quarta-feira, 15 de julho de 2020

S.E.X - 2ª Temporada - Capítulo 28


ANASTASIA

— Christian, eu não estou te deixando exatamente. Apenas preciso ter a minha vida antiga de volta. Preciso voltar para o meu loft, para a minha clínica, para os meus pacientes...

— Não dá para simplesmente voltar a sua vida de antes e você sabe disso, Ana. Estamos noivos e você está grávida. Precisamos ficar juntos. Morar juntos. E particularmente, o seu loft só tem um quarto. Onde os nossos filhos vão ficar quando nascerem?

— Eu vou comprar uma mansão com quatro quartos e espaço suficiente para os trigêmeos, Christian – informei.

— Para quê uma nova residência se já temos a minha, que aliás, pode muito bem nos acomodar sem precisar gastar dinheiro...

— Como eu falei no passado, sua casa é bonitinha, mas prefiro o conforto de uma mansão. É mais amplo e arejado, com espaço para as crianças brincarem, ao contrário de sua casa, que é pequena e me dar uma sensação de que vou sufocar.

— Estamos noivos e vamos continuar morando juntos na minha casa. Assunto encerrado – ele falou, tentando parecer um homem mandão e controlador, mas foi em vão.

Apenas dei um risinho, em deboche, à medida que rolava os olhos.

— Toma – murmurei, tirando o anel de noivado do meu dedo, jogando-o nele – Pode socar esse anel no rabo se quiser, pois não estamos mais noivos. Agora sai da minha frente, porque preciso ir.

— Eu não vou deixar você ir embora.

— A não ser que queira uma joelhada no meio das pernas, é melhor você me soltar e sair da minha frente – ressaltei com a voz num tom controlado e ameaçador, encarando-o nos olhos.

A ameaça surtiu efeito e Christian tirou as mãos dos meus braços, se afastando e dando-me passagem. Peguei minhas malas e sai do quarto, arrastando-as ao longo do corredor. Quando cheguei perto do alto da escada, ele apareceu, pedindo para que eu ficasse e pensasse no que estava fazendo.

— Olha, Christian – respirei fundo, pois a vontade de chorar já estava ali presente, depois o olhei profundamente vendo seu semblante triste – Eu te amo, mas esse seu discursinho de pobre já está me dando nos nervos, sabe? Eu estou voltando para a minha casa e para a minha rotina, porque preciso. Se realmente me ama e quiser vir comigo, compartilhar o meu estilo de vida... Ótimo. Se não quiser, os trigêmeos vão continuar sendo seus filhos também e a porta da minha casa vai sempre estar aberta para você entrar e ver as crianças – terminei de falar, já sentindo as lágrimas descerem.

“Malditos hormônios!”

— Quer mesmo terminar comigo?

— Quero – choraminguei, tentando passar firmeza na minha voz, em vão.

— Se quer então porque está chorando? –  questionou-me Christian.

— Estou chorando, porque eu tô grávida, porra! Meus hormônios ainda estão malucos! – gritei com raiva, não dele e sim de mim, por não está conseguindo mostrar firmeza na minha decisão.

— Tudo bem – ele disse, recuando um passo – Se é isso que você quer, então ok. Posso pelo menos te levar para o seu apartamento?

— Não precisa. Eu pedi para a Samantha mandar um táxi para vir me buscar. Acho que já deve estar chegando.

Christian assentiu meio cabisbaixo e pegou nas alças das minhas malas, descendo a escada com elas, sendo seguido por mim. Ao chegarmos na porta, vimos a mãe dele se aproximar vindo, possivelmente da cozinha.

— Já estão indo embora assim, sem nem ao menos se despedir? – Grace perguntou, parando perto de nós, e eu notei Christian pigarrear, discretamente.

— Não, mãe. Só a Ana que está indo.

— Porquê?

O olhar dela ia de mim para o Christian.

— Eu preciso voltar a trabalhar, Dona Grace – informei, dando um breve e fraco sorriso.

— Porque será que eu não estou acreditando nisso?

— Sem neura, mãe. Eu vou só amanhã de tarde – Christian falou, tentando parecer divertido, mas pelo menos para mim não pareceu.

Grace mesmo me olhando desconfiada, abraçou-me, já se despedindo, antes de subir a escada. Christian então me acompanhou até o táxi, que tinha acabado de estacionar, e pegou na minha mão, colocando na palma dela, o meu ex-anel de noivado.

— Quero que fique com isso.

Ergui o olhar para o rosto dele.

— Christian...

— Não precisa usá-lo. Apenas guarde-o para se lembrar de mim – ele pediu e eu assenti segundos depois, então ele me rodeou com seus braços, abraçando-me forte – Tchau, Ana.

— Tchau, Christian – sussurrei me desvencilhando dele, já adentrando o táxi, que não tardou em ir embora.

“A gente vai fazer as pazes. Talvez seja amanhã, ou na semana que vem, ou quem sabe daqui a alguns meses, mas vamos voltar um dia... e brigaremos de novo... e faremos novamente as pazes. Porque essa era a nossa dinâmica” pensei olhando para trás, vendo Christian limpando o rosto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário