sábado, 11 de julho de 2020

Um Presente para Christian - Capítulo 01


ANASTASIA

CINCO MESES DEPOIS

Me olhei novamente no espelho e respirei fundo. Eu estava um pouco nervosa pelo meu reencontro com o Christian, depois de meses sem nos vermos.

Semanas após aquela nossa noitada na boate e o sexo no apartamento dele, minha menstruação atrasou, mas isso era normal para mim que possuía um ciclo desregulado. Entretanto, quando eu tive uma grave crise matinal de vômito, fiquei muito alarmada, pois já havia tido hiperemese gravídica no início das outras duas vezes que fiquei grávida.

Então, aproveitando que trabalhava no hospital, pedi para que uma colega minha do laboratório tirasse meu sangue e fizesse um exame de Beta HCG, por debaixo dos panos, para mim. No mesmo dia, eu recebi o resultado, descobrindo que estava grávida.

Fiquei feliz e com medo ao mesmo tempo. Feliz, porque eu queria ter filhos, pois era meu sonho. E triste, primeiro, porque eu já havia tido dois abortos e não sabia se iria ou não conseguir levar essa gestação muito adiante, e segundo, porque eu não poderia contar para o Christian sobre o bebê, pois ele e Leila estavam bem e até planejavam um possível casamento para o futuro.

Então, não querendo mudar os planos do meu melhor amigo, que se encontrava feliz, eu pedi demissão dias depois de receber o resultado do exame e me isolei em casa, mudando até o número do meu celular para que ninguém pudesse me importunar sobre minha saída repentina do hospital, já que eu nem tinha cumprido aviso prévio.

Os meses foram se passando e a cada dia minha barriga ia crescendo e minha incerteza sobre o futuro, também. Até que ontem, recebi uma ligação de um número privado, mas para a minha surpresa era o Christian. Na hora até pensei em desligar na cara dele, porém quando percebi, já me encontrava aceitando sair com ele para jantarmos hoje.

E cá estou eu, em frente ao espelho de corpo inteiro existente em meu quarto, observando minha barriga de 20 semanas.

“Espero que dê tudo certo com o seu pai” pensei acariciando ela por alguns segundos até que resolvi colocar o vestido preto de bolinhas brancas, que eu havia escolhido hoje a tarde.

Estava terminando de ajeitar o sobretudo, por sobre o vestido, quando recebi uma mensagem do Christian, onde o mesmo me informou de que já se encontrava em frente ao prédio. Então, respirei fundo, pegando minha bolsa de mão sobre a cama e a Lily, que me observava deitada sobre meu travesseiro.

— Mamãe já volta. Se comporte, hein sua bolinha de pelo? – indaguei, dando-lhe um beijinho em sua cabeça, antes de colocá-la sobre o sofá e receber alguns latidos em resposta enquanto abria a porta do apartamento.

Um meio sorriso surgiu em meus lábios quando vi Christian escorado no Tesla. Ele também sorriu ao me ver e eu dei graças a Deus por está usando o sobretudo, pois assim o mesmo não perceberia minha barriga de imediato.
— Oh, minha doidinha! Tava com tanta saudade de tu, porra! – Christian exclamou bastante animado, se aproximando de mim bem rápido, abraçando-me fortemente, me tirando do chão, porém logo ele me soltou, olhando-me assustado e surpreso – Você está grávida? – ele indagou, já tocando na minha barriga – Caralho, que foda! Meus parabéns, Ana! Estou muito feliz por você.

— Obrigada, Christian – agradeci, retribuindo o novo abraço que ele me dava.

— Mas peraí, desde quando as lésbicas de hoje em dia tem pau pra engravidar? Ou você pegou foi um traveco pensando que era mulher?

— Deixa de ser retardado, seu idiota – exclamei descendo a bolsada no braço dele que ainda ria – Eu fiquei foi com um homem.

— E quem foi a vítima?

— Não quero falar disso agora – retruquei emburrada, passando por ele e indo rumo ao seu carro.

— Ah, qual é, Ana? Vai esconder a principal informação desse babado? Logo pra mim que sou seu melhor amigo... – ele disse e correu parando na minha frente, impedindo-me de continuar a andar – Ainda somos melhores amigos, né?

— Sim, mas como já disse antes, eu não quero falar disso agora. Entendeu ou você não limpou esses ouvidos esse mês?

— Ainda não chegou o dia da minha limpeza mensal.

— Seu porco.

Ele riu e foi abrir a porta do carro para mim.


★ ★ ★ ★ ★


— Não vai mesmo me dizer quem é o pai do bebê? – Christian perguntou, minutos depois.

— Não – respondi bem séria, olhando para a paisagem da janela.

— É alguém que eu conheço? Ou é alguém que eu não gosto? Me conta aí, doidinha... Por favor, amor... Prometo não avacalhar contigo.

— Não.

— Oh bicha chata, meu Deus! – Christian resmungou e ficou quieto por um tempinho, mas logo voltou de novo a me perturbar com aquele assunto, me deixando muito puta da vida.

— Ok, Christian! O pai do meu filho é você, ok?! – esbravejei com raiva e o vi me olhar confuso, depois rir voltando sua atenção para a rua.

— Para de graça, Ana. Conta logo quem é?

— Eu já contei, porra!

— Está de sacanagem com a minha cara, né? – ele indagou e eu neguei, lembrando-o da nossa noite, há cinco meses.

Christian voltou a olhar para frente, mas ficou com o olhar vago. Tentei chamá-lo e nada dele responder ou sequer olhar para mim, foi quando percebi que o mesmo não ia parar no sinal, que se encontrava vermelho no momento.

— Christian?! Freia! Freia, caralho! Freia! Ai, meu Deus! Christian! – gritei desesperada pegando no braço dele, que logo se despertou e freiou o carro, fazendo-me instintivamente segurar minha barriga e fechar os olhos, para não ver o momento do impacto quando o outro carro batesse em nós, no meio do sinal.

Se passaram alguns segundos, quando escutei Christian me chamar, à medida que eu ia abrindo os olhos, já notando com o outro carro havia freado também, antes de conseguir bater em cheio na minha porta.

Olhei para as minhas mãos e as mesmas se encontravam muito trêmulas. Ao fundo, escutei o outro motorista nos xingando, por termos avançado o sinal, então enquanto tentava me acalmar, Christian colocou o carro para funcionar e estacionou mais adiante.

— Ana, você está bem? – ele perguntou segurando meu rosto entre suas mãos – Eita, você está tremendo.

O encarei e comecei a bater nele, xingando-o por todos os nomes que conseguia lembrar naquele momento.

— Se acalma.

— Me leva de volta pra casa! Eu não quero mais sair com você! Eu não quero mais te ver! – esbravejei.

— Não, Ana. A gente precisa conversar.

— Me leva pra casa agora! – gritei com raiva, então ele fechou a cara também e colocou o carro para funcionar.

Com o passar dos minutos, eu fui me acalmando e quando Christian parou o carro em frente ao meu prédio, minhas mãos já não tremiam mais. Dei um “Tchau” bem seco para ele e saí do Tesla.

— Aonde você pensa que vai? – indaguei quando vi Christian sair do carro e se aproximar de mim.

— Subindo contigo, porque você vai pegar uma muda de roupa e o seu pijama e depois nós vamos ir para o meu apartamento. A gente precisa, e vai, conversar sobre essa gravidez, nem que tenhamos que passar a noite toda acordados.

Só o encarei com raiva e saí pisando fundo, adentrando o prédio, sendo seguida por ele.

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