ANASTASIA
Era madrugada de sexta-feira e eu me encontrava sentada no sofá, acariciando minha barriga, enquanto tentava manter meus olhos abertos, porém os mesmos pareciam ter vida própria e sempre fechavam. Todavia, quando eu estava quase caindo no sono, Benjamin me chutava, fazendo-me despertar novamente.
— Ana? – ouvi Christian me chamar, antes dele abrir a porta do quarto, fazendo-me olhar para ele – Ei? O que está fazendo aqui, pandinha? Está sem sono?
— Pelo contrário. Estou morrendo de sono, mas o nosso filho não está me deixando dormir.
— Ele está muito agitado? – Christian perguntou, se ajoelhando entre minhas pernas.
— Sim – confirmei, respirando fundo, já sentindo outro chute, então ele beijou minha barriga – Já tentei de tudo. Coloquei os fones na barriga para ver se ele se acalmava com as músicas que eu baixei, mudei de posição várias vezes, conversei com ele e tomei o resto do chá de camomila que tinha, mas nada surtiu efeito. Mas não se preocupe, porque uma hora esse sapeca tem que se cansar. Pode ir dormir de novo. Você precisa descansar, Christian.
— Você também, Ana – ele rebateu, então repousou gentilmente sua cabeça na minha barriga e ficou acariciando ela – Oi filhão, aqui é o papai, eu sei que você já está começando a ficar com pouco espaço aí dentro e vai piorar nas próximas semanas, mas você tem que deixar a mamãe descansar um pouco. Você tem que chutar ela só durante o dia, ouviu?
— Ei? Negativo – resmunguei, fazendo Christian rir e me encarar – Acho que está funcionando. Ele parou de me chutar. Mas que safado esse menino, só te obedece é?
— Porque eu sou o pai dele.
— E eu sou a mãe. Então, pela lógica ele tem que me obedecer também.
Christian só sorriu e se levantou, estendendo a mão para mim.
— Vem, pandinha. Vamos para a cama. Vou ficar conversando com ele até você conseguir dormir.
Segurei sua mão, já levantando. O agradeci com um selinho, antes dele me conduzir para o quarto, onde deitei, parcialmente sentada em meio às almofadas e fechei os olhos à medida que escutava Christian iniciar um novo monólogo com o nosso filho.
Acordei bem tarde naquela manhã e Christian já havia saído para o trabalho, mas o mesmo tinha deixado sobre a mesinha de cabeceira, ao lado no abajur, uma nota de 100 dólares, com um breve bilhete.
Sorri e me levantei da cama, indo fazer minha higiene pessoal. Depois de alguns minutos, após banhar e passar um pouco de hidratante na barriga, para amenizar as minhas estrias, chamei o Uber e fui em seguida vestir uma lingerie preta, colocando os absorventes de seios, pois essa noite eles tinham vazado mais do que deviam.
Depois coloquei um vestidinho jeans, calcei uma sapatilha vermelha e por fim, passei uma escova no cabelo, deixando-o solto.
Meu celular logo tocou, indicando-me que o carro tinha chegado. Então, peguei minhas chaves, fechei o apartamento e desci. Assim que entrei no carro, dei o endereço da casa do meus pais ao motorista e me recostei ao banco.
Minutos depois, o rapaz estacionou em frente ao prédio. O agradeci e pedi que o mesmo me esperasse, pois eu só iria buscar a Lily para passar o final de semana lá em casa. Entretanto, assim que entrei no apartamento, encontrei meus pais ali.
— Oi, pai – o cumprimentei de longe, observando o mesmo olhar atentamente um mapa aberto sobre a mesinha de centro da sala de estar.
— Oi, Ana.
— Ainda bem que você apareceu – comentou minha mãe adentrando a sala, sendo seguida pela Lily, que nem me deu confiança quando a chamei para pegar ela no colo – Eu ia te ligar agora mesmo, mas você me fez poupar meus créditos.
— O que foi que houve? – perguntei, meio com desinteresse.
— Arrume sua mala, pois iremos viajar amanhã bem cedo – meu pai disse, sem tirar os olhos do mapa.
— Seu irmão não está se dando bem em Kansas City. Ontem falei com ele e eu tenho certeza que o Ethan está com depressão. Nós vamos buscar o seu irmão, antes que ele faça alguma besteira.
Aquilo me fez ficar muito puta da vida.
“Só pode ser brincadeira isso, né? Eu tenho depressão há 11 anos e ela nunca notou, e nem se preocupou comigo, mas foi só o Ethan fazer o showzinho dele de vítima, depois que perdeu o emprego, que ela logo se preocupa e move o céu e a terra para ajudar aquele desgraçado” pensei, indignada, fechando logo a cara.
— E porque diabos eu preciso ir mesmo? – inquiri, com raiva.
— Seu pai já está ficando velho e essa viagem vai demorar em torno de seis dias, então você vai para ir revezando a direção com ele – minha mãe informou.
Respirei fundo e me encaminhei para a porta.
— Para onde é que a senhorita pensa que vai? – escutei ela perguntar.
— Vou aproveitar o Uber que está me esperando lá embaixo e vou buscar minha mala e algumas roupas que estão na casa do Christian – falei, já saindo do apartamento, batendo a porta com força.
Enquanto o elevador descia, fiz as contas mentalmente de quando iríamos voltar e como hoje já era vinte e dois de dezembro, eu iria passar o meu Natal bem longe da cidade.
“Mas que droga! Eu quero ficar aqui. Passar o Natal com o Christian e com a família dele. Isso tudo é culpa do Ethan!” ralhei em pensamento, já sentindo Benjamin dar sinal de vida, fazendo-me afagar minha barriga para tentar acalmá-lo.
À medida que o motorista seguia rumo ao prédio do Christian, eu passei uma mensagem para o meu Doidinho.
Mandei e segundos depois, chegou a resposta dele.
Me deu até medo agora.
Que assunto sério é esse,
pandinha?
Fiquei tentada a contar logo, mas algo me fez optar para falar pessoalmente, então digitei uma nova mensagem e mandei para ele.
“Como será que Christian vai reagir ao saber que vou viajar? Será que vai achar que eu vou fazer igual a mãe do primeiro filho dele? Que vou viajar para sumir junto com o Benjamin? Espero que Christian não pense isso, Senhor” pensei, preocupada, já abrindo a mensagem dele.
SEIS DIAS DEPOIS
Era madrugada de sexta-feira e eu me encontrava sentada no sofá, acariciando minha barriga, enquanto tentava manter meus olhos abertos, porém os mesmos pareciam ter vida própria e sempre fechavam. Todavia, quando eu estava quase caindo no sono, Benjamin me chutava, fazendo-me despertar novamente.
— Pelo contrário. Estou morrendo de sono, mas o nosso filho não está me deixando dormir.
— Ele está muito agitado? – Christian perguntou, se ajoelhando entre minhas pernas.
— Sim – confirmei, respirando fundo, já sentindo outro chute, então ele beijou minha barriga – Já tentei de tudo. Coloquei os fones na barriga para ver se ele se acalmava com as músicas que eu baixei, mudei de posição várias vezes, conversei com ele e tomei o resto do chá de camomila que tinha, mas nada surtiu efeito. Mas não se preocupe, porque uma hora esse sapeca tem que se cansar. Pode ir dormir de novo. Você precisa descansar, Christian.
— Você também, Ana – ele rebateu, então repousou gentilmente sua cabeça na minha barriga e ficou acariciando ela – Oi filhão, aqui é o papai, eu sei que você já está começando a ficar com pouco espaço aí dentro e vai piorar nas próximas semanas, mas você tem que deixar a mamãe descansar um pouco. Você tem que chutar ela só durante o dia, ouviu?
— Ei? Negativo – resmunguei, fazendo Christian rir e me encarar – Acho que está funcionando. Ele parou de me chutar. Mas que safado esse menino, só te obedece é?
— Porque eu sou o pai dele.
— E eu sou a mãe. Então, pela lógica ele tem que me obedecer também.
Christian só sorriu e se levantou, estendendo a mão para mim.
— Vem, pandinha. Vamos para a cama. Vou ficar conversando com ele até você conseguir dormir.
Segurei sua mão, já levantando. O agradeci com um selinho, antes dele me conduzir para o quarto, onde deitei, parcialmente sentada em meio às almofadas e fechei os olhos à medida que escutava Christian iniciar um novo monólogo com o nosso filho.
★ ★ ★ ★ ★
Acordei bem tarde naquela manhã e Christian já havia saído para o trabalho, mas o mesmo tinha deixado sobre a mesinha de cabeceira, ao lado no abajur, uma nota de 100 dólares, com um breve bilhete.
Para pagar o Uber e realizar os seus
desejos esquisitos, minha pandinha. Até de tardezinha.
Chegarei mais cedo hoje. Bjs
Sorri e me levantei da cama, indo fazer minha higiene pessoal. Depois de alguns minutos, após banhar e passar um pouco de hidratante na barriga, para amenizar as minhas estrias, chamei o Uber e fui em seguida vestir uma lingerie preta, colocando os absorventes de seios, pois essa noite eles tinham vazado mais do que deviam.
Depois coloquei um vestidinho jeans, calcei uma sapatilha vermelha e por fim, passei uma escova no cabelo, deixando-o solto.
★ ★ ★ ★ ★
Minutos depois, o rapaz estacionou em frente ao prédio. O agradeci e pedi que o mesmo me esperasse, pois eu só iria buscar a Lily para passar o final de semana lá em casa. Entretanto, assim que entrei no apartamento, encontrei meus pais ali.
— Oi, pai – o cumprimentei de longe, observando o mesmo olhar atentamente um mapa aberto sobre a mesinha de centro da sala de estar.
— Oi, Ana.
— Ainda bem que você apareceu – comentou minha mãe adentrando a sala, sendo seguida pela Lily, que nem me deu confiança quando a chamei para pegar ela no colo – Eu ia te ligar agora mesmo, mas você me fez poupar meus créditos.
— O que foi que houve? – perguntei, meio com desinteresse.
— Arrume sua mala, pois iremos viajar amanhã bem cedo – meu pai disse, sem tirar os olhos do mapa.
— Seu irmão não está se dando bem em Kansas City. Ontem falei com ele e eu tenho certeza que o Ethan está com depressão. Nós vamos buscar o seu irmão, antes que ele faça alguma besteira.
Aquilo me fez ficar muito puta da vida.
“Só pode ser brincadeira isso, né? Eu tenho depressão há 11 anos e ela nunca notou, e nem se preocupou comigo, mas foi só o Ethan fazer o showzinho dele de vítima, depois que perdeu o emprego, que ela logo se preocupa e move o céu e a terra para ajudar aquele desgraçado” pensei, indignada, fechando logo a cara.
— E porque diabos eu preciso ir mesmo? – inquiri, com raiva.
— Seu pai já está ficando velho e essa viagem vai demorar em torno de seis dias, então você vai para ir revezando a direção com ele – minha mãe informou.
Respirei fundo e me encaminhei para a porta.
— Para onde é que a senhorita pensa que vai? – escutei ela perguntar.
— Vou aproveitar o Uber que está me esperando lá embaixo e vou buscar minha mala e algumas roupas que estão na casa do Christian – falei, já saindo do apartamento, batendo a porta com força.
Enquanto o elevador descia, fiz as contas mentalmente de quando iríamos voltar e como hoje já era vinte e dois de dezembro, eu iria passar o meu Natal bem longe da cidade.
“Mas que droga! Eu quero ficar aqui. Passar o Natal com o Christian e com a família dele. Isso tudo é culpa do Ethan!” ralhei em pensamento, já sentindo Benjamin dar sinal de vida, fazendo-me afagar minha barriga para tentar acalmá-lo.
★ ★ ★ ★ ★
À medida que o motorista seguia rumo ao prédio do Christian, eu passei uma mensagem para o meu Doidinho.
Vou passar o dia aqui na casa dos
meus pais, Moh. Quando você sair
do hospital, vem para cá, pois a
gente precisa conversar sobre um
assunto sério.
Mandei e segundos depois, chegou a resposta dele.
Me deu até medo agora.
Que assunto sério é esse,
pandinha?
Fiquei tentada a contar logo, mas algo me fez optar para falar pessoalmente, então digitei uma nova mensagem e mandei para ele.
Só vem, por favor.
“Como será que Christian vai reagir ao saber que vou viajar? Será que vai achar que eu vou fazer igual a mãe do primeiro filho dele? Que vou viajar para sumir junto com o Benjamin? Espero que Christian não pense isso, Senhor” pensei, preocupada, já abrindo a mensagem dele.
Ok. Eu vou.
Beijão e até mais tarde,
minha pandinha.

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