domingo, 12 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 09


ANASTASIA

Após deixar Christian no hospital, aproveitei que era bem cedo, e só passei no apartamento dele para pegar meu celular e as chaves, que acabei não achando, depois fui para minha casa, a fim de encontrar minha mãe ainda no apartamento.

— Andando de pijama na rua? Eu já não mandei você parar de ser desleixada desse jeito, Ana? – minha mãe disse em um tom reprovatório, voltando à mesa da cozinha, depois de vir abrir a porta para mim.

Apenas rolei os olhos e me abaixei, pegando Lily, que me pedia colo desde que eu havia passado pela porta.

— Oi, minha princesa! Tava com saudade da mamãe, tava? – falei com voz manhosa, fazendo carinho detrás da sua orelhinha, recebendo lambidas no rosto em resposta.

— Christian já te enxotou da casa dele? – escutei minha mãe perguntar enquanto colocava minha cachorrinha no chão, que foi logo correndo e pegando a mantinha dela, vindo depois para o meu rumo, para eu poder brincar de cabo de guerra com ela.

— Não. Eu vim buscar a Lily para passar uns dias comigo – informei indo para a cozinha, puxando a ponta da manta à medida que a minha cachorrinha puxava a outra ponta, rosnando e sacudindo a cabeça para tentar soltar a que se encontrava presa na minha mão.

— Você não vai levar ela.

— Mas, mãe! A cachorra fica sozinha o dia inteiro, trancada nesse apartamento. E a Lily é minha, então posso levar ela sim – ressaltei a vendo me encarar com uma expressão séria.

— Agora ela é sua, né? Mas para pagar banho, tosa, veterinário e comprar comida para ela, aí a cachorra, milagrosamente, é minha – ela resmungou, como sempre – A Lily não vai para lugar nenhum.

Optei por ficar calada e não bater boca com a minha mãe para que isso não me deixasse estressada.

— E o meu neto? Como está?

— Vai muito bem, obrigada. Recebendo todo o amor que ele precisa – alfinetei, jogando-lhe uma indireta, que ela percebeu, pois me olhou de canto de olho antes de levantar da mesa.

— Eu já vou indo. Vai ficar aqui ou já vai embora também? – minha mãe perguntou enquanto saía da cozinha e ia para a sala, sendo seguida por mim e por Lily.

— Já que não posso levar a Lily comigo, então decidi passar o dia aqui com ela – falei, vendo minha mãe se despedir da cachorra com o carinho e a atenção que ela nunca ousou dar para mim.

Me sentei no sofá e chamei Lily, que ficou chorando no pé da porta quando minha mãe foi embora, então ela logo veio para perto de mim e eu a coloquei em cima do sofá. Liguei a TV, depois peguei o celular e digitei uma mensagem para o Christian.


Moh, minha mãe não me deixou
levar a Lily, então vou passar o dia
aqui com ela. Vamos te buscar no
almoço para você ficar com o carro.


Mandei e sorri ao notar que já o havia chamado de “Moh”, mas eu fazia aquilo meio que automático quando começava a namorar alguém. Eu preferia a palavra “Moh”, porque para mim, ela era mais imparcial e menos romântica do que chamar a pessoa ao seu lado de “Amor”, “Querido”, “Mozinho” e outras expressões mais românticas que essas.

Não que isso significasse que não amasse o Christian. Muito pelo contrário. Eu o amava demais. Claro que era um amor mais fraternal, porque ele era meu melhor amigo, quase um irmão para mim, que sempre me fazia rir e não me deixava ficar triste. A questão era que eu só não conseguia amá-lo do jeito como o resto das mulheres do mundo amavam seus namorados e maridos.

Essa magia de amor verdadeiro e almas gêmeas, tinha morrido, juntamente comigo, naquele banheiro enquanto eu era abusada por aquele a quem um dia entreguei todo meu amor e o mesmo apenas me usou, me humilhou e foi a cabeça por trás do meu estupro coletivo.

Às vezes, eu sentia um pouco de inveja da minha amiga Lana, que acreditava nessa coisa de romantismo. Eu realmente queria muito ser igual a ela e também poder acreditar nisso, mas quando acontece tudo o que houve comigo, na primeira vez que você ama profundamente alguém, fica muito difícil de continuar acreditando em amor verdadeiro ou em outra bobagem romântica.

O amor passa a ser apenas uma palavra, no dicionário, sem significado nenhum para você. Todos os homens se tornam não-confiáveis aos seus olhos. E você fica com muita raiva quando outras pessoas começam a falar sobre o amor e suas bobagens, porque elas são capazes de sentir aquilo e você não.

O término de alguns relacionamentos que tive até hoje foi por minha culpa, por não conseguir me entregar completamente numa relação à dois, mas eu tinha esperança que com Christian seria diferente, porque por sermos muito amigos, ele me conhecia bem e sabia do meu jeito incomum de namorar.

Acabei me sobressaltando quando o celular vibrou em minha mão. Era a resposta do Christian.


Ok, amor.
Eu vou comer aqui no hospital mesmo,
porque vou pegar direto e sair às oito,
para pagar algumas horas de ontem.
Ah, já ia me esquecendo... Você gosta
de rosas vermelhas ou brancas?
Rsrsrs... Brincadeirinha, amor.
Eu sei que você odeia rosas.
Bjs, minha doidinha gostosa.
Até a noite e não precisa vir me buscar
não. Eu vou de carona com o Elliot e
também vou levar o nosso jantar.


“É, com ele, com certeza vai ser diferente” pensei sorrindo, já começando a conversar com a minha amiga para atualizá-la dos últimos babados.


LANA!!!
ACORDA, MULHER!!!


Já tô acordada faz um tempo.
Bom dia, miga!


Bom dia!! Tenho uma
novidade para te contar.


Opa! Me conte tudo e não
me esconda nada.kkk


Ontem eu perguntei para o Christian,
o que ele achava de nós como sendo um
casal. Daí ele disse que a gente seria o
casal mais doido desse mundo e, é claro,
tive que concordar com ele. Aí o Christian
me perguntou se eu estava perguntando
aquilo porque tava querendo tentar um
namoro entre a gente e eu disse que sim.


Peraí, meu Deus!
Eu li esse negócio direito?
Vcs estão namorando? É isso?


Sim.


OMGGGG!!!!!
É sério mesmo, miga?


Sim.kkkkkk
Mas não oficialmente ainda.
Ele disse que quer fazer tudo
certo e que vai preparar algo
para o pedido de namoro, que
vai acontecer hoje à noite.


Ownnn... que fofinho ele!


Eu mandei o Christian maneirar
no romantismo, porque ele sabe
que não curto muito isso.


Deixa ele ser romântico, miga.


Mas eu tô com medo do que esse
doido vai me aprontar, mermã.
Se o Christian me fizer chorar
hoje, eu juro que vou dar na cara
dele até sair sangue.kkkkkk


Dá nada.
Cê gosta dele, que eu sei.kkkk


É claro que eu gosto. Ele me
faz rir e é meu melhor amigo
e confidente. Porque eu não
gostaria dele, mulher?kkkkkk


Continuamos a conversar por mais alguns minutos, até que Lana me informou que estava saindo para a faculdade e que iria ficar off, então voltei minha atenção para a TV enquanto fazia carinho na barriguinha da Lily, que se encontrava deitada ao meu lado.

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