ANASTASIA
Quando engravidei a primeira vez, eu já trabalhava neste hospital, e o Dr. Flynn era o obstetra ao qual todas as funcionárias grávidas deveriam se consultar para iniciarem seus respectivos pré-natais, então ele acompanhou cada obstáculo que eu enfrentei, tanto na primeira quanto na segunda gravidez.
Nós passamos por muita coisa juntos e o Dr. Flynn sempre esteve comigo nas horas ruins, então ele sabia perfeitamente todos os meus medos com relação a uma gestação, e por isso, eu confia muito nele.
— A partir de hoje vou sempre acompanhar ela, doutor – Christian anunciou.
— Isso é ótimo. Vamos a nossa consulta então? – ele inquiriu olhando-me, com aquele sorriso acolhedor e amigável de sempre.
Assenti então o obstetra puxou meu prontuário médico de cima da pequena pilha no canto da mesa dele e o abriu, vendo o último ultrassom que eu tinha feito.
— Teve algum sangramento nessas últimas semanas?
— Graças a Deus, não – respondi feliz, internamente, por isso.
— Isso é muito bom – o doutor comentou enquanto escrevia na minha pasta, depois ergueu o olhar para mim – Notou alguma anormalidade em seu dia-a-dia, Ana? Tipo, dor de cabeça, febre, calafrios, tonturas, dores abdominais e etc?
— Não. Quer dizer, um dia depois da última consulta, meu nariz entupiu, mas não foi resfriado. Deve ter sido a mudança de clima.
— Provavelmente. Você tomou ou usou algum medicamento para descongestionar o canal nasal?
— Não. Ele desentupiu por si só no dia seguinte.
— Ok.
— Não esquece de dizer para ele que essa madrugada você passou mal porque não jantou – Christian falou e eu rolei os olhos.
— Oh pessoa, você acabou de informar ao médico sobre o ocorrido – ressaltei o encarando de lado, depois olhei para o obstetra – Não foi nada demais, Dr. Flynn. O bebê ficou muito agitado de madrugada, mas o Christian fez um lanche para mim e conversou com ele, aí o sapequinha se acalmou.
— Você não pode ficar sem comer, moça...
— Eu disse isso à ela – comentou Christian, interrompendo o médico.
— E você está certo. Fique sempre de olho nela e não a deixe pular nenhuma refeição... – o doutor voltou seus olhos para mim – ...ou terei que encaminhá-la novamente para a nutricionista, para ela lhe fazer uma dieta rica em alimentos que eu sei que você não gosta.
— Não se preocupe, doutor, eu vou ser o fiscal da comida lá em casa. Ela não vai ficar sem comer na hora que tem que comer.
O Dr. Flynn sorriu já aprovando o que Christian havia dito, depois me pediu para subir na balança para que o mesmo pudesse anotar o meu peso atual. O tempo todo fiquei com os olhos fechados, pois não queria saber o tanto que eu tinha engordado nesse último mês, porque eu sentia lá no fundo que havia ganhado alguns quilinhos extras nessas semanas.
— Ok, Ana. Pode descer – o obstetra pediu já indo até a mesa e anotando o número no meu prontuário.
— Eita, doidinha. Cem quilos? O negócio tá feio, hein?
Olhei mortalmente para Christian, que dava um sorriso cínico na minha direção.
— Não enche a minha paciência, senão vai ganhar uma cirurgia plástica de graça com o Dr. Mão Na Sua Cara – rosnei mostrando-lhe a minha mão, depois voltei a olhar para o médico – Ignora ele, doutor.
— Tudo bem. Você está com a bexiga seca?
— Eu acho que ela está meia cheia. Vou ali no banheiro rapidinho.
Ele assentiu então eu entrei no banheiro, fiz xixi e depois voltei encontrando Christian conversando com o médico, que já estava sentado em frente da mesinha do aparelho de ultrassom. Logo me deitei na maca ao lado, ajeitando-me para ficar melhor para o Dr. Flynn verificar minha altura uterina.
O doutor então me pediu para que subisse o vestido e depois colocou um lençol dobrado sobre meu quadril, deixando apenas minha barriga exposta. Enquanto, ele pegava a fita métrica na gaveta, eu olhei para Christian que se encontrava ao pé da maca, em pé, observando atentamente os movimentos do obstetra.
— Porque está me olhando desse jeito – ele indagou quando nossos olhares se encontraram.
— Tô esperando você chorar para eu poder zoar contigo – murmurei sorrindo e ele apertou meu dedão do pé rindo enquanto me chamava de “Peste”.
O médico então começou a medir minha barriga e eu permaneci o mais imóvel possível.
— Sua altura uterina é de 22 cm.
— Está normal? – Christian o inquiriu, em um tom preocupado.
— Sim. Está dentro da média do que consideramos normal para as semanas que ela se encontra.
— Ai que bom.
— Agora vamos ver esse rapazinho – Dr. Flynn disse já pegando o gel para passar na minha barriga – Pega uma cadeira e se senta, Christian. Te garanto que você não vai mais crescer ficando em pé aí.
— Só se for para o lado ou para frente – comentei baixinho quando Christian se afastou, fazendo o obstetra sorrir.
Christian se sentou perto das minhas pernas, olhando para o monitor à medida que o doutor começava a pressionar e deslizar a ponta do aparelho sobre a minha pele. O Dr. Flynn respondeu todas as perguntas que Christian fez com relação ao ultrassom, todas que eu já havia feito em consultas anteriores, antes do obstetra dizer que iria ver como estava os batimentos do Benjamin.
O som começou meio incerto e logo se ritmou, ficando cada vez mais forte, então respirei fundo e fechei os olhos, tentando me concentrar em outra coisa.
— Não vai chorar, hein Ana? – escutei Christian falar, mas mal ele sabia que eu não me emocionava com aquilo.
Não que eu fosse fria ou sem coração, mas porque desde que soube que estava grávida eu decidi que não queria me apegar muito ao bebê, para não sofrer se caso viesse acontecer algo no futuro.
— Os batimentos estão normais. O coraçãozinho dele está batendo forte e saudável – o doutor anunciou encerrando o som que ecoava pelo consultório, fazendo-me abrir os olhos.
Ao final da consulta o Dr. Flynn me deu mais algumas orientações sobre sempre cumprir o horário das refeições, não pegar peso, descansar e a qualquer sinal de sangramento, vir para o hospital. Também me receitou um sorinho nasal para eu comprar, no caso do meu nariz vir a entupir de novo.
— Obrigado, doutor – agradeci pegando a receita e me levantando – Até a próxima consulta.
— Você não vai ficar com o ultrassom? – escutei Christian perguntar à medida que eu abria a porta.
— Não. Vamos.
Saí do consultório passando na moça da recepção do ambulatório, para marcar a consulta do próximo mês.
— Ei, porque fez aquilo? – indagou Christian parando ao meu lado, rente ao balcão.
— Aquilo o quê? – inquiri me afastando do balcão após confirmar meu retorno.
— Porque está agindo como não se importasse com o nosso filho?
Parei no meio do corredor que andávamos e segurei em seu braço, para que ele parasse também.
— Porque eu não quero me importar, Christian. Se você quer tanto a porra do ultrassom, então vai e pega, porque eu estou pouco me lixando para isso – murmurei com raiva, já voltando a andar.
Quando engravidei a primeira vez, eu já trabalhava neste hospital, e o Dr. Flynn era o obstetra ao qual todas as funcionárias grávidas deveriam se consultar para iniciarem seus respectivos pré-natais, então ele acompanhou cada obstáculo que eu enfrentei, tanto na primeira quanto na segunda gravidez.
Nós passamos por muita coisa juntos e o Dr. Flynn sempre esteve comigo nas horas ruins, então ele sabia perfeitamente todos os meus medos com relação a uma gestação, e por isso, eu confia muito nele.
— A partir de hoje vou sempre acompanhar ela, doutor – Christian anunciou.
— Isso é ótimo. Vamos a nossa consulta então? – ele inquiriu olhando-me, com aquele sorriso acolhedor e amigável de sempre.
Assenti então o obstetra puxou meu prontuário médico de cima da pequena pilha no canto da mesa dele e o abriu, vendo o último ultrassom que eu tinha feito.
— Teve algum sangramento nessas últimas semanas?
— Graças a Deus, não – respondi feliz, internamente, por isso.
— Isso é muito bom – o doutor comentou enquanto escrevia na minha pasta, depois ergueu o olhar para mim – Notou alguma anormalidade em seu dia-a-dia, Ana? Tipo, dor de cabeça, febre, calafrios, tonturas, dores abdominais e etc?
— Não. Quer dizer, um dia depois da última consulta, meu nariz entupiu, mas não foi resfriado. Deve ter sido a mudança de clima.
— Provavelmente. Você tomou ou usou algum medicamento para descongestionar o canal nasal?
— Não. Ele desentupiu por si só no dia seguinte.
— Ok.
— Não esquece de dizer para ele que essa madrugada você passou mal porque não jantou – Christian falou e eu rolei os olhos.
— Oh pessoa, você acabou de informar ao médico sobre o ocorrido – ressaltei o encarando de lado, depois olhei para o obstetra – Não foi nada demais, Dr. Flynn. O bebê ficou muito agitado de madrugada, mas o Christian fez um lanche para mim e conversou com ele, aí o sapequinha se acalmou.
— Você não pode ficar sem comer, moça...
— Eu disse isso à ela – comentou Christian, interrompendo o médico.
— E você está certo. Fique sempre de olho nela e não a deixe pular nenhuma refeição... – o doutor voltou seus olhos para mim – ...ou terei que encaminhá-la novamente para a nutricionista, para ela lhe fazer uma dieta rica em alimentos que eu sei que você não gosta.
— Não se preocupe, doutor, eu vou ser o fiscal da comida lá em casa. Ela não vai ficar sem comer na hora que tem que comer.
O Dr. Flynn sorriu já aprovando o que Christian havia dito, depois me pediu para subir na balança para que o mesmo pudesse anotar o meu peso atual. O tempo todo fiquei com os olhos fechados, pois não queria saber o tanto que eu tinha engordado nesse último mês, porque eu sentia lá no fundo que havia ganhado alguns quilinhos extras nessas semanas.
— Ok, Ana. Pode descer – o obstetra pediu já indo até a mesa e anotando o número no meu prontuário.
— Eita, doidinha. Cem quilos? O negócio tá feio, hein?
Olhei mortalmente para Christian, que dava um sorriso cínico na minha direção.
— Não enche a minha paciência, senão vai ganhar uma cirurgia plástica de graça com o Dr. Mão Na Sua Cara – rosnei mostrando-lhe a minha mão, depois voltei a olhar para o médico – Ignora ele, doutor.
— Tudo bem. Você está com a bexiga seca?
— Eu acho que ela está meia cheia. Vou ali no banheiro rapidinho.
Ele assentiu então eu entrei no banheiro, fiz xixi e depois voltei encontrando Christian conversando com o médico, que já estava sentado em frente da mesinha do aparelho de ultrassom. Logo me deitei na maca ao lado, ajeitando-me para ficar melhor para o Dr. Flynn verificar minha altura uterina.
O doutor então me pediu para que subisse o vestido e depois colocou um lençol dobrado sobre meu quadril, deixando apenas minha barriga exposta. Enquanto, ele pegava a fita métrica na gaveta, eu olhei para Christian que se encontrava ao pé da maca, em pé, observando atentamente os movimentos do obstetra.
— Porque está me olhando desse jeito – ele indagou quando nossos olhares se encontraram.
— Tô esperando você chorar para eu poder zoar contigo – murmurei sorrindo e ele apertou meu dedão do pé rindo enquanto me chamava de “Peste”.
O médico então começou a medir minha barriga e eu permaneci o mais imóvel possível.
— Está normal? – Christian o inquiriu, em um tom preocupado.
— Sim. Está dentro da média do que consideramos normal para as semanas que ela se encontra.
— Ai que bom.
— Agora vamos ver esse rapazinho – Dr. Flynn disse já pegando o gel para passar na minha barriga – Pega uma cadeira e se senta, Christian. Te garanto que você não vai mais crescer ficando em pé aí.
— Só se for para o lado ou para frente – comentei baixinho quando Christian se afastou, fazendo o obstetra sorrir.
Christian se sentou perto das minhas pernas, olhando para o monitor à medida que o doutor começava a pressionar e deslizar a ponta do aparelho sobre a minha pele. O Dr. Flynn respondeu todas as perguntas que Christian fez com relação ao ultrassom, todas que eu já havia feito em consultas anteriores, antes do obstetra dizer que iria ver como estava os batimentos do Benjamin.
— Não vai chorar, hein Ana? – escutei Christian falar, mas mal ele sabia que eu não me emocionava com aquilo.
Não que eu fosse fria ou sem coração, mas porque desde que soube que estava grávida eu decidi que não queria me apegar muito ao bebê, para não sofrer se caso viesse acontecer algo no futuro.
— Os batimentos estão normais. O coraçãozinho dele está batendo forte e saudável – o doutor anunciou encerrando o som que ecoava pelo consultório, fazendo-me abrir os olhos.
Ao final da consulta o Dr. Flynn me deu mais algumas orientações sobre sempre cumprir o horário das refeições, não pegar peso, descansar e a qualquer sinal de sangramento, vir para o hospital. Também me receitou um sorinho nasal para eu comprar, no caso do meu nariz vir a entupir de novo.
— Obrigado, doutor – agradeci pegando a receita e me levantando – Até a próxima consulta.
— Você não vai ficar com o ultrassom? – escutei Christian perguntar à medida que eu abria a porta.
— Não. Vamos.
Saí do consultório passando na moça da recepção do ambulatório, para marcar a consulta do próximo mês.
— Ei, porque fez aquilo? – indagou Christian parando ao meu lado, rente ao balcão.
— Aquilo o quê? – inquiri me afastando do balcão após confirmar meu retorno.
— Porque está agindo como não se importasse com o nosso filho?
Parei no meio do corredor que andávamos e segurei em seu braço, para que ele parasse também.
— Porque eu não quero me importar, Christian. Se você quer tanto a porra do ultrassom, então vai e pega, porque eu estou pouco me lixando para isso – murmurei com raiva, já voltando a andar.

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