CHRISTIAN
Enquanto passávamos pela cidade, notei que a mesma era um pouco pequena, mas parecia bastante acolhedora, eu diria. Logo a deixamos para trás e entramos, no que parecia ser, uma área costeira só de mansões. A casa ao qual Ivy parou era a última da estrada e a maior de todas.
Fiquei um pouco com o pé atrás, com a possibilidade de que a mesma tivesse arrombado aquela mansão, principalmente quando ela pulou o muro para abrir o portão à medida que nós descíamos das vans. Me aproximei de Anastasia, encarando-a e a mesma se encontrava com o cenho franzido.
— Se eu começar a escutar sirenes de carros de polícia se aproximando, eu deixo você e a sua “amiga” aqui, pego a minha família e vou embora. Vocês duas que se resolvam com os policiais, já que armaram isso tudo juntas – comentei baixo e a Ana me olhou, perplexa.
— Então é assim, né? Pois bem. Eu não preciso de você mesmo – ela disse, bufando e fechando a cara com raiva enquanto cruzava os braços sobre o busto – Mas pode ter certeza de que vou estar muito bem acompanhada se você for embora.
— Eita, que o amor é lindo...
— E assassino também, porque pela cara dela, está mais para Ana, a Estripadora.
Apenas rolei os olhos, ignorando os comentários idiotas do Elliot e do Etienne, que riam parecendo duas hienas loucas.
— Vamos galerinha! Entrem e podem deixar os carros estacionados aqui no pátio mesmo. O bairro é tranquilo e não tem bandido – Ivy falou se aproximando de nós, sorrindo.
— Você por acaso não arrombou essa mansão, arrombou? – a questionei, bem sério.
Todos me encararam assustados na hora, com exceção da Anastasia que balançou a cabeça em negativa, já botando a mão na cara como se estivesse envergonhada.
— Meu Deus, Christian! A garota nos convida e você acusa ela de ladra, assim na cara dela? Eu grudei chiclete na cruz de Jesus, com certeza...
Tanto a Ana quanto os meus pais logo se desculparam pelo meu comportamento, como se eu tivesse feito algo de muito errado. Entretanto, eu só havia feito uma simples pergunta. Nada demais. Mas acabei tendo que me desculpar com ela, meio desconfiado ainda.
— Tudo bem. Não fiquei ofendida não. Agora vamos entrar, porque lá dentro está mais quentinho.
— Ver se não me faz passar mais vergonha – Anastasia sussurrou, bem baixinho para mim, antes de sair acompanhando os outros.
Eu, Elliot e Jack logo entramos nas vans novamente e manobramos para dentro do pátio, depois juntamente com Ethan, Owen e Etienne, levamos as coisas para dentro da casa, separando logo por cada casal.
Ficou bem óbvio que eu e a Ana detínhamos o número maior de malas, barrando até os meus irmãos que já tinham filhos e isso me fez ficar pensativo, tentando imaginar como seria no futuro com a chegada dos trigêmeos. Com certeza, teremos que levar o triplo de malas que usávamos hoje. De repente, fui tirado do meu devaneio pela Anastasia que empurrou algo em meus peitos.
— A prova de que a casa é dela.
Assim que eu segurei o negócio, notei que era um porta-retrato com uma foto dela com dois homens, um pouco mais velhos que o meu pai, beijando-lhe as bochechas, um em cada lado.
— Tem fotos dos três espalhados pela casa toda, Christian.
Rapidamente, percebi a inscrição “My Daddy's”, entalhado na moldura, foi então que eu prestei mais atenção dos caras e ambos pareciam um pouco diferentes.
— Os pais dela são gays?
Não sei se a minha pergunta havia soado mais incrédula do que surpresa, eu só sabia que por causa daquilo acabei por receber um ardido e sonoro tapa no pé da nuca, vindo da Ana.
— Para de me fazer passar vergonha, Christian – ela murmurou, fazendo-me rolar os olhos.
Depois de fazermos um tour pela mansão e de conhecermos o casal que ficava cuidando dali quando Ivy não estava, a mesma disse onde ficaríamos, então cada casal foi para seus respectivos quartos, desfazer as malas e se arrumar para o jantar mais tarde.
Entretanto, eu tive que arrumar nossas coisas sozinho, pois Anastasia tomou um remédio para dor de cabeça e minutos depois, já estava dormindo. Então, assim que terminei de guardar tudo, desci para poder beber um pouco de água. Acabei encontrando Ivy na cozinha, sentada à mesa, mexendo no seu celular. Fui educado com ela, pedindo licença e perguntando onde eu poderia achar copos para beber um pouco de água e a mesma me indicou onde eles estavam.
— Vocês estão brigados? – escutei ela inquirir, então me virei.
— Vocês quem? – indaguei, antes de terminar de sorver o líquido do copo.
— Você e a Ana. Quero saber se vocês estão brigados.
— Eu acho que isso não é da sua conta – falei, indo lavar o copo na pia.
— Você não deveria ficar estressando ela com brigas idiotas.
— E você deveria tomar conta da sua vida – rebati, fechando a cara.
Tentei ignorar a presença dela ali enquanto eu terminava de lavar o copo, mas de repente, ela colocou uma cesta de piquenique sobre a bancada, ao lado da pia.
— Nesta cesta tem sanduíches, uvas, cookies e champanhe sem álcool. Faça as pazes com a Anastasia, levando-a para jantar na praia.
— Porque está fazendo isso por mim? – inquiri à medida que eu depositava o copo no escorredor.
— Por você? Não, querido. Eu montei essa cesta para a Ana te levar para jantar na praia.
— Não gosto da amizade de vocês – confidenciei e ela riu, o que me fez ficar mais aborrecido.
— Quem tem que gostar da nossa amizade é a Anastasia e não você. Se está com medo de que eu roube a sua garota, primeiro, você vai ter que parar de ser babaca e, segundo, eu tenho namorada agora. Então relaxe, porque eu gosto da Ana só como amiga mesmo – Ivy comentou e se afastou de mim – Ei, Romeu? Pega!
Me virei a tempo de conseguir pegar o que parecia ser um pano grosso que ela havia jogado para mim.
— O que é isso?
— Uma manta. Faz um pouco de frio lá na praia. Perfeito para ficar bem agarradinho. Fica a dica.
Ivy deu uma piscadinha para mim e se virou para sair.
— Obrigado.
— Vá se foder! – ela disse à medida que me dava dedo, ainda de costas para mim, antes de sair da cozinha.
Enquanto passávamos pela cidade, notei que a mesma era um pouco pequena, mas parecia bastante acolhedora, eu diria. Logo a deixamos para trás e entramos, no que parecia ser, uma área costeira só de mansões. A casa ao qual Ivy parou era a última da estrada e a maior de todas.
— Se eu começar a escutar sirenes de carros de polícia se aproximando, eu deixo você e a sua “amiga” aqui, pego a minha família e vou embora. Vocês duas que se resolvam com os policiais, já que armaram isso tudo juntas – comentei baixo e a Ana me olhou, perplexa.
— Então é assim, né? Pois bem. Eu não preciso de você mesmo – ela disse, bufando e fechando a cara com raiva enquanto cruzava os braços sobre o busto – Mas pode ter certeza de que vou estar muito bem acompanhada se você for embora.
— Eita, que o amor é lindo...
— E assassino também, porque pela cara dela, está mais para Ana, a Estripadora.
Apenas rolei os olhos, ignorando os comentários idiotas do Elliot e do Etienne, que riam parecendo duas hienas loucas.
— Vamos galerinha! Entrem e podem deixar os carros estacionados aqui no pátio mesmo. O bairro é tranquilo e não tem bandido – Ivy falou se aproximando de nós, sorrindo.
— Você por acaso não arrombou essa mansão, arrombou? – a questionei, bem sério.
Todos me encararam assustados na hora, com exceção da Anastasia que balançou a cabeça em negativa, já botando a mão na cara como se estivesse envergonhada.
— Meu Deus, Christian! A garota nos convida e você acusa ela de ladra, assim na cara dela? Eu grudei chiclete na cruz de Jesus, com certeza...
Tanto a Ana quanto os meus pais logo se desculparam pelo meu comportamento, como se eu tivesse feito algo de muito errado. Entretanto, eu só havia feito uma simples pergunta. Nada demais. Mas acabei tendo que me desculpar com ela, meio desconfiado ainda.
— Tudo bem. Não fiquei ofendida não. Agora vamos entrar, porque lá dentro está mais quentinho.
— Ver se não me faz passar mais vergonha – Anastasia sussurrou, bem baixinho para mim, antes de sair acompanhando os outros.
Eu, Elliot e Jack logo entramos nas vans novamente e manobramos para dentro do pátio, depois juntamente com Ethan, Owen e Etienne, levamos as coisas para dentro da casa, separando logo por cada casal.
Ficou bem óbvio que eu e a Ana detínhamos o número maior de malas, barrando até os meus irmãos que já tinham filhos e isso me fez ficar pensativo, tentando imaginar como seria no futuro com a chegada dos trigêmeos. Com certeza, teremos que levar o triplo de malas que usávamos hoje. De repente, fui tirado do meu devaneio pela Anastasia que empurrou algo em meus peitos.
— A prova de que a casa é dela.
Assim que eu segurei o negócio, notei que era um porta-retrato com uma foto dela com dois homens, um pouco mais velhos que o meu pai, beijando-lhe as bochechas, um em cada lado.
— Tem fotos dos três espalhados pela casa toda, Christian.
Rapidamente, percebi a inscrição “My Daddy's”, entalhado na moldura, foi então que eu prestei mais atenção dos caras e ambos pareciam um pouco diferentes.
— Os pais dela são gays?
Não sei se a minha pergunta havia soado mais incrédula do que surpresa, eu só sabia que por causa daquilo acabei por receber um ardido e sonoro tapa no pé da nuca, vindo da Ana.
— Para de me fazer passar vergonha, Christian – ela murmurou, fazendo-me rolar os olhos.
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Depois de fazermos um tour pela mansão e de conhecermos o casal que ficava cuidando dali quando Ivy não estava, a mesma disse onde ficaríamos, então cada casal foi para seus respectivos quartos, desfazer as malas e se arrumar para o jantar mais tarde.
Entretanto, eu tive que arrumar nossas coisas sozinho, pois Anastasia tomou um remédio para dor de cabeça e minutos depois, já estava dormindo. Então, assim que terminei de guardar tudo, desci para poder beber um pouco de água. Acabei encontrando Ivy na cozinha, sentada à mesa, mexendo no seu celular. Fui educado com ela, pedindo licença e perguntando onde eu poderia achar copos para beber um pouco de água e a mesma me indicou onde eles estavam.
— Vocês estão brigados? – escutei ela inquirir, então me virei.
— Vocês quem? – indaguei, antes de terminar de sorver o líquido do copo.
— Você e a Ana. Quero saber se vocês estão brigados.
— Eu acho que isso não é da sua conta – falei, indo lavar o copo na pia.
— Você não deveria ficar estressando ela com brigas idiotas.
— E você deveria tomar conta da sua vida – rebati, fechando a cara.
Tentei ignorar a presença dela ali enquanto eu terminava de lavar o copo, mas de repente, ela colocou uma cesta de piquenique sobre a bancada, ao lado da pia.
— Nesta cesta tem sanduíches, uvas, cookies e champanhe sem álcool. Faça as pazes com a Anastasia, levando-a para jantar na praia.
— Porque está fazendo isso por mim? – inquiri à medida que eu depositava o copo no escorredor.
— Por você? Não, querido. Eu montei essa cesta para a Ana te levar para jantar na praia.
— Não gosto da amizade de vocês – confidenciei e ela riu, o que me fez ficar mais aborrecido.
— Quem tem que gostar da nossa amizade é a Anastasia e não você. Se está com medo de que eu roube a sua garota, primeiro, você vai ter que parar de ser babaca e, segundo, eu tenho namorada agora. Então relaxe, porque eu gosto da Ana só como amiga mesmo – Ivy comentou e se afastou de mim – Ei, Romeu? Pega!
Me virei a tempo de conseguir pegar o que parecia ser um pano grosso que ela havia jogado para mim.
— O que é isso?
— Uma manta. Faz um pouco de frio lá na praia. Perfeito para ficar bem agarradinho. Fica a dica.
Ivy deu uma piscadinha para mim e se virou para sair.
— Obrigado.
— Vá se foder! – ela disse à medida que me dava dedo, ainda de costas para mim, antes de sair da cozinha.

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