ANASTASIA
O garçom apareceu minutos depois e veio entregar minha porção grande de batata frita com queijo cheddar, depositando ao lado dela um pote pequeno de sorvete de chocolate. Agradeci e à medida que eu via o rapaz se distanciar, avistei Christian adentrar o restaurante.
Ele logo me viu e se aproximou, sentando no outro sofá de couro vermelho à minha frente.
— Desligue seu celular – pedi e Christian franziu o cenho, então peguei meu telefone e lhe mostrei a chamada em curso ainda – Te escutei resmungar até aqui – informei, vendo o mesmo tirar o celular do bolso e encerrar a ligação.
— Resmunguei porque eu estou chateado, Ana. Você deveria ter me acordado para atender o seu desejo e não ter saído no meio da noite. E se, Deus me livre, acontecesse algo?
— Eu falei que não queria te incomodar, por isso não te acordei – murmurei, despejando um pouco de sorvete sobre uma parte pequena da batata frita.
— Mas deveria. É minha obrigação como pai e companheiro atender seus desejos de grávida. Pelo visto, vamos ter fãs de batata frita e de sorvete.
— Acho que sim – falei, dando de ombros, então o encarei – Se quiser, pode comer dessa metade para lá das batatas.
Ele logo disse que não queria, mas segundos depois começou a comer devagar.
— A gente precisa conversar, Ana. Eu não quero acabar com o nosso relacionamento.
— Eu também não quero. Me senti muito mal com aquela discussão, mas eu só queria que você entendesse o meu lado.
— Então vamos fazer o seguinte. Vamos colocar tudo para fora. Tudo o que sentimos e o que queremos como casal, porque eu também não aguento mais essas brigas – Christian disse, fazendo-me erguer o olhar – Resolveremos tudo isso, aqui e agora. Ok?
— Ok. Você primeiro, por favor.
— Tudo bem – o vi respirar fundo – Ana... Eu gostaria de ter uma esposa mais presente, que cuidasse da família que quero construir, mas eu sinto que você não está tão disposta a mudar um pouco a sua rotina para...
— Eu falei que vou mudar – comentei, o interrompendo – Tenho um tempo até nossos filhos nascerem, então dá para eu ir me despedindo aos poucos da minha vida de agora.
— A questão é essa, Ana. Eu não quero que você largue o seu trabalho e sim que diminua a sua carga horária. Que trabalhe meio período, assim como eu. De tarde, por exemplo, já que eu trabalho pela manhã.
— Ok – murmurei, voltando a comer.
— Ana, você vai ter três filhos e um marido em casa. Como acha que vai ser se você optar por trabalhar o dia todo? Você vai chegar em casa cansada, vai escutar choro e birra de criança, vai se irritar e se isolar. Eu não quero que você seja uma mãe ausente, para depois ficar arrependida pelos cantos.
Parei um pouco para pensar no que Christian havia dito e o mesmo tinha um pouco de razão, pois eu não queria ser uma mãe ruim, até porque esse era o meu maior medo, desde que eu descobri que estava grávida.
— Com relação à mim, essa rotina de você chegar cansada todo dia e querer ir dormir cedo, vai acabar me afastando de você, porque eu vou sentir falta de afeto e de sexo. Já sobre as babás, podemos contratar apenas uma para nos ajudar, mas que não seja muito velha, pois ela vai precisar ter pique para aguentar três bebês. E, durante suas viagens, minha mãe pode muito bem ir para nossa casa e me ajudar com eles. Agora é sua vez de se expressar.
— Ok – falei e respirei fundo, antes de parar de comer e encará-lo – Eu acho que você está tentando me mudar rápido demais, Christian. De um dia para o outro, você decidiu que eu deveria ser mãe. Foi um baque enorme para mim e eu ainda estou tentando superar isso, mas é complicado. Aí então você decide que eu deveria ser igual a sua mãe, uma dona de casa devota para o marido e os filhos. Não é bem assim. Se estamos num relacionamento, deveríamos tomar decisões juntos. Você não pode chegar para mim e dizer “Domingo agora é Dia dos Pais e o churrasco vai ser aqui em casa, então organize tudo”. Nem um “Por favor” você me disse.
— Ok...
— Você poderia ter chegado para mim e me perguntado se eu poderia te ajudar a organizar as coisas, já que você não sabe. É claro que eu teria te ajudado, Christian. Ou até falado “Então deixa comigo que eu organizo tudo, amor”. Eu iria me oferecer para organizar e não ser obrigada a fazer isso. Entende?
— Sim, eu entendo, Ana.
— Sobre ser dona de casa... Eu não odeio ser isso, só não quero mais voltar a ser. Até porque, se você tivesse parado um pouco para pensar, eu comecei a ser dona de casa mais cedo que todo mundo da sua família. Com seis anos de idade, eu assumi responsabilidades que eram demais para mim. Como irmã mais velha, eu tive que amadurecer cedo para poder cuidar sozinha de uma casa, da minha irmã e do meu pai. Então eu fiquei muito magoada quando você me acusou de estar fugindo das minhas responsabilidades, porque eu não sou assim, Christian.
Não consegui controlar uma crise de choro que me atingiu, mas logo senti ele se sentar ao meu lado e me envolver em seus braços, trazendo-me para perto do seu corpo. Escutei Christian pedir um copo com água e com meia colher de açúcar. Segundos depois, o garçom apareceu com o copo e eu comecei a bebê-lo devagar, me acalmando aos poucos.
— Está melhor? – Christian indagou, acariciando o meu cabelo, então assenti enquanto depositava o copo vazio sobre a mesa – Me desculpe por ter sido tão egoísta e por ser um péssimo namorado.
— Você não é um péssimo namorado, Christian. Você tem seus defeitos e eu tenho os meus. Você foi criado de um jeito e eu me criei de outro. Isso não torna a gente péssimos em nada. Só devemos aprender e aceitar um ao outro como nós somos e tentar conviver em paz, amor.
— Eu sei e o que eu puder fazer para te recompensar, eu farei.
— Só quero que me deixe ser eu mesma – pedi, dando um selinho nele – Eu tenho plena certeza de que nunca vou ser a esposa perfeita que Grace almeja para você, mas eu vou ser sua esposa sim, do meu jeito e no meu tempo. Só não me force a ser algo que não sou, querido.
— Tudo bem, amor – Christian falou, secando meu rosto com seus polegares.
— E sobre os bebês, por enquanto eu quero trabalhar o dia todo, mas aceito mudar o meu horário depois que eles nascerem, combinado?
— Combinado. E com relação às babás? Você vai querer só uma ou as três mesmo?
— A gente ver isso depois, querido. Vamos ver como nos saímos na primeira semana, sozinhos com os trigêmeos. Daí a gente ver se contrata uma, três ou trinta babás no mínimo – comentei sorrindo, fazendo Christian rir.
— Ok. Vamos para casa? Você precisa descansar.
— Vamos, mas primeiro me ajuda a terminar com essas batatas fritas? – perguntei, puxando o prato para mais perto da gente.
— Ajudo sim. Só que eu fico com essa parte que você misturou sorvete.
— Porque?
— Porque você bebeu um copo com água misturada com açúcar. Eu não quero ver você passando mal, com sua glicose lá no alto.
— Tudo bem, amor – falei, já colocando ketchup e maionese sobre a minha parte, antes de começar a comer.
O garçom apareceu minutos depois e veio entregar minha porção grande de batata frita com queijo cheddar, depositando ao lado dela um pote pequeno de sorvete de chocolate. Agradeci e à medida que eu via o rapaz se distanciar, avistei Christian adentrar o restaurante.
— Desligue seu celular – pedi e Christian franziu o cenho, então peguei meu telefone e lhe mostrei a chamada em curso ainda – Te escutei resmungar até aqui – informei, vendo o mesmo tirar o celular do bolso e encerrar a ligação.
— Resmunguei porque eu estou chateado, Ana. Você deveria ter me acordado para atender o seu desejo e não ter saído no meio da noite. E se, Deus me livre, acontecesse algo?
— Eu falei que não queria te incomodar, por isso não te acordei – murmurei, despejando um pouco de sorvete sobre uma parte pequena da batata frita.
— Mas deveria. É minha obrigação como pai e companheiro atender seus desejos de grávida. Pelo visto, vamos ter fãs de batata frita e de sorvete.
— Acho que sim – falei, dando de ombros, então o encarei – Se quiser, pode comer dessa metade para lá das batatas.
Ele logo disse que não queria, mas segundos depois começou a comer devagar.
— A gente precisa conversar, Ana. Eu não quero acabar com o nosso relacionamento.
— Eu também não quero. Me senti muito mal com aquela discussão, mas eu só queria que você entendesse o meu lado.
— Então vamos fazer o seguinte. Vamos colocar tudo para fora. Tudo o que sentimos e o que queremos como casal, porque eu também não aguento mais essas brigas – Christian disse, fazendo-me erguer o olhar – Resolveremos tudo isso, aqui e agora. Ok?
— Ok. Você primeiro, por favor.
— Tudo bem – o vi respirar fundo – Ana... Eu gostaria de ter uma esposa mais presente, que cuidasse da família que quero construir, mas eu sinto que você não está tão disposta a mudar um pouco a sua rotina para...
— Eu falei que vou mudar – comentei, o interrompendo – Tenho um tempo até nossos filhos nascerem, então dá para eu ir me despedindo aos poucos da minha vida de agora.
— A questão é essa, Ana. Eu não quero que você largue o seu trabalho e sim que diminua a sua carga horária. Que trabalhe meio período, assim como eu. De tarde, por exemplo, já que eu trabalho pela manhã.
— Ok – murmurei, voltando a comer.
— Ana, você vai ter três filhos e um marido em casa. Como acha que vai ser se você optar por trabalhar o dia todo? Você vai chegar em casa cansada, vai escutar choro e birra de criança, vai se irritar e se isolar. Eu não quero que você seja uma mãe ausente, para depois ficar arrependida pelos cantos.
Parei um pouco para pensar no que Christian havia dito e o mesmo tinha um pouco de razão, pois eu não queria ser uma mãe ruim, até porque esse era o meu maior medo, desde que eu descobri que estava grávida.
— Com relação à mim, essa rotina de você chegar cansada todo dia e querer ir dormir cedo, vai acabar me afastando de você, porque eu vou sentir falta de afeto e de sexo. Já sobre as babás, podemos contratar apenas uma para nos ajudar, mas que não seja muito velha, pois ela vai precisar ter pique para aguentar três bebês. E, durante suas viagens, minha mãe pode muito bem ir para nossa casa e me ajudar com eles. Agora é sua vez de se expressar.
— Ok – falei e respirei fundo, antes de parar de comer e encará-lo – Eu acho que você está tentando me mudar rápido demais, Christian. De um dia para o outro, você decidiu que eu deveria ser mãe. Foi um baque enorme para mim e eu ainda estou tentando superar isso, mas é complicado. Aí então você decide que eu deveria ser igual a sua mãe, uma dona de casa devota para o marido e os filhos. Não é bem assim. Se estamos num relacionamento, deveríamos tomar decisões juntos. Você não pode chegar para mim e dizer “Domingo agora é Dia dos Pais e o churrasco vai ser aqui em casa, então organize tudo”. Nem um “Por favor” você me disse.
— Ok...
— Você poderia ter chegado para mim e me perguntado se eu poderia te ajudar a organizar as coisas, já que você não sabe. É claro que eu teria te ajudado, Christian. Ou até falado “Então deixa comigo que eu organizo tudo, amor”. Eu iria me oferecer para organizar e não ser obrigada a fazer isso. Entende?
— Sim, eu entendo, Ana.
— Sobre ser dona de casa... Eu não odeio ser isso, só não quero mais voltar a ser. Até porque, se você tivesse parado um pouco para pensar, eu comecei a ser dona de casa mais cedo que todo mundo da sua família. Com seis anos de idade, eu assumi responsabilidades que eram demais para mim. Como irmã mais velha, eu tive que amadurecer cedo para poder cuidar sozinha de uma casa, da minha irmã e do meu pai. Então eu fiquei muito magoada quando você me acusou de estar fugindo das minhas responsabilidades, porque eu não sou assim, Christian.
Não consegui controlar uma crise de choro que me atingiu, mas logo senti ele se sentar ao meu lado e me envolver em seus braços, trazendo-me para perto do seu corpo. Escutei Christian pedir um copo com água e com meia colher de açúcar. Segundos depois, o garçom apareceu com o copo e eu comecei a bebê-lo devagar, me acalmando aos poucos.
— Está melhor? – Christian indagou, acariciando o meu cabelo, então assenti enquanto depositava o copo vazio sobre a mesa – Me desculpe por ter sido tão egoísta e por ser um péssimo namorado.
— Você não é um péssimo namorado, Christian. Você tem seus defeitos e eu tenho os meus. Você foi criado de um jeito e eu me criei de outro. Isso não torna a gente péssimos em nada. Só devemos aprender e aceitar um ao outro como nós somos e tentar conviver em paz, amor.
— Eu sei e o que eu puder fazer para te recompensar, eu farei.
— Só quero que me deixe ser eu mesma – pedi, dando um selinho nele – Eu tenho plena certeza de que nunca vou ser a esposa perfeita que Grace almeja para você, mas eu vou ser sua esposa sim, do meu jeito e no meu tempo. Só não me force a ser algo que não sou, querido.
— Tudo bem, amor – Christian falou, secando meu rosto com seus polegares.
— E sobre os bebês, por enquanto eu quero trabalhar o dia todo, mas aceito mudar o meu horário depois que eles nascerem, combinado?
— Combinado. E com relação às babás? Você vai querer só uma ou as três mesmo?
— A gente ver isso depois, querido. Vamos ver como nos saímos na primeira semana, sozinhos com os trigêmeos. Daí a gente ver se contrata uma, três ou trinta babás no mínimo – comentei sorrindo, fazendo Christian rir.
— Ok. Vamos para casa? Você precisa descansar.
— Vamos, mas primeiro me ajuda a terminar com essas batatas fritas? – perguntei, puxando o prato para mais perto da gente.
— Ajudo sim. Só que eu fico com essa parte que você misturou sorvete.
— Porque?
— Porque você bebeu um copo com água misturada com açúcar. Eu não quero ver você passando mal, com sua glicose lá no alto.
— Tudo bem, amor – falei, já colocando ketchup e maionese sobre a minha parte, antes de começar a comer.

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