quarta-feira, 15 de julho de 2020

S.E.X - 2ª Temporada - Capítulo 39


ANASTASIA

— Sai da cozinha, Christian – pedi à medida que eu tentava controlar a minha vontade de descer uns bons murros nele.

— Não. Saia você daqui! – ele exclamou, de costa para mim, lavando a louça de um jeito rude – Vá dormir. Você está cansada.

— Deixa que eu arrumo tudo. Não quero depois ouvir você falando para sua família que eu não faço nada.

— Eu não falo da minha vida pessoal com você, com ninguém.

— Jura? – inquiri em deboche, me aproximando dele, parando ao seu lado e cruzando os braços – Sua mãe é ninguém agora?

— Ela disse algo para você?

— Sim.

— A única coisa que comentei com ela foi quando a mesma me perguntou sobre você e eu respondi que você jamais deixaria de trabalhar para ser 100% dona de casa, como as mulheres Grey, mas que tem suas obrigações em casa sim, só que como o seu horário é mais puxado que o meu, eu tenho que tomar mais a frente com relação à comida e a limpeza de casa.

— Por isso ela me pediu para parar de trabalhar depois que trigêmeos nascessem, porque você está trabalhando demais, fazendo o meu serviço de casa – falei, rolando os olhos – Aí quando contei que contrataria babás, sua mãe disse que as crianças tinham que ser criadas é pela mãe e não por babás. Que ela conseguiu criar seis filhos sozinha, porque eu não conseguiria criar três?

— Eu não quero que pare de trabalhar, Ana, mas pelo menos diminua o seu horário, poxa. Trabalhe apenas um período assim como eu faço.

— Olha, Christian. Posso ter dado minha vida pessoal de bandeja para você, mas minha vida profissional não, querido. Isso você não vai tocar nem a pau! – exclamei com raiva, apontando o dedo na direção dele.

— Então você está querendo largar os nossos filhos o dia todo com as babás, para eles acabar chamando elas de mãe? Porque é isso que vai acontecer, Ana. Você quer que eu me case também com elas?

— Não sei. Você vai querer casar com babás de meia idade? – perguntei, cruzando os braços e ele me encarou, semicerrando os olhos.

— Deixa que eu contrato então – Christian disse voltando a lavar a louça – Vou escolher a dedo elas.

— Até imagino porque. Pare de dar aulas, assim você fica o dia todo com as babás, se divertindo – comentei, me afastando dele.

— Não é do meu caráter trair, Ana. Pelo visto, meus filhos não vão saber quem é a mãe deles, já que a mesma quer fugir da responsabilidade.

— Eu não estou fugindo da responsabilidade, Christian! – gritei.

— Está sim! – ele gritou também, se virando, enxugando as mãos em um pano.

— Eu vou ser mãe sim, quando chegar do meu trabalho!

— Você vai sair de manhã cedo, vai passar o dia todo fora de casa e só vai voltar a noite. Você terá duas horinhas como mãe e acabou. Vai ser mãe mesmo só nos domingos ou quando eles começarem a dormir mais tarde. Isso se você quiser ficar com eles, né?

Respirei fundo, tanto para controlar minha raiva quanto para não poder chorar, ali na frente dele.

— Ok, Christian. Você venceu. Vou ser a esposa perfeita que sua família quer que eu seja para você e vou parar de trabalhar quando os bebês nascerem. Feliz? Agora eu vou dormir, porque amanhã tenho que acordar cedo para arrumar tudo – falei pegando minha bolsa, já saindo da cozinha.

— Não se preocupe, Ana! Eu dou conta dos bebês, sozinho! Não quero ser responsável por tirar mais nada de você! – ouvi ele gritar.

— Cuidar dos bebês não é sua função! – gritei de volta, subindo a escada.

Ouvi Christian resmungar, mas não consegui entender à medida que eu entrava no corredor, já indo rumo ao quarto, que logo adentrei, batendo a porta bem forte. Fui direto para o banheiro, onde me despi e me enfiei debaixo do chuveiro, permitindo-me chorar.


★ ★ ★ ★ ★


Acordei horas depois, com um desejo enorme de comer batata frita com sorvete, e logo notei que Christian não havia vindo dormir na cama, provavelmente o mesmo deveria ter ido dormir no quarto de hóspede, ao lado.

Respirei fundo, meio triste, então levantei da cama, tirei minha camisola de seda e vesti um short e uma blusa mais confortável, já indo em seguida calçar uma sapatilha. Depois peguei minha carteira e o meu celular e sai do quarto.
Assim que desci, encontrei Christian na sala, dormindo no sofá com a TV ligada, então me aproximei devagar, sem fazer barulho, peguei o controle remoto e desliguei o aparelho. Segui então rumo à porta, pegando as chaves do meu carro e saindo da casa.

Eu conhecia um restaurante que ficava aberto 24 horas, então me dirigi até lá. O Lost Lake Cafe & Lounge se encontrava vazio quando entrei, por volta das duas da manhã, e eu estava terminando de fazer o meu pedido ao garçom quando senti o celular vibrar sobre a mesa.
Olhei o visor e respirei fundo, pois era Christian. Provavelmente, o mesmo acordou, não me viu em casa e achou que eu tivesse sumido no mundo com os filhos dele na barriga.

“Como se eu fosse deixar minhas coisas lá na casa de brinde. Até parece!”

— Alô? – falei, atendendo a ligação, após o garçom sair.

Onde você está!? – ele literalmente gritou no meu ouvido, fazendo-me afastar um pouco o celular da orelha.

— Realizando um desejo meu.

Desejo? Meu Deus, Ana! Eu acordei e não te vi em casa, fiquei desesperado, cacete! Porque você não me acordou para eu poder atender o seu desejo?

— Não queria te incomodar – murmurei, calmamente, enquanto brincava distraída com os frascos no canto da mesa.

Onde você está?

— Lost Lake Cafe & Lounge.

Ok. Estou indo. Por favor, não saia daí, Ana.

— Tudo bem.

Depositei o celular ao meu lado e continuei a mexer nos frascos, quando de repente escutei Christian resmungar, então olhei para o assento e percebi que ele não havia encerrado a chamada, porém também não o fiz e deixei a ligação continuar, ouvindo Christian falar consigo mesmo.

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