domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 11


ANASTASIA

TRÊS SEMANAS DEPOIS

Acordei, já notando que devia ser bem tarde, pois o quarto se encontrava muito claro. Christian, ao meu lado, ressonava baixo, então de repente dei um sorriso, lembrando-me de ontem, quando o mesmo ficou muito contente após eu ter pedido ao Dr. Flynn, todos os meus ultrassons.
Assim que voltamos para o apartamento, Christian passou quase meia hora olhando as imagens das seis pastas enquanto eu terminava de preparar o nosso almoço. Depois, passamos a tarde toda conversando sobre alguns assuntos, principalmente relacionados ao Benjamin, como por exemplo, sobre as coisas que precisávamos comprar para ele e também para montar o quartinho.

— Bom dia, pandinha – ele sussurrou, despertando, já me encarando com um sorriso.

Na semana passada, Christian havia pegado meu celular para passar algumas músicas para o telefone dele, mas o safado acabou bisbilhotando minha conversa com a Lana, onde estávamos falando sobre que animais gostaríamos de ser se fosse possível.

Então, minha amiga disse que queria ser um Unicórnio e eu falei um Panda, porque me identificava perfeitamente com eles. Eu possuía sutis olheiras, um pouco escuras, ao redor dos olhos, estava ficando gorda igual a eles e dormia, para não dizer hibernava, o tempo todo.

Depois que Christian leu essa conversa, ele começou a me chamar de “Pandinha” ou “Minha Pandinha”. Nos primeiros dias, eu ficava com raiva, mas logo passei a gostar e a chamá-lo em resposta, às vezes, de “Doidinho” ou “Sr. Panda”.

— Bom dia, doidinho – murmurei, já vendo-o se espreguiçar, ainda deitado.

— Conseguiu dormir um pouco melhor? – Christian perguntou se virando de lado, ficando de frente para mim e repousando sua mão sobre minha barriga, fazendo um pequeno carinho nela.

Assenti e me inclinei, aproximando-me dele, dando-lhe um selinho.

— Obrigada por conversar com ele de madrugada – sussurrei, já voltando para onde eu estava antes.

— De nada. Só fiz meu papel de pai, minha pandinha.

Sorri.

— Que horas será agora? – indaguei, sentando-me na cama e tirando a toalhinha de rosto sobre meus seios, verificando se os mesmos tinham vazado muito.

— Não sei. Porque?

— Porque temos que ir na rua comprar as coisas do Benjamin, antes de irmos naquele almoço na casa dos seus tios. Se esqueceu? – inquiri, me virando um pouco para encará-lo.

— Não tô nem um pouco a fim de ir naquele almoço. Aturar o Elliot no hospital é uma coisa, até porque lá ele é o meu chefe. Agora fora do trabalho...

— Fala sério, Christian! Não me diga que você ainda está ressentido pelo que houve com a Leila?

— Sim, ainda estou um pouco – ele resmungou, meio emburrado, fazendo-me rir.

— Deixa de se fazer de vítima, meu filho, porque eles só estavam revidando os seus chifres.

— Meus chifres? –  ele questionou, se sentando também.

— Sim. Em teoria, você sempre chifrou as suas namoradas comigo, lembra? Quando uma não queria te dar, a quem você recorria, choramingando igual a uma menininha? Eu.

— Peraí, em primeiro lugar, transar com você não conta como chifre. Em segundo lugar, não foram “as suas namoradas” e sim “a sua namorada”, porque relacionamento sério eu só tive com a Leila, já o resto era tudo peguete. E por último, eu não chorava igual menininha. Nunca fiz isso quando ia até você.

— Mas implorava, e muito, para eu abrir as pernas.

— Nem vem, que a senhorita gostava das nossas fodas, pelo menos a parte das chupadas. Até me implorava também.

— Ok. Assunto encerrado – murmurei, meio emburrada.

Escutei Christian dar um risinho e logo puxou meu rosto, dando-me um beijo na bochecha, já me chamando para banharmos juntos, mas eu neguei, o mandando ir primeiro. Porém, segundos depois que ele havia saído, senti vontade de fazer xixi, então me levantei da cama e sai do quarto, indo para o banheiro também.

— Eu sabia que você não ia resistir em banhar comigo – ele provocou quando adentrei, fazendo-me rir e rolar os olhos.

— Não fique se achando não, porque o meu lance aqui é com o vaso e não com você.

Ele riu e voltou a escovar os dentes. Todavia, eu decidi que iria fazer xixi debaixo do chuveiro enquanto banhava, então me livrei da calcinha e entrei no box, já iniciando o meu banho.

— Será que cabe mais um aqui? – escutei Christian perguntar segundos depois, antes de eu me virar e vê-lo fechar a porta do box atrás si.

Dei de ombros, sorrindo. Ele se aproximou, abraçando-me, então o enlacei, já o beijando à medida que eu o puxava para debaixo do chuveiro também.
— Você deveria se depilar – Christian comentou enquanto nos ensaboávamos um de frente para o outro, numa certa distância.

Fechei a cara e semicerrei os olhos, fuzilando-o mortalmente.

— E você deveria mudar de cara – rebati, já me enxaguando.

— É sério, pandinha. Isso aí já está quase virando aquela mata que tem lá no Brasil, que eu esqueci o nome agora.

Desliguei o chuveiro, muito puta da vida e me virei, o encarando bem séria.

— Olha aqui, meu filho! Em primeiro lugar, eu já não tô enxergando nada da minha cintura para baixo, então é impossível me depilar. E segundo, você está comendo isso aqui de graça ultimamente, porque nem para colocar essa sua boca para trabalhar e me dar uns bons orgasmos, você não está servindo. Então, não reclama, ok?

— Vem cá, minha padinha – Christian me puxou pela cintura, abraçando-me por trás, quando passei por ele para sair do box.

— Já terminei de banhar, Christian.

— Cheia de sabão assim?

— Se estou cheia de sabão é culpa sua, que está me abraçando – murmurei, emburrada.

Ele riu e me soltou, mas apenas para me virar de frente para o mesmo.

— Vamos fazer o seguinte. A gente não vai ao almoço dos meus tios e passa esse sábado curtindo só nós dois. Vamos comprar as coisinhas do nosso filho tranquilamente, sem correria, depois almoçamos em algum restaurante e voltamos às compras ou eu posso te levar depois do almoço a um salão, onde você pode fazer uma depilação com cera quente.

— Completa? – inquiri, tentando não parecer tão entusiasmada com a proposta dele.

— Tudo que a minha pandinha quiser.

— Eu não diria isso se fosse você – alertei, sorrindo.

— Ok. Reformulando o que eu disse. Tudo que o meu bolso conseguir pagar. Melhor?

— Prefiro a primeira versão, Sr. Panda. Agora vamos terminar de banhar, senão vai ficar tarde e hoje as lojas fecham às duas.

Christian assentiu, me dando um selinho antes de ligar o chuveiro sobre nós.


★ ★ ★ ★ ★


Nossa ida às compras foi bem cansativa, principalmente para mim, pois tínhamos visitado bastante lojas, afim de achar aquela em que poderíamos poupar mais na hora da compra e graças a Deus, havíamos conseguido encontrar.

Compramos o berço, o guarda-roupa, a cama auxiliar e cômoda com o trocador em cima, depois passamos também em uma loja de tintas, e meio que Christian e eu discutimos devido a cor do quarto do nosso filho. Ele queria branco, mas eu odiava aquela cor e por esse motivo, eu queria que no quarto só tivesse tons de azul.

No final de tudo, acabamos levando, por sugestão do vendedor, uma lata de tinta branca e outra na cor azul claro, pois assim poderíamos fazer o quarto listrado, misturando as duas cores.

Após darmos por encerrada as nossas compras, devido meus pés terem dado sinais de que se encontravam um pouco inchados, fomos almoçar em um restaurante no centro da cidade.


★ ★ ★ ★ ★


— Ownnn, que lindinha, meu Deus! – exclamei, olhando para a tela do meu telefone enquanto comíamos.
— Quem é? – Christian perguntou tirando a atenção do prato à sua frente.

— A Lana me mandou um vídeo da priminha dela de cinco anos. Muita fofura, olha – falei, lhe passando o celular – Eu quero uma menina – comentei, meio pensativa, mexendo o garfo pela comida.

— Pari esse primeiro, que eu te dou.

Ergui meu olhar para ele, o vendo com um sorriso nos lábios.
— Sério?

— Uhum! Até porque você está me devendo cinco meses – Christian murmurou, à medida que me entregava o telefone novamente.

— Tô te devendo cinco meses de quê, criatura? – o inquiri, erguendo uma das sobrancelhas.

— De gestação. Então, se eu te engravidar de novo, vou poder acompanhar sua gravidez desde o início. Aturando o seu mau humor, o que é quase sempre, e me assombrando com os seus desejos esquisitos, como comer pizza com sorvete...

— Gelatina de morango com farinha e Bolo de baunilha com uma farofinha de carne e ovo frito deliciosa – completei, o interrompendo, e passando a língua entre os lábios.

— É o quê, menina?

A cara dele de incredulidade me fez rir.

— Esses foram os meus desejos no início da gestação – falei, dando de ombros.

— Você definitivamente não é desse planeta.

— Oh, meu querido, não me culpe, ok? Porque metade da loucura do Benjamin vem do seu DNA.

— Tira o meu da reta, pandinha.

— Em público não, Christian – ressaltei, lembrando-o de que eu não gostava de demonstração de afeto, incluindo apelidos fofos, em público, pois não me sentia confortável com a situação.

— Ok. Esqueci. Desculpe. Vai querer sobremesa?

— Com certeza. Não era nem para ter perguntado e sim ter chamado o garçom e feito o pedido – respondi, fazendo ele achar graça.

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