ANASTASIA
Acordei de madrugada com uma vontade enorme de fazer xixi, mas assim que me levantei da cama, o mal-estar da minha ressaca me atingiu em cheio, então meio cambaleante fui até o banheiro da suíte da Ivy, já vomitando tudo o que tinha direito e muito mais.
— Ana? – escutei ela dizer, segundos antes de sentir uma mão repousar em minha costa.
— Estou bem. É só ressaca – murmurei, levantando o rosto de dentro do vaso, a encarando.
Ivy me olhou com uma cara preocupada, pegando meu rosto entre suas mãos.
— Não, você não está bem. Suas pupilas estão muito dilatadas. Eu vou te levar para o hospital agora mesmo.
Não respondi, pois fui atingida por uma nova crise de vômito. Mal consegui voltar para o quarto, mesmo com a ajuda dela, que logo me sentou na beirada da cama. Eu queria voltar a dormir, mas Ivy não me deixava. Mal eu tombava para trás, ela me puxava para que eu ficasse sentada de novo.
Sem contar também que a mesma falava comigo a todo momento e quando eu não respondia, Ivy me descia um tapa bem forte na coxa que me fazia abrir os olhos na hora. Após ela terminar de botar uma roupa, tanto nela quanto em mim, só me senti sendo conduzida, por um bom tempo, antes dela me fazer sentar no banco de um carro.
Minha respiração começou a ficar, a cada minuto, mais lenta e uma dormência atingiu em cheio o meu corpo. Ivy agora havia passado a me beliscar para me manter acordada, mas eu me encontrava tão cansada que depois de um tempo me entreguei ao sono novamente.
Mas não por muito tempo, pois logo me puxaram para o lado, meio bruscamente. Escutei vagamente a voz da Ivy e a mesma parecia que estava discutindo com alguém, mas não deu para saber quem era, porque as vozes iam se afastando lentamente. Consegui abri os olhos, mas os fechei de novo por causa da intensa claridade do lugar.
Haviam pessoas se movimentando ao redor de mim, porém eu só queria saber de dormir. De repente, senti uma picada em meu braço e virei a cabeça para olhar, todavia minha visão se encontrava muito embaçada. Tentei levantar o braço para esfregar os olhos, mas não consegui.
Parecia que o meu corpo estava imobilizado, ou melhor, sendo esmagado por algo muito pesado. Novamente a dormência veio e tomou conta de mim por completa.
Quando despertei, notei que me encontrava em um quarto de hospital. E assim que olhei para o lado, vi Ivy sentada em uma poltrona perto da cama.
— Oi, Ana – ela disse dando-me um sorriso.
— Oi – falei olhando mais atentamente para o quarto – O que houve?
A encarei, então a mesma veio se sentar na beirada do leito.
— Você passou muito mal e eu te trouxe para o hospital onde trabalho. Sou enfermeira aqui. Bom, você teve uma intoxicação alcoólica aguda, Ana. E poderia ter sido bem pior, se eu não tivesse visto suas pupilas muito dilatadas. Te colocaram um soro assim que chegamos, mas o doutor daqui da emergência me disse que ele já solicitou uma hemodiálise para você com urgência.
— Hemodiálise? – inquiri, meio cética.
— É para poder tirar o excesso de álcool do seu sangue, o mais rápido possível, Ana.
— Ah sim. Tudo bem. E obrigada, Ivy. Você é uma amigona.
— Na verdade, se alguém perguntar somos namoradas.
Franzi o cenho, surpresa.
— Desculpe. Tive que contar essa mentirinha para você conseguir ser internada e levada a sério pelo pessoal.
— Ok. Obrigada mesmo assim – murmurei, já fechando os olhos, pois eu me encontrava com uma dorzinha de cabeça.
— Posso te perguntar uma coisa, Ana?
Abri os olhos, encarando-a novamente.
— Pode.
— Você só ficava com o tal de Christian ou tinha outros peguetes?
— Ultimamente, eu só transava com o Christian mesmo. Porque? – inquiri, ainda sem entender onde ela queria chegar com aquilo tudo.
— Então, Ana. Como de rotina, o médico pediu todos os exames básicos de internação...
— Deu alguma coisa grave? Pode falar em termos médicos mesmo, que eu entendo.
— O seu exame de sangue mostrou um Beta HCG um pouco elevado.
Estremeci com aquela informação na hora.
— Quais foram os números? – perguntei lentamente com medo da confirmação da inesperada suspeita que se formara em minha mente.
— De 100 a 5.000.
“Merda!” xinguei, pois sabia perfeitamente o que aqueles números significavam.
— Eu estou grávida – sussurrei ainda em choque e só vi Ivy assentir com a cabeça.
CHRISTIAN
Acordei assustado com um barulho estridente que logo notei ser o toque de chamada do meu celular. Sinceramente, eu não achava necessidade de ter um e só comprei porque a Ana queria às vezes se comunicar comigo, já que durante as semanas dividíamos o carro dela.
— Alô?
— Christian?
— Sim, quem é? – indaguei me sentando na cama.
— É a Anabella.
— Oi, Ella. São... – olhei para o relógio da mesinha de cabeceira – ...cinco e dezessete da manhã. Aconteceu alguma coisa com vocês?
— Eu estou bem, obrigada por perguntar. Agora a minha irmã...
— O que houve com a Ana? – perguntei preocupado, já pensando em acidente de carro, tiroteio, atentado terrorista e todas as outras formas que ela poderia se machucar.
— A Ana está bem, eu acho. Ela me ligou dizendo que estava no hospital, que era para eu ir buscá-la mais tarde e eu achei a mesma com uma voz bem apática, sabe?
“Meu Deus, que nada de muito grave tenha acontecido com ela”
— Estou um pouco ocupada, então você poderia ir buscá-la, Christian? Acho melhor você ir lá do que eu.
Ella desligou na minha cara, sem ao menos esperar minha resposta, mas acredito que ela sabia perfeitamente que eu concordaria. Me arrumei rapidamente enquanto Ella me mandava o endereço do hospital por mensagem.
Assim que li, peguei as chaves do carro da Ana, que a mesma havia deixado, e corri para o hospital, em uma velocidade um pouquinho mais alta do que o permitido para um veículo de passeio naquelas ruas.
Acordei de madrugada com uma vontade enorme de fazer xixi, mas assim que me levantei da cama, o mal-estar da minha ressaca me atingiu em cheio, então meio cambaleante fui até o banheiro da suíte da Ivy, já vomitando tudo o que tinha direito e muito mais.
— Ana? – escutei ela dizer, segundos antes de sentir uma mão repousar em minha costa.
— Estou bem. É só ressaca – murmurei, levantando o rosto de dentro do vaso, a encarando.
Ivy me olhou com uma cara preocupada, pegando meu rosto entre suas mãos.
— Não, você não está bem. Suas pupilas estão muito dilatadas. Eu vou te levar para o hospital agora mesmo.
Não respondi, pois fui atingida por uma nova crise de vômito. Mal consegui voltar para o quarto, mesmo com a ajuda dela, que logo me sentou na beirada da cama. Eu queria voltar a dormir, mas Ivy não me deixava. Mal eu tombava para trás, ela me puxava para que eu ficasse sentada de novo.
Sem contar também que a mesma falava comigo a todo momento e quando eu não respondia, Ivy me descia um tapa bem forte na coxa que me fazia abrir os olhos na hora. Após ela terminar de botar uma roupa, tanto nela quanto em mim, só me senti sendo conduzida, por um bom tempo, antes dela me fazer sentar no banco de um carro.
Mas não por muito tempo, pois logo me puxaram para o lado, meio bruscamente. Escutei vagamente a voz da Ivy e a mesma parecia que estava discutindo com alguém, mas não deu para saber quem era, porque as vozes iam se afastando lentamente. Consegui abri os olhos, mas os fechei de novo por causa da intensa claridade do lugar.
Haviam pessoas se movimentando ao redor de mim, porém eu só queria saber de dormir. De repente, senti uma picada em meu braço e virei a cabeça para olhar, todavia minha visão se encontrava muito embaçada. Tentei levantar o braço para esfregar os olhos, mas não consegui.
Parecia que o meu corpo estava imobilizado, ou melhor, sendo esmagado por algo muito pesado. Novamente a dormência veio e tomou conta de mim por completa.
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Quando despertei, notei que me encontrava em um quarto de hospital. E assim que olhei para o lado, vi Ivy sentada em uma poltrona perto da cama.
— Oi, Ana – ela disse dando-me um sorriso.
— Oi – falei olhando mais atentamente para o quarto – O que houve?
A encarei, então a mesma veio se sentar na beirada do leito.
— Você passou muito mal e eu te trouxe para o hospital onde trabalho. Sou enfermeira aqui. Bom, você teve uma intoxicação alcoólica aguda, Ana. E poderia ter sido bem pior, se eu não tivesse visto suas pupilas muito dilatadas. Te colocaram um soro assim que chegamos, mas o doutor daqui da emergência me disse que ele já solicitou uma hemodiálise para você com urgência.
— Hemodiálise? – inquiri, meio cética.
— É para poder tirar o excesso de álcool do seu sangue, o mais rápido possível, Ana.
— Ah sim. Tudo bem. E obrigada, Ivy. Você é uma amigona.
— Na verdade, se alguém perguntar somos namoradas.
Franzi o cenho, surpresa.
— Desculpe. Tive que contar essa mentirinha para você conseguir ser internada e levada a sério pelo pessoal.
— Ok. Obrigada mesmo assim – murmurei, já fechando os olhos, pois eu me encontrava com uma dorzinha de cabeça.
— Posso te perguntar uma coisa, Ana?
Abri os olhos, encarando-a novamente.
— Pode.
— Você só ficava com o tal de Christian ou tinha outros peguetes?
— Ultimamente, eu só transava com o Christian mesmo. Porque? – inquiri, ainda sem entender onde ela queria chegar com aquilo tudo.
— Então, Ana. Como de rotina, o médico pediu todos os exames básicos de internação...
— Deu alguma coisa grave? Pode falar em termos médicos mesmo, que eu entendo.
— O seu exame de sangue mostrou um Beta HCG um pouco elevado.
Estremeci com aquela informação na hora.
— Quais foram os números? – perguntei lentamente com medo da confirmação da inesperada suspeita que se formara em minha mente.
— De 100 a 5.000.
“Merda!” xinguei, pois sabia perfeitamente o que aqueles números significavam.
— Eu estou grávida – sussurrei ainda em choque e só vi Ivy assentir com a cabeça.
CHRISTIAN
Acordei assustado com um barulho estridente que logo notei ser o toque de chamada do meu celular. Sinceramente, eu não achava necessidade de ter um e só comprei porque a Ana queria às vezes se comunicar comigo, já que durante as semanas dividíamos o carro dela.
— Alô?
— Christian?
— Sim, quem é? – indaguei me sentando na cama.
— É a Anabella.
— Oi, Ella. São... – olhei para o relógio da mesinha de cabeceira – ...cinco e dezessete da manhã. Aconteceu alguma coisa com vocês?
— Eu estou bem, obrigada por perguntar. Agora a minha irmã...
— O que houve com a Ana? – perguntei preocupado, já pensando em acidente de carro, tiroteio, atentado terrorista e todas as outras formas que ela poderia se machucar.
— A Ana está bem, eu acho. Ela me ligou dizendo que estava no hospital, que era para eu ir buscá-la mais tarde e eu achei a mesma com uma voz bem apática, sabe?
“Meu Deus, que nada de muito grave tenha acontecido com ela”
— Estou um pouco ocupada, então você poderia ir buscá-la, Christian? Acho melhor você ir lá do que eu.
Ella desligou na minha cara, sem ao menos esperar minha resposta, mas acredito que ela sabia perfeitamente que eu concordaria. Me arrumei rapidamente enquanto Ella me mandava o endereço do hospital por mensagem.
Assim que li, peguei as chaves do carro da Ana, que a mesma havia deixado, e corri para o hospital, em uma velocidade um pouquinho mais alta do que o permitido para um veículo de passeio naquelas ruas.

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