terça-feira, 14 de julho de 2020

S.E.X - 1ª Temporada - Capítulo 13


CHRISTIAN

— Meus pais vão me matar, professor – Elena disse enquanto se sentava na cama.

— Não vão, não. Acredito que vai ser um choque é claro, mas matar seria radical demais. Mas o que te passou pela cabeça para não se prevenir, moça? – indaguei me levantando da cadeira ao lado da cama – Tanta palestra e orientações que nós damos na escola, vocês, jovens ainda insistem em transar sem preservativo. Aí quando não pegam uma doença, ficam grávidas, mas quem sou eu para julgar, Senhor.

— Minha vida vai mudar totalmente – ela murmurou chorando, encolhendo-se, abraçando as pernas.

— Sim, vai mudar, mas será para melhor, Elena. Filho não é uma coisa ruim – falei afagando gentilmente o seu braço – Temos que nos prevenir? Sim, temos. Mas isso não quer dizer que quando se fica grávida é o fim do mundo. Não é o fim e sim um recomeço.

— Obrigada, Sr. Grey.

— Não precisa me agradecer. Gosto de ajudar os meus alunos – ressaltei e olhei para a porta onde o namorado dela, juntamente com os pais dele, adentravam – Agora eu preciso ir, gente. E você, moça, se cuide para não ter mais uma daquelas crises de vômito que teve durante a gincana.

Ela assentiu dando um sorriso para mim enquanto se aconchegava nos braços do namorado. Assim que saí do quarto, vi Anastasia vindo no início do corredor, conversando toda sorridente para o tal do “amigo” que tinha ido visitá-la quando eu estava lá no apartamento dela.
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“Vai lá e mostra para esse infeliz de quem é essa mulher, Christian!”

Caminhei com passos um pouco mais rápido do que o normal e assim que me aproximei dela, segurei seu rosto entre minhas mãos e selei nossos lábios, já a empurrando para a parede ao lado, mas segundos depois senti uma dor muito forte em meus testículos, que me fizeram automaticamente ir ao chão.

— Idiota! Está pensando que eu sou o quê? Me larga, Jack! Deixa eu bater nesse tarado, filho da puta! – escutei ela vociferar enquanto eu permanecia encolhido, com as mãos entre minhas pernas, morrendo de dor.

— Christian?

Abri os olhos, que estavam meio marejados pelas lágrimas, e vi a Ana entrar no meu foco de visão, então me afastei, arrastando-me para trás até bater com a costa contra a parede.

Ela me encarava com uma expressão preocupada, foi quando notei que Anastasia estava usando a mesma roupa da última vez que eu a havia visto no consultório. Ou ela era mágica e tinha trocado de roupa em questão de segundos ou eu havia enlouquecido.

— Você está bem, Christian? – a Ana 1, ainda agachada perto de mim, perguntou e eu olhei para a Ana 2, em pé com os braços do tal Jack lhe rodeando a cintura, quando a mesma resmungou algo no que parecia ser francês.

“Duas Anastasias? Porra, é oficial, eu enlouqueci de vez!”





ANASTASIA

— Ou enlouqueci ou acho que o chute que levei fez minhas bolas subirem para a cabeça, porque eu estou vendo duas Anastasias – Christian disse me fazendo sorrir, então ajudei ele a se levantar.

— Aquela ali é minha irmã gêmea Anabella.

— Você deveria segurar esse seu namorado pervertido, porque senão ele vai sair te traindo, beijando qualquer uma por aí, irmã.

— Ele não é meu namorado, Ella. É um dos meus pacientes – informei sentindo Christian se desvencilhar de mim, tentando se sustentar sozinho.

— Acho melhor eu ir embora. Desculpe pelo beijo, viu? Não era minha intenção parecer desrespeitoso – ele se desculpou e minha irmã lhe virou as costas, zangada ainda, já saindo rumo ao quarto, acompanhada pelo Jack.

— Não liga não, Christian. Minha irmã é assim mesmo.

— Deveria ter me avisado que tinha uma irmã gêmea. Ah, é claro, você não poderia, porque isso não me interessa. Sou apenas um paciente seu – ele falou, meio com raiva ou triste, não consegui distinguir qual tom Christian havia usado em suas palavras.

O chamei quando o mesmo saiu andando, meio troncho, mas ele me ignorou, então voltei ao quarto para pegar minha bolsa e vi minha irmã sentada no colo do Jack, aos beijos com ele.

Preferi não falar nada ou brigar com ela, só peguei a bolsa e antes de sair, Jack me informou que tinha ido até o meu apartamento, pegado o essencial para uma semana e levado para o dele, pois eu ficaria lá também até que Travis fosse localizado e preso.

O agradeci e logo saí do quarto, apressada, pois queria ver se conseguia pegar o Christian antes dele sair do hospital. Assim que cheguei a recepção, encontrei o mesmo passando pelas portas automáticas, já saindo do prédio.

— Christian! – gritei, mas ele continuou andando, me ignorando totalmente, deixando-me puta da vida – Christian, caralho, para de andar!

Xingá-lo surtiu mais efeito, então corri até ele e me apoiei em seu braço enquanto tentava refazer meu fôlego pela breve corrida em cima de 12 centímetros de salto.

— O que você quer, Anastasia?

— Te dar uma carona... Você está indo para casa, não é?

— Sim, mas não preciso de sua carona. Vou pegar um ônibus no ponto próximo daqui.

— Christian, me desculpe se fui rude com você lá na clínica, mas meus últimos dias estão sendo meio conturbados. Aceite a carona como se fosse o meu pedido de desculpas para você – falei pegando na sua mão – Por favor?

— Tudo bem, eu aceito.

Sorri e passei o seu braço sobre meu ombro, lhe rodeando a cintura com o meu braço, firmando-o, mesmo ele dizendo que não precisava de apoio para andar.

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