ANASTASIA
— Eu desisto! Não nasci para fazer isso não! – exclamei com raiva, já deixando de lado aquelas coisas de tricô.
Essa semana tinha sido muito tediosa, com exceção é claro das minhas fodas noturnas com o tesudo do Christian, mas tirando isso, a gente passava o dia todo em preso casa, quer dizer, eu passava, pois Christian saía às vezes.
Eu queria voltar a trabalhar na clínica, viajar para realizar palestras ou participar de eventos, mas Jack tinha me proibido, assim como havia proibido a minha irmã de não sair do apartamento dele, não enquanto o mesmo não tivesse prendido o Travis.
Entretanto, ficar o dia todo presa em uma casa era uma tortura, principalmente quando sua futura sogra lhe põe para aprender a tricotar, para que você mesma faça uma manta para o seu bebê, que no meu caso, infelizmente, eu teria que fazer três mantas, mas nem consegui começar a primeira.
— Não desista, minha filha. Você só precisa de prática – disse Grace sorrindo, já sendo acompanhada pelo sorriso discreto da Kate.
Assim que abri a boca para falar que eu não precisava tricotar nada, que eu iria comprar tudo do bom e do melhor para os bebês, o meu celular tocou e um sorriso se formou nos meus lábios quando eu vi quem estava me ligando. Apenas pedi licença as duas e sai da sala de estar para atender o telefone.
— Oi, Ana.
— Oi, sumida – falei, fazendo Ivy rir do outro lado da linha.
— Verdade, mas é culpa do trabalho. Tive que pegar vários plantões seguidos no hospital para poder tirar folga esse final de semana, porque eu quero ir descansar na minha casinha de praia em Long Beach.
— Ah que legal. Quem me dera poder ir à praia – comentei me sentando nos degraus da escada – Aqui tem piscina, mas não é a mesma coisa, sabe?
— E se eu te convidasse para ir passar o final de semana na minha casa de praia? Se quiser pode levar o Christian ou alguns amigos também.
Fiquei mega animada com a ideia de sair de Seattle e poder me divertir um pouco, sem ter um psicopata obsessivo na minha cola. Mas logo lembrei da Kate, que havia se queixado de que o Elliot e o Etienne não tinham cumprido no acordo de levar as crianças na praia, no mês passado, então tive uma ideia.
— Sua casa de praia é grande, Ivy?
— Dá pro gasto. Porque?
— Ah, porque eu estava pensando em levar, além do Christian, a família dele também – falei, torcendo mentalmente para que ela dissesse sim.
— São quantas pessoas que irão ir?
Fiz rapidamente a conta na cabeça.
— Vinte e uma pessoas, contando com adultos e crianças. Será que vai caber todos na sua casa?
— Ah, vai sim, gata. Não se preocupe com isso não. Pode levá-los – Ivy disse e eu a agradeci – Só me avisa quando vocês estiverem saindo daqui de Seattle, porque como eu vou amanhã de manhã para lá a fim de arrumar as coisas, daí eu posso ir encontrá-los na entrada da cidade para não se perderem procurando a casa.
— Ok, Ivy. Muito obrigada mesmo – murmurei, já me despedindo dela e desligando o celular.
Assim que voltei para a sala de estar, contei a novidade para Grace e para Kate, que ficaram muito animadas com a ideia e logo deixaram o tricô de lado, indo começar a preparar as coisas para levarmos amanhã de tardezinha, pois segundo Grace, dia de sexta-feira, o povo trabalhava só até às três da tarde.
Durante o jantar, ao qual Grace tinha ligado para os demais filhos dela para virem comer hoje ali, eu comuniquei a todos que amanhã iríamos passar o final de semana na praia, hospedados na casa de uma amiga minha que havia me convidado. Todos, com exceção do Christian, ficaram muito animados e já começaram a fazer planos para amanhã, sobre o que comprar e levar.
Christian passou o resto do jantar de cara emburrada e assim que terminamos de comer, o mesmo disse que se encontrava com dor de cabeça e que iria se deitar mais cedo. Perguntei se ele queria que eu subisse junto, mas Christian negou, então acompanhei os demais até a sala de estar onde ficamos conversando mais sobre a viagem.
— Pensei que você estivesse com dor de cabeça – comentei, quando adentrei o quarto e vi Christian assistindo televisão, rindo, mas logo ele fechou a cara.
— Já passou.
O encarei meio desconfiada, cruzando os braços sobre o busto.
— Posso saber porque ficou com aquela cara de bunda durante o resto do jantar? – inquiri e Christian apenas deu de ombros, sem tirar os olhos da televisão.
Então fui até o aparelho e desliguei, ficando na frente do mesmo, já cruzando os braços novamente, fechando a cara para Christian.
— O que foi? – ele perguntou, se levantando na cama e indo para o banheiro.
— Eu que pergunto o que foi? Tá com raiva porque? – indaguei, seguindo-o.
— Quer saber o que foi? Pois bem. Eu não gostei dessa tal de Ivy te chamando para passar um final de semana na casa de praia dela, ainda por cima bem longe de Seattle.
— É sério isso, Christian? – inquiri, já começando a ficar puta da vida.
— Eu não gosto dessa mulher, principalmente agora por causa desse contive.
Respirei fundo para poder me acalmar um pouco e não acabar dando um soco na cara dele.
— Olha aqui, Christian – falei apontando o dedo para ele – Ivy é minha amiga e se o convite fosse só para mim, eu teria ido sozinha sim, porque eu não aguento mais ficar trancada nessa casa, sem poder sair para trabalhar e me divertir, sem contar que tenho que aturar a sua mãe com esse negócio de tricô. Eu não nasci para tricotar caralho nenhum não!
— Ana...
— Cala a boca, que eu ainda não terminei! E quer saber a verdade sobre o convite? A Ivy não me convidou, ela convidou nós dois. Eu e você. Mas, daí eu pensei na sua família, nas crianças e perguntei se podia levar eles também, e ela aceitou. Então para de ciúmes, caralho! Não é porque fiquei uma noite com ela, que eu estou apaixonada pela Ivy e vou te trocar. Não, eu não vou. Eu sou apaixonada é por você e não por ela, então é melhor você parar com isso, porque me dar nos nervos, Christian! – exclamei, me encostando na bancada da pia, respirando profundamente várias vezes para poder me acalmar.
— Me desculpe, amor. Eu...
— Sai do banheiro, Christian. Me deixa sozinha, por favor – pedi, o encarando.
Ele tentou me abraçar, mas recuei, pedindo novamente que o mesmo se retirasse do lugar.
— Eu não escovei meus dentes ainda – Christian comentou enquanto eu o empurrava para fora.
— Dorme sem escovar. Eu não vou te beijar hoje mesmo, então não vai fazer diferença se você dormir, ou não, de boca suja! – exclamei, já batendo a porta na cara dele.
UMA SEMANA DEPOIS
— Eu desisto! Não nasci para fazer isso não! – exclamei com raiva, já deixando de lado aquelas coisas de tricô.
Essa semana tinha sido muito tediosa, com exceção é claro das minhas fodas noturnas com o tesudo do Christian, mas tirando isso, a gente passava o dia todo em preso casa, quer dizer, eu passava, pois Christian saía às vezes.
Eu queria voltar a trabalhar na clínica, viajar para realizar palestras ou participar de eventos, mas Jack tinha me proibido, assim como havia proibido a minha irmã de não sair do apartamento dele, não enquanto o mesmo não tivesse prendido o Travis.
Entretanto, ficar o dia todo presa em uma casa era uma tortura, principalmente quando sua futura sogra lhe põe para aprender a tricotar, para que você mesma faça uma manta para o seu bebê, que no meu caso, infelizmente, eu teria que fazer três mantas, mas nem consegui começar a primeira.
— Não desista, minha filha. Você só precisa de prática – disse Grace sorrindo, já sendo acompanhada pelo sorriso discreto da Kate.
Assim que abri a boca para falar que eu não precisava tricotar nada, que eu iria comprar tudo do bom e do melhor para os bebês, o meu celular tocou e um sorriso se formou nos meus lábios quando eu vi quem estava me ligando. Apenas pedi licença as duas e sai da sala de estar para atender o telefone.
— Oi, Ana.
— Oi, sumida – falei, fazendo Ivy rir do outro lado da linha.
— Verdade, mas é culpa do trabalho. Tive que pegar vários plantões seguidos no hospital para poder tirar folga esse final de semana, porque eu quero ir descansar na minha casinha de praia em Long Beach.
— Ah que legal. Quem me dera poder ir à praia – comentei me sentando nos degraus da escada – Aqui tem piscina, mas não é a mesma coisa, sabe?
— E se eu te convidasse para ir passar o final de semana na minha casa de praia? Se quiser pode levar o Christian ou alguns amigos também.
Fiquei mega animada com a ideia de sair de Seattle e poder me divertir um pouco, sem ter um psicopata obsessivo na minha cola. Mas logo lembrei da Kate, que havia se queixado de que o Elliot e o Etienne não tinham cumprido no acordo de levar as crianças na praia, no mês passado, então tive uma ideia.
— Sua casa de praia é grande, Ivy?
— Dá pro gasto. Porque?
— Ah, porque eu estava pensando em levar, além do Christian, a família dele também – falei, torcendo mentalmente para que ela dissesse sim.
— São quantas pessoas que irão ir?
Fiz rapidamente a conta na cabeça.
— Vinte e uma pessoas, contando com adultos e crianças. Será que vai caber todos na sua casa?
— Ah, vai sim, gata. Não se preocupe com isso não. Pode levá-los – Ivy disse e eu a agradeci – Só me avisa quando vocês estiverem saindo daqui de Seattle, porque como eu vou amanhã de manhã para lá a fim de arrumar as coisas, daí eu posso ir encontrá-los na entrada da cidade para não se perderem procurando a casa.
— Ok, Ivy. Muito obrigada mesmo – murmurei, já me despedindo dela e desligando o celular.
Assim que voltei para a sala de estar, contei a novidade para Grace e para Kate, que ficaram muito animadas com a ideia e logo deixaram o tricô de lado, indo começar a preparar as coisas para levarmos amanhã de tardezinha, pois segundo Grace, dia de sexta-feira, o povo trabalhava só até às três da tarde.
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Durante o jantar, ao qual Grace tinha ligado para os demais filhos dela para virem comer hoje ali, eu comuniquei a todos que amanhã iríamos passar o final de semana na praia, hospedados na casa de uma amiga minha que havia me convidado. Todos, com exceção do Christian, ficaram muito animados e já começaram a fazer planos para amanhã, sobre o que comprar e levar.
Christian passou o resto do jantar de cara emburrada e assim que terminamos de comer, o mesmo disse que se encontrava com dor de cabeça e que iria se deitar mais cedo. Perguntei se ele queria que eu subisse junto, mas Christian negou, então acompanhei os demais até a sala de estar onde ficamos conversando mais sobre a viagem.
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— Pensei que você estivesse com dor de cabeça – comentei, quando adentrei o quarto e vi Christian assistindo televisão, rindo, mas logo ele fechou a cara.
— Já passou.
O encarei meio desconfiada, cruzando os braços sobre o busto.
— Posso saber porque ficou com aquela cara de bunda durante o resto do jantar? – inquiri e Christian apenas deu de ombros, sem tirar os olhos da televisão.
Então fui até o aparelho e desliguei, ficando na frente do mesmo, já cruzando os braços novamente, fechando a cara para Christian.
— O que foi? – ele perguntou, se levantando na cama e indo para o banheiro.
— Eu que pergunto o que foi? Tá com raiva porque? – indaguei, seguindo-o.
— Quer saber o que foi? Pois bem. Eu não gostei dessa tal de Ivy te chamando para passar um final de semana na casa de praia dela, ainda por cima bem longe de Seattle.
— É sério isso, Christian? – inquiri, já começando a ficar puta da vida.
— Eu não gosto dessa mulher, principalmente agora por causa desse contive.
Respirei fundo para poder me acalmar um pouco e não acabar dando um soco na cara dele.
— Olha aqui, Christian – falei apontando o dedo para ele – Ivy é minha amiga e se o convite fosse só para mim, eu teria ido sozinha sim, porque eu não aguento mais ficar trancada nessa casa, sem poder sair para trabalhar e me divertir, sem contar que tenho que aturar a sua mãe com esse negócio de tricô. Eu não nasci para tricotar caralho nenhum não!
— Ana...
— Cala a boca, que eu ainda não terminei! E quer saber a verdade sobre o convite? A Ivy não me convidou, ela convidou nós dois. Eu e você. Mas, daí eu pensei na sua família, nas crianças e perguntei se podia levar eles também, e ela aceitou. Então para de ciúmes, caralho! Não é porque fiquei uma noite com ela, que eu estou apaixonada pela Ivy e vou te trocar. Não, eu não vou. Eu sou apaixonada é por você e não por ela, então é melhor você parar com isso, porque me dar nos nervos, Christian! – exclamei, me encostando na bancada da pia, respirando profundamente várias vezes para poder me acalmar.
— Me desculpe, amor. Eu...
— Sai do banheiro, Christian. Me deixa sozinha, por favor – pedi, o encarando.
Ele tentou me abraçar, mas recuei, pedindo novamente que o mesmo se retirasse do lugar.
— Eu não escovei meus dentes ainda – Christian comentou enquanto eu o empurrava para fora.
— Dorme sem escovar. Eu não vou te beijar hoje mesmo, então não vai fazer diferença se você dormir, ou não, de boca suja! – exclamei, já batendo a porta na cara dele.

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