ANASTASIA
Meio a contragosto, arrumei meu conjunto que eu dormia vestida, uma roupa limpa e minha necessaire de higiene pessoal em uma pequena bolsa, depois sai do quarto encontrando Christian na sala, rosnando para a cachorra, que rosnava de volta sempre que ele tentava pegar a manta que ela dormia em cima.
— Ai ai, já tá virando cachorro agora – comentei rolando os olhos.
Ele riu soltando a manta da Lily, que correu para o cantinho dela, com o pano na boca.
— Sua mãe...
— Foi para Bowen Island anteontem. Chega amanhã à noite – informei interrompendo-o, já indo rumo a porta – Vamos logo. Ei! Você não, mocinha – falei quando minha cachorrinha passou por entre as pernas de Christian e correu para fora do apartamento, já começando a cheirar o corredor, se distanciando – Volta, Lily – a chamei, mas como ela era revoltada e desobediente, nem me deu bola – Oh sua cachorra safada! Volta aqui! – exclamei, brigando e indo buscá-la, colocando-a para dentro e fechando em seguida a porta.
No caminho para o apartamento do Christian, o mesmo parou numa pizzaria dizendo que iria comprar uma pizza média para nós jantarmos quando chegássemos lá.
— Quer que sabor de pizza?
— Tem o sabor “Vai se fuder”? – respondi emburrada e ele rolou os olhos, já saindo do carro.
Eu estava com raiva, não com ele e sim comigo mesma, porque não sabia o que ia acontecer nessa conversa. Se Christian iria ou não ficar com muita raiva de mim, por ter escondido o bebê dele e por tê-lo impedido de vivenciar o início dessa gravidez.
“Espero que seu pai me perdoe” pensei acariciando minha barriga.
Minutos depois, ele voltou trazendo consigo a pizza e uma coca-cola pequena.
— Não tinha do refrigerante que você toma então eu vou fazer um suco quando chegarmos lá em casa.
— Pode passar no supermercado e comprar um potão de sorvete pra mim comer com a pizza?
— Pizza com sorvete? – Christian inquiriu me olhando incrédulo.
— Sim. Porque?
— Nada não, sua alienígena.
Acabei sorrindo e ele também, e com isso o clima se amenizou um pouco.
— Ana, você tem certeza de que eu sou o pai do bebê? – Christian me perguntou enquanto jantávamos na mesa da cozinha.
— Tenho – respondi de boca cheia.
— Isso não é nenhuma brincadeira, né?
— Claro que não, Christian. Porque acha que eu iria brincar com algo sério assim? – o questionei enquanto me servia de mais outra garfada do meu pedaço de pizza com o sorvete por cima.
— Desculpe. É que a gente tira tanto sarro um do outro, que eu não poderia descartar a hipótese da gravidez ser uma pegadinha sua.
O encarei sério.
— Não é nenhuma pegadinha. Essa barriga aqui não é falsa, tá Christian? Se quer ter certeza, vem sentir ele mexer aqui.
— Ele está mexendo?
Assenti então Christian se levantou do seu lugar, deu a volta na mesa, à medida que eu ficava de lado para o mesmo que já se agachava à minha frente. Ele ergueu a mão e acariciou minha barriga, fazendo-me logo notar outro movimento do nosso filho.
— Oi bebê – disse Christian sorrindo.
— O nome dele é Benjamin – o informei.
— É um menino?
— Sim.
Ele sorriu de novo, voltando a mexer sua mão por sobre o fino pano do meu vestido.
— Peraí... Benjamin? Você escolheu um nome de gente velha para ele? Cê fumou um baseado muito louco né?
Semicerrei os olhos, bem séria.
— Seu sem graça – resmunguei enquanto ele ria – Eu gosto de Benjamin então o nome dele vai ser esse e ponto final. E ai de você se falar de novo que é nome de velho, porque eu vou dar tanto na sua cara, que ela vai partir ao meio.
— Eita que agressiva. Tá bom então. Eu me rendo – Christian falou dramático, erguendo as mãos para o alto e se levantou – Mesmo eu não gostando do nome, por motivos que eu não ousarei pronunciar, pelo bem da minha carinha linda de neném... – rolei os olhos – ...o nome do nosso filho pode ser Benjamin.
— Você está com raiva de mim? – indaguei quando Christian voltou a se sentar em seu lugar e continuamos a comer.
— Mais ou menos. Mas você teve seus motivos, eu acho.
— Sim. Só me afastei de você porque eu não queria que a minha gravidez atrapalhasse seus planos com a Leila. E por falar nela. E aí, como vocês estão?
— Ah que ótimo. Obrigado por me lembrar disso. Agora estou com raiva de você – ele murmurou emburrado e eu não entendi nada.
— Porque? O que eu fiz?
— Foi o que você não fez, Ana. Se tivesse me contado sobre o bebê assim que descobriu, teria me livrado de levar um baita chifre da Leila.
Não me aguentei e cai na risada.
— Ela te traiu foi? – perguntei em meio ao riso.
— Sim. Peguei ela aqui em casa com o Elliot.
— Você é muito trouxa, véio! – exclamei, não conseguindo parar de rir.
— Vai tomar no cu, vai?
— Não! Ficar aqui rindo da sua cara é muito melhor – provoquei, mas logo percebi que Christian estava ficando meio magoado com aquele assunto então tentei controlar meu riso – Desculpe, mas chifre é vida, meu filho.
— Ha ha! Que engraçadinha.
Ele se levantou e eu fiz o mesmo, já o ajudando a arrumar as coisas de cima da mesa.
— É sério, Christian. Chifre faz parte da vida. Quem não teve, pode apostar que um dia vai ter – comentei enquanto colocava a louça na pia e começava a lavá-la, mas ele me impediu fechando a torneira.
— Vem... Vamos para sala assistir filme – Christian murmurou passando seu braço por sobre meus ombros e me conduziu até o sofá da sala de estar então me mandou sentar enquanto se afastava para colocar o filme no aparelho de DVD, depois veio se sentar ao meu lado.
Quando apareceu o nome do filme, virei o rosto, mirando Christian mortalmente. O desgraçado tinha colocado Brasileirinhas, um filme pornô brasileiro que eu achava muito escroto e odiava aquilo de corpo e alma.
— Você está de brincadeira né? – inquiri já puta de raiva com ele.
— Tô não. Esse é o seu castigo por não ter impedido o meu chifre.
Rolei os olhos e olhei para tela da TV. Passados alguns segundos eu imitei dramaticamente que me matava e Christian riu mandando eu voltar a assistir a porra do filme porque era último lançamento.
“Ele vai pagar muito caro por isso!” pensei emburrada, olhando de canto de olho para Christian, que tava atracado ao meu braço para me impedir de sair do sofá.
Meio a contragosto, arrumei meu conjunto que eu dormia vestida, uma roupa limpa e minha necessaire de higiene pessoal em uma pequena bolsa, depois sai do quarto encontrando Christian na sala, rosnando para a cachorra, que rosnava de volta sempre que ele tentava pegar a manta que ela dormia em cima.
— Ai ai, já tá virando cachorro agora – comentei rolando os olhos.
Ele riu soltando a manta da Lily, que correu para o cantinho dela, com o pano na boca.
— Sua mãe...
— Foi para Bowen Island anteontem. Chega amanhã à noite – informei interrompendo-o, já indo rumo a porta – Vamos logo. Ei! Você não, mocinha – falei quando minha cachorrinha passou por entre as pernas de Christian e correu para fora do apartamento, já começando a cheirar o corredor, se distanciando – Volta, Lily – a chamei, mas como ela era revoltada e desobediente, nem me deu bola – Oh sua cachorra safada! Volta aqui! – exclamei, brigando e indo buscá-la, colocando-a para dentro e fechando em seguida a porta.
No caminho para o apartamento do Christian, o mesmo parou numa pizzaria dizendo que iria comprar uma pizza média para nós jantarmos quando chegássemos lá.
— Quer que sabor de pizza?
— Tem o sabor “Vai se fuder”? – respondi emburrada e ele rolou os olhos, já saindo do carro.
Eu estava com raiva, não com ele e sim comigo mesma, porque não sabia o que ia acontecer nessa conversa. Se Christian iria ou não ficar com muita raiva de mim, por ter escondido o bebê dele e por tê-lo impedido de vivenciar o início dessa gravidez.
“Espero que seu pai me perdoe” pensei acariciando minha barriga.
Minutos depois, ele voltou trazendo consigo a pizza e uma coca-cola pequena.
— Não tinha do refrigerante que você toma então eu vou fazer um suco quando chegarmos lá em casa.
— Pode passar no supermercado e comprar um potão de sorvete pra mim comer com a pizza?
— Pizza com sorvete? – Christian inquiriu me olhando incrédulo.
— Sim. Porque?
— Nada não, sua alienígena.
Acabei sorrindo e ele também, e com isso o clima se amenizou um pouco.
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— Ana, você tem certeza de que eu sou o pai do bebê? – Christian me perguntou enquanto jantávamos na mesa da cozinha.
— Tenho – respondi de boca cheia.
— Isso não é nenhuma brincadeira, né?
— Claro que não, Christian. Porque acha que eu iria brincar com algo sério assim? – o questionei enquanto me servia de mais outra garfada do meu pedaço de pizza com o sorvete por cima.
— Desculpe. É que a gente tira tanto sarro um do outro, que eu não poderia descartar a hipótese da gravidez ser uma pegadinha sua.
O encarei sério.
— Não é nenhuma pegadinha. Essa barriga aqui não é falsa, tá Christian? Se quer ter certeza, vem sentir ele mexer aqui.
— Ele está mexendo?
Assenti então Christian se levantou do seu lugar, deu a volta na mesa, à medida que eu ficava de lado para o mesmo que já se agachava à minha frente. Ele ergueu a mão e acariciou minha barriga, fazendo-me logo notar outro movimento do nosso filho.
— Oi bebê – disse Christian sorrindo.
— O nome dele é Benjamin – o informei.
— É um menino?
— Sim.
Ele sorriu de novo, voltando a mexer sua mão por sobre o fino pano do meu vestido.
— Peraí... Benjamin? Você escolheu um nome de gente velha para ele? Cê fumou um baseado muito louco né?
Semicerrei os olhos, bem séria.
— Seu sem graça – resmunguei enquanto ele ria – Eu gosto de Benjamin então o nome dele vai ser esse e ponto final. E ai de você se falar de novo que é nome de velho, porque eu vou dar tanto na sua cara, que ela vai partir ao meio.
— Eita que agressiva. Tá bom então. Eu me rendo – Christian falou dramático, erguendo as mãos para o alto e se levantou – Mesmo eu não gostando do nome, por motivos que eu não ousarei pronunciar, pelo bem da minha carinha linda de neném... – rolei os olhos – ...o nome do nosso filho pode ser Benjamin.
— Você está com raiva de mim? – indaguei quando Christian voltou a se sentar em seu lugar e continuamos a comer.
— Mais ou menos. Mas você teve seus motivos, eu acho.
— Sim. Só me afastei de você porque eu não queria que a minha gravidez atrapalhasse seus planos com a Leila. E por falar nela. E aí, como vocês estão?
— Ah que ótimo. Obrigado por me lembrar disso. Agora estou com raiva de você – ele murmurou emburrado e eu não entendi nada.
— Porque? O que eu fiz?
— Foi o que você não fez, Ana. Se tivesse me contado sobre o bebê assim que descobriu, teria me livrado de levar um baita chifre da Leila.
Não me aguentei e cai na risada.
— Ela te traiu foi? – perguntei em meio ao riso.
— Sim. Peguei ela aqui em casa com o Elliot.
— Você é muito trouxa, véio! – exclamei, não conseguindo parar de rir.
— Vai tomar no cu, vai?
— Não! Ficar aqui rindo da sua cara é muito melhor – provoquei, mas logo percebi que Christian estava ficando meio magoado com aquele assunto então tentei controlar meu riso – Desculpe, mas chifre é vida, meu filho.
— Ha ha! Que engraçadinha.
Ele se levantou e eu fiz o mesmo, já o ajudando a arrumar as coisas de cima da mesa.
— É sério, Christian. Chifre faz parte da vida. Quem não teve, pode apostar que um dia vai ter – comentei enquanto colocava a louça na pia e começava a lavá-la, mas ele me impediu fechando a torneira.
— Vem... Vamos para sala assistir filme – Christian murmurou passando seu braço por sobre meus ombros e me conduziu até o sofá da sala de estar então me mandou sentar enquanto se afastava para colocar o filme no aparelho de DVD, depois veio se sentar ao meu lado.
Quando apareceu o nome do filme, virei o rosto, mirando Christian mortalmente. O desgraçado tinha colocado Brasileirinhas, um filme pornô brasileiro que eu achava muito escroto e odiava aquilo de corpo e alma.
— Você está de brincadeira né? – inquiri já puta de raiva com ele.
— Tô não. Esse é o seu castigo por não ter impedido o meu chifre.
Rolei os olhos e olhei para tela da TV. Passados alguns segundos eu imitei dramaticamente que me matava e Christian riu mandando eu voltar a assistir a porra do filme porque era último lançamento.

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