domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 16


ANASTASIA

Era por volta das cinco e vinte da manhã, quando Christian estacionou o carro em frente ao prédio. Antes de sair da casa dele, eu havia ligado para o meu pai para avisá-lo, então quando chegamos, ele já tinha tirado o carro da garagem e estacionado o mesmo no meio-fio.
Saímos do veículo e Christian deu a volta, se aproximando de mim, já me abraçando bem forte.

— Assim que você tiver sinal no seu celular, me manda uma mensagem ou me liga, está bem? – ele pediu e eu assenti com a cabeça, dizendo um simples “Ok”, então Christian se desvencilhou e se inclinou um pouco, beijando minha barriga – Cuida bem da sua mãe, ouviu filhão? – ele sussurrou, como se estivesse contando um segredo.

— Ei? Não era para ser o contrário? – o questionei, sorrindo e Christian riu enquanto se aprumava e repousava suas mãos em minha cintura.

— Posso te beijar ou o nosso beijo de despedida vai ser na bochecha? – ele perguntou, meio receoso.

Christian sabia que eu não gostava de demonstrações de carinho em público, por isso o mesmo tinha feito aquela pergunta. Todavia, quando olhei em volta, vi que não havia ninguém na rua, apenas nós dois, meus pais terminando de arrumar as malas à alguns metros de onde nos encontrávamos e o porteiro da garagem do prédio, enclausurado na garita.

— Acho que não tem problema em você me beijar na...

Nem consegui terminar a frase, pois Christian me calou, selando nossos lábios, transformando logo o selinho em um beijo mais profundo.

— Vou sentir saudade – ele disse, contra o meu ombro, abraçando-me novamente.

De repente, ouvimos meu pai me chamar, então Christian afrouxou seu abraço, fazendo-me desvencilhar dele.

— Eu também vou sentir saudade, porque passar dias sem poder te encher o saco, vai ser um tédio total – brinquei, fazendo uma careta, o que fez ele rir e me chamar de “Lesa”.

— Se cuida, pandinha.

— Você também. E não esqueça de ver sobre aquilo lá no hospital e dá um mega abraço de Natal nos seus pais, por mim.

— Não se preocupe. Eu não vou esquecer não. E dou sim o seu mega abraço para eles.

Nos abraçamos pela última vez e, em seguida, eu dei um beijo em sua bochecha.

— Até mais, Sr. Panda.

— Até – Christian disse, sorrindo.

Me afastei e adentrei o carro do meu pai, já sendo recepcionada alegremente por Lily, que também iria conosco. Enquanto, passávamos pelo carro do Christian, nós dois acenamos “Tchau”, um para o outro, então me recostei no banco, acariciando minha barriga à medida que eu rezava em silêncio, pedindo proteção para que a nossa viagem ocorresse bem.


★ ★ ★ ★ ★


Já ia dar seis e meia da tarde, quando chegamos em Boise City, no estado de Idaho, e fomos procurar um hotel onde pudéssemos descansar e passar a noite. Acabamos por encontrar e nos hospedar no Hilton Garden.
Após conseguirmos um quarto para nós, na recepção, pegamos nossa bagagem e subimos para o mesmo. A suíte era um pouco simples. Possuía apenas duas camas de casal, uma poltrona ao qual coloquei minha mala, uma cômoda com uma televisão em cima e uma mesa onde meus pais colocaram as malas deles.
A única coisa que eu queria, assim que entrei naquele quarto, era tomar um banho e deitar, para poder ver se conseguia fazer o Benjamin se acalmar um pouco, pois o mesmo fazia quase duas horas que não parava quieto e aquilo, já estava me dando dor nas costas.

Porém, como meus pais iriam descer para o restaurante do hotel para jantar, eu deixei eles tomarem banho primeiro enquanto ficava conversando um pouco com a Lana por mensagem.


Oi oi


Oieeeeee!!!


Tá animada, hein? kkk


Animada? Eu estou é surtando geral com
a 7ª temporada de Once Upon a Time.
Ainda mais, porque é a última temporada
dessa série, porque vão cancelar ela.
Oh, Senhor! Isso é muita maldade com
uma série fodástica que nem essa.
Estou aos prantos aqui...


kkkkkk ai ai, só tu mesmo.


Não ri não, que é o negócio aqui
é sério. Mas, deixando o meu
surto de lado, me fale como está
sendo a viagem? Já avisou pro
Christian que está viva? kkkk
E por falar nisso, tu nem me
contou como ele reagiu quando
você falou que ia viajar assim
em cima da hora, né?


Rsrsrs Desculpe.
Fiquei um pouco ocupada
ontem e me esqueci de te
mandar uma mensagem.


Ocupada, hein?
Olha que safada kkkk


kkkk Não estava fazendo nada,
sua mente poluída. Eu e o Christian
ficamos apenas conversando.


Conversando? Uhum, sei... Com fé
em Deus, um dia eu vou conversar
desse jeito também. kkkkkkkkkkk


kkkk... Ontem, quando contei a ele
sobre a viagem, o mesmo achou que
eu ia fugir da cidade.


Eita!!! E aí?


Aí expliquei a ele a situação e
Christian, no geral, reagiu bem.
Hoje mandei mensagem para ele
na hora que eu estava almoçando
e, assim que entramos em Boise
City, eu liguei para ele, mas o
telefone chamou até cair na caixa
postal. Estou esperando Christian
me retornar.


E como está o bebê da titia?


Está aqui me chutando horrores.


Tenta colocar uma música suave
para ver se ele se acalma. Você
está em um quarto separado?


Não.


Ai fica complicado, né?


Um pouco. Vou tentar
com os fones de ouvido.


Isso. E se não der certo.
Bota o Christian para
falar com ele, miga. kkkk


kkkkkkk Ok. Agora vou
ir banhar, amore. Depois
a gente se fala. Bjs


Beijão, miga.


— Tem certeza que não vai descer com a gente, Ana? – meu pai perguntou, saindo do banheiro, já arrumado.

— Estou um pouco cansada e o bebê está mexendo muito, então vou ficar aqui deitada.

— Tudo bem. Então, vamos trazer um pouco de comida para você quando subirmos.

Apenas assenti com a cabeça, o agradecendo, e fui fechar a porta, por orientação da minha mãe, então peguei minha toalha e a necessaire, e me dirigi para o banheiro.


★ ★ ★ ★ ★


Mal tinha desencostado os fones de ouvido da minha barriga, sem nenhum resultado aparente, quando o celular começou a tocar.

— Graças a Deus! – exclamei ao olhar no visor e ver que era Christian me ligando – Oi... – falei em meio a um gemido de dor, já respirando fundo e passando a mão na lateral da minha barriga.

Ana? O que está acontecendo? Está sentindo dor? – ele perguntou, muito preocupado, então tentei logo tranquilizá-lo, antes que o mesmo tivesse um infarto.

— É só o Benjamin me chutando aqui.

Ah tá, então não é nada demais – o safado disse rindo.

— Nada demais? Você só diz isso, porque não é a sua barriga que vira saco de pancadas, né seu safado?

Desculpe, minha pandinha – Christian falou, mas com um tom de divertimento ainda na sua voz – Já conversou com ele?

— Sim. E coloquei música também, mas não resolveu. Você que é o sonífero dele.

Pena que eu estou longe – ele comentou, meio triste.

— Para falar com o nosso filho?

Sim.

— E o viva-voz do celular tá pôdi, Christian? – inquiri, já clicado no botão e colocando o celular perto da minha barriga – Pronto. Você está no viva-voz. Manda ver, porque esse menino aqui está impossível hoje – murmurei, sentindo outro chute.

Foi só o Christian começar a falar com ele, que o Benjamin logo ficou quietinho. Permanecemos conversando no viva-voz até meus pais baterem na porta. Todavia, enquanto eu comia a porção de comida que eles haviam trazido para mim, eu e o Christian continuamos nossa conversa através de mensagens, falando banalidades até nos despedirmos para irmos dormir.

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