sábado, 11 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 04


ANASTASIA

UMA SEMANA DEPOIS

Acordei meio sobressaltada com um mal estar e logo notei que era Benjamin que estava muito agitado dentro da minha barriga. A cada mexida dele, uma sensação de fadiga e sufocamento me atingia fortemente.

Tentei achar uma posição para que o mesmo ficasse quietinho, mas não surtiu efeito então me sentei na beirada da cama e decidi que iria conversar com ele, porém meu movimento acabou acordando Christian sem querer.

— O que foi, Ana? Tá sentindo alguma dor? – escutei ele perguntar, ligando o abajur.

— Dor não, só um mal estar forte, porque o Benjamin tá mexendo muito.

Christian mandou eu me recostar na cabeceira da cama e assim o fiz, respirando fundo quando senti novamente o pequeno mexer.

— Ele deve está com fome, porque você, teimosa igual a uma mula, dormiu sem jantar. Não pode ficar pulando nenhuma refeição, Ana – ele brigava comigo à medida que o mesmo se sentava ao meu lado, entre as almofadas.

— Desculpe – murmurei, já vendo-o levantar a blusa do meu pijama e acariciar minha barriga, tentando acalmar o nosso filho.
— Não se preocupa, filhão. O papai vai obrigar a teimosa da sua mãe a comer algo agora mesmo – Christian falou e se inclinou, depositando um beijo sobre onde Benjamin estava mexendo, depois ele me encarou sério – Vou fazer um lanche para você e é melhor comer tudo, sua cabeça dura.

Assenti e enquanto o via saindo do quarto, lembrei de como eu tinha sido imprudente com a alimentação por causa da minha teimosia.

Christian havia me convidado, para não dizer me obrigado, a vir morar com ele, porque o mesmo queria ficar de olho em mim, então ontem à tarde, eu havia ficado com desejo de comer macarrão instantâneo e cheguei a mandar mensagem para Christian, que se encontrava trabalhando, pedindo a ele que assim que saísse do hospital, passasse no supermercado e comprasse do sabor que eu queria.

Todavia, Christian não comprou o macarrão, alegando que em casa tinha comida. Então, por birra, quando ele me chamou para jantar uma gororoba que ele havia feito, eu apenas fui para o quarto, dizendo que me encontrava com muito sono. Agora, estou pagando pela minha teimosia.

— Desculpe, filho. Prometo nunca mais te prejudicar assim – sussurrei acariciando minha barriga e logo me sobressaltei com uma dorzinha na bexiga – Ei, a mamãe já se desculpou, ouviu? Não precisa ficar chutando minha bexiga não.

— Fiz um achocolatado e um sanduíche com o resto do pão de forma do café da manhã – Christian disse adentrando o quarto, segundos depois, com uma pequena bandeja em mãos e a colocando sobre a mesinha de cabeceira, ao meu lado – Ver se come tudo.

Assenti pegando o copo e o sanduíche que ele me oferecia. Enquanto eu ia comendo devagar, para não passar mal, agora pela comida, Christian se sentou na beirada da cama, ao meu lado, e começou a conversar com o Benjamin à medida que ia passando a mão em meu ventre. Com isso, o nosso filho foi se aquietando gradativamente.

— Está melhor?

— Sim. Obrigada por cuidar de mim – falei dando um sorriso depois de repousar o copo na bandeja.

— Melhores amigos são para isso, Ana – ele disse e segurou minha mão – Promete nunca mais fazer esse tipo de coisa?

— Prometo, Christian.

Ele deu um meio sorriso e se levantou, já pegando a bandeja e saindo do quarto. Então me deitei de lado, puxando o cobertor. Me encontrava quase adormecendo quando vi Christian adentrar o quarto, desligar o abajur e se deitar às minhas costas.

Todavia, logo senti ele se aconchegar a mim, sob as cobertas, tentando dormir de conchinha comigo. Apenas impulsionei a perna para trás, dando-lhe um belo coice em suas pernas.

— O que foi?

— “O que foi?” digo eu – resmunguei o encarando por cima do ombro, tentando focalizá-lo através da penumbra do quarto – Está fazendo o maior calor e você quer dormir de conchinha?

— Está chovendo, Ana, e tá fazendo um pouco de frio. E o que há de errado em dormir de conchinha, hein?

— Não tem nada de errado, mas eu sou calorenta e não gosto de dormir assim. E outra, se você tá com frio, então levante e desligue o ar condicionado – falei virando o rosto para frente e fechando os olhos.

— Deixa de ser chata. É gostoso dormir assim – Christian disse, já me abraçando por trás – E você é a almofadinha mais fofinha de todas.

— Vou fingir que não notei que você acabou de me chamar de gorda, ok?

Escutei ele rir no pé da minha nuca e aquilo me fez arrepiar um pouco.

— Eu não vou discutir isso com você, Ana. Vamos logo voltar a dormir, porque mais tarde temos que levantar para ir à consulta.

— Ok, ok. Mas já que vamos dormir grudados, que seja um grudado confortável então – resmunguei, já começando a me ajeitar e Christian fez o mesmo, se encaixando à minha costa e repousando sua mão sobre minha barriga.

— Boa noite, chatinha.

— Boa noite, grude – sussurrei de volta.

Não demorou muito e logo ele estava dormindo, ressonando baixo, então tentei dormir também.


★ ★ ★ ★ ★


HORAS DEPOIS

— Será que o médico está é fazendo os partos lá no consultório? – escutei Christian resmungar pela décima vez.

Estávamos no ambulatório do hospital, sentados numa fila, esperando o doutor me atender. Christian se encontrava muito ansioso, tanto que já tava ficando irritante.
— A consulta demora assim mesmo, Christian. E por favor, para de esfregar as mãos nas suas coxas, porque isso tá me irritando – falei segurando seu pulso direito.

— Desculpe. Estou muito ansioso.

— Jura? Nem notei.

— É porque faz tempo que não vou há uma consulta dessa, Ana.

Preferi não tocar no assunto do outro filho dele, porque Christian sempre ficava mal por não saber onde ele se encontrava, então optei por tirar sarro do meu amigo sobre a consulta.

— Se você chorar lá, pode ter certeza que vou zoar com a sua cara até em seu leito de morte. Vou entrar no seu quarto, bem velhinha, me arrastando com aquele andador de velho e vou dar uma de Nelson dos Simpsons, vou dizer “Ha ha! Seu bebê chorão!”.

— Sua sem graça – Christian resmungou e passou a me cutucar nas costelas, fazendo-me rir, porém logo ele parou e voltou sua atenção para minha barriga, onde o mesmo passou a acariciar – Ele está agitado?

— Um pouco, mas logo vai dormir. Ele não gosta de se mexer nas consultas.

— Tímido igual aos pais – murmurou Christian sorrindo.

Deixei ele se entretendo com o Benjamin e voltei minha atenção para o celular, aonde eu conversava com a Lana. Minutos depois, a gestante que estava na minha frente, finalmente saiu do consultório.

— Até que enfim, Senhor – sussurrei me levantando.

— Tu não devia ter trazido os outros ultrassons? – Christian questionou enquanto nos dirigíamos pelo corredor do ambulatório, rumo a sala do Dr. Flynn.

— Não. Todos ficam aqui na minha pasta médica.

— Porque?

— Porque sim, Christian – resmunguei abrindo a porta.

— Bom dia, Ana – disse Dr. Flynn, se levantando de sua cadeira e apertando minha mão.

— Oi, doutor, bom dia.

— Bom dia, Christian.

— Bom dia, Dr. Flynn.

— O que veio fazer aqui? – o obstetra perguntou curioso enquanto apertavam as mãos.

— Ele é o pai do bebê – informei me sentando e vi o doutor olhar para nós dois surpresos, à medida que se sentava também.

— Sempre pensei que fosse produção independente.

— E é.

— Claro que é. Só que a senhorita está esquecendo o fato de que estamos morando juntos e dormindo na mesma cama – Christian debochou, fazendo-me respirar fundo e rolar os olhos enquanto o médico ria de nós.

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