olhos ficassem marejados também, principalmente quando a médica se aproximou com o Ben no colo e me mostrou ele.

Foi uma olhada rápida, pois ela o iria colocar na incubadora para que Benjamin pudesse receber oxigênio imediatamente, mas foi o suficiente para me tranquilizar um pouco.

— Nosso pequeno é muito lindo – comentei, com a voz embargada, encarando Christian, que sorriu e secou as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

— É porque o Ben puxou para o paizão dele aqui – ele disse, fazendo-me sorrir.

— Bobo.

— Esse garotão mede 44,8 centímetros e pesa... 02 quilos e 903 gramas – ouvimos a pediatra dizer, minutos antes de levarem ele da sala, na incubadora.

Logo após a cirurgia, fui conduzida para a sala de recuperação, para poder me recuperar de anestesia. Christian não pode ficar comigo, então quando me deram um remédio para dor, eu acabei adormecendo.


★ ★ ★ ★ ★


Quando acordei, já me encontrava novamente no quarto, com Christian sentado na poltrona ao lado da cama.

— Oi, minha pandinha linda. Como você está? – ele perguntou, vindo se sentar na beirada da cama, pegando minha mão.

— Com dor, mas nada que eu não consiga suportar, Moh.

Ele sorriu.

— Não quer que eu chame a enfermeira?

— Não, não. Estou bem. Mas, me conta. Como está o Benjamin? – indaguei, um pouco preocupada.

— Ele está bem, meu amor. Já fui vê-lo na UTI-Neonatal e conversei com a doutora. Ela disse que o nosso pequeno está bem e saudável, mesmo tendo nascido de 34 semanas.

— Mas o Ben não tinha nascido cansadinho e precisava de oxigênio?

— Sim, amor. Ele ficou algumas horas no oxigênio, mas depois dos exames, a pediatra transferiu o Benjamin para o Berçário. Ele vai passar a noite lá em observação e amanhã de manhã, vão trazer o nosso filhote para o quarto, para ficar pertinho da mãe dele.

— Estou tão feliz, Christian – murmurei, sorrindo.

— E eu muito mais. Já fui até a capela do hospital e agradeci a Deus e a Jesus por terem nos mandando um cupido muito lindo.

— Cupido?

Vi Christian rir.

— Nosso filho, Ana. Ele foi o nosso cupido, sabia não? Por causa dele, nos separamos e isso me mostrou o quão eu senti falta de você na minha vida e o quão eu precisava de você comigo para sempre. Por causa dele, voltamos a ficar juntos, nos casamos e teremos a chance de construir nossa família.

Sorri.

— Nós já somos.

— Eu te amo, pandinha – Christian disse, se inclinando um pouco me dando um beijo.

— Também te amo, doidinho.

— Agora volte a dormir, para poder está mais descansada para amanhã.

Assenti, sorrindo, já ansiosa para que a noite passasse rápido e eu pudesse ver e pegar meu filho no colo.


★ ★ ★ ★ ★


SETE ANOS DEPOIS

Me encontrava concentrada na frente do notebook, escrevendo, quando escutei os sons mais lindos do mundo. A risada dos meus filhos e do Christian.

Um ano após eu ter tido o Benjamin, fiquei grávida novamente e para a nossa surpresa, Deus nos presenteou com duas meninas lindas. Hoje, Ben estava com sete anos, já Kalyne e Letícia se encontravam com seis aninhos.

— Como foi o passeio, meus amores? – indaguei, assim que os vi adentrarem a cozinha.

— Demais, mamãe! – as crianças exclamaram ao mesmo tempo, vindo correndo até a mesa da copa, da qual eu me levantava.

— Olha, mamãe! O papai disse que vou ficar igual ao Harry Potter! – disse Benjamin, já me mostrando o pequeno corte, levemente inchado, em sua testa.

Encarei Christian, que se aproximava, depois olhei para o Ben novamente.

— Seu pai é um doido, meu filho. Não acredite em tudo que ele diz – comentei, já ouvindo Christian rir.

— Relaxa, amor. Foi só um corte superficial. Uma boa limpada e um band-aid resolve – ele falou, vindo me abraçar, dando-me um selinho, antes de chamar nossos filhos para irem banhar.

— Ah, não... – eles reclamaram, em uníssono.

— Ei, meus fedorentozinhos. Vão com o papai banhar, porque a mamãe fez bolo de caneca para o lanche da tarde, mas só vai comer aquele que tiver banhado e ficado cheiroso.

Depois de ouvirem aquilo, Benjamin, Letícia e Kalyne saíram puxando e empurrando Christian para ir logo, pois estavam com muita fome. Não consegui evitar de rir da cena e suspirar feliz por ter uma família linda.

Depois que você vira mãe, sua vida muda completamente e a minha mudou. Assim que as meninas completaram um ano, eu voltei a trabalhar no hospital, em minha antiga função. Meus sogros nos ajudavam, ficando com os meninos enquanto íamos para o serviço.

Devido nós dois estarem trabalhando, conseguimos comprar uma casa grande e com muito espaço para as crianças brincarem, saindo assim da casa dos meus sogros, ao qual eu e Christian tínhamos nos mudado, assim que havíamos descoberto a gravidez das gêmeas.
Também comecei a me tratar, me consultando com a psicóloga do hospital, que logo me encaminhou a um amigo psiquiatra dela, a fim de que eu pudesse tomar alguns remédios que diminuiria a minha ansiedade e evitaria minhas crises de pânico.

Em meu tempo livre, eu me dividia entre ser mãe, esposa e escritora amadora, pois havia começado, anos atrás, a escrever um livro sobre eu e o Christian, onde contaria sobre como a nossa louca amizade virou gradativamente um louco amor, com lindos frutos.

Aos poucos, durante esses anos, eu tinha conseguido adiantar bem o livro, e graças a Deus, o estava finalizando hoje.

— ...E eles foram felizes para sempre... – falei, mas parei de digitar e balancei a cabeça em negação – Não. Que final mais tosco esse. Acho que vou colocar... E eles seguiram a vida juntos, entre brigas bobas, risadas infantis e muito amor.

Terminei de digitar a frase final do meu livro e sorri, achando aquele fim estranho, porém bem original e mais verídico do que o fantasioso “Felizes para sempre” que o povo nos forçam a acreditar.

— Agora, vou arrumar a mesa para o lanche dos meus pequenos – murmurei, fechando o notebook e sorrindo, orgulhosa de mim mesma.


★ ★ ★ ★ ★


— Dormiram? – Christian perguntou, assim que entrei no nosso quarto, após eu ter ido colocar as crianças para dormir.

— Sim, amor – falei, já subindo na cama, indo me aconchegar a ele, que assistia televisão – Moh?

— Oi, minha pandinha – ele disse, olhando para mim.

— Preciso te contar uma coisa.

— Está grávida? – Christian indagou, já com um mega sorriso nos lábios.

— Não, amor. Mas você vai ficar feliz com essa notícia também, pelo menos seus pais ficaram.

— Ah, então quer dizer que eu sou o último a saber das coisas, né? – ele perguntou, fazendo um bico emburrado, mas eu sabia que era só fingimento.

— Nós vamos casar – anunciei e Christian franziu o cenho, confuso.

— Pandinha, a gente já é casado a um bom tempo... Peraí... Você quer casar no religioso?

Assenti com a cabeça.

— Com direito a aliança e tudo. Mas nada de aliança cara, porque ainda estamos pagando a nossa casa, ok?

— Isso é sério mesmo, pandinha?

— Sim, amor. Sua mãe disse que vai cuidar de tudo e eu já até dei carta branca a ela para a mesma preparar nosso casamento do jeitinho que ela sempre sonhou que iria ser o do filho dela.

— Mas, amor, a regra do casamento é que ele tem que ser no gosto da noiva e não da sogra.

— A noiva aqui gosta de quebrar regras – falei, fazendo Christian rir, já me abraçando e me dando um beijo gostoso.

— Eu te amo, Ana.

— Não mais do que eu te amo.

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