domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 23


ANASTASIA

UMA SEMANA DEPOIS

O meu domingo começou um pouco dolorido, pois Benjamin havia se mexido muito durante a noite, só vindo a se aquietar quando já estava amanhecendo. Provavelmente, ele tinha sentido que o pai iria chegar hoje e ficou ansioso, igual a mãe dele.

Christian havia viajado para Calgary na sexta-feira à noite e voltaria hoje, por volta das onze da manhã. Eu me encontrava na casa dos pais dele, desde sua partida, e eu estava torcendo para que Christian chegasse logo, a fim de podermos voltar para o apartamento dele.

Não que a companhia de Grace e Carrick fossem desagradáveis, muito pelo contrário, eu gostava muito de ambos, os amava, porém me sentia como uma intrusa na casa. Muito mais tímida e constrangida de estar ali tirando a privacidade deles dois.

Me levantei da cama, então peguei minha necessaire e minha toalha, já saindo do quarto, rumo ao banheiro. Após me arrumar, fui para cozinha, já encontrando Grace preparando o café da manhã.
A cumprimentei, oferecendo logo ajuda, mas a mesma recusou e pediu que eu ficasse esperando o café sentada na mesa, já posta. Tanto Grace quanto Carrick, me mimaram muito nesse final de semana, principalmente com relação a comida, sempre me perguntando o que eu desejava comer.

Depois do café da manhã, não me ofereci para lavar a louça, pois eu levaria um “Não” novamente, como no dia anterior, então os avisei de que iria me deitar um pouco, devido o Ben se encontrar um pouco agitado e isso me causava muita dor na costa.

Tomei um dos analgésicos que o médico havia me receitado na última consulta e deitei na cama, já acariciando a barriga, conversando com Benjamin a fim de fazer o mesmo se acalmar mais.


★ ★ ★ ★ ★


Era por volta de onze da manhã quando acordei, então fui ao banheiro, depois segui para a cozinha, onde exalava um cheiro gostoso.

— Oi, Dona Grace – falei, indo até a geladeira para beber um pouco de água.

— Oi, filha. E aí, o pequeno se acalmou?

— Sim. Graças a Deus consegui recuperar o sono da noite. Ben deve tá com saudade do pai, por isso fica agitado desse jeito – comentei, fazendo ela sorrir.

— Isso significa que ele vai ser muito apegado ao Christian.

— Provavelmente – falei, rindo, à medida que eu terminava de lavar o copo que tinha usado – Sei que a senhora vai me mandar sentar no sofá, mas vou perguntar do mesmo jeito. Posso ajudar a senhora em algo?

— Agora vou precisar da sua ajuda sim, minha filha. Carrick já saiu para o aeroporto, então precisamos agilizar o almoço, porque estou um pouco atrasada.

— Christian já desembarcou? Ele não me mandou nenhuma mensagem, aquele safado! – exclamei e Grace riu.

— Ainda não chegou não. Mais cedo ele ligou para cá para avisar que o voo tinha atrasado meia hora e que ia chegar um pouquinho mais tarde do que o previsto.

— Ah, sim. Então... o que posso fazer? – indaguei, parando ao lado dela, em frente ao fogão.

Grace então me incumbiu de cortar todos os ingredientes que precisavam ser cortados, porém ela mandou que eu fizesse isso sentada à mesa, com os pés levantados e apoiados em uma outra cadeira para que minhas pernas não ficassem muito inchadas.


★ ★ ★ ★ ★


— Olha quem chegou! – escutei a voz de Carrick, tempo depois, então ergui o olhar, logo vendo os dois adentrarem a cozinha.

— Christian! – exclamei, largando rapidamente a faca, já me levantando e indo abraçá-lo, bem apertado.
— Oi, minha pandinha.

— Na próxima vez me leva junto com você, por favor? – pedi, contra seu ombro, com a voz um pouco embargada.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não – falei, me desvencilhando dele, encarando-o – Só que eu estava com muita saudade.

— Oh, pandinha! – Christian exclamou, beijando minha testa – Oi mãe. Como a senhora está? – ele indagou, indo até ela, dando-lhe um abraço à medida que eu retornava para a mesa, a fim de terminar de cortar as coisas.

— Vou bem, filho. Não, filha. Pode deixar isso aí que eu termino. Vão matar a saudade, que quando o almoço estiver pronto, eu chamo vocês.

— Tem certeza, Dona Grace?

— Tenho.

Então deixei a faca de lado e me aproximei de Christian.

— A gente está indo para o quarto, foder até as pernas ficar bambas – ele disse, me fazendo ficar com vergonha, sempre foi assim, desde que passei a ir na casa dos pais dele quando viramos melhores amigos.

— Você já vai levar essa menina para o mal caminho de novo, Christian?

— Mal caminho? Eu? Sou é um santo, pai.

— Santo? Você, filho? Então eu sou a cantora Madonna e seu pai é o Michael Jackson – Grace comentou, rindo, fazendo nós três rir também – Andem, meninos. Vão logo. Saiam da minha cozinha.

Christian passou o braço pelo meus ombros e nós dois saímos pelo corredor, já adentrando o quarto dele.

— Tô cansadão! – Christian exclamou, se jogando na cama, enquanto eu fechava a porta – Então quer dizer que a senhorita estava morrendo de saudade de mim, é?

Rolei os olhos, à medida que deitava ao lado dele, de ladinho, tentando não sorrir, mas foi em vão.

— Morrendo aí seria exagero demais, não é?

Ele me encarou, uns segundos, antes de se inclinar para frente, selando nos lábios, já aprofundando o beijo.

— Estava com saudade de te beijar – Christian confidenciou num sussurro, entre nossas bocas e sorriu, passando a mão pela lateral do meu rosto – Eu não posso te levar, minha pandinha, porque eu fico no hospital. Durmo lá, entende?

— Entendo – murmurei, meio triste.

— Mas sentir saudades é bom... porque sempre que eu voltar, vou poder ganhar um abraço gostoso como aquele que você me deu – ele disse e desceu sua mão para a minha barriga – E esse rapazinho? Se comportou?

— Ficou me chutando e mexendo muito, principalmente durante a noite. Tô com a costa dolorida por causa dessa agitação dele. Falei até para sua mãe que poderia ser que Ben estivesse com saudade de você e ansioso pela sua chegada.

Christian sorriu e se ajeitou na cama, ficando um pouco mais para baixo, antes de começar a falar com nosso filho enquanto não parava de acariciar a minha barriga. Benjamin começou a ficar agitado, como se estivesse alegre por ouvir a voz do pai, mas logo ele foi se acalmando de novo.

— Acho que ele dormiu – Christian sussurrou apontando para minha barriga, já voltando para seu antigo lugar, repousando a cabeça no travesseiro – E aí? Está nervosa para o casamento?

— Não estou nervosa não. É daqui a dois dias, né?

— Como assim você não lembra o dia que vamos nos casar? Estou magoado agora – ele falou, claramente fingindo uma cara de choque, então eu ri e o puxei para um beijo.

— Moh, entenda uma coisa. Eu sou o homem da relação quando se trata de lembrar datas. Sou péssima nisso. Você sempre vai ter que me lembrar dessas coisas.

Christian sorriu e acariciou minha bochecha.

— Acho tão bonitinho quando você me chama de “Moh” – ele comentou, me deixando um pouco envergonhada – Ei, não precisa ficar com vergonha não, pandinha.

Eu não disse nada, apenas me aconcheguei ao mesmo, que me abraçou.

— Meninos, vistam-se e venham comer. O almoço está pronto – escutamos a mãe de Christian dizer, do outro lado da porta, fazendo nós dois rir baixinho.

— Já vamos, mãe! – ele exclamou, mas ficamos mais alguns minutos, abraçados, antes de finalmente levantarmos da cama e irmos comer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário