domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 18


ANASTASIA

— Christian – sussurrei tocando no ombro dele, mas o mesmo não acordou, então o chamei novamente, agora o sacudindo de leve.

— Humm... – ouvi ele resmungar, ainda de olhos fechados.

— Christian, acorda, por favor.

— O que foi? Está sentindo alguma coisa? – ele inquiriu, meio sonolento, já se sentando, ligando o abajur e se virando para mim.

— Não. Só estou com desejo de comer pizza com morango.

— É sério? Me diz que você não me acordou de madrugada para isso, Ana? – Christian indagou, fechando a cara.

— Vai comprar, por favor – pedi à medida que o via se deitar de novo, virando de costas para mim e desligando o abajur – Christian? Por favor! Eu estou com desejo.

— Volta a dormir que o desejo passa. Te garanto.

— Eu preciso comer agora. Vai lá comprar a pizza e os morangos. Por favor!

Ele me olhou por sobre o ombro, me fuzilando com certeza, pois estava meio escuro e eu não conseguia ver a expressão dele.

— Você nem gosta de morangos.

— Mas eu quero comer. Agora, Christian! – exclamei, começando a ficar com raiva também.

— Oh meu saco! – ele resmungou, bufando, já se levantando da cama com movimentos bruscos e indo se vestir, saindo do quarto em seguida.


★ ★ ★ ★ ★


Christian demorou um pouco para voltar para casa e até comecei a ficar meio preocupada, mas logo ele chegou, abrindo a porta, carregando uma sacola de supermercado. Fiquei muito feliz quando Christian me entregou e eu vi a caixa de pizza e duas bandejas de morango, ali dentro.

— Quer me ajudar? – perguntei, quando o vi se afastar.

— Eu já fui comprar essa desgraça, agora me deixa dormir, porque tenho que trabalhar mais tarde – ele disse, bem ranzinza, então o chamei e o mesmo se virou, me olhando mortalmente – O que foi agora?

Me aproximei dele e lhe dei um selinho.

— Obrigada.

— “Obrigada” nada! Você está me devendo, isso sim. Agora eu vou voltar a dormir. Não morra de tanto comer.

Apenas sorri, assentindo, já vendo-o adentrar o quarto.


★ ★ ★ ★ ★


NO DIA SEGUINTE

Ontem passei o dia sozinha, pois Christian teve que ir trabalhar em pleno sábado. Todavia, ele só tinha ido porque Elliot iria lhe dar folga amanhã, dia primeiro, para podermos ir no almoço na casa dos pais do Christian.

Sem contar com o jantar de hoje à noite, ao qual estávamos tentando chegar, mas achar uma vaga perto da casa para estacionar estava um pouco difícil. Entretanto, depois de quase dez minutos procurando, conseguimos, então Christian estacionou o carro e saímos.

— Minha sapatilha saiu atrás. Arruma para mim, por favor – pedi à ele, que logo parou, se agachando e arrumando a parte de trás dos meus sapatos – Obrigadinha – falei, sorrindo, já enlaçando o braço dele novamente, assim que o mesmo se levantou.
— Espero que eu não vire o centro das atenções – murmurei à medida que Christian tocava a campainha.

— Com esse bucho enorme? Será impossível, pandinha.

— Você não está me ajudando a ficar mais tranquila falando isso, Christian.

— Mas é a verdade. E se prepare, pois eu vou anunciar o nosso noivado pra família toda hoje.

— É o que? – inquiri, assustada, mas não tive tempo de brigar com ele, pois o pai dele abriu a porta, já nos cumprimentando e nos mandando entrar.

— Como vocês estão? E você, Ana, está tudo bem?

— Estou bem sim. Obrigada.

— E como está o mais novo torcedor do Seattle Seahawks? – Carrick perguntou, fazendo Christian rolar os olhos à medida que íamos para a cozinha.

— Pai, não começa, por favor. Já falei que o Ben não irá torcer para nenhum time até que tenha idade suficiente para ele mesmo escolher.

— Olha isso, Grace! Christian não quer que o nosso neto seja um torcedor dos Seattle Seahawks. Onde foi que erramos na criação desse indivíduo que chamamos de filho, hein? – escutávamos Carrick falar enquanto cumprimentávamos Grace, que se encontrava cozinhando.

— Não sei, querido – ela disse, rindo.

— Esperem aí, que vou pegar um presente para o meu neto.

— Meu Deus, estou até com medo desse tal presente – Christian comentou se sentando na cadeira da bancada da cozinha.

— A senhora quer ajuda? – indaguei me aproximando novamente de Grace, que mexia em uma panela grande.

— Não se preocupe, minha filha. Christian vai me ajudar, né filho?

— Sei disso não. Quem abriu a boca para se oferecer foi a Ana e não eu, mãe. Estou muito bem aqui, sem fazer nada.

— Deixe de preguiça, Christian. Venha mexer isso aqui para mim enquanto eu levo essa travessa aqui lá para o quintal.

Christian se levantou e aproximou-se, fazendo uma careta que me fez sorrir. Então, fui me sentar em seu lugar, olhando para o lado, vendo o quintal da casa pela porta dupla de vidro.

Lá fora parecia se encontrar bastante animado, com várias pessoas conversando sentadas em mesas dispostas pelo local e em pé também, com músicas tocando ao fundo, abafadas por causa da porta.
— Aqui está! – Carrick exclamou, adentrando novamente a cozinha à medida que a esposa dele saía com a travessa nas mãos.

Peguei e abri a sacola que ele havia colocado sobre a bancada, perto de mim. Dentro dela tinha um par de sapatinhos, quatro Bodies e um gorrinho. Todos com a marca e o nome do time que eles torciam.
O agradeci, dando-lhe um abraço, enquanto ouvia Christian resmungar meio baixo.

— Venha, Ana. Vamos lá para fora – chamou-me Carrick, tocando em meu ombro.

— Eu vou esperar o cozinheiro ali – falei, apontando para o filho dele, então Carrick saiu rumo ao quintal.

— O Benjamin não precisará usar isso se você não quiser, Ana.

— Está tudo bem, Christian – murmurei, já guardando as roupinhas e o sapatinho dentro da sacola – Não é porque eu não vejo graça nessas coisas, que o nosso filho precisará ser assim também.

Logo a mãe dele retornou, acompanhada de uma tia de Christian, que nos cumprimentou, já nos felicitando pelo bebê. Grace então nos mandou ir para o quintal, dizendo que iria guardar a sacolinha do presente para nós, lá no antigo quarto do Christian.

Nos conduzimos para os fundos e mesmo eu vendo rostos conhecidos ali e já ter passado tanto um Natal quanto um Ano Novo com eles, eu ainda assim fiquei meio tensa ao passar pela porta. Christian devia ter percebido o meu estado, pois ele logo entrelaçou nossas mãos, fazendo-me desviar o olhar daquele quintal cheio de gente e encará-lo.

— Não precisamos ficar muito tempo, pandinha. Podemos passar a virada de ano lá na nossa casa, só nós dois – ele sussurrou em meu ouvido.

Respirei fundo e neguei com a cabeça, já curvando os lábios em um sorriso.

— Está tudo bem. Só não me deixa sozinha – sussurrei de volta, segurando seu antebraço, vendo-o assentir.

Nesses eventos, eu tentava ser o mais invisível possível, sempre ficava sentada no canto mais distante da algazarra toda, sendo super discreta, mas como Christian havia dito quando chegamos, era impossível eu não virar o centro das atenções com a minha barriga enorme.

Cumprimentamos muitas pessoas e acabamos nos sentando na mesa que Elliot se encontrava, juntamente com os pais dele e com a Leila.

— Vai uma breja aí, Christian? – Elliot perguntou estendendo o braço por sobre a mesa, oferecendo-lhe uma garrafa de cerveja.

— Não, obrigado.

— Vai, Christian. Vou adorar te ver bêbado de novo – comentei, sorrindo, um pouco mais tranquila.

— Eu sei. Por isso mesmo que não vou beber. Sou um homem compromissado agora.

Apenas sorri, rolando os olhos.


★ ★ ★ ★ ★


Faltava apenas seis minutos para meia noite, quando Grace convocou a presença de todos nós para irmos para até a calçada, pois eles e alguns vizinhos iriam soltar fogos de artifícios na rua.

Christian ficou atrás de mim, com suas mãos repousadas em minha barriga, à medida que os fogos começavam a explodir no céu estrelado. Eu, por outro lado, me encontrava com as mãos sobre os ouvidos, esperando terminarem.

— Feliz Ano Novo, pandinha – Christian sussurrou, dando-me um beijo na bochecha, quando os fogos cessaram e todos começaram a felicitar uns aos outros.

Me virei e sorri para ele, já o abraçando em seguida.

— Feliz Ano Novo para você também, doidinho. Te amo muito.

— Não mais do que eu, minha pandinha linda.

Assim que nos desvencilhamos, olhei ao nosso redor e notei que as pessoas estavam entretidas umas com as outras, então o beijei por alguns segundos, antes de irmos felicitar os outros.

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