terça-feira, 14 de julho de 2020

S.E.X - 1ª Temporada - Capítulo 12


ANASTASIA

Assim que fechei a porta, me escorei nela escorregando até ao chão, não conseguindo mais segurar a carga emocional dessas últimas vinte e quatro horas, e chorando por alguns minutos.

Depois que chorei tudo que tinha para chorar, me levantei e fui lavar o rosto para refazer a maquiagem, pois minha irmã não poderia saber que eu havia chorado. Antes de sair da clínica, me despedi rapidamente de Samantha, quando fui pegar a caixa de presente que Christian tinha me dado.

A caminho do hospital, liguei para o Jack, me desculpando com ele por ter sido grossa ao telefone e acabei lhe contando o que havia acontecido, já pedindo sua ajuda para hospedar Anabella, pois como Travis estava aqui e tinha invadido o meu apartamento na noite anterior, eu não queria ver minha irmã sozinha lá.

Eu e Ella éramos irmãs gêmeas, e meu medo era de que Travis aparecesse e confundisse ela comigo e acabasse lhe fazendo algum mal. Jack foi o amigão de sempre e disse que assim que saísse do seu plantão na delegacia, passaria no hospital para buscar minha irmã. O agradeci e respirei fundo, pois com Anabella em segurança, eu poderia focar em meu pai.


★ ★ ★ ★ ★


Quando estacionei o carro no estacionamento do hospital, vi minha irmã perto da entrada, fumando.
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— Ella, o que está fazendo aqui fora?

— Fumando, não está vendo? – ela respondeu, emburrada.

Eu sabia perfeitamente o motivo de sua raiva.

A culpa era minha, porque assim que tinha visto a denúncia no jornal sobre os maus-tratos no asilo onde nosso pai jazia internado, fui até lá e o tirei daquele lugar, trazendo-o para o hospital e como eu tinha meus atendimentos, tive que ligar para Anabella para que a mesma viesse de Nova York para ficarmos revezando como acompanhante dele.

Todavia, o problema era que ela o odiava mortalmente, pelo que ele tinha feito conosco no passado.

— Como ele está?

— Na mesma. Não sei porque temos que ficar cuidando dele, Ana. Por mim, deixava esse velho apodrecer naquele asilo, sendo maltratado e comendo o pão que o diabo amassou – Ella resmungou jogando o resto do seu cigarro no chão, pisando-o com sua bota.

— Eu sei que você odeia ele, mas tenta ser um pouco compreensível e humilde com a situação do nosso pai. Ele errou no passado, claro, mas você assim como eu deveria perdoá-lo, irmã.

— Eu não sou Deus para perdoar ninguém, Ana. Por mim, esse desgraçado pode morrer já, eu ia era fazer uma festa para comemorar a morte dele. Se estou aqui “cuidando” desse velho é por sua causa, pois gosto muito de você, irmã, e não queria te ver atrapalhar sua vida profissional por causa daquele infeliz. E o seu olho, como está?

— Não está muito roxo, porque o papai está fraco pela doença – comentei enquanto adentrávamos a grande recepção do hospital, indo rumo aos elevadores.

— Mesmo doente, o infeliz ainda te machuca.

— Foi um acidente, Ella. Ele só ficou agitado essa madrugada e eu fui contê-lo, mas sua mão acabou escapando e acertando o meu rosto.

Nosso pai ainda estava amarrado à grade da cama quando entrei no quarto, sozinha, pois minha irmã tinha ficado no corredor. Ele dormia tranquilo à medida que aparelhos lhe monitoravam.

O derrame que o mesmo sofreu há seis anos, quase lhe custara a vida, mas felizmente ele não morreu, porém ficou com várias sequelas, como perda de memória e uma parcial paralisia em um do lado do seu corpo, além de ter ficado quase cego.

Puxei uma cadeira para perto da cama e me sentei pegando em sua mão, mas meu toque o fez acordar, então ergui-me quando ele passou a chamar o nome da minha mãe. Devido à perda de memória ele nos confundia com a nossa mãe, que morrera quando eu e Anabella tínhamos apenas quatro anos.

— Eu machuquei a nossa menininha. Eu sou um monstro. Me perdoa, amor? Eu não queria. Machuquei a nossa Bellinha – ele dizia chorando, meio desorientado.

— Calma, Ray. Está tudo bem. Eu te perdoo, querido – murmurei acariciando seu rosto enquanto o via aos poucos se acalmar e voltar a fechar os olhos.

A culpa o consumia, isso era bem notável, mas como reagiria ao saber que ele não tinha machucado só uma das filhas, e sim as duas? Que a garotinha da cama que ele sempre ia buscar para “brincar” a noite não era a verdadeira dona dela?

O ódio da Anabella não era pela primeira e única vez que ele a tinha molestado e sim pelas diversas vezes que ele havia me molestado pensando que eu era ela. Nunca entendi o motivo do nosso pai ter feito isso, mas depois que crescemos mantivemos distância dele.

Todavia, com o derrame, eu percebi que nós três só tínhamos um ao outro e ele também era a minha família, então o perdoei pelo passado e como não podia cuidar dele direto por causa do meu trabalho, o coloquei em um asilo que ouvi ter boas acomodações para o bem-estar dos pacientes, além de que ficava perto e eu podia visitá-lo sempre que desse.

Mas agora, com a denúncia de maus-tratos e o fechamento do asilo, eu não sabia o que fazer. Eu não poderia levá-lo para minha casa, pois tinha um ex-paciente surtado que me perseguia e uma pessoa assim para matar o objeto de sua obsessão não precisava de muita coisa.

Fiquei ao lado dele até que Jack apareceu para vir buscar minha irmã. Assim que retornei ao quarto, após ir ao balcão da enfermaria para pedir a alguém que fosse verificar a dieta enteral do meu pai, me deitei no pequeno sofá existente em uma das paredes e tentei descansar um pouco, dormindo minutos depois.

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