ANASTASIA
Tentei me concentrar no que o Dr. Hemsworth falava sobre como eu deveria controlar minha diabetes durante a gravidez e que éramos para marcar no ambulatório uma consulta com ele, para que o mesmo pudesse me orientar mais sobre o assunto e fazer o acompanhamento da minha glicemia.
“Ou seja, vou ter que andar para cima e para baixo com um medidor de glicose e tomar injeções de insulina quando necessário. Oh meu saco!”
— Dr. Hemsworth, ligaram da UTI Adulto. Um dos seus pacientes entrou em parada cardíaca – disse uma enfermeira, que tinha aparecido na porta.
— Obrigado. Ok, gente, eu preciso ir. Não esqueça de marcar a consulta assim que tiver alta.
— Sim, doutor – falei e ele logo saiu apressado do quarto, quase esbarrando numa técnica de enfermagem que entrava empurrando uma cadeira de rodas.
— Vamos ver como está esse bebezinho? – indagou a médica sorrindo para mim.
Fui conduzida para o segundo andar, até uma sala no setor de imagem, onde a doutora me pediu para deitar na maca então a técnica, que havia empurrado a cadeira até ali, me preparou para o exame. Christian puxou uma cadeira próxima e sentou encarando meu ventre.
— Nossa, sua barriga já tem um pouquinho de volume e eu nem tinha notado.
— Também, né Christian? Quando foi a última vez que a gente transou para você me ver pelada? Faz séculos – retruquei sentindo o frio do gel que a doutora despejava em meu ventre antes dela pressionar o aparelho de ultrassom contra minha pele.
De repente, o som de batimentos cardíacos invadiu o ambiente e foi estranho escutar aquele som. Uma vontade enorme de chorar me atingiu, fazendo com que eu deixasse escapar algumas lágrimas, então rapidamente fechei os olhos e respirei fundo.
— É o coraçãozinho do bebê? – escutei Christian perguntar.
— Isso mesmo, papai – disse a doutora mexendo o aparelho sobre meu ventre.
Abri os olhos e encarei Christian de relance, o mesmo parecia maravilhado com o que estava ouvindo. Nossos olhares se encontraram e ele sorriu para mim emocionado, já pegando minha mão, depositando um beijo nela. Todavia, eu comecei a notar algo de errado no som.
“Esses batimentos estão estranhos” pensei preocupada encarando a médica e ela encarava surpresa a tela do monitor.
— O que foi? – inquiri, mas ela chamou Christian que se levantou dando a volta, parando atrás dela.
— O que são esses pretos na tela, doutora?
— São os sacos gestacionais, papai.
“Porque essa porra está no plural?”
Christian tampou a boca, já começando a chorar, vindo se sentar novamente ao meu lado.
— Parabéns, mamãe e papai. Vocês vão ter trigêmeos.
“Trigêmeos? Puta que pariu!”
— Obrigado, Ana.
— Obrigado oh escambau! – exclamei com raiva e encarei a médica – Está de sacanagem com a minha cara, né doutora?
Ela riu e negou com a cabeça, já ligando o monitor na parede de frente para a maca, para que eu pudesse ver também. Segundos depois, a imagem apareceu na tela e a médica marcou os três sacos gestacionais presentes ali.
Acho que contei umas dez vezes, só para ter a certeza de que aquilo era realmente verdade, depois ainda me belisquei.
“Mais que droga! Tô sonhando não”
— Eu quero morrer! – exclamei, já desabando a chorar.
— Calma, mãezinha – escutei a médica falar enquanto Christian me fazia sentar e me abraçava.
— Toma um pouco de água, amor – ouvi Christian dizer, minutos depois.
O encarei mortalmente antes de pegar o copo que o mesmo me estendia, notando que me encontrava trêmula. Fui sorvendo aos poucos todo o líquido e assim que terminei, já estava mais calma um pouco.
A doutora se sentou ao meu lado e tentou me animar dizendo que gestações múltiplas tinha seus riscos sim, mas que em 90% dos casos, tudo era tranquilo e prazeroso.
— Para início de conversa, eu nem queria engravidar. Essa anta quadrada aqui, foi que fez o favor de furar os preservativos – resmunguei olhando para ela que tentou ocultar um sorriso – Agora estou aqui, esperando trigêmeos dessa mula quadrada.
— Se decida, mulher. Ou eu sou uma anta ou uma mula? Porque não dar para ser os dois.
Rolei os olhos enquanto ele e a médica sorriam.
— Pelo amor de Deus, não testa as últimas gotas de paciência que eu tenho, Christian. Já posso ir para casa, doutora?
— Não. Você ficará em observação até às seis da tarde, pois precisamos baixar sua glicemia.
Assenti meio emburrada, pois queria ir para casa, dormir e fingir que esse dia nunca tivesse acontecido.
— Tu vaza daqui, porque não estou te amando nenhum um pouco, Christian. Pelo contrário, estou me segurando para não sair dessa cama e voar no teu pescoço para te matar estrangulado – resmunguei quando ficamos sozinhos, após retornarmos ao quarto.
— Pois irei ficar aqui do seu lado, o tempo que for necessário e é melhor você se acostumar... amor.
— Ok... amorzinho – falei no mesmo tom de voz sarcástico que ele.
Tentei me concentrar no que o Dr. Hemsworth falava sobre como eu deveria controlar minha diabetes durante a gravidez e que éramos para marcar no ambulatório uma consulta com ele, para que o mesmo pudesse me orientar mais sobre o assunto e fazer o acompanhamento da minha glicemia.
“Ou seja, vou ter que andar para cima e para baixo com um medidor de glicose e tomar injeções de insulina quando necessário. Oh meu saco!”
— Dr. Hemsworth, ligaram da UTI Adulto. Um dos seus pacientes entrou em parada cardíaca – disse uma enfermeira, que tinha aparecido na porta.
— Obrigado. Ok, gente, eu preciso ir. Não esqueça de marcar a consulta assim que tiver alta.
— Sim, doutor – falei e ele logo saiu apressado do quarto, quase esbarrando numa técnica de enfermagem que entrava empurrando uma cadeira de rodas.
— Vamos ver como está esse bebezinho? – indagou a médica sorrindo para mim.
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Fui conduzida para o segundo andar, até uma sala no setor de imagem, onde a doutora me pediu para deitar na maca então a técnica, que havia empurrado a cadeira até ali, me preparou para o exame. Christian puxou uma cadeira próxima e sentou encarando meu ventre.
— Nossa, sua barriga já tem um pouquinho de volume e eu nem tinha notado.
— Também, né Christian? Quando foi a última vez que a gente transou para você me ver pelada? Faz séculos – retruquei sentindo o frio do gel que a doutora despejava em meu ventre antes dela pressionar o aparelho de ultrassom contra minha pele.
De repente, o som de batimentos cardíacos invadiu o ambiente e foi estranho escutar aquele som. Uma vontade enorme de chorar me atingiu, fazendo com que eu deixasse escapar algumas lágrimas, então rapidamente fechei os olhos e respirei fundo.
— É o coraçãozinho do bebê? – escutei Christian perguntar.
— Isso mesmo, papai – disse a doutora mexendo o aparelho sobre meu ventre.
Abri os olhos e encarei Christian de relance, o mesmo parecia maravilhado com o que estava ouvindo. Nossos olhares se encontraram e ele sorriu para mim emocionado, já pegando minha mão, depositando um beijo nela. Todavia, eu comecei a notar algo de errado no som.
“Esses batimentos estão estranhos” pensei preocupada encarando a médica e ela encarava surpresa a tela do monitor.
— O que foi? – inquiri, mas ela chamou Christian que se levantou dando a volta, parando atrás dela.
— O que são esses pretos na tela, doutora?
— São os sacos gestacionais, papai.
“Porque essa porra está no plural?”
Christian tampou a boca, já começando a chorar, vindo se sentar novamente ao meu lado.
— Parabéns, mamãe e papai. Vocês vão ter trigêmeos.
“Trigêmeos? Puta que pariu!”
— Obrigado, Ana.
— Obrigado oh escambau! – exclamei com raiva e encarei a médica – Está de sacanagem com a minha cara, né doutora?
Ela riu e negou com a cabeça, já ligando o monitor na parede de frente para a maca, para que eu pudesse ver também. Segundos depois, a imagem apareceu na tela e a médica marcou os três sacos gestacionais presentes ali.
“Mais que droga! Tô sonhando não”
— Eu quero morrer! – exclamei, já desabando a chorar.
— Calma, mãezinha – escutei a médica falar enquanto Christian me fazia sentar e me abraçava.
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— Toma um pouco de água, amor – ouvi Christian dizer, minutos depois.
O encarei mortalmente antes de pegar o copo que o mesmo me estendia, notando que me encontrava trêmula. Fui sorvendo aos poucos todo o líquido e assim que terminei, já estava mais calma um pouco.
A doutora se sentou ao meu lado e tentou me animar dizendo que gestações múltiplas tinha seus riscos sim, mas que em 90% dos casos, tudo era tranquilo e prazeroso.
— Para início de conversa, eu nem queria engravidar. Essa anta quadrada aqui, foi que fez o favor de furar os preservativos – resmunguei olhando para ela que tentou ocultar um sorriso – Agora estou aqui, esperando trigêmeos dessa mula quadrada.
— Se decida, mulher. Ou eu sou uma anta ou uma mula? Porque não dar para ser os dois.
Rolei os olhos enquanto ele e a médica sorriam.
— Pelo amor de Deus, não testa as últimas gotas de paciência que eu tenho, Christian. Já posso ir para casa, doutora?
— Não. Você ficará em observação até às seis da tarde, pois precisamos baixar sua glicemia.
Assenti meio emburrada, pois queria ir para casa, dormir e fingir que esse dia nunca tivesse acontecido.
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— Tu vaza daqui, porque não estou te amando nenhum um pouco, Christian. Pelo contrário, estou me segurando para não sair dessa cama e voar no teu pescoço para te matar estrangulado – resmunguei quando ficamos sozinhos, após retornarmos ao quarto.
— Pois irei ficar aqui do seu lado, o tempo que for necessário e é melhor você se acostumar... amor.
— Ok... amorzinho – falei no mesmo tom de voz sarcástico que ele.

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