domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 17


ANASTASIA

Assim que o recepcionista do Hotel Days & Suites, aqui em Kearney, me deu a senha do Wifi, eu já me conectei e mandei uma mensagem para Christian, que aquela altura já devia estar muito preocupado, pois ontem tínhamos dormido em um hotel em Rawlins, Wyoming, que não possuía internet e acabamos não nos falando.
Entretanto, mal Christian visualizou a minha mensagem, ele já me ligou em seguida.

— Oi, Moh – falei enquanto saía para fora do hotel, ficando escorada ao lado das portas de vidro.

“Moh” o cacete! Eu estou aqui morrendo de preocupação! – ele exclamou, com raiva.

— Se acalme, Christian. Ontem dormimos em um hotel sem Wifi, então não deu para eu te mandar mensagem.

Vocês estão bem, né?

— Estamos sim, seu Sr. Preocupação. Eu só espero que, de ontem para hoje, você não tenha arrancado todos os cabelos da sua cabeça – comentei rindo, fazendo o mesmo rir também, quebrando assim a raiva dele.

Saiba que a senhorita me deixou careca.

— Ui, delícia! Tenho uma tara enorme por homens carecas. Chega me sobe um fogo quando vejo um – sussurrei bem sexy e Christian deu uma gargalhada bem alta, do outro lado da linha.

Você está longe dos seus pais, não é?

— Sim, porquê?

Falando putaria no telefone, perto deles é que não ia ser, né Ana? – ele indagou, ainda rindo.

— Eu não falo putaria, seu chato. E antes que eu me esqueça... Feliz Natal para você e sua família.

Feliz Natal para você também, minha faladora de putaria. Ou melhor, minha Disk-Sex particular.

— Ah, vá se lascar, Christian! – exclamei, meio emburrada, já desligando na cara dele, que parecia uma hiena rindo.

Entretanto, continuamos a conversar por mensagens até quase uma da manhã, quando finalmente conseguimos nos despedir um do outro para irmos dormir.


★ ★ ★ ★ ★


NO DIA SEGUINTE

Chegamos em Kansas City, era por volta das onze da manhã, então usando o Google Maps do meu celular, conseguimos encontrar o endereço onde Ethan morava. O mesmo já se encontrava na varanda da casa, nos esperando, e assim que ele me viu, arregalou os olhos, surpreso.
— Pensei que fosse brincadeira da mãe, mas eu vou mesmo ser tio – Ethan murmurou se aproximando de mim, após abraçar nossos pais e brincar um pouco com a Lily, que não parava de latir e correr, feliz em vê-lo – Então, o pai é o Christian mesmo?

Assenti e ele começou a rir.

— Sério? Achei que ele fosse gay – Ethan murmurou à medida que entrávamos no carro – Por causa do jeito extremamente extrovertido dele, sabe?

— Olha o preconceito, Ethan. E daí se ele fosse ou não gay? Christian tem um pênis e dois testículos, então o mesmo pode muito bem engravidar quem ele quiser.

— E você foi a sortuda, né Aninha?

— Sortuda? Não sei que sorte têm em engravidar sem está estável financeiramente – ouvi minha mãe sussurrar um pouco alto, no banco de trás, ao lado do meu irmão.

Apenas rolei os olhos e me concentrei a prestar atenção no trânsito enquanto eu conduzia o carro para pegarmos a avenida principal.


★ ★ ★ ★ ★


DIAS DEPOIS

Uma sensação de alívio e felicidade me invadiu, deixando-me com um sorriso nos lábios, assim que entramos em Seattle. Nesses três dias e meio de viagem, eu e Christian não havíamos conseguido falar um com outro. Entretanto, eu já tinha avisado à ele de que talvez a gente não se hospedasse em hotéis com Wifi durante a volta.

Minha ansiedade para reencontrar com o Christian, não era tanto pela saudade que sentia e sim porque eu queria saber logo sobre o hospital, se teríamos que casar ou não, para poder ter direito a vaga de internação. E eu estava torcendo para que a resposta fosse “Não”.

Assim que chegamos ao apartamento dos meus pais, peguei o meu celular e mandei uma mensagem para Christian.


Adivinha quem já chegou,
linda e bela, em Seattle?
Euzinha.kkkk Venha me
buscar assim que sair do
trabalho, Moh. Beijos


Mal entrei no meu antigo quarto puxando a minha mala, senti o telefone vibrar. Era a resposta dele.


Beijos? Quem é você e o que
fez com a minha pandinha?
kkkkkkk brincadeira, amor.
Tô saindo agora daqui.
Já chego aí!


Apenas sorri e joguei o celular sobre a cama, então fui abri minha mala para pegar uma roupa limpa, minha necessaire e uma toalha. Depois segui rumo ao banheiro, pois eu precisava urgentemente de um banho.


★ ★ ★ ★ ★


Havia terminado de me vestir, quando escutei a voz do Christian, meio abafada, vinda de fora do quarto. Só deu tempo de fechar a mala e me aprumar, antes da porta ser aberta e eu ver Christian adentrar sorrateiramente.
— Porque está trancando a porta? – inquiri, já rindo.

— Porque eu vou te atacar – ele disse sorrindo, se aproximando de mim e me abraçando bem forte – Estava com saudade da minha pandinha.

— E eu do meu doidinho preferido.

— Então eu sou seu doidinho preferido, é? – Christian indagou se desvencilhando um pouco, porém mantendo seus braços quase em volta de mim.

— Quem foi que te iludiu desse jeito? – brinquei, fazendo o mesmo rir e segurar meu rosto entre suas mãos.

Mal começamos a nos beijar, eu o interrompi, rindo entre nossas bocas.

— Tem alguém aqui embaixo que está reclamando por atenção.

— Eu sei. Estou sentindo, com a minha barriga, ele chutando você aí – Christian comentou sorrindo também, então ele se agachou e eu levantei a bata colorida que eu usava – Oi, filhão. O papai já vinha falar com você. Não precisa chutar sua mamãe desse jeito não. Papai também estava com saudade de você, ouviu? – Christian deu um beijo em minha barriga, depois se levantou, me olhando – Ele parou?

— De chutar? Sim. Só estou sentindo ele se mexer um pouco. Deve estar caçando uma posição confortável para ficar. E aí? Me conta.

— Te conta o quê? – ele perguntou, se sentando na beirada da cama e eu fiz o mesmo.

— Sobre o hospital, Christian.

— Ah sim. Lembrei. Eu verifiquei isso na terça-feira e me informaram que a regra era aquela mesma. Apenas pais, filhos e cônjuges dos funcionários é que tem o direito às vagas de internação. Até falei que você fazia seu pré-natal lá no ambulatório, mas infelizmente é sem exceções.

— Tudo bem – falei, meio triste, e Christian segurou minha mão – Agora é vermos como é o casamento civil no...

— Não se preocupe, pandinha. Eu já fui atrás disso também e tenho até a data da cerimônia.

— Já? – indaguei, surpresa, fazendo ele rir e assentir com a cabeça.

— Foi um pouco difícil, porque normalmente entre o pedido de habilitação do casamento até a liberação para a cerimônia, demora em média 90 dias. Mas como não temos tudo isso de tempo, eu expliquei a situação para o oficial do cartório, e com um incentivo de 500 dólares da minha carteira, ele conseguiu agilizar as coisas e marcar a data da cerimônia para 23 de janeiro. Meus pais já aceitaram ser nossas testemunhas.

— Meu Deus, que homem eficiente!

— Eu sou demais mesmo, não é?

Acabamos rindo, então me inclinei um pouco, repousando minha cabeça em seu ombro, vendo Christian erguer nossas mãos, ainda entrelaçadas, e beijar o dorso da minha.

— Obrigada por cuidar dessas coisas para mim. Com certeza, eu não teria cabeça para ver tudo isso, assim em tão pouco tempo.

— Não precisa me agradecer, pandinha. Era o mínimo que eu poderia fazer, já que você está fazendo a maior parte disso tudo, que é gerar o nosso filho. Agora... vamos para nossa casa, futura Sra. Grey?

— Senhora não, porque eu não estou velha – comentei, me levantando, vendo ele rir.

— Só para te lembrar, você já está com 27 anos. Logo chega os 30.

— Sim, mas é 30 anos e não 50 – rebati à medida que Christian se levantava e ia pegar minha mala.

— De 30 para 50 é um pulo, pandinha.

Ergui a mão e mostrei o dedo do meio para ele, que riu mais ainda. Depois se aproximou de mim, passando o braço envolta dos meus ombros e beijou minha têmpora, sussurrando um “Também te amo, minha emburradinha” enquanto saiamos do quarto.

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