quarta-feira, 15 de julho de 2020

S.E.X - 2ª Temporada - Capítulo 29


ANASTASIA

CINCO DIAS DEPOIS

“Abro os olhos meio desnorteada e logo noto que estou amarrada a uma cadeira. Escuto murmúrios então ergo o rosto, deparando-me com meu pior pesadelo ao qual poderia imaginar. Me encontro sentada à cabeceira de uma mesa, um pouco comprida, que tem apenas quatro lugares. A minha frente está Christian, à esquerda se encontra Anabella e a minha direita, Jack. Todos os três amarrados iguais a mim, porém eles estão amordaçados e eu não.

— Vai ficar tudo bem, não é Jack? – pergunto para tentar tranquilizar minha irmã e Christian, mas quando olho para Jack, ele nega com a cabeça.

— Minha esposinha linda acordou. Que maravilha – escuto a voz de Travis atrás de mim e logo ele aparece no meu campo de visão – Agora podemos começar a nossa festinha de casamento.

— Travis? Você está morto – sussurro, ainda em choque.

— Que isso, amor? É claro que eu não poderia morrer... não antes de me casar com você primeiro.

Me apavoro quando ele puxa uma arma detrás da sua cintura.

— Solta eles, por favor. Você quer a mim e não a eles – suplico, vendo ele dar um sorriso sinistro.

— Está enganada, minha querida. É a nossa festa de casamento. Eles tinham que comparecer. Eu sequestrei os convidados mais importante. Aqui temos a minha cunhadinha vagabunda, que tentou me trapacear se passando por você. Temos o policialzinho de merda, que se vangloriou achando que tinha me matado. E por fim, o cara que tentou roubar você de mim – Travis rodeia a mesa e passa a arma sobre a cabeça de cada um deles enquanto falava – Por quem eu começo, hein amor? Acho que vou começar pelo nosso amigo Hyde. Não. Quero que ele sofra por alguns segundos, então vou matar a noivinha dele primeiro.

Jack o encara com raiva e tenta se soltar da cadeira, em vão, quando Travis se aproxima de Ella.

— Travis, por favor não faz isso – imploro chorando enquanto ele encosta o cano da arma embaixo do queixo da minha irmã, que chora também e encara tanto eu quanto Jack, com um olhar de despedida.

— Eu te amo, irmã. Não! – grito quando ele dispara.

— Agora é você, Hyde.

— Não, Travis. Eu te imploro, por favor, não machuca o Jack.

Meu pedido de súplica é em vão e de onde ele se encontra parado, atira na cabeça do meu amigo.

— Agora, o cara que tentou roubar você de mim.

— Não, não, não, não! Por favor, Travis! Não faz isso. Deixa o Christian em paz, por favor! Eu vou com você para qualquer lugar, mas não mata ele. Eu tô te implorando, Travis! Não faz isso!

Choro mais ainda e Travis apenas rir, parando ao lado de Christian, que me olha profundamente. Ele sabe que vai morrer, mas parece que quer me deixar calma através do olhar. Vejo Travis se afastar um passo e erguer sua arma, segurando-a com as duas mãos. Ele pressiona a ponta do revólver contra a têmpora do Christian.

— Acho melhor você se despedir logo dele, amor.

— Travis, para. Eu tô te pedindo. Não mata ele, por favor.

— Dou-lhe uma...

— Travis, por favor.

Não consigo parar de chorar.

— Dou-lhe duas...

— Christian, eu te amo. Se eu pudesse voltar atrás teria feito tudo diferente. Eu te amo muito. Me perdoa, por favor – falo e fecho os olhos, já escutando o som do tiro.

— Se eu fosse você, abriria os olhos, amor – Travis pede, mas eu não quero ver o Christian morto, quero lembrar dele apenas sorrindo – Abre os olhos, minha querida. Não fui eu que matei ele.

Assim que escuto isso, eu abro meus olhos e fico paralisada de horror. Estou na mesma posição que Travis se encontrava segundos atrás. Deixo a arma cair no chão e recuo alguns passos, ainda horrorizada. Olho para onde eu estava sentada e Travis está lá, sorrindo para mim.

— Você que matou o seu querido Christian – ele fala e solta uma risada.

— Não... – murmuro em choque.

— Isso foi para você aprender a valorizar mais as pessoas que te amam – escuto Travis dizer enquanto me acabo em lágrimas, gritando o nome de Christian, abraçando seu corpo inerte e sem vida”


Acordei assustada, ainda gritando por ele em pleno choro, sentando-me na cama, já notando que me encontrava sozinha em meu loft. Deitei novamente, abraçando o travesseiro à medida que tentava parar de chorar. Até ontem eu estava aguentando aquela distância entre eu e o Christian, na melhor maneira que lidava com os problemas, ou seja, não pensando neles e me focando unicamente em meu trabalho. Entretanto, o nosso encontro de ontem lá no hospital foi bem esquisito.

Eu tinha ligado para ele para avisá-lo sobre o exame, mas quando Christian chegou lá, foi como se nós fossemos dois estranhos, que mal falamos “Oi” um para o outro e que assim que saímos do hospital, cada um foi para um lado.

“Eu preciso muito dele” admiti, pensando em tudo o que eu tinha dito para o Christian quando nos separamos.

Assim que parei de chorar, me estiquei um pouco, pegando o celular sobre a mesinha de cabeceira da cama e disquei o número do Christian, porém ele não me atendeu e a partir da segunda tentativa, as chamadas caíam direto na caixa postal.

“Ele desligou o celular para não falar comigo”

Verifiquei a hora na tela e passava das três e meia da manhã, então Christian provavelmente estaria dormindo e desligou o telefone para poder voltar a descansar.

“Vou ter que ir mais tarde na casa dele, depois que eu sair da clínica” pensei, acariciando o pequeno volume em minha barriga.

— Eu vou consertar a merda que eu fiz, filhos. Eu prometo – murmurei, fechando os olhos e tentando voltar a dormir, rezando para que não tivesse mais aquele pesadelo horrível, pois eu sabia que era apenas a minha consciência, me cobrando alguma atitude.

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