ANASTASIA
Assim que o recepcionista do Hotel Days & Suites, aqui em Kearney, me deu a senha do Wifi, eu já me conectei e mandei uma mensagem para Christian, que aquela altura já devia estar muito preocupado, pois ontem tínhamos dormido em um hotel em Rawlins, Wyoming, que não possuía internet e acabamos não nos falando.
Entretanto, mal Christian visualizou a minha mensagem, ele já me ligou em seguida.
— Oi, Moh – falei enquanto saía para fora do hotel, ficando escorada ao lado das portas de vidro.
— “Moh” o cacete! Eu estou aqui morrendo de preocupação! – ele exclamou, com raiva.
— Se acalme, Christian. Ontem dormimos em um hotel sem Wifi, então não deu para eu te mandar mensagem.
— Vocês estão bem, né?
— Estamos sim, seu Sr. Preocupação. Eu só espero que, de ontem para hoje, você não tenha arrancado todos os cabelos da sua cabeça – comentei rindo, fazendo o mesmo rir também, quebrando assim a raiva dele.
— Saiba que a senhorita me deixou careca.
— Ui, delícia! Tenho uma tara enorme por homens carecas. Chega me sobe um fogo quando vejo um – sussurrei bem sexy e Christian deu uma gargalhada bem alta, do outro lado da linha.
— Você está longe dos seus pais, não é?
— Sim, porquê?
— Falando putaria no telefone, perto deles é que não ia ser, né Ana? – ele indagou, ainda rindo.
— Eu não falo putaria, seu chato. E antes que eu me esqueça... Feliz Natal para você e sua família.
— Feliz Natal para você também, minha faladora de putaria. Ou melhor, minha Disk-Sex particular.
— Ah, vá se lascar, Christian! – exclamei, meio emburrada, já desligando na cara dele, que parecia uma hiena rindo.
Entretanto, continuamos a conversar por mensagens até quase uma da manhã, quando finalmente conseguimos nos despedir um do outro para irmos dormir.
Chegamos em Kansas City, era por volta das onze da manhã, então usando o Google Maps do meu celular, conseguimos encontrar o endereço onde Ethan morava. O mesmo já se encontrava na varanda da casa, nos esperando, e assim que ele me viu, arregalou os olhos, surpreso.
— Pensei que fosse brincadeira da mãe, mas eu vou mesmo ser tio – Ethan murmurou se aproximando de mim, após abraçar nossos pais e brincar um pouco com a Lily, que não parava de latir e correr, feliz em vê-lo – Então, o pai é o Christian mesmo?
Assenti e ele começou a rir.
— Sério? Achei que ele fosse gay – Ethan murmurou à medida que entrávamos no carro – Por causa do jeito extremamente extrovertido dele, sabe?
— Olha o preconceito, Ethan. E daí se ele fosse ou não gay? Christian tem um pênis e dois testículos, então o mesmo pode muito bem engravidar quem ele quiser.
— E você foi a sortuda, né Aninha?
— Sortuda? Não sei que sorte têm em engravidar sem está estável financeiramente – ouvi minha mãe sussurrar um pouco alto, no banco de trás, ao lado do meu irmão.
Apenas rolei os olhos e me concentrei a prestar atenção no trânsito enquanto eu conduzia o carro para pegarmos a avenida principal.
Uma sensação de alívio e felicidade me invadiu, deixando-me com um sorriso nos lábios, assim que entramos em Seattle. Nesses três dias e meio de viagem, eu e Christian não havíamos conseguido falar um com outro. Entretanto, eu já tinha avisado à ele de que talvez a gente não se hospedasse em hotéis com Wifi durante a volta.
Minha ansiedade para reencontrar com o Christian, não era tanto pela saudade que sentia e sim porque eu queria saber logo sobre o hospital, se teríamos que casar ou não, para poder ter direito a vaga de internação. E eu estava torcendo para que a resposta fosse “Não”.
Assim que chegamos ao apartamento dos meus pais, peguei o meu celular e mandei uma mensagem para Christian.
Mal entrei no meu antigo quarto puxando a minha mala, senti o telefone vibrar. Era a resposta dele.
Beijos? Quem é você e o que
fez com a minha pandinha?
kkkkkkk brincadeira, amor.
Tô saindo agora daqui.
Já chego aí!
Apenas sorri e joguei o celular sobre a cama, então fui abri minha mala para pegar uma roupa limpa, minha necessaire e uma toalha. Depois segui rumo ao banheiro, pois eu precisava urgentemente de um banho.
Havia terminado de me vestir, quando escutei a voz do Christian, meio abafada, vinda de fora do quarto. Só deu tempo de fechar a mala e me aprumar, antes da porta ser aberta e eu ver Christian adentrar sorrateiramente.
— Porque está trancando a porta? – inquiri, já rindo.
— Porque eu vou te atacar – ele disse sorrindo, se aproximando de mim e me abraçando bem forte – Estava com saudade da minha pandinha.
— E eu do meu doidinho preferido.
— Então eu sou seu doidinho preferido, é? – Christian indagou se desvencilhando um pouco, porém mantendo seus braços quase em volta de mim.
— Quem foi que te iludiu desse jeito? – brinquei, fazendo o mesmo rir e segurar meu rosto entre suas mãos.
Mal começamos a nos beijar, eu o interrompi, rindo entre nossas bocas.
— Tem alguém aqui embaixo que está reclamando por atenção.
— Eu sei. Estou sentindo, com a minha barriga, ele chutando você aí – Christian comentou sorrindo também, então ele se agachou e eu levantei a bata colorida que eu usava – Oi, filhão. O papai já vinha falar com você. Não precisa chutar sua mamãe desse jeito não. Papai também estava com saudade de você, ouviu? – Christian deu um beijo em minha barriga, depois se levantou, me olhando – Ele parou?
— De chutar? Sim. Só estou sentindo ele se mexer um pouco. Deve estar caçando uma posição confortável para ficar. E aí? Me conta.
— Te conta o quê? – ele perguntou, se sentando na beirada da cama e eu fiz o mesmo.
— Sobre o hospital, Christian.
— Ah sim. Lembrei. Eu verifiquei isso na terça-feira e me informaram que a regra era aquela mesma. Apenas pais, filhos e cônjuges dos funcionários é que tem o direito às vagas de internação. Até falei que você fazia seu pré-natal lá no ambulatório, mas infelizmente é sem exceções.
— Tudo bem – falei, meio triste, e Christian segurou minha mão – Agora é vermos como é o casamento civil no...
— Não se preocupe, pandinha. Eu já fui atrás disso também e tenho até a data da cerimônia.
— Já? – indaguei, surpresa, fazendo ele rir e assentir com a cabeça.
— Foi um pouco difícil, porque normalmente entre o pedido de habilitação do casamento até a liberação para a cerimônia, demora em média 90 dias. Mas como não temos tudo isso de tempo, eu expliquei a situação para o oficial do cartório, e com um incentivo de 500 dólares da minha carteira, ele conseguiu agilizar as coisas e marcar a data da cerimônia para 23 de janeiro. Meus pais já aceitaram ser nossas testemunhas.
— Meu Deus, que homem eficiente!
— Eu sou demais mesmo, não é?
Acabamos rindo, então me inclinei um pouco, repousando minha cabeça em seu ombro, vendo Christian erguer nossas mãos, ainda entrelaçadas, e beijar o dorso da minha.
— Obrigada por cuidar dessas coisas para mim. Com certeza, eu não teria cabeça para ver tudo isso, assim em tão pouco tempo.
— Não precisa me agradecer, pandinha. Era o mínimo que eu poderia fazer, já que você está fazendo a maior parte disso tudo, que é gerar o nosso filho. Agora... vamos para nossa casa, futura Sra. Grey?
— Senhora não, porque eu não estou velha – comentei, me levantando, vendo ele rir.
— Só para te lembrar, você já está com 27 anos. Logo chega os 30.
— Sim, mas é 30 anos e não 50 – rebati à medida que Christian se levantava e ia pegar minha mala.
— De 30 para 50 é um pulo, pandinha.
Ergui a mão e mostrei o dedo do meio para ele, que riu mais ainda. Depois se aproximou de mim, passando o braço envolta dos meus ombros e beijou minha têmpora, sussurrando um “Também te amo, minha emburradinha” enquanto saiamos do quarto.
Assim que o recepcionista do Hotel Days & Suites, aqui em Kearney, me deu a senha do Wifi, eu já me conectei e mandei uma mensagem para Christian, que aquela altura já devia estar muito preocupado, pois ontem tínhamos dormido em um hotel em Rawlins, Wyoming, que não possuía internet e acabamos não nos falando.
— Oi, Moh – falei enquanto saía para fora do hotel, ficando escorada ao lado das portas de vidro.
— “Moh” o cacete! Eu estou aqui morrendo de preocupação! – ele exclamou, com raiva.
— Se acalme, Christian. Ontem dormimos em um hotel sem Wifi, então não deu para eu te mandar mensagem.
— Vocês estão bem, né?
— Estamos sim, seu Sr. Preocupação. Eu só espero que, de ontem para hoje, você não tenha arrancado todos os cabelos da sua cabeça – comentei rindo, fazendo o mesmo rir também, quebrando assim a raiva dele.
— Saiba que a senhorita me deixou careca.
— Ui, delícia! Tenho uma tara enorme por homens carecas. Chega me sobe um fogo quando vejo um – sussurrei bem sexy e Christian deu uma gargalhada bem alta, do outro lado da linha.
— Você está longe dos seus pais, não é?
— Sim, porquê?
— Falando putaria no telefone, perto deles é que não ia ser, né Ana? – ele indagou, ainda rindo.
— Eu não falo putaria, seu chato. E antes que eu me esqueça... Feliz Natal para você e sua família.
— Feliz Natal para você também, minha faladora de putaria. Ou melhor, minha Disk-Sex particular.
— Ah, vá se lascar, Christian! – exclamei, meio emburrada, já desligando na cara dele, que parecia uma hiena rindo.
Entretanto, continuamos a conversar por mensagens até quase uma da manhã, quando finalmente conseguimos nos despedir um do outro para irmos dormir.
★ ★ ★ ★ ★
NO DIA SEGUINTE
Chegamos em Kansas City, era por volta das onze da manhã, então usando o Google Maps do meu celular, conseguimos encontrar o endereço onde Ethan morava. O mesmo já se encontrava na varanda da casa, nos esperando, e assim que ele me viu, arregalou os olhos, surpreso.
Assenti e ele começou a rir.
— Sério? Achei que ele fosse gay – Ethan murmurou à medida que entrávamos no carro – Por causa do jeito extremamente extrovertido dele, sabe?
— Olha o preconceito, Ethan. E daí se ele fosse ou não gay? Christian tem um pênis e dois testículos, então o mesmo pode muito bem engravidar quem ele quiser.
— E você foi a sortuda, né Aninha?
— Sortuda? Não sei que sorte têm em engravidar sem está estável financeiramente – ouvi minha mãe sussurrar um pouco alto, no banco de trás, ao lado do meu irmão.
Apenas rolei os olhos e me concentrei a prestar atenção no trânsito enquanto eu conduzia o carro para pegarmos a avenida principal.
★ ★ ★ ★ ★
DIAS DEPOIS
Uma sensação de alívio e felicidade me invadiu, deixando-me com um sorriso nos lábios, assim que entramos em Seattle. Nesses três dias e meio de viagem, eu e Christian não havíamos conseguido falar um com outro. Entretanto, eu já tinha avisado à ele de que talvez a gente não se hospedasse em hotéis com Wifi durante a volta.
Minha ansiedade para reencontrar com o Christian, não era tanto pela saudade que sentia e sim porque eu queria saber logo sobre o hospital, se teríamos que casar ou não, para poder ter direito a vaga de internação. E eu estava torcendo para que a resposta fosse “Não”.
Assim que chegamos ao apartamento dos meus pais, peguei o meu celular e mandei uma mensagem para Christian.
Adivinha quem já chegou,
linda e bela, em Seattle?
Euzinha.kkkk Venha me
buscar assim que sair do
trabalho, Moh. Beijos
Mal entrei no meu antigo quarto puxando a minha mala, senti o telefone vibrar. Era a resposta dele.
Beijos? Quem é você e o que
fez com a minha pandinha?
kkkkkkk brincadeira, amor.
Tô saindo agora daqui.
Já chego aí!
Apenas sorri e joguei o celular sobre a cama, então fui abri minha mala para pegar uma roupa limpa, minha necessaire e uma toalha. Depois segui rumo ao banheiro, pois eu precisava urgentemente de um banho.
★ ★ ★ ★ ★
Havia terminado de me vestir, quando escutei a voz do Christian, meio abafada, vinda de fora do quarto. Só deu tempo de fechar a mala e me aprumar, antes da porta ser aberta e eu ver Christian adentrar sorrateiramente.
— Porque eu vou te atacar – ele disse sorrindo, se aproximando de mim e me abraçando bem forte – Estava com saudade da minha pandinha.
— E eu do meu doidinho preferido.
— Então eu sou seu doidinho preferido, é? – Christian indagou se desvencilhando um pouco, porém mantendo seus braços quase em volta de mim.
— Quem foi que te iludiu desse jeito? – brinquei, fazendo o mesmo rir e segurar meu rosto entre suas mãos.
Mal começamos a nos beijar, eu o interrompi, rindo entre nossas bocas.
— Tem alguém aqui embaixo que está reclamando por atenção.
— Eu sei. Estou sentindo, com a minha barriga, ele chutando você aí – Christian comentou sorrindo também, então ele se agachou e eu levantei a bata colorida que eu usava – Oi, filhão. O papai já vinha falar com você. Não precisa chutar sua mamãe desse jeito não. Papai também estava com saudade de você, ouviu? – Christian deu um beijo em minha barriga, depois se levantou, me olhando – Ele parou?
— De chutar? Sim. Só estou sentindo ele se mexer um pouco. Deve estar caçando uma posição confortável para ficar. E aí? Me conta.
— Te conta o quê? – ele perguntou, se sentando na beirada da cama e eu fiz o mesmo.
— Sobre o hospital, Christian.
— Ah sim. Lembrei. Eu verifiquei isso na terça-feira e me informaram que a regra era aquela mesma. Apenas pais, filhos e cônjuges dos funcionários é que tem o direito às vagas de internação. Até falei que você fazia seu pré-natal lá no ambulatório, mas infelizmente é sem exceções.
— Tudo bem – falei, meio triste, e Christian segurou minha mão – Agora é vermos como é o casamento civil no...
— Não se preocupe, pandinha. Eu já fui atrás disso também e tenho até a data da cerimônia.
— Já? – indaguei, surpresa, fazendo ele rir e assentir com a cabeça.
— Foi um pouco difícil, porque normalmente entre o pedido de habilitação do casamento até a liberação para a cerimônia, demora em média 90 dias. Mas como não temos tudo isso de tempo, eu expliquei a situação para o oficial do cartório, e com um incentivo de 500 dólares da minha carteira, ele conseguiu agilizar as coisas e marcar a data da cerimônia para 23 de janeiro. Meus pais já aceitaram ser nossas testemunhas.
— Meu Deus, que homem eficiente!
— Eu sou demais mesmo, não é?
Acabamos rindo, então me inclinei um pouco, repousando minha cabeça em seu ombro, vendo Christian erguer nossas mãos, ainda entrelaçadas, e beijar o dorso da minha.
— Obrigada por cuidar dessas coisas para mim. Com certeza, eu não teria cabeça para ver tudo isso, assim em tão pouco tempo.
— Não precisa me agradecer, pandinha. Era o mínimo que eu poderia fazer, já que você está fazendo a maior parte disso tudo, que é gerar o nosso filho. Agora... vamos para nossa casa, futura Sra. Grey?
— Senhora não, porque eu não estou velha – comentei, me levantando, vendo ele rir.
— Só para te lembrar, você já está com 27 anos. Logo chega os 30.
— Sim, mas é 30 anos e não 50 – rebati à medida que Christian se levantava e ia pegar minha mala.
— De 30 para 50 é um pulo, pandinha.
Ergui a mão e mostrei o dedo do meio para ele, que riu mais ainda. Depois se aproximou de mim, passando o braço envolta dos meus ombros e beijou minha têmpora, sussurrando um “Também te amo, minha emburradinha” enquanto saiamos do quarto.

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