quarta-feira, 15 de julho de 2020

S.E.X - 3ª Temporada - Capítulo 04


CHRISTIAN

Senti minhas pernas meio trêmulas e acabei escorregando pela parede, sentando-me no chão. Leila logo se agachou ao meu lado, perguntando se eu estava bem.

— Porque não me ligou? Ou me procurou? – inquiri, ainda tentando absorver a notícia de que eu já posso ter um filho.

— Eu... eu não sei, Christian. Talvez medo da sua reação, porque você vivia dizendo que nunca poderia ter filhos, por causa do seu problema, então você iria acabar achando que eu tinha te traído e que esse bebê era de outro.

Abaixei um pouco a cabeça, meio pensativo, pois provavelmente naquela época eu teria achado isso mesmo, que Leila tinha me traído e a gente acabaria brigando feio, e não teríamos essa amizade que poucos ex-casais possuem.

— Leila, você não abortou o nosso filho, abortou?

A encarei e ela deu um meio sorriso, negando com a cabeça, já se sentando ao meu lado.

— Mesmo a gente tendo terminado, eu ainda te amava muito naquela época, Chris. Então assim que descobri a gravidez, eu decidi que não poderia matar metade de você que estava dentro de mim.

Suspirei, aliviado.

— E onde ele está?

— Ela está com a minha mãe. Eu a deixei lá essa noite para poder ir na festa com o Jaymes, mas Leah mora comigo.

— Leah?

— Sim. Na verdade, o nome dela iria ser Léia, porque você gostava demais de assistir Star Wars, mas eu sonhei com o nome “Leah” e me apaixonei por ele. Desculpe por não colocar o nome que você gostava. Bom... provavelmente colocará ele em um dos seus filhos agora.

— “Leah” também é um nome lindo – comentei, e complementei, pensativo – Você não deveria ter escondido ela de mim.

— Eu sei, Chris. Desculpe.

— Ela sabe de mim?

— Sabe sim. Desde que ela começou a perguntar pelo pai eu contei sobre você. Claro que foi como se fosse uma historinha de conto de fadas para não bugar a cabecinha dela.

— Conto de fadas? – indaguei, confuso.

— Sim, Chris. Ela pede todo dia que eu conte essa história antes dela ir dormir... Era uma vez, em um reino distante, um lindo príncipe chamado Christian e uma linda princesa chamada Leila, que se amavam muito e estavam prestes a se casar, porém perceberam que não eram a pessoa certa um do outro e decidiram sair em busca do verdadeiro amor. Mas logo que o príncipe saiu em sua jornada, a princesa descobriu que ia ter um bebê e não mandou notícias ao príncipe, para que ele não interrompesse a sua viagem.

Leila contava, fazendo-me sorrir, meio bobo, imaginando minha filha ouvindo aquilo.

— A princesa teve uma linda menininha ao qual ela chamou de Leah. Um dia, a princesa recebeu a notícia de que o príncipe havia conseguido encontrar seu verdadeiro amor e que se encontrava muito feliz, assim como ela, que também havia encontrado seu verdadeiro príncipe encantado. Então, a princesa Leila mandou um mensageiro para avisar o príncipe Christian sobre a filha deles e o mesmo respondeu que em breve iria retornar ao reino da princesa para poder conhecer a pequena princesinha, pois mesmo sem a conhecer, já a amava muito.

— Uau!

— Naquele dia que nos encontramos no hospital, eu adicionei a última parte onde o príncipe encontra o verdadeiro amor dele.

— Deixa eu ver uma foto dela?

— Claro – Leila disse, pegando seu celular no bolso da calça, já me mostrando algumas fotos.
— Ela é tão linda... Quero conhecer a minha filha, Leila. Quero registrar ela. A gente pode...

— Eu não quero que isso atrapalhe a sua vida, Chris – ela comentou, me interrompendo – E muito menos lhe contei para te cobrar algo como um registro ou algo do tipo. Contei, porque Leah sabe de você e algum momento no futuro ela poderia ir até a sua casa, ou pior, Leah poderia acabar se apaixonando por um dos meio-irmãos sem saber e seria mais complicado ainda de esclarecer essa situação toda.

— Entendo. Mas não se preocupe, que isso não vai atrapalhar minha vida, Leila. Você sabe que eu sou louco por crianças e Leah é a minha filha, então quero dividir a guarda dela com você. Ela pode ficar comigo quando você estiver de plantão, ou podemos divide os finais de semana – falei, já animado.

— E a Anastasia? Eu não quero confusão com ela.

— Não vai ter confusão nenhuma, Lê. Ana pode até ficar com raiva ou emburrada se quiser, mas isso não vai mudar nada.

— Vai mudar sim, Chris. Ela pode achar que eu quero usar a nossa filha para me aproximar de você, porque te quero de volta, e isso não é verdade. Eu amo muito o Jaymes. Ele é totalmente incrível – Leila murmurou, dando um sorriso bobo e ficando com um olhar vago.

Ri e a empurrei de leve com meu ombro.

— Ei, sua apaixonada. Volta pra terra.

Ela me encarou e sorriu, já me dando um soquinho no braço, chamando-me de “Besta”.

— Então... esse cara aí trata a nossa filha bem? Porque se ele não tratar, assim que eu conhecer esse tal de Jaymes, não vou dar um aperto de mão não, e sim um soco na fuça dele.

Leila riu.

— Relaxa, seu briguento. Jaymes trata a Leah super bem, como se fosse um pai. Ele gosta muito dela e ela também gosta muito dele, mas Leah até agora nunca chamou o Jaymes de “Pai”, só de “Tio Jay” – ela informou, me deixando muito feliz.

— Amanhã, quer dizer, mais tarde... A gente pode se encontrar para eu conhecer a minha filha e para resolvermos sobre a guarda dela? Se isso não for te atrapalhar em seu trabalho, é claro. E nem na escolinha da Leah.

— Ah... sem problema. Leah estuda em casa por enquanto.

Franzi o cenho, confuso.

— Porque? Ela já deveria está frequentando a escola, Leila.

— Eu sei disso. Só que a Leah herdou sua timidez multiplicada ao triplo. Ela abriu o maior berreiro no ano retrasado, quando eu fui levá-la na escolinha no primeiro dia de aula. Hoje em dia, com as consultas com a psicóloga e as idas que eu dou com ela no parque, Leah já está se tornando menos tímida, mas ainda tem muito a se fazer antes de tentar colocar ela de novo no colégio.

— Hum... Entendi.

— Estaremos livre depois das três da tarde. Podemos nos encontrar no Seattle Aquarium às quatro em ponto, pode ser?

Assenti, sorrindo, e enquanto trocávamos os nossos números para combinarmos melhor, percebi Anastasia vindo até nós, com uma cara de poucos amigos.

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